Continuamos sentados na cantina. Lucas está inquieto, mas não diz nada sobre o Nathan ou Alek e sei que ele sabe de alguma coisa. Será que isso está ligado com o motivo do choro dele?

- Pode falar. – encaro-o terna.

Ele engole seco.

- Não tenho o que falar.

Continuo encarando-o, só que mais séria.

- Só estou com medo que aconteça algo ruim com o meu irmão.

Tudo bem. O que de ruim aconteceria ao Alek nesse momento? Será que o Nathan é capaz de feri-lo, mesmo sendo um de seus amigos?

Deve ser algo muito grave, se o Lucas está com medo sendo que ele deveria ter ódio do irmão depois do acontecido com a Mariana.

**

A tarde passou bem rápido, em um piscar de olhos já havia escurecido. Eu continuo no hospital com a companhia do Lucas, Vic ainda não acordou e a acho que não podemos entrar no quarto.

O celular do Lucas toca, ele levanta e se afasta de mim.

Cruzo a perna em cima da outra e suspiro. Encosto a cabeça no encosto do sofá e fecho os olhos, minhas mãos deslizam para o meu ventre.

Ah meu bebê, o que será de nós?

- Cassandra. – uma voz firme me chama.

Abro os olhos num salto e vejo os olhos azuis me encararem.

- Onde estava?- levanto.

- Depois conversamos. – ele diz sério.

Parece que ele não está muito feliz...

Caminho ao lado dele até o lado de fora do hospital tem um lamborghini aventor preto parado, chamando a atenção. Eu já vi esse carro na garagem da mansão antes.

Entramos e ele me entrega uma venda.

- Quando vai parar com isso?- resmungo.

- Quando eu tiver a certeza que você não vai embora.

Como assim? Se eu não vou embora?

Coloco a venda e tudo escurece.

ESSE carro anda muito rápido ou o Nathan pegou um grande atalho para a mansão. Estamos dentro do carro em silêncio, Nathan está apreensivo.

- Agora eu entendo por que o meu pai me colocou no internato. – murmura ele.

Controlo minha respiração e agitação.

- Foi para a minha proteção. – ele me encara.

- Como?- indago confusa.

- Ele era o chefe da máfia naquela época e eu seria o herdeiro, o que significa que a máfia dele iria crescer e ficar mais forte.

Qual o lado negativo nisso?

- Isso era ótimo pra ele, mas para os rivais não. Um herdeiro de mafioso significa uma ameaça, significa o aumento de algo poderoso o aumento de uma era e isso não é bom para os outros. Já que a máfia é um toma lugar do outro.

- E o que isso tem haver com a gente?- falo confusa.

- Significa que o bebê não é uma boa noticia para os meus rivais na máfia.

Coloco a mão no meu ventre.

Ele quer dizer que vão tentar matar o meu bebê?

- Ele não tem nada haver com a máfia. – falo protetora.

- Eu sei. – ele me encara- Mas ele é meu filho Cassandra, querendo ou não, ele é herdeiro da minha máfia.

Sinto um aperto no peito. Meu bebê nem deu sinal de vida e já corre risco de vida.

- Ele vai ser a continuação da máfia, vai fazê-la crescer mais e isso não é bom para os outros. – ele diz baixo.

- E se eu não deixar ele se misturar na máfia?- pergunto.

Ele me encara pensativo.

- Assim ele vai estar desprotegido e você também.

Então quer dizer que os mafiosos que perseguem o Nathan vão começar a me perseguir por causa do bebê? Só porque ele é filho de um mafioso não quer dizer que ele vai ser um.

- Quer que eu faça o que?- encaro-o.

- Fique em segurança. – ele me encara.

- Onde?- pergunto irônica.

- Aqui. – ele sorri.

Encaro a mansão.

- Existem lugares mais seguros. – sorrio irônica.

Ele ri.

- Mas é perto de mim que você está segura.

- Só me explica uma coisa. – encaro-o – Por qual motivo vão querem matar o meu bebê?

Ele respira fundo.

- É como se ele fosse um novo mafioso, só que a máfia já está feita pra ele e isso o torna forte. E lembra que eu te falei sobre o Fred, quanto maior for à máfia, mais cobiçado ele vai ser e quem o matar, fica com tudo. Lembra?

Franzo o cenho, tentando lembrar. E infelizmente consigo, ele tem razão, quando o Fred morreu, ele passou a mandar na máfia do Fred também e como o meu filho tem o direito de metade da máfia do Nathan, quem o matar vai ter metade da máfia do Nathan?

- Eu acho que entendi. – murmuro.

Ele me encara terno.

- Vou tentar te obedecer mais vezes. – suspiro.

- Não precisa ser assim também, só quero que me ouça, quando eu realmente estiver falando sério. – seus olhos azuis estão preocupados.

- Vou tentar. – falo com a maior sinceridade que consigo.

- Pra começar, não fuja de mim. – ele sorri.

Rio nervosa.

Saímos do carro e vamos direto para a casa, que no momento está passando por um momento de faxina. Até sei por que...

Quantos foram para o quintal será?

Até que as prostitutas trabalham, limpar o chão já é um progresso pra elas.

- Quer comer alguma coisa?- Nathan me encara.

Nossa, eu não comi nada hoje. Meu estomago ronca só de pensar.

- Sim. – murmuro e ando mais rápido para a cozinha.

Não deixo de reparar nos olhares tortos que recebo.

Sento na bancada e encaro o Nathan, ele anda confiante de um lado para o outro.

Embora eu ainda não entenda esse negocio de máfia e de ter poder, terei que confiar nele e não tentar me proteger sozinha, já que agora eu não sou mais uma só.

- No que está pensando?- Nathan fica de frente comigo.

- Nada. – dou de ombros- Só estou com medo.

- Mas eu estou aqui para proteger vocês. – ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

Sorrio sem jeito.

- Que sorte a minha. – falo irônica.

Ele ri.