Saí da casa e fui para frente da casa, caminhando entre as plantas até chegar perto da piscina, onde o barulho nas ondas batendo no rochedo da lateral da casa era maior.

Sento no gramado e observo o mar que daqui de cima parece ser o reflexo do céu, escuro e uniforme, calmo e reluzente a luz da lua. O gramado fresco esfria minha pele e me faz ter arrepios.

- Devia fugir menos. – escuto a voz de Nathan perto.

Sorrio.

- Sorte minha que estamos em uma ilha. – ele senta ao meu lado. – Frio. – resmunga ele.

- Eu posso nadar. – encaro-o.

Ele me encara sarcástico, mas não diz nada.

- Tente. – ele faz um gesto mostrando o mar.

- Terei como voltar?

Ele olha para trás.

- Por ai. – ele aponta.

Olho na mesmo direção e vejo o local onde os barcos sempre param.

- Tudo bem então. – levanto e me afasto da beirada.

A adrenalina corrói minhas veias e meu coração bate acelerado, mas não de medo e sim por liberdade. Só que tenho certeza que não serei permitida em pular.

Afasto-me o suficiente da beirada. Respiro fundo e corro em direção à mesma, Nathan me encara perplexo. Estou tão perto da beirada, penso em desistir, todavia não há mais tempo para pensar em parar. Quando sinto um impacto na lateral de meu corpo e caio para o lado.

- Você é louca?!- Nathan diz exaltado.

- E você tem reflexo. – rio.

- Você realmente iria pular?- ele me encara.

- Talvez, mas eu sabia que você estava falando da boca pra fora. – encaro-o.

Ele suspira.

- Se eu não tivesse pegado você?

- Eu ia cair, provavelmente voltaria nadando. – sorrio irônica.

- Depois eu que tenho problemas. – ele me solta e levanta.

Sento e encaro-o.

- Te dei um susto?

- Quase eu que tive um enfarte. – ele passa a mão no cabelo.

Sorrio.

Ele se preocupa muito comigo.

Fico admirando-o de longe, enquanto ele anda de um lado para o outro estresse e afobado pelo ocorrido agora pouco. Agora fui eu que o deixei preocupado e isso é parcialmente engraçado.

- Não faça mais isso. – ele meio que ordena.

- Tudo bem. – falo convicta.

Ele balança a cabeça positivamente e para de andar, encarando a piscina a sua frente.

- O que foi?- murmuro.

- Quer nadar?- ele me encara.

- Não acha que é muito tarde?- ergo uma sobrancelha.

- Você não pensou nisso quando resolveu pular. – ele rebate.

Ele ganhou.

- Tá, só que não irei ficar muito tempo. – levanto do gramado.

Caminhamos até a beirada da piscina, encaro a água cristalina iluminada por uma luz clara. Deve estar fria.

- Que horas são?- murmuro.

Nathan dá de ombros.

- Só não faça muito barulho. – murmura ele.

- Por quê?- franzo o cenho.

Nada não faz muito barulho, certo?

- As damas primeiro. – ele sorri.

Estreito os olhos.

Coloco o pé direito um pouco atrás do esquerdo e coloco minhas mãos na frente do corpo, inclinando o meu corpo pra frente até cair. Meu corpo desliza para dentro da piscina sem nenhuma dificuldade, a água está congelando e meu corpo não reage muito bem a isso.

- Está frio. – abraça-me.

Nathan pula logo em seguida, quase sem omitir um som muito grande, realizando o mesmo pulo que eu e aparecendo na minha frente.

- Sua boca está quase roxa. – ele sorri.

- Por que será?- pergunto obvia.

Encaro Nathan e uma dúvida surge:

- Depois que... Hum... Dormimos juntos, o que aconteceu?- pergunto meio corada.

- Como assim?

- Eu dormi, mas não me lembro de muita coisa solida.

- Você ficou me encarando durante um bom tempo e depois dormiu. – ele sorri.

Só isso?

Na minha mente está tudo confuso e bagunçado, não sei onde começa e termina uma lembrança. Mas agradeço por não ter feito nada muito caótico.

