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33 Capítulo 33
Nada adianta ficar com remorso agora, já aconteceu mesmo.
Sento no pequeno sofá que tem ao lado da cama, apoio meus braços em meus joelhos e fico observando-a em silêncio, coisa que eu devia ter feito há muito tempo, em vez de ficar batendo de frente e dando sempre razão a mim.
- Nathan. – Naomi abre a porta- Venha.
Ergo uma sobrancelha.
- Anda. – ela diz ríspida.
Levanto devagar e caminho até a porta, com os olhos fixos em qualquer movimento da Naomi em minha frente. Ela saí de perto da porta e segue até o final do corredor, fecho a porta e caminho em direção a ele, com certa distancia.
Naomi para enfrente ao elevador e paro logo ao lado dela. Encaramos mais uma vez a porta do elevador em silêncio.
Tenho vontade de sair correndo daqui e me exilar em qualquer lugar do mundo, deixando a dor me corroer, no entanto existe outra parte de mim me mandando ficar e enfrentar tudo isso de frente, pois, mesmo ela estando em coma, ainda precisa de mim e eu dela.
O elevador chega, entramos juntos. Ela aperta o botão para o quinto andar e continua em seu silêncio mortal e sinistro, que me causa calafrios, assim como a Cassandra quando discutia comigo e depois me ignorava.
- Venha. – Naomi sai do elevador às pressas.
Tenho que apressar o passo para conseguir segui-la e então ela para enfrente a uma janela de vidro.
Me aproximo devagar e paro ao lado dela, olho através do vidro e vejo varias incubadoras com bebês pequeno ou grandes, magros ou gordos. Mas por que estou aqui?
- Na terceira fileira vertical, a terceira incubadora. – Naomi comenta.
Sigo com os olhos o que ela falo e me deparo com um bebê médio e em peso considerável, está com um tubo no nariz e uma tala na mão esquerda ligada ao soro e outros coisas, porém ele é diferente dos outros, não se mexe, fica parada com a cabeça virada para o lado.
- O que tem ele?- encaro Naomi.
- Ela. – ela me corrige- Essa bebê é a sua filha, Nathan.
Engulo seco.
Minhas pernas ficam bambas e me apoio no vidro. Aquela coisa pequena e frágil é minha filha? Ela parece tão mal, está em um estado deplorável e ainda não entendo como uma coisa minúscula assim causou tanto estrago assim.
- Ela está bem?- murmuro.
- Nasceu prematura, é normal isso acontecer em gravidez de hipertensão arterial, então ela ficará ai durante uns meses para se desenvolver como um bebê normal. – Naomi diz olhando para os bebês.
- Por que ela não se mexe?- balbucio.
Ela dá de ombros.
Espero que ela não tenha nada.
Desencosto do vidro e volta caminhar em direção do elevador quando a Naomi me para.
- Sim?- encaro-a por cima dos ombros.
- Aonde vai?- ela franze o cenho.
- Vou voltar com a Cassandra, não tenho nada pra fazer aqui. – me solto.
- Como assim? E a sua filha?
- Minha ajuda aqui não serve para nada e eu não vou ficar vigiando um ser prematuro. – falo ríspido.
- Sua sorte é que a Cassandra está em coma. – ela balança a cabeça negativamente.
Dou de ombros.
Volto para o quarto em que a Cassandra está e sento no sofá novamente. O único barulho ali são os dos equipamentos até que meu celular começa a tocar.
- Sim?- sussurro.
- Você já chegou?- é a voz do Leo.
Justo com quem eu queria falar.
- Sim, já faz um tempo. – encaro o chão.
- Como ela está?- ele parece muito preocupado.
- Mal. – respiro fundo.
Ele fica em silêncio.
- Preciso de um favor. – vou direto ao assunto.
- Fala.
- Quero que abra uma conta aleatória em qualquer banco e transfira as despesas do hospital para lá e assim que ela sair daqui, delete essa conta e não deixe nenhum vestígio. – falo firme.
- Tudo bem, te ligo quando tudo estiver pronto. – ele diz com a maior responsabilidade.
- Ok. – desligo.
A imagem da bebê ainda está na minha mente, o jeito como ela está incuba e abandonada ali como se fosse “mais uma”.
O medo toma conta de mim de novo, eu não posso perder as duas ou uma, tenho que ter as duas. Eu já perdi uma vez e não posso perder de novo.
Mas essa bebê trouxe tanta briga e desgraça para a minha vida e de todos que fica meio difícil de gostar dela como um dia eu gostei do outro, no entanto eu sou o pai dela e terei que honrar isso, mesmo contragosto.
Passo a mão no cabelo e deixo-as na nuca, abaixando a cabeça.
Por que minha vida não é normal como a de todos? Ah, meu pai é o Ícaro e eu sou da máfia.
Escuto batidas na porta, a doutora abre e me encara.
- Podemos conversar?- ela sussurra.
Levanto e vou à direção dela.
- Sobre?- saio do quarto e fecho a porta.
- A sua filha.
Lá vem bomba...
- Bom, a menina é prematura e com qualquer bebê prematura permanecerá na U.T.I até uma melhora relativa. – ela começa a caminhar.
- Por que ela não se mexe?- encaro-a.
Ela ri.
- Bebês prematuras só dormem, ela irá começar a se mexer apenas depois de algumas meses. – ela sorri.
- Por que os outros se mexem?- franzo o cenho.
- Porque eles nasceram normal e tiveram algum problema grave que os levou para lá, como; má formação de um órgão, falta de glicemia ou qualquer outro.
Aquiesço e volta a encarar o corredor.
- Ela pode ter problema no futuro?- balbucio.
- Na lógica, ela terá sim, torcemos para que não sejam graves.
Contraio os lábios.
- E a Cassandra? Ela pode acordar cedo?- encaro-a.
Ela fica com a feição triste.
- O caso dela é mais grave, darei no mínimo uns meses até ela acordar.
Se isso acontecer.
- Tenho que atender uma paciente. – ela coloca a mão em meu ombro e saí andando.
Massageio minha testa. Como vou fazer agora?
Não posso garantir segurança para as duas aqui, o Muller com certeza vai vir atrás dela e não confio em hospitais depois do episodio da Vic. Tenho tantos problemas sem solução alguma...
Meu celular toca de novo...
- Sim?- atendo meio melancólico.
- Nathan, é o Lucas. – ele parece exaltado.
- Problema?- arqueio uma sobrancelha.
- Sim, o Muller invadiu a casa da praia e as entregas para a Colombia ainda estão lá.
Ah, puta que pariu.
- Já mandaram alguém pra lá?
- Sim, o Leo e o Adam. – ele respira no final da fala.
- Então venha pra cá você e eu vou pra lá. – falo firme.
- Não, eu posso ir. – ele teima.
- O Muller é assunto meu, Lucas. – falo sério e desligo o telefone.
Vou até o elevador e volto para o térreo. Já está na hora de acabar de uma vez com a geração Muller na minha vida...
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