Businesses Closed
28 Capítulo 28
- Eu não quero ir. – falo convicta.
- Desculpa mocinha, mas hoje você não tem querer. – ela adentra na casa e caminha até o meu quarto.
Ei!
- Pode falar para o Nathan que eu não vou. – teimo.
- Não foi ele que mandou a gente aqui. – Lucas acompanha a Naomi.
Em menos de meia hora, minhas coisas já estavam no carro deles e eu tive que inventar uma boa desculpa para o Enzo entender o motivo da minha ida.
- Onde é sua casa?- encaro a Naomi.
- Em São Paulo.
Graças a deus um lugar que eu conheço.
A VIAGEM não é muito longa, talvez pelo fato que eu dormi o caminho inteiro. A casa da Naomi fica no City América, meu antigo bairro de infância.
Lucas para em frente a casa e começa a tirar as minhas coisas junto com a Naomi, a casa é branca, na frente possui um pequeno jardim e uma rampa para a garagem, a porta da frente é duas folhas. Adentro na casa, que é bem espaçosa e confortável e por incrível que parece, não tem nada que lembre que ela é japonesa, tirando os quadros.
- Qual o problema?- Naomi passa por mim.
- Eu pensei em algo mais japonês. – sorrio de canto.
Ela sorri e começa a levar as malas para o andar de cima, Percy se enrola em minhas pernas e mia. Abaixo com cuidado e pego-o no colo, continuando a observar a casa.
Até que um gato gigante aparece, ele deve ser do tamanho de um cachorro médio ou até maior, dá três vezes o Percy.
- Ah, essa é a Mai. – Naomi aparece na escada- Ela é dócil.
- Até engolir o Percy. – comento- Que raça é?
- Savannah. – ela continua descendo.
- Bom meninas, já vou indo. – Lucas aparece na sala.
Viro devagar e o encaro. Solto Percy no chão e me aproximo dele, querendo ou não, ele é meu amigo, ele se importou comigo e fui atrás de mim.
- Obrigada. – murmuro.
- Não tem que me agradecer, eu não fiz nada. – ele sorri de canto.
Aquiesço.
- Tchau.
- Tchau. – sopro as palavras pra fora.
Assim que ele saiu, volto a encarar a Naomi.
- Relaxa, só vai ficar aqui até o Muller ficar quieto, depois pode ir viver sua vida. – ela diz de prontidão.
- Tudo bem. – murmuro.
Ligamos a Tv e basicamente todos os noticiários estão mostrando a “revolução brasileira”.
- Demorou. – Naomi comenta.
Sorrio.
- Quer comer alguma coisa?- ela me encara.
- Não, já jantei. – sorrio.
Ela concorda e continua vendo Tv, enquanto eu observo a gata dela.
Será que minha convivência com uma assassina profissional será boa?
**
Dormi no quarto de hospedes, que realmente é meio luxuoso para tal, antes de dormir mandei um e-mail para o Igor avisando onde eu estaria hoje e para ele não se preocupar comigo.
Acabei de fazer uma descoberta incrível, a Naomi tem a mesma sala que o Nathan tem na casa da ilha, mas ela já fez um tempo de medicina.
- Está passando mal?- Naomi aparece no cômodo, me assustando.
- Não, aqui me lembra a sala da casa da ilha. – comento.
- Ah, eu que montei aquela sala, pode ser isso. – ela diz simplesmente.
- Por que tem uma aqui?
- Eu costumo me curar sozinha, sem ir para hospitais, apenas em casos muitos graves. – ela caminha pelo local.
- Já chegou ater ferimentos graves?- inclino a cabeça.
- Não. – ela diz baixo- Sou forte demais para me importar com simples ferimentos.
Será mesmo?
- Mesmo a morte da sua mãe?- cruzo os braços.
Ela respira fundo.
- A morte da minha mãe apenas me fortaleceu e não me enfraqueceu, o Nathan é uma prova viva disso, a perda de quem amamos nos fortalece mais e nos faz ver a vida de um modo único, onde se você é fraco será apenas presa e não o predador.
— Eu não vi assim com a morte dos meus pais. – murmuro.
- Então você é fraca. – ela me encara.
- Não sou fraca. – falo ríspida.
- Então por que é tão indecisa?- ela diz certa de algo.
- Olha aqui- paro de falar antes que saia merda.
- Viu. – ela diz triunfante- É fraca.
- Não sou fraca. – falo nervosa.
- Por que briga com o Nathan?
- Porque... – pensa Cassandra.
Ela me encara e encaro o chão em busca de uma resposta.
- Por que ele nunca vê o meu lado da coisa, sempre é o lado dele. – praguejo.
Naomi balança a cabeça negativamente.
- Já vi o Nathan com muitas mulheres antes de você e posso garantir que você foi a que teve mais respeito dentre todas.
Falando nisso...
- Onde estão as prostitutas dele?
- Ele as mandou embora, estava com o corpo todo queimado e feio, não seriam mais útil. – ela diz fria.
Nossa, então quando elas perderam utilidade foram despachadas para bem longe dele.
