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13 Capítulo 13
Saí da casa e fui para frente da casa, caminhando entre as plantas até chegar perto da piscina, onde o barulho nas ondas batendo no rochedo da lateral da casa era maior.
Sento no gramado e observo o mar que daqui de cima parece ser o reflexo do céu, escuro e uniforme, calmo e reluzente a luz da lua. O gramado fresco esfria minha pele e me faz ter arrepios.
- Devia fugir menos. – escuto a voz de Nathan perto.
Sorrio.
- Sorte minha que estamos em uma ilha. – ele senta ao meu lado. – Frio. – resmunga ele.
- Eu posso nadar. – encaro-o.
Ele me encara sarcástico, mas não diz nada.
- Tente. – ele faz um gesto mostrando o mar.
- Terei como voltar?
Ele olha para trás.
- Por ai. – ele aponta.
Olho na mesmo direção e vejo o local onde os barcos sempre param.
- Tudo bem então. – levanto e me afasto da beirada.
A adrenalina corrói minhas veias e meu coração bate acelerado, mas não de medo e sim por liberdade. Só que tenho certeza que não serei permitida em pular.
Afasto-me o suficiente da beirada. Respiro fundo e corro em direção à mesma, Nathan me encara perplexo. Estou tão perto da beirada, penso em desistir, todavia não há mais tempo para pensar em parar. Quando sinto um impacto na lateral de meu corpo e caio para o lado.
- Você é louca?!- Nathan diz exaltado.
- E você tem reflexo. – rio.
- Você realmente iria pular?- ele me encara.
- Talvez, mas eu sabia que você estava falando da boca pra fora. – encaro-o.
Ele suspira.
- Se eu não tivesse pegado você?
- Eu ia cair, provavelmente voltaria nadando. – sorrio irônica.
- Depois eu que tenho problemas. – ele me solta e levanta.
Sento e encaro-o.
- Te dei um susto?
- Quase eu que tive um enfarte. – ele passa a mão no cabelo.
Sorrio.
Ele se preocupa muito comigo.
Fico admirando-o de longe, enquanto ele anda de um lado para o outro estresse e afobado pelo ocorrido agora pouco. Agora fui eu que o deixei preocupado e isso é parcialmente engraçado.
- Não faça mais isso. – ele meio que ordena.
- Tudo bem. – falo convicta.
Ele balança a cabeça positivamente e para de andar, encarando a piscina a sua frente.
- O que foi?- murmuro.
- Quer nadar?- ele me encara.
- Não acha que é muito tarde?- ergo uma sobrancelha.
- Você não pensou nisso quando resolveu pular. – ele rebate.
Ele ganhou.
- Tá, só que não irei ficar muito tempo. – levanto do gramado.
Caminhamos até a beirada da piscina, encaro a água cristalina iluminada por uma luz clara. Deve estar fria.
- Que horas são?- murmuro.
Nathan dá de ombros.
- Só não faça muito barulho. – murmura ele.
- Por quê?- franzo o cenho.
Nada não faz muito barulho, certo?
- As damas primeiro. – ele sorri.
Estreito os olhos.
Coloco o pé direito um pouco atrás do esquerdo e coloco minhas mãos na frente do corpo, inclinando o meu corpo pra frente até cair. Meu corpo desliza para dentro da piscina sem nenhuma dificuldade, a água está congelando e meu corpo não reage muito bem a isso.
- Está frio. – abraça-me.
Nathan pula logo em seguida, quase sem omitir um som muito grande, realizando o mesmo pulo que eu e aparecendo na minha frente.
- Sua boca está quase roxa. – ele sorri.
- Por que será?- pergunto obvia.
Encaro Nathan e uma dúvida surge:
- Depois que... Hum... Dormimos juntos, o que aconteceu?- pergunto meio corada.
- Como assim?
- Eu dormi, mas não me lembro de muita coisa solida.
- Você ficou me encarando durante um bom tempo e depois dormiu. – ele sorri.
Só isso?
