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17 Capítulo 17
Sim Cassandra, ele saiu e não te levou.
Encosto minha cabeça na janela do quarto e vejo a lança ir embora, mais um dia tedioso nessa casa.
Sinto-me como a Rapunzel presa na torre a espera do príncipe.
Ah, mas é o meu príncipe que me deixa trancada aqui.
Escuto o aspirador no andar de baixo e sinto náuseas em me lembrar da Alex. Vou até a cama e deito calmamente, encarando o teto branco do quarto.
Um silêncio estranho me desperta, Alex nunca fica em silêncio assim, sempre está fazendo algo, quer quebrando algo móvel quer escutando suas musicas estranhas.
Saio do quarto bem devagar e faço o caminho pisando em ovos, Alex não está na sala e o aspirador está largado em frente a escada.
Onde está a coitada da Cinderela?
Termino a escada e escuto uma voz vinda do escritório do Nathan, caminho até e pela fresta da porta, dou uma espiada.
Alex está no celular e ao mesmo tempo mexe no computador do Nathan.
- Tenho certeza! Ele acabou de sair e deixou ela aqui.
Tem uma pausa.
- Não estou achando nada importante aqui, apenas algumas fotos dela. Ela já passou da hora do aborto.
Lembro do Adam falando de um suposto espião, do prejuízo no exterior, no trabalho que o Nathan está tendo com isso, no Muller ameaçando cada vez mais, no Lucas correndo risco de vida para melhorar a situação, nas missões que a Naomi tem que fazer e no meu cativeiro improvisado. Apenas para me proteger de quem está aqui dentro comigo!
Ela é a espiã e é ela que está passando informações de dentro pra fora.
Vadia!
Abro a porta com um empurrão e a mesma bate na parede, Alex quase cai da cadeira e deixa o celular cair.
- Eu vou acabar com a sua raça. – rosno.
Ela levanta da cadeira e me encara triunfante.
- Caí dentro galinha.
Galinha! Sou um reflexo dela por acaso?
Avanço sobre ela e caímos por cima da mesa, derrubando o computador e uma papelada que se encontrava na mesma.
Bato a cabeça da Alex contra mesa e prendo seu corpo entre minhas pernas.
- Você não passa de uma vagabunda. — praguejo.
- Mas é das vagabundas que o Nathan gosta. – ela sorri triunfante.
Cerro os dentes e acerto um tapa na cara dela, minha lateja e fica vermelha, assim como o rosto dela.
- Ele nunca gostou de você Cassandra, ele gosta da Isabela. – ela me encara.
Esse nome passa por minha mente e me leva até a festa de noivada fingida que tivemos, o meu nome era Isabela...
De repente estou no chão e Alex me acerta um chute na coxa esquerda, a dor quente se alastra pelo meu corpo e fecho a cara, tentando amenizar a dor.
- Vocês duas são muito parecidas, por isso ele tem afeto por você. – ela me encara- E creio que as duas terão o mesmo fim.
Meu coração dispara, isso não pode ser verdade. Sou eu de quem ele gosta. Eu!
Levanto, mas a Alex me acerta outro chute na perna, me levando ao chão.
- Na primeira oportunidade que ele tiver, vai te deixar com essa criança e desaparecer. – ela sorri- Você não vale nada pra ele.
Será mesmo que essas coisas são verdades? Que o Nathan vai me deixar?
Lembro-me da ultima vez que “treinei” com a Naomi, dei uma rasteira da Alex, levando-a para o chão.
- Eu não sou mal amada como você. – encaro-a mortalmente- Eu pelo menos tenho amor próprio.
Ela ri sarcástica.
- Amor próprio?- ela diz irônica- Você tem é uma criança maldita na barriga.
Acerto-a com um chute, acertando seu abdômen. Em um instante, acho que ela vai vomitar, mas ela é mais forte do que eu esperava.
Vamos nos batendo até a sala, onde eu a jogo no sofá e ela caí em cima da mesa de vidro.
Ela levanta com dificuldade e consigo ver cortes em seu corpo inteiro, Alex pega algo e arremessa em minha direção, abaixo e o tal objeto quebra na parede e os vidros caem em cima de mim.
