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27 Capítulo 27
Fico encarando o telefone como se com o meu olhar ele tocaria novamente, mas o pior é que toca.
- É melhor responder agora. – praguejo.
- Cassie?
Franzo o cenho.
- Quem é?
- É o Igor. – escuto ele rir- Está tudo bem?
- Sim, acho que estavam me passando trote. – resmungo.
- O seu bebê é menino ou menina?- ele muda de assunto.
- Menina, por quê?
- Nada. Valeu. – ele desliga, na minha cara.
Reviro os olhos e volto para o sofá, onde acabo cochilando.
**
Acordo com um cheiro ótimo de comida, meu estomago ronca e eu vou levantando aos poucos. Esfrego os meus olhos e encaro a porta da cozinha.
Em passos vagarosos chego ao cômodo que exala um cheiro ótimo, vejo o Igor em frente ao fogão e uma linda bagunça o cerca.
- Que lindo. – falo irônica.
- Não... Desculpa. – ele sorri de canto.
- Pelo o quê?- ergo uma sobrancelha.
- Por te fazer acordar e pela bagunça. – ele encara o fogão.
- Não foi nada. – aproximo-me dele- O que está fazendo?
- Uma receita que a minha mãe me ensinou. – ele mexe a panela com carne dentro.
- Carne de panela?- encaro-o.
Ele ri.
- Talvez.
- Posso ajudar?- pego uma colher.
- Não. – ele a retira da minha mão.
Batuco os dedos no mármore da pia enquanto eu o observo cozinhar.
NUNCA MAIS irei subestimar o Igor, ele sabe cozinhar perfeitamente, melhor que eu.
- O que foi?- ele me encara terno.
- Hein?- tento disfarçar algo.
- Está quieta e fechada nos últimos dias, quase nem fala.
Olho para outro lado.
- Às vezes parece que eu estou aqui, pareço estar viajando entre o presente e o passado. – murmuro.
- Saudade. – deduz ele- De quem sente saudade?
Abro a boca para falar, mas algo dentro de mim impede.
- Ninguém, acho que os acontecimentos passados me marcaram muito. – encaro-o.
- Também. – ele concorda.
- Vou dormir. – levanto da cadeira.
Igor segue meus movimentos com os olhos, sem dizer uma palavra sequer.
- Boa noite. – inclino um pouco o corpo pra frente e beijo a bochecha dele- O quarto de hospedes está arrumado.
Ele aquiesce.
Caminho até o quarto, sendo seguida pelo Percy. Tomo uma ducha rápida e coloco um pijama de calor.
Me deparo em frente ao espelho, escarando minha barriga. Ergo a camisa e deixo minha barriga desnuda, sinto um chute. Rio.
- Você não é muito de chutar, né?- passo a mão em minha barriga e sinto outro chute.
É algo tão estranho, demonstrando que eu não só apenas uma, que eu estou gerando uma vida e um amor incondicional, creio que seja capaz de ultrapassar os limites da física.
- Como você quer ser chamada?- encaro minha barriga pelo espelho- Eu ainda não tenho nenhum nome em mente.
Ela certamente irá precisar de um nome.
Escuto o carro de o Igor ligar, creio que ele não pode dormir aqui hoje. Arrumo minha blusa e vou para a cama.
Já está meio difícil achar uma posição confortável, sem que eu me sufoque. Encaro a janela ao meu lado e consigo escutar o barulho dos grilos, parece ser até calmamente.
Até que escuto uma batida forte na porta, paro por um momento, o barulho se repete mais três vezes. Levanto da cama e por onde passo acendo uma luz como criança com medo do escuro. Paro em frente a porta da sala e encara-a, o barulho se repete, pode ser o Enzo.
Abro a porta devagar e vou vendo uma silhueta de um garoto, até a abrir totalmente e me deparo com o Lucas. Meu coração só falta pular pra fora.
- Lucas!- exclamo sem reação.
- Que bom que você está viva. – ele respira aliviado.
- Quê?- indago.
Ele entra e fecha a porta, trancando-a.
- Estava tudo mundo achando que você ia morrer. – ele diz me encarando.
