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25 Capítulo 25
- Pode me contar o que aconteceu?- Igor me encara.
Encaro-o e respiro fundo.
- Bem, ele deixou eu falar com a minha avó, eu liguei para ela só que ela não atendeu, acho o que celular dela estava grampeado e meia hora depois a polícia estava lá.
Opa, falando assim até parece que o Nathan fez isso com o proposito de chamar a atenção, talvez seja mesmo isso.
- Então o seu sequestrador deixou você ligar para a sua avó?- ele parece surpreso.
- Ele é meio complicado. – sorrio de canto.
- E isso?
Sei que ele se refere a minha barriga.
- Um bebê. – contraio os lábios.
- Nossa, pensei que era um alienígena. – ele ri.
Reviro os olhos e encosto a cabeça no vidro.
Não estou em clima para conversar, me sinto culpada por querer ligar para a minha avó, por ver o Nathan uma ultima vez no meio de uma briga por causa do bebê, de ter chamado a polícia sem querer...
Parece que a minha vida é um obstáculo onde eu consigo supera-los nunca, deixando-os maiores e mais difíceis que no começo, eu quero movê-los para frente e ir caminhando assim, só que chega um momento que eu não consigo mais movê-los e tenho que ultrapassar, mas ai que tá, como?
- Sabe onde a Vic está?- Igor quebra o silêncio entre nós.
- Não. – murmuro. E nem quero saber onde ela está.
A PORTEIRA está aberta, o que é muito estranho, minha vó nunca deixa a porteira aberta por medo de assalto. Entramos normalmente, só que eu entro com mais cautela, olhando para todos os lados, a casa está ao longe e consigo ver carros a cercando, parecem ser da polícia.
Assim que o Igor para o carro, disparo para fora do mesmo e ando na direção da movimentação, então percebo que os carros são da pericia.
Meu coração vem na boca e tenho medo de entrar na casa.
- A Senhorita não pode passar. – uma mulher me barra.
- Eu sou a neta dela. – falo séria e ignoro o pedido da mulher.
- Está gravida. – ela tenta me barrar novamente.
- Que se foda. – continuo caminhando para dentro da casa.
Encontro Percy em um estado de pânico em cima da poltrona, ele nunca fica tão assustado por bobeira, mas é bom vê-lo. O pego no colo e caminho para a sala de estar onde estão saindo fleches fortes e vozes.
Paro na soleira da porta permaneço imóvel, meu coração para e causa uma dor forte em meu peito, meus braços fraquejam e Percy caí do meu colo, assim como as minhas pernas. Caminho lentamente até o corpo jazido no chão frio, temendo o pior.
E sim, era ela. Está com a expressão fria e pele pálida, a sangue cercava o seu corpo e sua roupa parecida ter sido lavado com o mesmo. Não consigo dizer nada, apenas continuo olhando, parada e lívida.
- Você não deveria estar aqui. – um homem me afasta do corpo.
- Ela era a minha avó. – murmuro e então ele para.
- Você era a neta dela?- ele parece surpreso- Não há registro que ela tenha uma neta.
- Eu fui adotada. – sinto as lagrimas se acumularem em meus olhos mais uma vez- Sabe quem fez isso?
- O quê parece é que foi um assalto, o caseiro já foi fazer depoimento, mas no momento não temos nada concreto.
- Terão que achar o assassino dela. – falo debilmente.
- Nós faremos isso. – ele confirma.
- Quando?- acordo- Daqui a anos quando eu já tiver superado a perda? Quando eu perder a esperança de justiça pelo covarde que fez isso? E para quê vão prendê-lo se daqui a um mês ele estará solto e matando mais pessoas!- explodo.
O homem me encara assustado.
- Me responda!- grito.
Quem poderia fazer isso com a minha avó? Ela era uma pessoa tão doce, nunca brigou com ninguém, não tinha inimigos e possuía muitos amigos, por que fizeram isso com ela?
