Quanto mais eu penso nele mais eu me esgoto e sofro, quanto menos eu tento pensar nele, acontece o mesmo efeito. Isso tudo parece uma droga onde eu estou em estão de abstinência.

Rolo os olhos pela sala e vejo o computador da minha avó em cima da mesa, sem hesitar muito, caminho até ele. O mesmo se encontra aberto em uma página do google, o que a minha avó procuraria ali?

Sem perder muito tempo, digito Síndrome de Estocolmo e entro no primeiro site que vejo. O site diz a mesma coisa que o senhor falou;

Síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida há um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. A síndrome de Estocolmo parte de uma necessidade, inicialmente inconsciente.

E nada saiu do padrão...

/*/

Desço atrás do Nathan como um furacão, estou a ponto de entrar em erupção e explodi-lo.

- Com quem pensa que está falando?­ – praguejo.

Ele vira e me encara sério.

- Com você. – ele diz sarcástico.

- Olha aqui Frost, não sou obrigada a aturar os seus surtos de bipolaridade, então se controle!- bato de frente com ele.

- Quem é você para mandar nos meus afazeres, Cassandra?- ele diz com desdém.

Cerro o maxilar.

- Infelizmente eu não ninguém, mas você tem sorte. – falo entre dentes.

- Sorte?- ele diz irônico- Se eu tivesse sorte, eu não estaria a ponto de ter um filho.

- Você me enoja.

- Ótimo, assim você percebe que não irá adiantar nada, eu nunca vou gostar dessa criança, nunca!

- Então por que ainda me mantém aqui?- indago.

- Não sei, talvez é melhor você ir embora mesmo. – ele pega algo no bolso- Ligue pra casa e suma daqui.

- Obrigada. – puxo o celular da mão dele e disco para a minha vó.

O telefone toca e caí na caixa postal, desisto de tanto ligar e sento no sofá.

Algumas horas depois vejo lanças cercarem a casa e Nathan sair pelas portas do fundo, junto com todos. Naomi diz algo que eu não lembro e eu obedeço, ficando parada. Os policias entram e verificam a casa e eu apenas saio caminhando até a lança deles...

/*/

Desperto do devaneio assim que escuto o Igor chegar, fecho o computador e ando em direção do sofá, voltando à posição que eu estava.

- Demorei?- ele adentra na casa.

- Não. – Na verdade, eu nem reparei.

- Está com fome?- ele me encara.

- Não.

- Só sabe dizer “não” agora?- ele sorri.

- Não. – sorrio.

Ele ri.

- Tudo bem, vou ver o que tem de comida aqui. – ele vai até a cozinha.

Assim que ele entra na cozinha, encaro o Percy que me fita pensativo.

- Percy. – murmuro chamando-o e esfregando o polegar no indicador.

Ele vem caminhando todo estiloso até mim e pula em meu colo, passando a cabeça em minha barriga como se soubesse da minha tristeza.

- Ei menino. – passo a mão em suas costas até o rabo- Sentiu saudades?

Ele ronrona e deita em minhas coxas.

Afaga-lo é uma terapia intensiva, me acalma até a alma e me faz esquecer de tudo. Levo um susto quando recebo um chute da criança dentro de mim.

Os olhos azuis do Percy me lembram os do Nathan, tento ignorar o fato e faço que eu nunca o conheci, ele é um completo estranho agora.

Vou voltar a ser aquela menina que sempre fui e seguirei em frente, não preciso do Nathan para viver...

**

Faz exatamente uma semana que eu não vejo aquela pessoa e ele não faz falta alguma pra mim. Igor vem me ver de fim de semana e Enzo fica comigo durante a semana, o caso da minha avó não foi resolvido, a policia anda atrás de mim, mas eu estou fugindo, não tenho clima para frequentar aqueles lugares.

- Tem certeza?- Enzo me encara.

- Sim. – sorrio.

- Tudo bem. – ele abaixa e pega a sela do Troia- Só não caí.

Reviro os olhos.

- Sou profissional. – gabo-me.

- Até em ir para um hospital?- ele zomba.

- Cala a boca. – resmungo.

Ele pega um banco e coloca perto dos meus pés, subo no mesmo e monto de lado no Troia, com a maior calma, toco-o para frente e ele começa a andar em um passo lento como se soubesse que carrega algo especial.

- Tome cuidado!- Enzo grita.

- Eu sei o que eu estou fazendo. – grito de volta- Espero. – murmuro para mim mesma.

Vamos até o pasto, Troia tenta andar mais apressado, mas eu sempre o repreendo, ele pode me derrubar se continuar assim. A posição que eu me encontro está muito desconfortável e Enzo não está mais aqui.

Paro o Troai e sento normal nele, tendo minha barriga quase encostando em seu pescoço, tento evitar usar vestidos, mas são os mais apropriados agora, não sou muito fã de roupas de gravidas.

Volto para o curral e encontro o Enzo, ele me encara feio.

- O quê?- finjo que não sei o motivo.

- Quero ver você descer agora. – ele cruza os braços e sorri.

Hum... Não tinha pensado nisso.

Passo minha perna direita para o lado esquerdo, só que ela fica entalada no pescoço do Troia e eu não consigo me mexer.

- E agora?- Enzo diz triunfante sobre mim.

- Faça-o abaixar a cabeça. – murmuro.

Minha barriga está muito grande para a posição que estou agora, me fazendo quase não conseguir respirar.

- Anda!- falo nervosa.

Ele puxa a rédea do Troia e o mesmo abaixa um pouco a cabeça, consigo passar minha perna com muito esforço e então deslizo até ter os pés firmes no chão.

- Fácil. – sorrio.

- Você tem muitos problemas. – Enzo resmunga e leva o Troia até a baia.

- Obrigada. – levo isso como um elogio.

Volto para a casa e vou fazer o que sempre faço; ligo a Tv, deito no sofá e brinco com o Percy. E isso vai até a janta e depois se repete até a hora que eu vou dormir.

Eu não vou conseguir aturar isso por muito tempo, tenho que me ocupar com alguma coisa, isso é tedioso demais para mim, mesmo estando gravida e debilitada.

O que mais me dói é que eu tenho exatamente três meses para viver normalmente, pelo o que eu entendi, corro um sério risco de morte na hora do parto, por isso qualquer precaução e pouco, terei que tomar as precauções do perfeito.

O telefone da casa toca, levo um susto. É estranho, quase ninguém liga aqui, pego o objeto.

- Alô?- não consigo disfarçar o tom de duvida.

Ninguém responde.

- Alô?- falo mais alto.

O silêncio continua do outro lado da rua.

- Alô?- falo firme e levemente estressada.

Ninguém responde, pareço estar falando sozinha.

Escuto um chiado na linha, certamente tem alguém do outro lado.

- Olha, eu não sou idiota amigo. – falo estressada.

Isso está me estressando, então desligo o telefone com força, batendo-o contra a sua base. Por que tanto nervoso?!

Quem será que era? E como tem o telefone daqui? E por que não me respondeu!?