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15 Capítulo 15
Continuo encarando o Adam.
- Vocês não têm mais irmãos, né?
Ele ri.
- Não somos coelhos. – ele ri.
Contraio os lábios e sinto minhas bochechas esquentarem.
- Onde está o Nathan?
- Eu não sei!- ele fala exaltado.
Levo um leve susto e me ajeito melhor no sofá.
- Então vai fazer o que?- resmungo.
O que adianta falar se não terá atitude alguma?
**
Passou duas horas desde que o Adam chegou e o Nathan sumiu, estou começando a achar que ele mesmo sumiu com o irmão.
- Por que está me olhando assim?- ele me encara sério.
- Como eu sei que você é inocente?- falo séria.
- Acha mesmo que eu sumiria com o meu irmão?- ele ergue uma sobrancelha.
- Vocês são estranhos mesmo. – sorrio de canto.
Ele revira os olhos.
- Mas eu não faria isso com o Nathan. – ele apoia os braços nos joelhos e inclina a cabeça, ficando mais perto de mim.
- Não acredito em você. – falo convicta.
Ele sorri.
- Acredite no que quiser. – ele sussurra bem devagar.
Fuzilo os olhos azuis dele.
- Pode deixar. – digo triunfante- Você não será uma delas.
- Que seja. – levanto do sofá e encaro a janela.
Onde estará o meu menino de olhos azuis?
Vejo um ponto brilhante no meio do mar, se aproximar da casa. Meu coração dispara assim que consigo distingui-lo como uma lança. Nathan!
Corro para fora da casa e fico aguardando ansiosa pela lança, que tarda a chegar. A lança é a do Nathan...
Naomi desce primeiro que os outros e me encara em lamento, assim como Leo. Lucas desce desconsolado do barco. Não deixo de notar os ferimentos que eles carregam, estão em estado lamentável, logo em seguida Nathan desce.
Sorrio de uma orelha a outra e meu coração salta de alegria, assim como eu salto no Nathan.
- Onde estava?- encaro-o.
Ele se afasta de mim e me encara terno.
- Não tenho noticias boas pra você.
Nathan tem cortes no rosto e sua roupa está rasgada. Meu coração para, penso diretamente na Vic.
- Seu irmão está aí. – mudo de assunto.
Ele me encara e depois saí andando, em passos largos até a casa. Caminho logo atrás, um pouco mais devagar.
- Adam. – ele diz estufado quando vê o irmão.
- Quanto tempo. – Adam o encara.
Ele sorri de canto e se aproxima do irmão, abraçando-o.
- Está maior que dá ultima vez que o vi. – Adam ri.
- Faz quase cinco anos que você não me vê. – Nathan sorri.
- Verdade. – Adam franze o cenho- Sou um ótimo irmão, pelo menos você não enjoa rápido de mim.
Rio.
Nathan me encara de relance e sussurra algo para o Adam, o mesmo sorri e concorda.
Cruzo os braços e o encaro feio.
- Vamos. – Nathan me encara.
Caminho, passando por ele e seguindo até a escada. Subo até o andar de cima e vou para o quarto, tenho absoluta certeza que o Nathan está me seguindo.
- Pode falar. – viro assim que entro no quarto e dou de cara com ele.
Ele contrai os lábios.
- Não acho que seja uma boa notícia. – ele comenta baixo.
- Nathan!- repreendo-o.
Ele encolhe os ombros e suspira.
- A Vic, ela está trabalhando para o Muller. – ele abaixa a cabeça.
Paro, congelo, fico sem reação como se eu ficasse longe do meu corpo, minha mente fica vaga e meu coração para devagar.
- Ela está realmente levando isso a sério. – ele continua.
A Vic, aquela menina doce e alegre, matando pessoas? Vivendo no meio de gente desprezível? Carregando uma arma na mão?
- Eu não... – não consigo falar- Ela...
- É ela que falou sobre a gente e sobre essa... Hum... Esse feto, foi por ela que o Muller descobriu muita coisa. – ele diz olhando para a minha barriga.
Sinto-me fraca. É como se eu tivesse levado uma facada nas costas. Minha melhor amiga fazer uma traição como esta é algo tão banal, retira o chão dos meus pés e a razão da minha mente.
- Nathan eu não sei o que falar. – abaixo a cabeça.
Ele me encara em consolo e coloca a mão em meu ombro.
- Ela fez a escolha dela, ninguém a obrigou a ser da máfia. – ele diz logico.
- Mas o Muller esteve no hospital... – encaro-o.
- Sim, ele esteve lá, pois ela procurou os “serviços” dele.
- Que serviços?- franzo o cenho.
- Algo envolvido com o trafico dele e pediu para ele ir pessoalmente, foi lá que ela fez a proposta a ele.
- E pelo jeito ele aceitou. – falo desiludida.
- Falta pouco para ela realmente se tornar profissional nisso, precisa ver como ela atira bem. – ele sorri.
- Nathan!- repreendo-o novamente.
- Desculpa.
Respiro fundo.
Minha amiga se guiou pelo caminho errado e acabou fazendo a maior traição de todas em cima de mim, me entregando na mão de um assassino.
- O Muller está atrás de mim?- encaro o Nathan.
- Sim, só que agora ele tem a pessoa certa para guia-lo. – Nathan diz como se tivesse pena de mim.
Meu estomago dá voltas.
- O que eu vou fazer?- falo desconsolada.
Ele me encara piedoso.
- Terá que mata-la. – ele diz frio.
- Mas ela é minha amiga.
- Na máfia não se tem amigos e sim aliados e inimigos, a Vic escolheu ser sua inimiga. – ele diz sério- Está na hora de você fazer a sua escolha, se entregar para a morte ou virar a minha aliada.
Minha respiração diminui assim como meu batimento cardíaco.
Ele afaga o meu rosto.
- Já não posso te proteger como antes, está na hora de você saber usar uma arma de verdade. – ele contrai os lábios.
Para ele dizer isso, o negocio realmente é sério.
Nathan saí andando para o banheiro, continuo parada como uma estatua humana no quarto, repassando o que acabei de escutar.
Está na hora de eu realmente fazer uma escolha e isso pode virar a minha vida de cabeça pra baixo, ser uma mafiosa nunca passou pela minha cabeça, muito menos quando se está gravida.
Escolher entre viver o Nathan e sem ele é como escolher entre suicídio e paraíso. Eu não o que escolher, os dois carregam coisas tenebrosas e horríveis, uma a dor e o outro a morte, estou na reta paralela, onde bem no final terei que escolher com quem cruzar. Mas com quem cruzar?
Uma escolha logica seria ficar com o Nathan, mas eu terei que matar a minha amiga para ficar com ele, a menina que me reergueu depois do Adolf, que me mostrou uma vida de verdade, porém essa menina não está mais pensando assim, ela também terá que me matar independente de minha escolha e ela fará isso. Então eu também sou capaz de fazer uma escolha.
Uma pequena escolha que carrega o meu destino em um meio fio, que qualquer deslize pode fazer o mesmo romper. Uma pequena escolha...
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