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16 Capítulo 16
Notas iniciais
Quero agradecer a Thainara pela recomendação! Obrigada flor.
E também quero agradecer a vocês pelos comentarios.
ps: Cap em homenagem a Thainara.
Sento na cama e abaixo a cabeça.
E se a Vic tiver feito isso para me proteger? Para me ajudar?
Eu não sei de mais nada...
Me sinto entorpecida de corpo e alma, eu esperava muito das pessoas e elas sempre me rebatem com situações difíceis, para mim.
Estou me segurando tanto para não perder o controle com medo de fazer um desastre que acabo me sufocando com isso e agora vem isso...
Uma dor profunda, a traição de alguém próximo...
Gostaria de poder chorar, para retirar essa amargura de dentro de mim, mas o pior é que sou incapaz de fazer isso.
Caminho até o banheiro e abro a porta, deixando o vapor sair. Entro e fecho a porta, abaixo a tampa da privada e sento. Nathan está de costas para mim, que visão...
Pigarreio e me ajeito.
– Fale. – ele diz sem se virar.
Respiro fundo.
– Como sabe que a Vic está trabalhando pra o Muller? Ela pode estar querendo me ajudar ou me proteger.
– Em momento algum ela fez algum gesto ou falou comigo avisando que estava do nosso lado. – ele diz esfregando a cabeça- Ela simplesmente sorria enquanto eu levava uma surra junto com o namorado dela.
Meu couro cabeludo formiga.
Não entendo essa atitude dela, ela não tem motivos para isso, nunca teve. Sempre foi rica, feliz e bem acompanhada, por que se meter com o Muller?!
– Ela poderia estar fingindo. – volto a encarar suas costas.
– Não acredito muito. – ele para de esfregar a cabeça- Se for o caso, ela é uma ótima atriz.
Concordo.
Ele saí do box e se enrola na toalha.
– Ainda pensando?- parece surpreso.
Encaro-o.
– Não penso sob pressão.
– Pressão?- ele ergue uma sobrancelha- Pressão fosse se você fosse morrer ou matar alguém querido, mas não é isso, você está escolhendo entre a proteção e a morte. É tão difícil?
– Sim, principalmente se a morte envolve a minha melhor amiga, ela pode estar tentando ajudar. – passo a mão no cabelo.
– Cassandra!- ele me repreende.
Levo um susto e quase caio da privada.
– O quê?- balbucio.
– Ela não é sua amiga!- ele diz exaltado- Se fosse ela não faria isso.
Fico sem fala.
Será que a Vic conseguiria chegar a esse ponto?
– Você sabe o que ela queria?- encaro-o.
Ele dá de ombros.
– Não parei para perguntar. – ele abre a porta do banheiro.
Passo a mão no rosto e o sigo para fora do banheiro.
Ele fica de costas para mim novamente, mexendo em alguma coisa no armário.
– Terei que transferir sua herança. – ele diz baixo.
– Por quê?- franzo o cenho.
– O Muller está atrás de você por cause disso, não?- ele me encara.
Concordo.
Acho que nessa altura do campeonato, o Nathan não me roubaria mais, pelo eu acho.
– Sem dessa de roubar. – cruzo os braços.
Nathan ri.
Algo felpudo voa na minha cara e então noto que a toalha que o Nathan usava. Retiro a toalha e Nathan já usa uma cueca box.
– Eu quero prevenir isso. – ele vira e me encara.
Franzo o cenho. Ele está se referindo a que?
– Quero prevenir o roubo. – ele especifica.
Concordo.
– Relaxe. – ele se aproxima de mim- Não se decida agora.
– Mas você disse... – começo a falar, mas ele não permite.
– Decisões precipitadas dão errado.
Aquiesço.
– Só não dê muito sinal de vida. – ele sorri e volta ao armário.
– Sinal de vida?- arqueio uma sobrancelha.
Ele ri.
– Não faça muita coisa que mostre sua localização, fique em casa. – ele coloca uma calça.
– Ah lógico, sou tão radical que posso sair nadando. – sou irônica.
– Isso. – ele sorri- Seja uma boa menina.
Reviro os olhos.
Ele que pense que eu recebo ordens.
– Agora preciso ir falar com o meu irmão. – ele beija minha testa e saí andando.
Respiro fundo.
Vic o que houve com você?
**
Estou em frente ao espelho, minha barriga já está ficando saliente, também já quase atingi quatro meses. Nathan continua omitindo coisas de mim, principalmente sobre a Vic.
Hoje ele vai sair com os meninos e terei a honra de acompanha-lo, mesmo que ele não permita, já estou ficando louca trancada aqui.
Desço a escada pulando três degraus de uma vez só, até que saio naturalmente na sala. Encontro Alex deitada no sofá usando roupas vulgares como sempre.
– Dá o controle. – Alek resmunga dá poltrona.
– Cala a boca. – Alex não dá atenção a ele.
Ultimamente ele está meio chateado pela ida do Lucas para a... Hum... Para onde ele foi mesmo? Portugal... Itália... Escócia... Espanha! Ele foi para a Espanha.
– Onde está o Nathan?- encaro-os.
Alek aponta para o corredor e deduzo que ele está no escritório.
Bato devagar na porta, porém ele não responde.
Empurro a porta e ela abre devagar, revelando um Nathan nada bem. Ele fala no celular e sua feição é estressada. Entro e fico ao lado da porta, esperando ele me notar e isso não demora muito.
– Espero um pouco Frank. – ele afasta o celular do rosto- Algum problema?
Eu que digo isso.
– Hum... Não. – sorri torto.
– Faz o seguinte, me liga mais tarde. – ele desliga o celular.
Rolo os olhos pelo local, é bem claro e tem uma janela para o quintal, pegando parte da visão do mar, há alguns estantes com livros e portas- retratos e a mesa dele.
– O que foi?- ele debruça na mesa.
– Nada. – sorrio.
Ele me encara irônico.
– Tá legal. – me faço de inocente- Eu quero ir com você.
– Não. – ele sorri.
– Mas eu quero ir. – resmungo.
– Mas não vai. – ele diz sério.
Aproximo-me da mesa.
– Quem vai me obrigar a não ir?- debruço na mesa e fico cara a cara com ele.
– Eu. – ele faz o mesmo.
Cerro os dentes.
Argh! Eu não aguento mais ficar dentro dessa casa de vidro, olhando o horizonte e tendo alucinações quando olho para a parede de novo, não aguento mais olhar para a cara da Alex ou a ver empinando a bunda enquanto limpa a casa, não quero mais ficar dentro do quarto para não atura-la o dia inteiro e eu preciso respirar o ar puro, o ar salgado e a maresia estão acabando comigo.
– Eu estou ficando louca!- bato na mesa.
Ele leva um leve susto e franze o cenho.
– Sabe o quanto é ruim ficar encarando paredes o dia inteiro? E quando você chega, corre para essa merda e fica aqui a noite inteira, resolvendo problemas.
– Eu preciso resolver coisas do meu trabalho.
– Resolva comigo. – rebato- Resolva comigo perto, resolva com a minha opinião.
– Não é tão fácil assim. – ele contrai os lábios.
Bufo e me afasto da mesa.
O Nathan consegue ser tão petulante às vezes, tenho vontade de quebrar o celular na cabeça dele.
– Esquece, você sempre tem que me esconder as coisas. – saio do escritório batendo a porta.
Alex me encara da sala, parece feliz.
– Que é?- rosno.
– Nada. – ela sorri cínica.
Qualquer dia vou arremessa-la da janela.
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