Businesses Closed
29 Capítulo 29
A Naomi tem um autocontrole incrível dos sentimentos dela, ás vezes acho que ela não sofre do mesmo mal que muitos por aí ou pode sofrer em silêncio...
- Como consegue ser assim?- murmuro.
- Assim como?- ela franze o cenho.
- Se controlar tão bem.
- Eu simplesmente não coloco os sentimentos em primeiro lugar e sim a razão.
Respiro fundo. Já está na hora de eu aprender a fazer isso.
- Vamos. – ela me dá passagem.
Desço os degraus com cuidado, ainda pensando no jeito que a Vic estava, até parece que a máfia fez um bem pra ela.
- Quer beber alguma coisa?- Naomi passa por mim.
- Não. – sorrio- Vou ficar na sala mesmo.
- Bom, eu vou treinar mais um pouco, qualquer coisa grite. – ela sorri e volta a subir a escada.
Aquiesço e continuo descendo.
PASSEI a tarde inteira acariciando a Mai e o Percy como uma senhora viúva ou solteira, encarando a janela da sala que dá direto ao parque ali perto. Tento buscar a razão dentro de mim, mas parece que ela está bem longe e eu precisarei de um mapa.
Depois de escutar cada palavras que a Vic pronunciou sobre mim como se eu fosse apenas um animal de caça que ela busca com ansiedade por aí, depois de lembrar do Nathan e depois do Igor.
- Tem uma pessoa querendo falar com você. – Naomi aparece do nada.
Suprimo um grito e forço um sorriso.
- Quem?- franzo o cenho.
- Ele está lá fora. – ela aponta para a porta.
Ele?
Caminho até a porta um pouco rápido demais, assim que a abro encontro o Igor no portão.
- Como chegou aqui?- pergunto me aproximando.
- Você me mandou um e-mail com o endereço. – ele sorri.
- Verdade. — contraio os lábios.
- Quem é a japonesa?- ele me encara.
Sorrio.
- Uma amiga minha da faculdade. – minto- Ela soube da morte da minha avó e quis me ajudar.
- Então não precisa mais da minha ajuda?- ele inclina a cabeça para o lado.
- Não, sim.
Ele ri.
- Sim ou não?- ele ergue uma sobrancelha.
- Eu não sei. – suspiro- Sim?
Ele dá de ombros.
- Quer dar uma volta?- ele muda de assunto.
Olho para os lados em cautela.
Já faz um tempo considerável que a Vic foi embora, acho que não tem mais perigo.
Fecho o portão e caminhamos até o carro dele. Entro e me ajeito no banco. Ele entra do outro lado e liga o motor do carro com um ronco forte.
O parque não fica muito longe da casa da Naomi, por isso não demoramos muito para chegar. Aqui faz muito frio, parece que estamos em Campos do Jordão.
- Como vai à faculdade?- puxo assunto.
- Bem e a sua?
- Eu tranquei minha matricula. – contraio os lábios- Depois do nascimento do bebê eu vou continuar.
- E pode me falar quem é o pai do bebê?- ele me encara.
As palavras dão um nó na minha garganta.
- Deixa pra lá. – ele suspira.
- Não me leve a mal. – murmuro.
- Não falei nada, apenas queria entender você. – ele encara o chão.
- Acho que você não gostaria disso. – sorrio- Sou uma garota complicada.
Ele ri.
- Todos são complicados. – concorda.
Ficamos em silêncio.
- Sua avó melhorou?- mudo de assunto.
- Sim, já está em casa.
- Hum... – encaro a quadra de futebol.
A primeira sirene do parque toca, deve ser cinco e meia. Damos meia volta e começamos a fazer o caminho oposto, voltando para a entrada do parque.
- Quer ir embora?- ele me encara.
- Tanto faz. – dou de ombros.
Paramos em uma barraquinha de água de coco e depois ficamos andando em frente ao parque. Tendo vários assuntos ao mesmo tempo e nunca finalizando um.
- Você não vai comprar um enxoval para a bebê?
Até perdi o gosto da gravidez...
- Mas pra frente, a Naomi vai me ajudar nisso. – sorrio.
- É melhor a gente ir pra casa. – ele muda de assunto.
- Tudo bem. – concordo e seguimos para o carro.
O caminho foi completamente silencioso, tirando o rádio que tocava Arms da Christina Perri, essa música é muito linda, embora eu não consiga traduzi-la por inteiro.
Vejo alguns carros parados em frente a casa da Naomi.
- Pare o carro. – ordeno.
- Por quê?- Igor franze o cenho.
- Pare!
Ele para bem na esquina, inclino o meu corpo pra frente e observo o movimento, o porta-malas do carro está aberto, assim como o portão da garagem da Naomi.
Isso é estranho. Será que a Vic voltou com reforços?
Naomi saiu da casa segurando uma caixa de papelão e coloca no porta-malas do carro, logo em seguida saí um menino segurando uma caixa um pouco maior. Ele me lembra muito o Lucas, só que estou muito longe para confirmar.
