Burning High
23 s04e03 - A Cabana
Notas iniciais
Aconselho muito ouvir enquanto lê...
________________________________________________
Andrew Belle envolvia a atmosfera do carro em um volume baixo, e só porque fui capaz de convencer Dimitri a deixar o rádio em uma estação de músicas deste século. “Quem dirige escolhe a música”, foi meu último recurso, e ele pareceu finalmente ceder quando já passávamos pelo pórtico da entrada da cidade. Se pelo fato de que me contrariasse, abriria precedentes para eu argumentar sempre suas músicas; ou se fora por simplesmente não considerar valer a pena continuar a discutir, eu não saberia dizer, nem me importaria, vitória é vitória.
Na segunda hora da viagem Dimitri já estava apagado ao meu lado, dormindo com a cabeça escorada contra a janela e resmungando de vez em quando, quando ao passar por algum buraco na estrada ele acabava batendo a cabeça. Eu aproveitava para ter relances de seu rosto enquanto ele estava de olhos fechados, admirando a figura que parecia misturar beleza delicada, com força e poder masculino de maneira quase herética. Ele com certeza inspirava pecados.
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
Oh, you're all I taste, at night inside of my mouth
Oh, you run away, 'cause I am not what you found
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
Mais meia hora e paramos em uma lancheria de estrada, nos servindo de café para a última meia hora de viagem.
Retornamos ao carro com nova energia, ou talvez fosse somente eu, que vendo a pequena estrada de concreto deserta, aproveitava para pisar com mais força no acelerador, o baixando cada vez mais e aproveitando a sensação da máquina rodando em seu total poder.
– Acho que já pode parar de pisar no acelerador, só queremos chegar a São Vladmir, não a Lua…
Ele não parecia disposto a dormir novamente e me olhando daquela maneira eu faria qualquer coisa.
Everything will change
Nothing stays the same
Nobody is perfect
Oh, but everyone is to blame
Oh, all that you rely on
And all that you can save
Will leave you in the morning
Come find you in the day
Quando foi que ele passou a ter esse efeito mágico sobre mim, em fazer meus ossos se tornarem gelatina com um olhar, me fazer ser capaz de pular de um precipício com apenas uma palavra? Eu não havia notado quando havia começado, foi algo tão lento e contínuo, que esses sentimentos se fantasiaram de algo natural e invadiram minha mente. Eu faria o que ele quisesse, eu seria o que ele precisasse, apenas para tê-lo ao meu lado. Mais que um Tenente, um amigo, um mero amante. Mas um companheiro, isso sim.
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
Oh, you're all I taste, at night inside of my mouth
Oh, you run away, 'cause I am not what you found
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
No I cannot get you out
No I cannot get you
Oh no, I cannot get you out
No, I cannot get you
Um breve sorriso branco na face bronzeada do russo me lembrou que eu ainda o estava encarando em vez de olhar para a estrada, embora eu tivesse tirado completamente meu pé do pedal e o carro se movia apenas através da energia anterior, reduzindo sua velocidade a cada segundo.
Certo, a prioridade deve ser nos manter vivos para chegarmos a São Vladmir, depois, e somente depois, será admirar os dois metros de homem que estava com as pernas espremidas no banco do carona.
A Lua estava em um esplendor invejável sem nenhuma nuvem para lhe ocultar, cheia e brilhante permitindo dominar o céu negro. Já eram mais de dez horas quando chegamos, após uma breve batalha para encontrar a casa de Dimitri, já que eu me recusava a perguntar pela terceira vez como chegar. Após vinte minutos que deveriam ser cinco em uma estrada de chão, encontrei a cabana em meio à mata um tanto distante do “centro” da “cidade”.
– Chama isso de casa, Camarada? Preciso conferir minhas vacinas pra entrar aí?
– Pare de reclamar ou te farei voltar andando.
Fechei a boca e a cara, enquanto girava a chave e matava o motor, ainda encarando a construção rústica a minha frente. Construída de toras inteiras de madeira, a casa deveria ter sido agradável há alguns anos atrás, mas a manutenção havia deixado a desejar e, claramente pela nova balaustrada da varanda indicada que Dimitri estava lentamente reparando.
Bati a porta do carro com certa força após sair do carro, respirando fundo, permitindo todo o cheiro da mata invadir meu sentido. Terra molhada, folhas apodrecendo e o conhecido cheiro de seiva.