Poderiam ter feito isso comigo, eu morreria, mas não ela. Talvez por isso ela não atendeu o telefone a hora que eu liguei.
Não consigo respirar direito.
Já não basta o Nathan, agora a minha avó! Poderiam matar qualquer pessoa aqui, até a minha filha, mas a minha vó não, ela foi à pessoa mais honrada, me criou mesmo sabendo que eu não era nada dela, perdeu a filha por causa de mim e mesmo assim continuo me amando.
O soluço atrapalha ainda mais a minha respiração e então sou retirada da sala. Percy volta para o meu colo e Igor está de frente comigo.
- Eles querem que você vá a delegacia. – ele comenta.
- Sou a pessoa mais azarada do mundo. – murmuro.
- Quê?- ele franze o cenho.
- Primeiro descubro que o amor que eu tinha era apenas uma ilusão minha e depois a minha avó...
- A vida tem seus altos e baixos Cassie. – ele diz terno.
- E quando o meu momento no alto vai chegar?- encaro-o.
Ele dá de ombros.
- Queria poder responder, mas não sou vidente. – murmura ele.
Abaixo a cabeça.
- Pode ir à delegacia para mim?
- Sim. – ele sorri- Depois eu volto.
Aquiesço.
Igor e mais alguns policias saem da casa, continuo no sofá encarando a porta da sala de estar.
A perícia não demorou muito para retirar o corpo e deixar a casa em ordem novamente. As pessoas passavam por mim ali como se eu fosse apenas um espirito de uma garota sem virtude, pois eles nem diriam um olhar de lamento sequer, vi o corpo de a minha vó ir embora e é como se um pedaço de mim estivesse indo com ela, talvez para o paraíso, um lugar que eu realmente preciso ir.
Sou como um cego procurando a luz na imensidão do paraíso, sem ninguém para me guiar até o meu destino, o quê duvido muito que tenho.
Deito no sofá e me cubro com a manta que tinha ali, encolho-me e fecho os olhos. Lembro-me que a minha mãe dizia que quando eu estivesse triste era para fechar os olhos e imaginar uma coisa bonita. Então vamos seguir o conselho dela.
Fecho os olhos devagar...
Logo estou em um quarto claro e com janelas de cadeia, tem mais alguém ali comigo, ele possui os olhos azuis mais lindos que alguém pode possuir, seu cabelo negro escapa pelo boné e ele parece estar me encarando há muito tempo.
De repente estou em um quarto de hotel, ele está muito perto de mim, consigo sentir o seu cheiro em mim e desejo mais que nunca seus lábios embora eu tenha receio disso; Ele está deitado no chão sangrando e sofrendo, seus olhos azuis estão se apagando aos poucos e medo de perde-lo me consome, eu sabia que eu o amava ali, só que tinha medo que fossem apenas palavras jogadas no vento; Ele voltou, está no bar me esperando, eu consigo tê-lo em minhas mãos novamente e então nunca mais vou solta-lo; Estamos em um quarto, nossas respirações descompensadas e estamos suando, o quarto está abafado e eu me sinto feliz; Então eu estou fugindo dele sem motivo, com medo e ele aparece novamente para me salvar, seus olhos azuis são minha luz no momento; Descubro algo dentro de mim e brigamos mais uma vez; Voltamos a morar juntos e ele confessas coisas que tem medo; Estamos na piscina e ele volta a ser o meu menino; Eu enfrento o tal receio dele; Ele se acostuma com a coisa dentro de mim e parece gostar dela; Podemos voltar a normal, quando tudo desmorona novamente diante de mim e então ele vai embora novamente...
Abro os olhos ofegante e olho em volta, procuro por ele, mas ele não está lá, não está para me ajudar agora, não está mais para me reerguer e me proteger, ele simplesmente não está...
Talvez ele volte como as últimas vezes, tenho certeza que ele volta. Sim! Ele vai voltar novamente!
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