Igor me encara confuso.
Não tenho certeza de quem são aquelas pessoas até que vejo um menino sair usando um boné NY vermelho, aquela silhueta me é muito familiar. Ele conversa com a Naomi, parece estar preocupado, só que ela consegue acalma-lo.
Abro a porta do carro e começo a caminhar em direção da casa, que está longe. Apresso o paço até onde eu posso, o ar já começa a falta, mas mantenho o passo firme. Cada vez que me aproximo tenho certeza de quem é, seu nome entala em minha garganta.
Faltam apenas três casas para chegar a da Naomi, meu coração está aos pulos e minha respiração difícil. Forço-me a continuar, quando consigo vê-lo melhor. Estamos a poucos metros de distancia e eu não consigo pronunciar o nome dele.
A falta de ar é grande e não consigo respirar direito.
Continuo em passos mais lentos e consigo chegar a casa dela.
Fico parada, sem pronunciar uma palavra, buscando a razão antes de colocar os sentimentos a flor da pele. Meu corpo fica estático e eu consigo apenas observa-lo.
- Nathan?- murmuro. Tão baixo que duvido que ele escutou.
Ele olha de relance na minha direção e então seu olhar paralisa em mim. Meu pulso explode e não sei o que fazer.
- Você pode me explicar o que está acontecendo?- grito.
Nathan abre a boca e logo depois fecha.
Dou três passos para frente e Naomi entra.
- Diz pra mim que isso não foi uma ilusão. – suplico- Por favor.
- Cassandra. – ele ainda parece surpreso.
- Diga. – mantenho o foco.
- Eu não sei.
Não se descontrole Cassandra, busque a razão e deixe os sentimentos de lado.
- Diga que eu não sofro de síndrome alguma. – murmuro.
Ele franze o cenho.
- Diga Nathan!- repreendo-o.
Nathan suspira.
- Não vai dizer?- fico pasma- Quer mesmo deixar tudo assim? Sem eixo?
- Eu achei que tínhamos eixo Cassandra, mas agora perdi a fé. – ele passa a mão no cabelo.
- Como assim?
- Você sempre foi muito confusa com o que pensa. – murmura ele.
- Isso não influência em nada.
- Influência sim, não está vendo como está agora? Querendo ter certeza por mim. – ele diz paciente- Não sou eu que cuido dos seus sentimentos Cassandra.
Mordo o lábio inferior.
Então essa confusão de sentimentos fui eu que criei?
Ele está insinuando que eu estou confundindo a mim própria com os sentimentos errados? Que essa historia de síndrome não existe e que eu o amei de verdade, não?
- Por que você sumiu?- murmuro.
- Estou fazendo algumas mudanças. – ele fecha o porta-malas do carro- Foi por isso.
- Veio aqui por quê?
- Fiquei sabendo que a Vic passou aqui hoje e também tinha que pegar umas coisas com a Naomi. – ele diz sem importância.
- Cassandra?- escuto a voz do Igor.
Nathan fecha a cara assim que o vê.
- Parece que tinha companhia. – ele diz frio.
- O Igor só estava ajudando. – digo simplesmente.
- Sei... – ele não parece acreditar.
- Pare de ser ridículo. – resmungo.
Ele sorri.
- Eu tenho que ir agora. – ele me encara.
Olho para o portão e vejo Lucas.
- Claro. – esfrego o meu braço encabulada- Mas me promete uma coisa?
Ele me encara com a cabeça inclinada.
- Promete que volta e que vai resolver isso comigo, precisamos conversar com mais calma. – murmuro.
Ele suspira.
- Eu volto, prometo. – seus olhos brilham sinceros, eles não metem.
- Estarei te esperando então. – sorrio torto.
Ele aquiesce.
Quero muito abraça-lo e não deixa-lo partir, mas me obrigo a ficar parada. A Naomi disse que a razão vem primeiro que os sentimentos, então não agirei por impulso, preciso conversar melhor com ele.
Nathan entra no carro e fecha a porta. Percebo que ele demora para tocar o carro e então o Lucas entra, aí sim ele vai embora.
- É melhor você entrar. – Naomi diz paciente.
- Ele volta mesmo?- encaro por cima dos ombros.
Ela encara o carro se afastando.
- Nathan é uma pessoa de palavra. – ela afirma- Irá voltar.
Sinto outro chute da pequena dentro de mim.
Tenho vontade de chorar, eu simplesmente o deixei ir embora de novo, consegui cometer o mesmo erro novamente ou talvez eu fizesse a coisa certa em deixa-lo ir embora.
- Cassandra. – Naomi aparece ao meu lado- Você tem algo que te impede de escutar a si mesma, você tem medo de ama-lo ou medo de amar outra vez.
Aquiesço.
- O que eu faço?
- Arranque fora o que te prende mentalmente e se liberte, senão é capaz de você louca.
Franzo o cenho.
- É apenas um conselho. – ela sorri.
Então terei que achar o Adolf novamente?
Fale com o autor