Dimitri já estava abrindo a porta da pequena casa quando comecei a me mover em sua direção. Apenas o som de meus pés esmagando galhos secos e um distante riacho correndo timidamente competia com os batimentos do meu coração, mais altos a cada metro que eu me aproximava.
Everything is dark
It's more than you can take
But you catch a glimpse of sunlight
Shining
Shining down on your face
Your face
On your face
Dimitri enfiou a mão para a escuridão que era dentro da cabana, encontrando momentos depois o interruptor e fazendo a sala de estar derramar luz amarelada para fora.
– Depois da dama — Ele falou com o braço esticado para frente oferecendo que eu entrasse primeiro. Eu o encarei por um instante, observando a expressão despreocupada que ele exibia. Seria outra máscara? Por que eu estava tão nervosa como se eu estivesse entrando em uma casa em chamas. Talvez mais.
A casa tinha apenas dois cômodos, além do banheiro. A cozinha dividia o espaço com uma sala de estar e jantar no cômodo aberto a direita da casa, tendo um quatro e o banheiro ocupando o lado esquerdo. Não era grande ou extravagante como o apartamento de Lissa, mas era especial a sua própria maneira, aconchegante e confortável, exibindo marcas da personalidade de Dimitri em cada canto. Assim como fora, a estrutura de dentro era de maneira nua, apenas com verniz, tendo diversos tons e manchas que davam a cada tronco uma aparência única. Nenhum era igual ao outro.
Dimitri retirou a jaqueta e a pendurou em um gancho ao lado da porta e logo depois se ofereceu para retirar a minha como um perfeito cavalheiro, me fazendo permanecer com uma camiseta mais leve no clima agradável dentro da cabana. Ele saiu brevemente para guardar, no outro cômodo que era seu quarto, a pequena mochila que levou na viagem, retornando em seguida e indo até a geladeira.
– Gostaria de beber algo? — Ele perguntou de costas para mim, enquanto puxava uma vasilha da geladeira além de uma garrafa de água.
Não pude deixar de girar os olhos com o tipo de alimentos que vi dentro do utensílio, somente comidas naturais e saudáveis. Não deveria esperar nada diferente mesmo.
– Um café não faria mal.
Da vasilha tampada surgiu pedaços de pão de cor escura, que ele depositou sobre a bancada que fazia uma divisão da cozinha com a sala, potes de geleias de vários sabores já estavam num canto, enquanto se virava novamente para por uma chaleira elétrica na tomada.
– Sirva-se, o pão é fresco, fiz antes de sairmos hoje.
– Você mesmo fez isso? — Com um garfo ergui uma fatia ao rosto e a cheirei, desconfiada.
– Sim, sei me virar na cozinha, e o pão é receita de família.
– Que surpresa — Comentei enquanto largava a fatia sobre meu prato e espalhava a geleia de uva sobre ele. Ele era capaz de fazer de tudo e com certa decência, o homem era irritantemente perfeito, mas ainda assim eu escolheria fastfood qualquer dia. Será que o entregador de pizza não aceitava entregar aqui, duas quadras depois do fim do mundo, pagando um pouco a mais?
– Larga essa cara de quem está indo para a forca. Ao menos espere a primeira mordida antes de reclamar.
Ele estava escorado a pia, de braços cruzados, fazendo com que os músculos se contraíssem e parecessem querer explodir para fora da camisa dele. Ele tinha um sorriso presunçoso que nem tentava esconder, como se soubesse o que estaria por vir, tamanha era sua confiança em seus dons culinários.
Droga, eu odiava quando ele se provava certo. Eu tinha de admitir, o pão era realmente bom. O sabor nem se comparava aos produtos industrializados e os feitos nos mercados. Havia realmente gosto da farinha e de todas as sementes diferentes que foram colocadas na massa. O sabor amargo da geléia, também caseira, era apenas um detalhe na composição. Um gemido escapou de meus lábios antes que eu pudesse registrar, o que me fez corar e ficar irritada quado ele riu da minha reação. Embora eu estivesse de olhos fechados mastigando o pão, eu sabia que ele estava sorrindo com uma feição ainda mais cheia de si do que antes. O desgraçado era bom na cozinha e o pior: ele sabia disso.
Quando abri novamente os olhos, ele estava mais uma vez de costas, colocando a água quente em um coador, fazendo com que o cheiro forte de café novo me invadisse. Uma maneira perfeita para encerrar a noite, ou quase.
– Como você toma? Preto ou ao leite?