Na minha mente está tudo confuso e bagunçado, não sei onde começa e termina uma lembrança. Mas agradeço por não ter feito nada muito caótico.
- Estou com muito frio. – falo com lábios trêmulos.
Ele se aproxima de mim e me abraça. Seu corpo é quente e nem parece que ele está em uma piscina congelada.
- Eu aqueço você; vocês. – ele se corregi rápido.
Sorrio.
- Você é tão cavalheiro.
Ele fica em silêncio.
- Nathan?- encaro-o.
- O que ele fez?- ele me encara.
- Ele quem?- franzo o cenho.
- Adolf, o que ele fez pra você?
Respiro fundo. Não foi bom eu comentar isso com ele.
- Não gosto de falar sobre isso. – murmuro.
- Mas eu quero que fale. – ele insisti.
- Isso não mudará nada na sua vida. – rebato.
- Mudará sim. – ele sorri.
- Ele é assunto de página virada, Nathan. Não gosto de falar sobre ele. – encaro-o- Assim como você não fala do seu passado.
Ele franze o cenho.
- Apenas gostaria de saber. – ele diz baixo.
- Quem sabe um dia.
Algumas coisas que acontecem pra gente, são tão marcantes emocionalmente que você não acredita que isso realmente aconteceu justo com você e é isso que Adolf me causou.
- Você voltou a vê-lo?
- Não, depois do ocorrido, eu contei para a minha avó por meio de uma carta e então nunca mais o vi. – murmuro- Agradeço por isso.
Nathan encosta o queixo no topo da minha cabeça e respira fundo.
Ficamos em silêncio, o que é uma boa para o momento.
Agora fico imaginando oque poderia ter acontecido se eu tivesse pulado e o Nathan não tivesse o reflexo de me pegar no ato. Com certeza estaria em um hospital.
Sorrio em pensar nisso.
Uma luz na casa ascende, não sei de quem é o quarto, mas é bem enfrente a piscina, creio que não é o nosso ou do Alek. Deve ser o da Naomi ou do Leo.
- Nathan, o Leo tem algo com a Naomi?
- Acho que só afinidade, por quê?- ele me encara.
- Eles parecem tão próximos às vezes que parecem estar ficando ou algo do gênero e se bem que eles combinam um pouco.
Nathan sorri.
- A Naomi é meio fechada em assuntos assim, então não posso dizer nada. – ele encara a janela da luz acesa.
- E o Leo?- sorrio petulante.
- Ele dá algumas brechas, mas nada que realmente dê a entender que eles têm um relacionamento.
Mordo o lábio inferior.
Estou falando do relacionamento dos outros como se o meu fosse o mais normal do mundo.
- Nathan, falando na Naomi... – contraio os lábios- Ela disse que o Muller está com novos empregados.
- Sim. – ele afirma.
- Mas eu não entendo por que ele pegou jovens.
- Geralmente pelo trabalho pesado, precisa ser forte e ter resistência, o que muitos não têm. – ele diz simplesmente.
- Isso explica ele ter pegado jovens?- encaro-o.
- Talvez. – ele dá de ombros- Não entendo muito o Muller, ele é muito estrategista.
Hum... Tipo você?
- Vou sair. – me afasto dele.
- Por quê? Eu nem estava sentindo mais frio.
- Não quero ficar doente. – faço uma careta e saio da piscina.
- Você está usando a minha cueca?- ele diz pasmo.
Nossa, tinha esquecido desse pequena detalhe.
Sinto o meu rosto esquentar e abaixo a cabeça.
- Sim. – sussurro.
Ele ri e saí da piscina.
- Irei prestar mais atenção nos detalhes. – ele pisca pra mim.
Reviro os olhos e caminho para a porta da sala. Preciso de um banho quente, muito quente.
Caminhamos entre tropeços e escorregões, quase levando lindos tombos no piso liso. A escada foi nosso maior desafio, tirando o tombo que o Nathan levou na cozinha.
- Eu tomo primeiro. – corro para o banheiro.
- Eu!- ele anda mais rápido que eu.
- Os dois. – faço um acordo e entramos no banheiro.
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