Notas iniciais
Quero agradecer a Alice pela recomendação, muito obrigada flor, estou feliz por isso^^
Ps: Cap em sua homenagem.
Entrei de férias hoje e prometo que agora irei postar mais caps por dia^^

Sigo para o carro e logo em seguida para a estrada, realmente hoje não é um dia muito calmo para mim, nenhum é.

Meus olhos estão ardendo e minhas pernas estão doendo, porque eles não podem resolver as coisas sozinhos, são como crianças que sempre precisam da supervisão de um adulto.

PASSEI cinco horas na estrada, estou todo travado e minhas pernas estão doendo. O porto está deserto, vejo apenas a silhueta de duas pessoas bem no final.

É bom o Adam ter algo em mente, porque eu estou aqui para acabar com o Muller e não pensar em um jeito para isso.

- Nathan – Adam vem até mim-, como a Cassandra está?

Por que ele quer saber da Cassandra? Ela só diz respeito a mim.

- Indo. – sou ríspido- O que o Muller quer?

Leo dá de ombros.

- Nem chegamos lá ainda. – ele me encara.

- Mas o que vocês estão fazendo aqui ainda?- praguejo- Já era para estarem no inferno ou levando o Muller para lá.

- Calma Nathan, as coisas não se resolvem de uma vez. – Leo diz calmo.

Reviro os olhos.

- Cadê o meu barco?- olho em volta.

- Já pedimos para trazer. – Adam não olha pra mim.

Odeio isso.

- Escutem uma coisa- falo alto-, quer seja a situação lá dentro, quero o Muller morto.

Eles me encaram com os olhos arregalados. Pareço até estar chinês ou qualquer língua de difícil compreensão, enquanto apenas estou pedindo a morte de um homem.

- Acho que não será fácil. – Adam comenta.

- Então façam ficar fácil. – rebato triunfante.

Adam franze o cenho e olha para outro lado.

Não é porque ele é o mais velho que irei obedece-lo ou escuta-lo, aqui é minha posse, eu mando.

O barco não tarda em chegar ao porto, o meu capitão sobe a bordo e nos leva para a minha ilha, em pouco tempo, como eu prefiro. Consigo ver os barcos que levaram o Muller a ilha atracados no deque da casa.

Meu estomago dá volta e tenho a sensação que vou vomitar ali mesmo, o vento quente do mar não melhora a sensação e eu cerro os punhos tentando me controlar. O universo consegue me atingir de todas as maneiras possíveis, e a pior foi ter me deixado nascer, como deixou essa menina que carrega o meu sangue.

O capitão atraca o barco e nós descemos cautelosas, Muller sempre traz quase sua guarda inteira quando vai fazer “negócios” com outros mafiosos, então podemos estar em uma linha de tiro e nem saber disso, o chamado “elemento surpresa”, o que mata quase uma máfia inteira.

A porta da casa está totalmente aberta dando boas-vindas irônica a nós, não permito que Leo passe. Adentro no local em silêncio e encontro Muller cercado de homens em minha sala usufruindo de um vinho e acompanhado de Victória.

- Qual o prazer da visita?- encaro-o cínico.

- Queria ver um velho amigo. – ele olha em volta como se procurasse alguém.

- Cassandra não está aqui. – dou logo a informação que ele quer.

- Já tive o prazer de saber disso. – ele sorri de canto- Presumo que esteja em um lugar trancado a sete chaves.

Rio.

Que bom que fosse...

- Digamos que ela está fora do ar. – digo irônico.

Ele concorda e levanta, seguido por Victória.

- Vejo que trouxe seu bicho de estimação. – encaro-a sorrindo.

Victória está mais madura depois que se juntou ao Muller e aparenta ser seu braço direito.

- Quero lhe apresentar minha esposa. – ele aponta para ela.

Meu queixo caí. O Muller tem idade para ser pai dela e além dele ser padrasto da Cassandra. A não ser que ela aceitou o pedido visando no dinheiro e nos bens que ela teria após sua morte... Hum, então é isso que ela quer; que eu mate o Muller e entregue a máfia de mão beijada para ela.

- Casal diferente. – rio.

Ela faz cara feia.

- Não vim aqui falar da minha vida pessoal. – Muller corta o assunto- Vim tratar de negócios.

Escuto Leo carregar a arma atrás de mim e Victória faz o mesmo, faço um gesto com a mão, avisando-o para esperar um pouco.

Rolo os olhos pela sala, tem cinco seguranças ao todo aqui, seis com a “bicho de estimação; futura mulher dele”, todos eles contra três.

Não temos nem cogitação em pensar em atacar primeiro, seremos fuzilados.

— Negócios?- ergo uma sobrancelha- Não tenho negócios com você.

Muller ri.

- Hoje irei te fazer uma proposta um tanto descente. – ele me encara- Nada sobre a máfia, mas será lucro pra você.

Nada que vem dele me dá lucro.

- Quero que venda sua filha pra mim. – Victória se prontifica em falar.

- Não. – falo simplesmente- Ela é minha.

Victória ri sarcástica.

- Até onde eu sei, você nem liga para essa criança, a Cassandra irá entender e será melhor pros dois, vocês não foram feitos para conviver juntos e não terão mais motivos para se aturar. – ela diz cínica.

- Quem é você para julgar?- franzo o cenho- Não sou eu que casei por ganância.

- Errou de novo, você trouxe a Cassandra e “casou” com ela por conta do dinheiro que receberia em troca. – ela rebate.

Bufo.