– Leite, por favor, só um pouco.
Quando ele retornou a bancada, tinha uma xícara em cada mão. A minha foi posta a minha frente com a oferta de açúcar, que eu recusei.
– Tá bom, camarada.
– O quê?
– Eu admito, esse pão é bom demais — Falei após assoprar o líquido fumegante e dar um longo gole.
– Estou vendo. Terei que fazer mais amanhã, pelo visto — Eu estava pegando mais uma fatia quando ele se pronunciou, era o quê? A quinta? A vasilha estava significantemente mais vazia agora. Não acho que a desculpa de que estava em fase de crescimento funcionaria.
Apenas dei de ombros e coloquei na boca a fatia seca sem nenhuma geleia. Cheguei a conclusão de que era melhor para apreciar o sabor, depois das primeiras fatias.
Com a fatia inteira dentro da boca — uma habilidade que desenvolvi ainda quando pequena -, eu mastigava de olhos fechados apreciando a maneira como o sabor de uma semente se sobressaia a outra. Acabei por criar um som de agrado que subiu pela minha garganta como a coisa mais natural. Quando abri novamente os olhos, após engolir a última quantidade de massa, dei de cara com Dimitri. Como ele havia conseguido se mover entre eu e o balcão a minha frente sem que eu notasse era um segredo do Universo. Seus olhos estavam negros como eu nunca havia visto antes, focados nos meus com tamanha intensidade que parecia aquecer a mais íntima das células do meu corpo.
O gemido morreu em minha boca e eu dei um passo para trás tentando adquirir espaço e retomar certo controle sobre minhas funções cerebrais. Estar assim com Dimitri fazia meu corpo entrar em curto-circuito. Ele refletiu meu movimento e deu também um passo para frente, deixando claro, sem precisar de palavras, que não permitiria distância nenhuma entre nós. Eu sabia muito bem o que viria se me entregasse a necessidade física. Estávamos sozinhos em sua casa, ninguém para me impedir de cometer o melhor erro da minha vida.
– Nós não podemos… — Um novo passo e senti as costas da minha perna bater no braço do pequeno sofá de dois lugares na sala adjunta da cozinha. Ele novamente deu um passo para frente, sua presença me cercava e acionava cada poro do meu corpo. Ele nem havia me tocado, mas só a promessa era suficiente para me sentir em chamas.
– Já passamos do que é proibido, Roza.
– E Kirova…
– Nunca tivemos nada, foi uma vez, um erro, não tenho sentimentos por ela como tenho por ti...
Me tendo encurralada, ele deu o último passo me pressionando e não me deixando opção. Eu resistia por medo do desconhecido e do conhecido também. Eu ainda era virgem e, embora ele pudesse não ter conhecimento disso, a verdade pairava sobre mim como uma pedra, me esmagando. Eu temia pelo que aconteceria, embora eu nem soubesse pelo que temia e o meu nervosismo já estava aparente.
Seu corpo pressionou contra mim por um momento, seus braços me envolveram pelas costas, me apertando forte o suficiente para eu me sentir sem capacidade de fugir, solto apenas o suficiente para me dar um mínimo de conforto e capacidade de respirar. Não que eu fosse capaz, pois o que se seguiu me roubou o oxigênio. E eu não dava a mínima.
O ar explodiu ao redor de nós. Sua boca descendeu sobre mim com propriedade, ele me clamava como sua, com uma voracidade digna do mais sedento dos predadores.
Um breve movimento e eu me vi caindo, caindo como do céu, para pousar em uma nuvem. Estávamos no pequeno sofá, metade do corpo nele, as pernas para fora. O beijo nunca cessou e a língua dele apagava todos os pensamentos da minha cabeça, me deixando similar a um corpo sem capacidades.
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
Oh, you're all I taste, at night inside of my mouth
Oh, you run away, 'cause I am not what you found
Oh, you're in my veins, and I cannot get you out
No I cannot get you out
No I cannot get you
Oh no, I cannot get you out
No, I cannot get you
Ele estava sobre mim no sofá macio, sem conter seu peso, mas minha bunda parecia não se importar com a pressão contra o móvel quando a parte de cima de meu corpo estava em total contato com o Russo. Meu Russo.
Com suas mãos agora devastando meu corpo, minha camiseta havia se elevado e Dimitri me tocava diretamente a pele, barriga, costas, cintura. Acariciava ao mesmo tempo em que clamava cada pedaço do meu corpo que ele podia alcançar. Logo minha camiseta havia sido puxada sobre minha cabeça e largada em algum canto aleatório da sala que eu não registrei.