- Por quê?- arqueio uma sobrancelha- Estou muito bem.
- O Nathan te mandou embora porque o Muller estava mais perto do que o esperado, nem o Ícaro estava conseguindo segura-lo, por isso o Nathan deixou você ligar para a policia. – ele começa a andar em circulo.
Então o telefonema foi como jogar sangue no mar para chamar um tubarão.
- Como foi provado que você estava na casa de Angra, Muller iria atrás de você, mas com a policia lá ele não poderia se aproximar e então Nathan pode fugir como se você estivesse junto, mas na verdade você foi embora. – ele parece raciocinar sozinho.
O Nathan me deixou ligar para a minha vó e chamar a policia para me tirar da reta do Muller, ele fugiu para forjar uma fuga comigo e o Muller provavelmente foi atrás. Tudo faz sentido agora.
- Onde o Nathan está?- encaro-o.
- Ele está fazendo uma transferência na máfia, não sei para onde vai. – Lucas dá de ombros.
Então ele não volta...
Ele vai fazer uma transferência na máfia, ou seja, vai mudar para bem longe.
- Você faz o que aqui?
- Queria ver com os meus próprios olhos a verdade. – ele diz me encara analítico.
- Como assim?- franzo o cenho.
- Ter a certeza que você e o Nathan não estão mais juntos. – murmura ele.
Sinto uma pressão em meu peito.
- Aquilo não passou de uma síndrome, Lucas. – murmuro.
Ele parece incrédulo.
- Síndrome?-indaga ele- Dá pra ver nos seus olhos que você ama o Nathan.
Balanço a cabeça negativamente.
- Não, isso tudo foi uma mentira. – afirmo.
Lucas passa a mão no cabelo.
- Foi ele que te mandou aqui?- pergunto obvia.
- Não, vim porque quis. – ele diz sem importância.
- Já viu que estou bem. – rebato- O que mais quer?
- Que você acorde. – ele diz ríspido- Desde quando você escuta alguém? Se fosse assim, garanto que o Nathan nunca ia se interessar por você, o motivo de vocês se gostaram é que vocês se entendem sem precisar de um dominante na relação.
Continuo encarando em silêncio.
Ele quer dizer que eu o Nathan só demos certo porque não obedecíamos ou ao outro?
- O problema de vocês é esse orgulho estupido, o orgulho de não saber qual é a hora certa de se redimir- continua ele- Pelo amor de deus, só vocês não enxergam que se machucam para não se machucar?
O que ele fala faz sentido, sempre nos machucamos com o intuito de prevenir isso.
- É complicado. – murmuro.
- Não, não é. – ele diz sério e encara a minha barriga- Tá aí a prova mais concreta.
- Eu preciso colocar minha vida em ordem Lucas, o Nathan não é o centro das atenções.
- Não estou dizendo isso. – ele diz convicto- Estou falando que vocês tomam decisões erradas por bobeiras.
- Minha vida não é bobeira. – resmungo.
- Mas ficar sozinha aqui é, você está na mira do Muller faz séculos. – ele retruca.
Isso é verdade, e quem em garantia proteção era o Nathan, sem se importar com nossas brigas, ele sempre estava lá para a minha proteção.
Agora que estou sozinha aqui realmente corro mais risco do que com o Nathan, mas mesmo assim, eu preciso cuidar de mim.
- Você pode cuidar da sua vida, mas não correndo risco de perde-la – ele diz terno.
Se você soubesse que com o Muller ou não, eu corro o mesmo risco de morrer, não estaria falando isso.
- Eu não posso fazer nada. – ele diz baixo- Mas você pode, só que não faz.
- Preciso de tempo para pensar.
Ele respira fundo.
- Não sei se eu já previa isso, mas me precavi. – ele sorri.
Franzo o cenho.
Ele destranca a porta de novo e a Naomi se encontra lá.
- Irá cuidar da sua vida, mas em segurança. – ele diz firme.
- A Naomi vai ficar aqui comigo?- ergo uma sobrancelha.
- Não, você vai morar comigo. – ela sorri sem mostrar os dentes.
Nossa, por essa eu não esperava, mesmo.
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