- Mas elas saíram primeiro que eu do incêndio. – encaro a Naomi.
- Por que o incêndio começou pelo térreo, e é lá que fica o quarto da maioria, elas saíram bem na hora em que o fogo estava alto, na hora que você saiu, já havia bombeiros dentro e fora da casa, no entanto você se queimou mesmo assim.
Concordo.
A hora que eu saí tinha mais fumaça do que fogo, mas mesmo assim era um calor infernal.
- Ainda acho que ele não age correto comigo. – volto ao assunto.
- Não leio os pensamentos do Nathan. – ela rebate- Embora dá pra perceber que ele gosta mesmo de você, e não faz o que faz para te machucar.
- Para de defendê-lo, Naomi.
- Não defendo, apenas falo a verdade. – ela retruca.
Passo a mão no meu cabelo e suspiro.
- Quer fazer um ultrassom?- ela muda de assunto do nada.
- Hein?- franzo o cenho.
- Eu acabei de comprar um aparelho novo, queria saber se funciona. – ela sorri.
- Tudo bem, não tenho nada pra fazer mesmo. – dou de ombros.
COMRPOVAMOS que o aparelho da Naomi funciona. Ela foi treinar e afiar suas facas, enquanto eu estou tentando dar um banho no Percy.
- Vai tomar banho no tanque. – o estresse é palpável em mim.
Encho um balde de água quente e tampo o ralo do tanque, despejando a água lá dentro, logo em seguida coloco o Percy e inicio o banho.
A campainha toca e não me sinto bem em atendê-la. Procuro Naomi pela casa, até que a acho no sótão.
- Naomi. – falo assim que entro e uma faca voa em minha direção, só que não tem o formato de uma faca.
Meu coração vem na boca.
- Desculpa. – ela vem até mim.
- A campainha. – ofego.
- Fique aqui, sem dizer uma palavra. – ela ameaça.
Aquiesço.
Ela pega algumas facas e coloca no protetor perto da cintura, depois saí do local trancando a porta. Dirijo-me até a janela que dá na frente da casa e fico nas pontas dos pés para ver o portão.
É uma BMW preta, o teto solar está aberto e percebo que tem uma mulher no volante, com o cabelo preto amarrado em um rabo de cavalo.
Meus pés reclamam pela posição, mas insisto em continuar assim, até que a mulher saiu do carro e consigo identifica-la, é a Vic.
Meu pulso explode e minha respiração falha, abaixo devagar até sentir o chão gelado em meus joelhos.
É verdade o que o Nathan falou, ela está realmente ao lado do Muller e também está atrás de mim, agora como eles me encontraram?
- Cadê ela?- escuto a voz de Vic soar dos andares abaixo.
Naomi não diz nada ou diz muito baixo.
Escuto passos na escada.
- Ela está aqui. – Vic insisti.
- Pode revirar minha casa de cabeça pra baixo psicopata, mas não vai acha-la. – escuto a voz de Naomi.
- Me chamou do que?- Vic parece nervosa.
- Psicopata. – Naomi repete devagar- Já percebeu que está caçando sua melhor amiga?
- Sim, mas estou recebendo muito para isso, muito mais do que irei receber trabalhando uma vida inteira como médica, agora sei por que os mafiosos não largam isso. – ela diz triunfante- Agora onde ela está?
Ela tem uma boa lógica quanto a receber um bom dinheiro, só que não matando pessoas!
Prendo a respiração tentando não causar qualquer misero barulho.
- Se não for embora, irei chamar a policia e não será bom pra você, Victória. – Naomi ameaça com aquele jeito especial dela.
- Nem para você. – Vic rebate- Cuide melhor do Percy Cassandra.
Meu coração para. Puta que pariu, eu esqueci o Percy solto.
- Eu estou cuidando do Percy enquanto a Cassandra está com o Nathan. – Naomi inventa uma desculpa.
- Ah, eles são os casal perfeito. – Vic debocha.
- É mais preferível a Cassandra a você.
Isso aê Naomi.
Não consigo mais reconhecer minha amiga, seu jeito de falar, rebatar, agir e pensar mudaram completa com a máfia, é como se eu fosse uma pessoa totalmente aleatória.
- Eu ainda vou ficar cara a cara com ela, vocês não vão conseguir protege-la por muito tempo. – Vic diz se afastando.
As vozes somem conformo os passos são distanciados, o portão abre e consigo vê-los irem embora novamente.
Consigo me acalmar mais, faz tanto tempo que eu não vejo a Vic e agora me arrependi de vê-la. Escuto a porta destrancar, levanto e fico de frente com ela.
- Está bem?- Naomi me encara.
- Fisicamente. – sorrio sem mostrar os dentes.
Naomi coloca a mão em meu ombro e me encara como se fosse a pessoa mais sabia do mundo.
- A máfia leva aquilo que temos, mas nunca pertencemos e deixa aquilo que pertencemos, mas nunca rotulamos como nosso. – ela diz devagar.
Encaro-a sem saber o que dizer, sou uma analfabeta nesse sentido.
Fale com o autor