Só então seu beijo acalmou, até que ele se ergueu pairando como um titã sobre mim, me olhando abaixo dele com uma feição séria e centrada, desejo esculpido em cada pigmento de seus olhos.
– Não há ninguém que eu preferiria estar, Roza. — Sua voz era quase irreconhecível, tamanha a força que seu sotaque estava acentuando cada palavra.
Com um beijo casto em meus lábios, como que de despedida, ele desceu o corpo e passou a dar atenção ao meu pescoço, onde um pontinho da lateral me fazia desmanchar, canto este que ele pareceu descobrir, já que dava uma atenção discriminada, enquanto eu me retorcia debaixo dele, escorregando levemente e erguendo a cabeça para que mais espaço do meu pescoço ficasse em seu alcance. Ele riu contra minha pele, fazendo com que sua barba do dia se esfregasse em mim. Era sensual de uma maneira estranha e que eu nunca pensaria como quente. Mas era Dimitri, e qualquer coisa que ele fizesse era capaz de fazer meu corpo reagir de uma maneira que eu tinha medo. Eu perdia o controle e me entregava sem capacidades de resistir e isso me aterrorizava. E o desgraçado achava engraçado a maneira como meu corpo reagia ao seu toque, como um instrumento musical se entregando a um mestre da música, cedendo a ele todas as notas que desejava.
– Tão… Linda… — Ele pontuava cada palavra com um beijo, agora descendo mais, parando sobre meu colo e beijando entre os vales dos meus seios, ainda aprisionados pelo sutiã.
Suas mãos apertaram cada lado, fazendo com que o par subisse, e sua boca tivesse um pouco mais acesso a pele de cada seio. Ele respirou profundamente por alguns segundos, se permitindo apreciar aquele pedaço do meu corpo de maneira lenta e torturante. Meus olhos estavam fechados, permitindo apenas que o tato ocupasse minha mente, deixando de lado todos os outros sentidos. Eles não importavam naquele momento.
Um beijo seguido de uma pequena mordida em cada monte e ele baixou novamente, dando igual carinho a minha barriga, enquanto suas mãos faziam trabalho na calça jeans que me cobria. Só pude notar suas ações quando o tecido se arrastou contra minha pele descendo lentamente, a medida que eu erguia as pernas para ajudar.
Logo a calça também foi esquecida no chão da sala e novamente Dimitri parou por um momento para se erguer sobre mim e me olhar.
Eu estava envergonhada pelas minhas peças de roupas íntimas, longe de serem sensuais e tentadoras. Meu sutiã de tecido e bojo não possuía nenhuma renda e detalhe, sendo de um azul marinho. Abaixo eu usava uma boxer azul bebê cotidiana, simples e confortável. Não esperava me mostrar assim para Dimitri, obviamente, e o pensamento de que ele me considerasse infantil ou não desejável me amedrontou, mas o olhar que ele me deu pareceu que ele pouco se importava se eu estivesse vestindo trapos. Havia uma promessa ali, que logo eu estaria sem nada me contorcendo e entregue debaixo dele.
Sua seriedade havia sido aos poucos substituída por uma face de um jovem tendo sua diversão, com um sorriso no canto dos lábios que fazia meu ventre se apertar.
Decidi que ele estava com roupas demais enquanto me tinha quase nua. Nenhuma experiência anterior me ajudaria com ele, minhas mãos tremiam e minha ansiedade me fez puxar o tecido com certa brutalidade, quase o enforcando no ato, apenas conseguindo tirar o pedaço de roupa após ele erguer os braços e inclinar a cabeça em um ângulo que liberasse o tecido que estava preso. Ele ria levemente como que se divertindo com minha ansiedade, parecia injusto vê-lo tão natural e controlado enquanto eu era uma bagunça de cabelo e carne em seu sofá.
Eu já havia visto seu peito nu diversas vezes no vestiário, mas era sempre como se fosse a primeira vez. Se existisse perfeição na natureza, ela estava agora entre minhas pernas, sorrindo da maneira mais safada possível.
Estávamos no ponto do não retorno.
Everything is dark
It's more than you can take
But you catch a glimpse of sunlight
Shining
Shining down on your face
Your face
On your face
Suas mãos foram para a borda de elástico da boxer e eu fechei as pernas imediatamente, amedrontada.