Tudo bem, ela não falou mentira, mas também não falou a verdade. No começo eu até poderia estar pensando na grana que eu ganhar sequestrando e matando-a, no entanto, quando eu a vi melhor e convive com ela, foi cada vez mais difícil ficar longe.

Balanço a cabeça negativamente.

- Posso não ser o exemplo de um pai ideal, mas nunca vendaria um filho meu. – encaro-os.

- É um bom negócio. – afirma Muller- Pago um bom dinheiro.

- Pra quê quer minha filha?- arqueio uma sobrancelha.

Ele dá de ombros e colocas as mãos atrás das costas.

O silêncio paira no local, meus olhos miram todos os lugares e movimentos a minha volta. Um barulho me deixa surdo por alguns segundos e vejo o Muller cair na minha frente e os seguranças apontarem as armas.

Olho para trás e vejo o Adam com a arma erguida. Porra.

- Idiota, não era para atirar. – falo entre dentes.

- Ele iria atirar primeiro. – Adam se explica.

Agora a merda foi feita.

- Perdi alguma coisa?- uma voz na porta para todos.

Naomi se encontra na soleira da porta com a mão no protetor da Katana, faz tempo que eu não a via usar essa faca, espada ou seja lá o que isso for.

- Como chegou tão rápido?- encaro-o.

- Eu saí atrás de você. – ela sorri.

Típico dela.

Faço um movimento rápido com o dedo e todos nós espalhamos pelo local, isso é pior coisa, o território inimigo ser desconhecido, nos favorece em defesa e deixa-os vulneráveis.

Vou até o final do corredor e pego um revolver no fundo falso da parede, encosto na parede e procuro por algum barulho suspeito.

Olho de relance para o outro lado do corredor e vejo um dos seguranças abrir a porta do quarto de jogos.

Respiro fundo e assim que solto o ar, atiro, pegando em cheio o ouvido do cara. Sorrio.

Escuto três tiros seguidos virem do andar de cima e um ultimo que finaliza o ato, resultando na morte ou ferimento de alguém, espero que não seja um dos meus. Olho novamente para o final do corredor e vejo o Leo encarando algo e um segurança a uma distancia considerável dele, me preparo para atirar quando vejo uma coisa reluzente atravessar seu abdômen na altura das costelas, Naomi surge ao lado dele. Enfim, por isso gosto dela, ela é ligeira, eficiente, inexistente e o armamento mais letal.

Vou atrás de Victória, ela não deve ter saído correndo, embora tenha acontecido aquilo que ela queria, posso ter sorte hoje e matar dois coelhos com uma cajadada só.

Caminho em passos cautelosos até a sala se estar e observo o ambiente calmo, até ver Victória na minha frente. Da onde ela surgiu?

Atiro e sua imagem se despedaça em minha frente, aí percebo que atirei em um espelho. Puta merda.

Viro devagar com a arma apontada para baixo, esse foi o pior erro que eu já cometi. Ela sorri triunfante sobre mim.

- Parece que esse bebê será órfã. – ela diz triunfante.

- Talvez. – sorrio assim que vejo a Naomi.

Naomi dá uma rasteira na Victória e a mesma atira para cima, abaixo e coloco a mão na cabeça. Naomi chuta a mão da Victória, fazendo a arma voar longe, as duas começam a se bater e eu apenas observo.

- Nathan. – Leo aparece na soleira da porta- Venha.

Ele saí andando as pressas pela casa até o andar de cima, onde vejo Adam sentado encostado na parede e logo depois escuto uma janela quebrar.

- Adam?- me aproximo dele.

Ele retira a mão do abdômen e mostra o sangramento.

- Você levou um tiro?- arregalo os olhos.

Ele sorri de canto.

- Está na cara. – diz com dificuldade.

- Consegue levantar?- seguro em seus braços.

- Não. – ele trinca os olhos- Estou bem aqui.

- Você precisa de socorro médico. – teimo.

Ele respira pausadamente e com dificuldade, o sangramento parece estar aumentando.

- Leo me ajude a leva-lo para o sótão. – me aproximo dele novamente.

Nós dois o erguemos e começamos a leva-lo para cima.

Querendo ou não, ele é meu irmão e o único membro da minha família que eu considero e gosto, não irei permitir que ele sofra algo letal.

- Isso dói!- ele resmunga.

- Relaxa. – o colocamos em cima da maca- Vá chamar a Naomi.

Leo saí da sala rápido.

- Ela não está bem, né?- Adam me encara.

Respiro fundo.

- Não. – murmuro.

- Então por que age assim Nathan?- ele franze o cenho.

— Assim como?

- Como se não estive sentido por vê-la do estado que está, ela é a única família que você terá daqui pra frente. – ele diz sincero.

- Ainda tenho você. – sorrio de canto.

Ele balança a cabeça negativamente.

- Eu daria tudo para ter um filho ou uma suposta esposa como você Nathan. – ele sorri.

- Não seja tolo.

Isso não parece fácil como as palavras demonstram.

- Tolo é você. – ele encara o teto- Eu ainda me lembro de quando a Nathalia nos levava para passear em algum lugar onde saímos da rotina de mortes e armas, de como ela nos fazia ser normais e humanos, seu filho pode lhe ensinar a ser assim, normal.

Nem Deus consegue fazer essa proeza, quem dirá uma monstrinha.

Coloco a mão em cima do seu ombro e o encaro terno. Adam às vezes passa dos limites dos pensamentos considerados aceitáveis, ele viaja para longe e acha que com pensamentos muda o mundo, mas essa não é a realidade.