Notas iniciais
Desculpa em demorar para postar amores, os dias foram corridos para mim.
Quero agradecer a Thainara pela recomendação! Obrigada flor.
E também quero agradecer a vocês pelos comentarios.
ps: Cap em homenagem a Thainara.

Sento na cama e abaixo a cabeça.

E se a Vic tiver feito isso para me proteger? Para me ajudar?

Eu não sei de mais nada...

Me sinto entorpecida de corpo e alma, eu esperava muito das pessoas e elas sempre me rebatem com situações difíceis, para mim.

Estou me segurando tanto para não perder o controle com medo de fazer um desastre que acabo me sufocando com isso e agora vem isso...

Uma dor profunda, a traição de alguém próximo...

Gostaria de poder chorar, para retirar essa amargura de dentro de mim, mas o pior é que sou incapaz de fazer isso.

Caminho até o banheiro e abro a porta, deixando o vapor sair. Entro e fecho a porta, abaixo a tampa da privada e sento. Nathan está de costas para mim, que visão...

Pigarreio e me ajeito.

– Fale. – ele diz sem se virar.

Respiro fundo.

– Como sabe que a Vic está trabalhando pra o Muller? Ela pode estar querendo me ajudar ou me proteger.

– Em momento algum ela fez algum gesto ou falou comigo avisando que estava do nosso lado. – ele diz esfregando a cabeça- Ela simplesmente sorria enquanto eu levava uma surra junto com o namorado dela.

Meu couro cabeludo formiga.

Não entendo essa atitude dela, ela não tem motivos para isso, nunca teve. Sempre foi rica, feliz e bem acompanhada, por que se meter com o Muller?!

– Ela poderia estar fingindo. – volto a encarar suas costas.

– Não acredito muito. – ele para de esfregar a cabeça- Se for o caso, ela é uma ótima atriz.

Concordo.

Ele saí do box e se enrola na toalha.

– Ainda pensando?- parece surpreso.

Encaro-o.

– Não penso sob pressão.

– Pressão?- ele ergue uma sobrancelha- Pressão fosse se você fosse morrer ou matar alguém querido, mas não é isso, você está escolhendo entre a proteção e a morte. É tão difícil?

– Sim, principalmente se a morte envolve a minha melhor amiga, ela pode estar tentando ajudar. – passo a mão no cabelo.

– Cassandra!- ele me repreende.

Levo um susto e quase caio da privada.

– O quê?- balbucio.

– Ela não é sua amiga!- ele diz exaltado- Se fosse ela não faria isso.

Fico sem fala.

Será que a Vic conseguiria chegar a esse ponto?

– Você sabe o que ela queria?- encaro-o.

Ele dá de ombros.

– Não parei para perguntar. – ele abre a porta do banheiro.

Passo a mão no rosto e o sigo para fora do banheiro.

Ele fica de costas para mim novamente, mexendo em alguma coisa no armário.

– Terei que transferir sua herança. – ele diz baixo.

– Por quê?- franzo o cenho.

– O Muller está atrás de você por cause disso, não?- ele me encara.

Concordo.

Acho que nessa altura do campeonato, o Nathan não me roubaria mais, pelo eu acho.

– Sem dessa de roubar. – cruzo os braços.

Nathan ri.

Algo felpudo voa na minha cara e então noto que a toalha que o Nathan usava. Retiro a toalha e Nathan já usa uma cueca box.

– Eu quero prevenir isso. – ele vira e me encara.

Franzo o cenho. Ele está se referindo a que?

– Quero prevenir o roubo. – ele especifica.

Concordo.

– Relaxe. – ele se aproxima de mim- Não se decida agora.

– Mas você disse... – começo a falar, mas ele não permite.

– Decisões precipitadas dão errado.

Aquiesço.

– Só não dê muito sinal de vida. – ele sorri e volta ao armário.

– Sinal de vida?- arqueio uma sobrancelha.

Ele ri.

– Não faça muita coisa que mostre sua localização, fique em casa. – ele coloca uma calça.

– Ah lógico, sou tão radical que posso sair nadando. – sou irônica.

– Isso. – ele sorri- Seja uma boa menina.

Reviro os olhos.

Ele que pense que eu recebo ordens.

– Agora preciso ir falar com o meu irmão. – ele beija minha testa e saí andando.

Respiro fundo.

Vic o que houve com você?

**

Estou em frente ao espelho, minha barriga já está ficando saliente, também já quase atingi quatro meses. Nathan continua omitindo coisas de mim, principalmente sobre a Vic.

Hoje ele vai sair com os meninos e terei a honra de acompanha-lo, mesmo que ele não permita, já estou ficando louca trancada aqui.

Desço a escada pulando três degraus de uma vez só, até que saio naturalmente na sala. Encontro Alex deitada no sofá usando roupas vulgares como sempre.

– Dá o controle. – Alek resmunga dá poltrona.

– Cala a boca. – Alex não dá atenção a ele.

Ultimamente ele está meio chateado pela ida do Lucas para a... Hum... Para onde ele foi mesmo? Portugal... Itália... Escócia... Espanha! Ele foi para a Espanha.

– Onde está o Nathan?- encaro-os.

Alek aponta para o corredor e deduzo que ele está no escritório.

Bato devagar na porta, porém ele não responde.

Empurro a porta e ela abre devagar, revelando um Nathan nada bem. Ele fala no celular e sua feição é estressada. Entro e fico ao lado da porta, esperando ele me notar e isso não demora muito.

– Espero um pouco Frank. – ele afasta o celular do rosto- Algum problema?

Eu que digo isso.

– Hum... Não. – sorri torto.

– Faz o seguinte, me liga mais tarde. – ele desliga o celular.

Rolo os olhos pelo local, é bem claro e tem uma janela para o quintal, pegando parte da visão do mar, há alguns estantes com livros e portas- retratos e a mesa dele.

– O que foi?- ele debruça na mesa.

– Nada. – sorrio.

Ele me encara irônico.

– Tá legal. – me faço de inocente- Eu quero ir com você.

– Não. – ele sorri.

– Mas eu quero ir. – resmungo.

– Mas não vai. – ele diz sério.

Aproximo-me da mesa.

– Quem vai me obrigar a não ir?- debruço na mesa e fico cara a cara com ele.

– Eu. – ele faz o mesmo.

Cerro os dentes.

Argh! Eu não aguento mais ficar dentro dessa casa de vidro, olhando o horizonte e tendo alucinações quando olho para a parede de novo, não aguento mais olhar para a cara da Alex ou a ver empinando a bunda enquanto limpa a casa, não quero mais ficar dentro do quarto para não atura-la o dia inteiro e eu preciso respirar o ar puro, o ar salgado e a maresia estão acabando comigo.

– Eu estou ficando louca!- bato na mesa.

Ele leva um leve susto e franze o cenho.

– Sabe o quanto é ruim ficar encarando paredes o dia inteiro? E quando você chega, corre para essa merda e fica aqui a noite inteira, resolvendo problemas.

– Eu preciso resolver coisas do meu trabalho.

– Resolva comigo. – rebato- Resolva comigo perto, resolva com a minha opinião.

– Não é tão fácil assim. – ele contrai os lábios.

Bufo e me afasto da mesa.

O Nathan consegue ser tão petulante às vezes, tenho vontade de quebrar o celular na cabeça dele.

– Esquece, você sempre tem que me esconder as coisas. – saio do escritório batendo a porta.

Alex me encara da sala, parece feliz.

– Que é?- rosno.

– Nada. – ela sorri cínica.

Qualquer dia vou arremessa-la da janela.