- Estou com muito frio. – falo com lábios trêmulos.

Ele se aproxima de mim e me abraça. Seu corpo é quente e nem parece que ele está em uma piscina congelada.

- Eu aqueço você; vocês. – ele se corregi rápido.

Sorrio.

- Você é tão cavalheiro.

Ele fica em silêncio.

- Nathan?- encaro-o.

- O que ele fez?- ele me encara.

- Ele quem?- franzo o cenho.

- Adolf, o que ele fez pra você?

Respiro fundo. Não foi bom eu comentar isso com ele.

- Não gosto de falar sobre isso. – murmuro.

- Mas eu quero que fale. – ele insisti.

- Isso não mudará nada na sua vida. – rebato.

- Mudará sim. – ele sorri.

- Ele é assunto de página virada, Nathan. Não gosto de falar sobre ele. – encaro-o- Assim como você não fala do seu passado.

Ele franze o cenho.

- Apenas gostaria de saber. – ele diz baixo.

- Quem sabe um dia.

Algumas coisas que acontecem pra gente, são tão marcantes emocionalmente que você não acredita que isso realmente aconteceu justo com você e é isso que Adolf me causou.

- Você voltou a vê-lo?

- Não, depois do ocorrido, eu contei para a minha avó por meio de uma carta e então nunca mais o vi. – murmuro- Agradeço por isso.

Nathan encosta o queixo no topo da minha cabeça e respira fundo.

Ficamos em silêncio, o que é uma boa para o momento.

Agora fico imaginando oque poderia ter acontecido se eu tivesse pulado e o Nathan não tivesse o reflexo de me pegar no ato. Com certeza estaria em um hospital.

Sorrio em pensar nisso.

Uma luz na casa ascende, não sei de quem é o quarto, mas é bem enfrente a piscina, creio que não é o nosso ou do Alek. Deve ser o da Naomi ou do Leo.

- Nathan, o Leo tem algo com a Naomi?

- Acho que só afinidade, por quê?- ele me encara.

- Eles parecem tão próximos às vezes que parecem estar ficando ou algo do gênero e se bem que eles combinam um pouco.

Nathan sorri.

- A Naomi é meio fechada em assuntos assim, então não posso dizer nada. – ele encara a janela da luz acesa.

- E o Leo?- sorrio petulante.

- Ele dá algumas brechas, mas nada que realmente dê a entender que eles têm um relacionamento.

Mordo o lábio inferior.

Estou falando do relacionamento dos outros como se o meu fosse o mais normal do mundo.

- Nathan, falando na Naomi... – contraio os lábios- Ela disse que o Muller está com novos empregados.

- Sim. – ele afirma.

- Mas eu não entendo por que ele pegou jovens.

- Geralmente pelo trabalho pesado, precisa ser forte e ter resistência, o que muitos não têm. – ele diz simplesmente.

- Isso explica ele ter pegado jovens?- encaro-o.

- Talvez. – ele dá de ombros- Não entendo muito o Muller, ele é muito estrategista.

Hum... Tipo você?

- Vou sair. – me afasto dele.

- Por quê? Eu nem estava sentindo mais frio.

- Não quero ficar doente. – faço uma careta e saio da piscina.

- Você está usando a minha cueca?- ele diz pasmo.

Nossa, tinha esquecido desse pequena detalhe.

Sinto o meu rosto esquentar e abaixo a cabeça.

- Sim. – sussurro.

Ele ri e saí da piscina.

- Irei prestar mais atenção nos detalhes. – ele pisca pra mim.

Reviro os olhos e caminho para a porta da sala. Preciso de um banho quente, muito quente.

Caminhamos entre tropeços e escorregões, quase levando lindos tombos no piso liso. A escada foi nosso maior desafio, tirando o tombo que o Nathan levou na cozinha.

- Eu tomo primeiro. – corro para o banheiro.

- Eu!- ele anda mais rápido que eu.

- Os dois. – faço um acordo e entramos no banheiro.