Obrigada Bia, por me obrigar a jogar queimada o ginásio inteiro!
Ergo o olhar de novo e não vejo a Alex, escuto um barulho forte na cozinha e vou para lá. Ela está de costas para mim.
Meu coração está vindo à boca e eu não sei o que fazer, tenho vontade de chorar.
- Você já está bem desenvolvida. – ela parece rir- Um aborto já não resolve em três meses, terá que continuar.
Recuo e encosto na parede.
- Está na hora de eu te ensinar a fazer um aborto. – ela vira e revela um revolver na mão.
Meu corpo endurece e suo frio, não tenho reação. Mal consigo respirar.
- O herdeiro morrerá. – ela sorri.
Faleço mentalmente. Minha mente fica vaga e não consigo pensar em mais nada. Apenas no pequeno ser dentro de mim...
- Calma. – murmuro.
Ela ri sarcástica.
- Agora a fera fica mansa?- ela ergue uma sobrancelha.
- Essa criança não tem nada haver com isso. – murmuro- Pense melhor.
- Eu já pensei e essa criança só irá trazer desgraça.
Então consigo pensar melhor. A máfia é tipo a monarquia antiga, onde o rei terá que ter seu sucessor, que por lógica é seu filho, se o rei não tiver o filho, o segundo mais poderoso toma o reino, que no caso é o Muller. Certo?
Começo a rezar mentalmente e a pedir piedade, eu realmente estou morrendo agora.
- Agora eu serei útil para ela. – Alex sorri.
Ela? Quem é “ela”?
- De quem está falando?- franzo o cenho.
- Não interessa, tenho que apenas cumprir meu contrato.
- Não faça isso. – suplico.
- Não terei piedade de você Cassandra, muito menos dessa pequena criatura. – ela encara a minha barriga.
- Ela nem teve chance de se formar direito. – falo piedosa- Não tem culpa de nada.
- A cria não tem culpa do pai que tem, mas o pai tem culpa da cria que gera. – ela sorri de canto.
Sinto meu estomago dar voltas e acho que vou vomitar ali mesmo.
Isso não pode estar acontecendo, é apenas um pesadelo.
- Pense bem. – balbucio.
- Já pensei, essa é minha decisão. – ela balança a arma e eu congelo.
Meu deus...
- Estou fazendo um favor para o Nathan. – ela sorri.
- Mentira. – rosno.
- Ele não quer a criança, todos já sabem disso.
Abaixo a cabeça e fico silenciosa.
De fato, isso pode ser verdade.
- A morte do feto irá trazer glória a muitas pessoas. – ela diz convicta.
- Pouco me importa. – rebato.
- Como consegue ser tão idiota a beira da morte?- ela pragueja.
Sorrio.
- Aprendi com o Nathan. – retruco- Com o meu Nathan.
Ela fecha a cara e bate em meu rosto com a arma, o metal gelado faz o meus dentes rangerem e meu corpo mole caí no chão. A dor aguda se espelha pelo meu sistema nervoso e consigo senti-la até no dedinho do pé. Gostas de sangue pingam no chão claro da cozinha, me encolho.
- Quem é a forte agora?- ela diz triunfante e me chuta.
Graças ao meu encolhimento, o chute pega em meus antebraços e joelhos, que protegem o meu ventre.
- Responda!- ela me chuta de novo.
- Eu. – grito.
- Como ousa a dizer isso?- ela diz perplexa.
Sorrio em meio à dor.
Nunca irei me curvar ou obedecer ninguém, eu tenho dignidade.
Ela me chuta de novo, mais forte e mais dolorosamente. Não sei por que, mas mais sangue saí de minha boca e tenho a sensação que vou vomitar.
As veias de meu pescoço se sobressaem e a dor fica mais intensa.
- Não irá desistir?- ela grita.
- Nunca. – revido arfando.
Ela ri.
Meu corpo inteiro formiga e cerro os dentes, tentando não pensar muito nela, mas meus nervos fazem questão de me lembrar a cada golpe de Alex.
- Nathan... – suplico baixo.
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