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14 Capítulo 14
Uma claridade irritante me obriga a abrir os olhos. Está de manhã, Nathan não está na cama. Levanto com cuidado e passo a mão no cabelo, improvisando um coque.
Caminho até o banheiro e faço minha higiene matinal, coloco uma roupa fresca e saio do quarto. A casa está em um silêncio incomum, não se escuta nem os pássaros, mas eu duvido que pássaros voem tão longe da costa.
Desço os degraus com cautela, olhando para todos os lados antes de descer mais um e assim vai até que eu já esteja na sala, a mesma se encontra vazia e arrumada, assim como todo o ambiente que me cerca.
- Nathan?
Minha voz ecoa pela sala inteira, sem um sinal da resposta.
- Nathan!- falo mais alto.
Não obtendo resposta nenhuma.
Olho para a cozinha e não encontro a bacia que a Naomi deixou ontem. Isso está começando a ficar estranho...
Continuo parada de costas para a escada, buscando alguma pisca visível de onde o Nathan pode estar. Aparento não ter sucesso na busca.
Mordo o lábio inferior.
Eles não poderiam ter evaporado...
Caminho até o sofá, sentando na braçadeira e encarando a janela de vidro a minha frente. Não faço a menor ideia do que pode ter acontecido com eles.
Escuto um motor ser desligado perto da casa, olho para a janela que dá na piscina e vejo uma lança, porém não é a do Nathan. Salto do sofá e corro para a cozinha, vasculho as gavetas procurando por alguma arma ou qualquer coisa.
A porta da sala abre e eu paro, não consigo mexer qualquer musculo do meu corpo.
- Nathan!- ele entra gritando, só que pronuncia errado.
O primeiro “a” do nome dele tem som de “ei”, idiota.
Abaixo e encosto no gabinete, rezando para que ele não tivesse me visto.
- Nathan!- ele volta a gritar, só que dessa vez do jeito certo.
Isso está cheirando a problema...
Tento ficar em silêncio, mal respiro. Consigo escutar os passos do homem, eles parecem estar perto da cozinha. Merda...
- Quem é você?- a voz está perto de mim.
Ergo o olhar na direção que ela veio e vejo um menino de olhos azuis e cabelos dourados, é um pouco mais alto que o Nathan, só que tem o mesmo o físico que ele.
- Eu que faço a pergunta. – levanto.
Ele me encara sério.
- Perguntei primeiro. – ele contrai os lábios.
- Sou Cassandra e você?
- Não tem sobrenome?- ele cruza os braços.
- Pra você... Não. – falo seca.
Ele sorri. O mesmo sorriso que o Nathan.
- Sou Adam.
- Não tem sobrenome?- pergunta irônica.
- Adam Frost. – ele diz triunfante.
Meu queixo cai no chão. Outro irmão?!
- É parente do Nathan?- franzo o cenho.
- Irmão mais velho. – ele diz convicto.
- Outro?- falo perplexa.
- Outro?- ele repete incrédulo.
- O Nathan tem uma irmã, a Mariana.
- Filha da puta. – ele resmunga- Ela está aqui?
- Não tem ninguém aqui. – sorrio torto.
- Só você?
- Agora você. – acrescento- Mas o que tem com a Mariana?
- Ela não passa de uma traíra.
Do que ele está falando?
- E você é o que do Nathan?- ele me encara.
- Namorada. – murmuro sem jeito.
Ele sorri de canto.
- O Nathan sabe escolher namoradas. – murmura ele.
Sorrio cínica.
- Bem, ele não falou para aonde ia?- ele retoma o foco.
- Não. – cruzo os braços.
Nesse momento, não quero saber onde está o Nathan, quero saber sobre ele.
- O Nathan não comenta nada sobre você. – comento.
- Sério?- ele me encara.
- Sim, ele raramente fala alguma coisa. – sorrio torto.
- Ele sempre foi assim.
- Também é da máfia?- balbucio.
- Sim, só que fico no exterior.
Ah! Deve ser um dos motivos do Nathan ter negócios lá...
