Nathan prepara um lanche pra mim, comemos juntos. Embora ele tenha comido primeiro que eu e logo se enfornou no maldito escritório.

Encaro o prato com um pedaço do lanche, busco um pouco de fome para terminar o lanche.

- Feliz?- uma voz enojada chama minha atenção.

Ergo o olhar e vejo a Fabiana. Tenho vontade de vomitar.

- O que você quer?- falo ríspida.

- Saber como você está, já que carrega um príncipe na barriga. – ela diz com nojo.

- Estamos muito bem. – sorrio petulante.

- Que bom. – ela diz fazendo pouco caso- Tomara que ele deixe o Nathan muito feliz.

- Pode aposta que o Nathan está muito feliz.

- Aposto que sim. Vocês são um casal tão perfeito.

- Paro!- Gabi entra no meio- O que menos precisamos agora é de outra briga.

Mordo o lábio inferior com força e engulo as palavras.

- Vou para o quarto. – levanto da bancada.

Gabi sorri gentil. Nem sei como uma garota como ela é prostituta.

Subo para o quarto e vou direto para o banheiro. Tomo um banho bem demorado e relaxante, meus músculos estão tensos demais.

Assim que termino, coloco um lingerie normal e um roupão, volto para o quarto e encaro o espelho. Estou sob o efeito do Nathan, olhos brilhando, rosto corado, cabelos radiantes. Abaixo um pouco o roupão e não noto nada de novo em meu corpo.

Olho fixamente para a minha barriga e lembro-me do que o Nathan me disse: Querendo ou não, ele é herdeiro da minha máfia. Como um ser humano tão pequeno, pode originar uma guerra?

Aperto a minha barriga, como se isso o protegesse de algo, fecho os olhos e respiro fundo.

Sinto mãos em cima da minha e um corpo quente encostar-se ao meu.

Abro os olhos e pelo reflexo do espelho, vejo os olhos azuis fitarem os castanhos. Sorrio e tombo a cabeça no ombro dele.

- Eu vou sair. – murmura ele.

- Aonde vai?

- Vou atrás do Alek. – ele diz contragosto.

- O que ele fez?- franzo o cenho.

- Merda. O Alek só faz merda. – ele diz irritado.

- Dá um tempo pra ele, com certeza ele não deve estar bem.

Ele concorda e fica em silêncio.

- Você vai demorar?- murmuro.

De fato, não vou me atrever a ir com ele.

Ele dá de ombros.

- Isso não foi uma resposta. – sorrio.

Ele sorri.

- Talvez– ele não transmite certeza-, mas o Lucas vai vir ficar com você.

- Tudo bem. – viro- Não demore.

- Não. – ele diz firme.

Dou um selinho nele.

Ele se solta de mim e saí andando. Suspiro e vou para a cama, ele vai demorar.

**

Acordo assustada e afogada. O quarto está completamente cheio de fumaça e quente. Levanto com dificuldade, meus olhos ardem por causa da fumaça preta. Abro a porta e o calor aumenta.

Do corredor vem mais fumaça e mais calor. Saio do quarto e começo a tossir descontroladamente, minha garganta arde e meus olhos lagrimejam. Coloco a mão em frente da boca e do nariz e com a outra afasto um pouco da fumaça, mas não adianta, continuo a tossir e passar mal.

Consigo ver labaredas de fogo subir pelas paredes e as mesmas começaram a descascar. O calor fica infernal e tenho a sensação de que minha pele vai derreter, no meio da escuridão, acho a escada.

Desço mais que depressa, até que a mesma desmorona e eu caio de joelhos no chão de mármore quente.

Olho pros lados com dificuldade, não consigo enxergar nada, apenas algumas caindo, vidros quebrando, moveis de madeira virando pó e os moveis normais derretendo.

Meus pulmões estão pesados e doí conforme eu respiro, sinto minhas aéreas secas e ardentes. Minha cabeça está pulsando e meu coração bate rápido.

Consigo ver um ponto de luz do lado de fora, pego fôlego e corro, parece estar no inferno e que até minha alma está queimando. O ponto fica mais perto a cada passo e eu acelero, vejo que a parede de vidro e que já está em condições de desmoronamento, corro mais rápido e vou de encontro com a parede, caindo do outro lado.

Sinto a grama em baixo de mim e meu corpo tem espasmos de calor, parece sentir um choque térmico e fico paralisada durante um tempo, não consigo respira direito, tento a mesma pesada e dolorida, meus olhos ainda ardem, assim como o meu corpo.

- Cassandra!- escuto alguém gritar o meu nome.

Viro a cabeça com dificuldade para o lado e vejo Lucas correr até mim.

Não consigo responder nem me mexer, apenas desabo literalmente no chão. E busco fôlego.

Lembro-me dos olhos azuis e temo eu não poder vê-lo de novo.

- Cassandra. – a voz do Lucas está mais perto.

- Onde está o Nathan?- falo com tanta dificuldade que nem sei se ele consegue ouvir.

- Ele está vindo. – ele diz exaltado- Vem.

Sinto suas mãos tocarem meu corpo queimado, arfo.

- Ai!- reclamo tentando não encostar-me à mão dele.

- Eu preciso te tirar daqui. – ele diz paciente e começa a caminhar.

Meu corpo lateja e não consigo me concentrar em mais nada.