Nathan não demora muito para voltar com a pomada, acompanho seus movimentos com os olhos, sem dizer nada.

- Por que o Adam deixou a Alex ir embora? Ele poderia ter atirado nela. – comento.

Ele para e me encara.

- Se ele tivesse a matado, não iriamos saber para quem ela trabalha.

Hum... Eu não tinha pensado nisso.

- E como vocês vão descobrir? Vocês não têm rastreadores.

- Não subestime a máfia, Cassandra. – ele sorri.

Reviro os olhos.

- Eu iria subestima-la até a morte. – falo convicta.

Se ele acha mesmo que eu vou idolatrar a máfia apenas porque convivo com ela... Ele está muito errado, pra mim, isso não passa não passa de uma condição de vida, assim como traficantes.

- O Adam é melhor que eu nesse sentido, por que não pergunta pra ele o motivo?

Levanto da cama com dificuldade e caminho até a porta.

- Farei. – abro a porta e saio.

Desço a escada com dificuldade e cuidado para não cair, Nathan não vem atrás de mim.

Ela devia ter morrido e não levado um tapa na cara, isso eu fazia!

- Adam!- chamo-o do pé da escada.

Ele me encara do sofá.

- Por que você não a matou?- pergunto ríspida.

Não percebo que o Alek está na sala, mas ele parece não se importar.

- Não foi questão de matar Cassandra, mas se ela estava espionando a gente, ela trabalhava para alguém que quer prejudicar o Nathan, podia ser até a polícia. – ele diz paciente- Por isso foi melhor deixa-la ir embora para sabermos quem é o chefe dela.

- E se você não descobrirem?- cruzo os braços.

- Não tem como, se ele queria que ela matasse você, com certeza vai querer saber no que deu.

Tudo bem, o que o Adam fala tem certa lógica, mas ainda prefiro que a ideia da morte.

- Já acharam alguma coisa?- encaro-o.

- Ainda não, é só uma questão de tempo. – ele sorri.

- O celular dela está no escritório. – comento.

Ele levanta do sofá e corre para o escritório, escuto o barulho de ele revirar as coisas.

Sorrio.

Encaro a escada e não tenho a mínima vontade de voltar para cima, embora a cama seja um ótimo lugar agora.

- Falou?- Nathan aparece do meu lado.

Suprimo um grito e forço um sorriso.

- Sim.

- Vai querer ficar aqui embaixo?- ele me encara.

- Já desci. – dou de ombros.

- Mas eu poço te levar pra cima. – ele abaixa e me pega no colo- Você está mais pesada.

Fecho a cara e ele ri.

- Será por que eu sou dois em um?- sorrio.

Ele sorri.

- Gosto desse termo. – ele me encara.

- Sei...

Ele me coloca na cama e pega o tubo de pomada e depois me encara.

- Eu passo. – ergo a mão para pegar a pomada.

- Eu faço isso. – ele não me deixa pegar.

- Nathan... – falo em repreensão.

- Por favor. – ele me encara terno.

Respiro fundo.

- Comece por minha perna. – estico-a em seu colo.

Ele sorri e abre o tubo de pomada.

A pomada é gelada demais e o toque do Nathan me dá arrepios, não me deixando conter o riso.

- Rindo do que?- ele me encara.

- Nada. – sorrio- Isso me dá muito arrepio.

Ele concorda e continua passando a pomada em cima dos hematomas, em um ritual de massagem.

- Tem em algum outro lugar?- ele me encara.

Mostro o meu braço.

Ele volta a passar a pomada, agora ao longo do meu braço e o mesmo está mais dolorido que a perna.

- Quer ir para o hospital?- ele me diz sem me encarar.

- Por quê?- franzo o cenho.

- Pra ver se tem alguma coisa errada com o bebê, se é que isso já é um bebê. – ele sorri de canto.

- Eu adoraria. – sorrio.

Até que enfim vou poder sair da casa.

**

Depois de longos exames e uma conversa séria com a médica, descobri que não tem nada com o bebê, mas peguei uma receita de um mês inteiro de cama em repouso absoluto.

Agora sim o Nathan vai ter muitas razões para me deixar em casa.

- Podemos ir ao shopping?- encaro-o.

- Sim.

Sorrio.

Minha vida social está voltando ao poucos, pelo menos estou vendo gente diferente agora.

O shopping não está muito cheio, pelo motivo de ser um dia de semana e as pessoas devem trabalhar no dia seguinte e o cansaço mata. Caminhamos por vários corredores, eu gostaria de comprar algo para o bebê.

- Iremos morar na ilha?- encaro-o.

- Não sei, talvez não.

Então ainda não dá para montar o quarto do bebê.

- Posso comprar alguma coisa para o bebê?- encaro uma vitrine de loja.

Ele dá de ombros.

Encontro uma alô bebê, não hesito em entrar e arrastar o Nathan comigo.

- Posso ajudar?- uma atendente vem sorridente para mim, não sei se quer ganhar algo com o dinheiro ou com o Nathan.

- Quero macacões. – sorrio.

- Tem preferencia de cor?- ela me encara através de seus óculos estilo gatinho rosa.

- Amarelo, verde ou branco.

Ela concorda e vai para trás de um balcão, mexendo em uma prateleira cheia de roupinhas para bebê. Nathan fica ao meu lado, mas parece ignorar tudo a sua volta.

A atendente coloca vários estilos de roupinhas na cor que eu pedi em cima do balcão e me encara. Começo a mexer nas roupas, são macias e sinto uma vontade louca que o meu bebê estivesse ali para eu pega-lo.

- Mas eles têm temas e eu ainda não sei o sexo do bebê. – sorrio torto.

- Então você quer apenas o body?- ela me encara.

Ela é idiota?

- Sim, mas eu quero com temas unissex e não de carrinhos ou borboletas. – sorrio.

Ela faz cara feia e volta a mexer nas roupinhas. Olho de relance para o Nathan que se distraí com uma revista de mulheres com biquínis, bato da revista de leve e ela caí no chão.

- Desculpa. – falo cínica.

Ele revira os olhos e pega a revista voltando-a em cima do balcão.

Ela volta com vários estilos de body, culotes e macacões exatamente como eu pedi.

Começo a escolhe-los de um modo realmente muito critico, pensando e ver o meu bebê usando as roupas.

- O que acha desse?- mostro um body amarelo para o Nathan.

- É bonito. – ele diz sem ao menos ver.

- Você poderia olhar. – resmungo- Vou levar esses.

Ela separa e Nathan vai pagar. Saio da loja e encara a que tem logo em frente, a muitas coisas de computação lá, mas algo chama a minha atenção; uma câmera Nikon p510.

Caminho até a loja e olho o preço, está até razoável. Tenho que inventar uma desculpa para comprar isso. Pelo que já vi, Nathan tem muitas fotografias em seus lugares favoritos da casa, o que me faz pensar que ele gosta de tirar foto, então...