Mas o que isso envolve a Mariana?
- A Mariana, o que ela fez?
Ele me encara como se eu não fosse uma pessoa confiável.
- Ela trabalha para o Muller. – ele começa a caminhar para a sala.
Meu deus, ela é inimiga? E eu ainda queria que ela ficasse por perto. Realmente tenho que escutar mais o Nathan, se fosse por mim ela estaria morando com a gente há mil anos...
- Tem dado informações do Nathan para ele, só que por algum motivo ela foi afasta... – continua ele.
Vic...
- Foi por causa de uma discussão. – sou breve.
- Só que agora tem novos informantes. – ele me encara.
- Opa! Não olhe pra mim, não sou eu!- ergo as mãos na defensiva- Eu quase não sei nada sobre o Nathan.
- Mas não é sobre ele, é sobre a máfia dele.
- Muito menos. – falo convicta.
Adam me encara mais analítico e depois relaxa.
- Verdade, senão não seria a namorada dele. – ele sorri.
Respiro aliviada.
- Mas essa pessoa pode estar envolvida no sumiço dele. – continua ele.
Minhas pernas fraquejam, o Nathan foi vitima de uma armadilha?
- Sabe onde ele está?- balbucio.
- Infelizmente não. – ele diz baixo.
Mordo o lábio inferior com força, machucando-o novamente.
- Ele comentou algo que dê alguma pista?- ele coloca a mão n queixo.
- Não. – contraio os lábios.
O irmão dele é bem mais apresentável que ele e mais amigável também.
- Certo. – ele começa a andar em círculos.
- Por que veio pra cá?- inclino a cabeça.
- Avisar sobre o espião, ele está prejudicando a máfia no exterior. – Adam diz encarando o chão.
A máfia é realmente bem complexa, qualquer coisa fora do lugar acarreta um erro descomunal.
Abaixo a cabeça e fito o chão de madeira, gostaria de ajudar.
- Você é irmão por parte de quem?- comento, sem querer ser invasiva.
- Por pai, sou filho de uma das prostitutas de John. – ele sorri.
Levarei em consideração que John é a mesma pessoa que Ícaro.
- E a Mariana foi um fruto da traição da mãe do Nathan com o John, isso gerou a morte da mãe dele depois que descoberta a traição. John não perdoa traição.
- Mas ele pode trair. – rebato.
Adam ri.
O Nathan tem razão, o pai dele devia ser um homem horrível e de fato, essa foi a única saída para a mãe dele ter uma vida, optando pela traição. Isso realmente é triste.
- A Naty me criou como se fosse um filho seu, também não acreditei que John teria cometido tal ato e principalmente por Nathan ter participado disso.
- Participado?- franzo o cenho.
Pelo o que eu sei, ele viu e não participou.
- Sim, o John queria ensinar-lhe a ter o sangue frio de um mafioso, para isso fez o Nathan enterrar o corpo da mãe e limpar o próprio sangue que lhe deu a vida.
Meu estomago dá voltas, nunca iria imaginar que o Nathan passou por isso.
- E ele aceitou?- murmuro.
- O Nathan é uma pessoa difícil, frequentemente levava surras do John, e fui assim que ele enterrou a mãe, a base da tortura. – Adam diz em lamento.
Um vácuo passa pelo o meu corpo, ele aprendeu a aplicar a força bruto com o pai e não por que ele é um ogro, ele já passou por coisas piores do que faz hoje, talvez isso explica a surra que ele deu no Alek por um erro idiota.
- Eu não imaginava isso. – minhas pernas ficam moles- Sempre o julguei sem saber desses detalhes sódicos.
- Ele prefere esconder essas coisas, pra ele o que importa é a imagem que ele passa para os outros e não a piedade de seu passado. – Adam diz logico.
- Entendo.
Aproximo-me do sofá e sento. Quando eu iria saber disso se não fosse pelo Adam? Creio que nunca.
Ah Nathan, como eu gostaria de conhecê-lo realmente...
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