– Dimitri… — Foi tudo que eu pude falar, foi tudo que eu pensei naquele momento. Nossos olhos se encontraram novamente e, embora eu soubesse que era tarde demais para voltar atrás, eu temia o que aconteceria em seguida. Nenhum homem me viu nua e entregue daquela maneira como ele estava prestes a ver e, embora soubesse que meu medo era irracional, eu não podia evitar.
– Roza… — Ele pausou por um momento, me encarando. Aguardando. Eu não protestei mais.
– Confie em mim… Se ficar desconfortável e quiser parar, eu juro que irei parar a qualquer momento. Apenas me dê a chance de fazê-la feliz.
Ele me olhou e aguardou paciente, cumprindo sua promessa. Seus olhos brilhavam e ele me encarava como se fosse eu a lhe fazer um favor.
Fechei os olhos e respirei fundo, prevendo que o que se seguiria roubaria meu ar novamente. Meu coração apertava dolorosamente em meu peito e minha barriga se revirava. Calafrios corriam pelo meu corpo ritmados com o movimento das mãos de Dimitri. Com um aceno da cabeça eu lhe dei permissão, mas fui incapaz de ver o que ele estava fazendo, deixando o nervosismo ter o melhor de mim.
Senti seus dedos quentes se arrastarem pelas minhas pernas enquanto puxavam o tecido até o final. Novamente eu fechei as pernas, com o pudor me fazendo corar da cabeça a ponta dos pés.
Dimitri beijou o centro da minha cintura, antes do anel de pêlos no meio das pernas. Suas mãos acariciavam minhas pernas, levemente, como que me embalando para um sono e acalmando o mar revolto de emoções dentro de mim.
Engoli em seco e sonoramente quando senti seus lábios na minha coxa, logo antes da virilha, enquanto suas mãos puxavam vagarosamente, minhas pernas, separando-as tão sorrateiramente que eu não sentia vontade de resistir.
Respirei novamente de maneira profunda, como se houvesse tido privação de ar por um longo período, e soltei um murmúrio por piedade quando senti uma de suas mãos me tocando no centro, acariciando como uma pluma a carne sensível do meio de minhas pernas enquanto a outra mão impedia que eu as fechasse novamente.
Senti claramente seu toque apenas após dois de seus dedos se arrastarem para dentro dos lábios externos, tocando a parte mais rosada e íntima de meu corpo sem nenhuma vergonha.
Suas carícias tocavam pontos que acionavam meu cérebro ao mesmo em tempo que transforma meu corpo em pudim, eram sensações impossíveis de descrever, eu duvidava que havia palavra mortal para o que Dimitri estava me proporcionando, meu corpo hora pegava fogo, ora recebia ondas de choque e frio na espinha. Eu estava perdendo os últimos resquícios de controle sobre meu corpo e mente. Da minha boca saíam sons animais que não eram de maneira nenhuma protestos, eu não queria que ele parasse.
Mas ele parou, retirando seus dedos e o próximo som que cometi foi um urro gutural que o fez rir levemente mais uma vez, enquanto eu recolhia os pedaços da minha mente que Dimitri havia despedaçado, desejando ter energia suficiente para socá-lo naquele momento.
Mas logo depois ele posicionou sua cabeça tão próxima que eu apenas podia ver o topo do monte de seus cabeços elevando sobre minhas pernas.
Eu apenas aguardei, ansiosa pelo próximo ato. Sentia o quão úmida a região se tornava e como ela formigava, como que antecipando a atenção que receberia dos lábios do russo. Eu já havia visto isso nos vídeos pornô que dividia com Lissa na adolescência, não sou de toda inocente, obviamente, mas eu não sabia realmente o que fazia com o corpo de uma mulher, no caso eu, e eu tremia de antecipação, enquanto o desgraçado tomava seu tempo longe de mim.
Quando ele voltou a me tocar, foi como se eu entrasse em erupção novamente e ele nem havia feito o ato ainda. Me perguntava se minha mente resistiria até o final da noite. Eu duvidava.
Com sua mão direita minha perna foi posicionada sobre seu ombro, a erguendo, e permitindo acesso ao meu íntimo.
Primeiramente seus dedos deslizaram por toda a extensão massageando sem pretensão, lentamente indo e vindo, espalhando o líquido que já estava em mim.
Não tardou depois para finalmente sua boca me encontrar, primeiro com sua língua tocando apenas em pontos, leves e curtas lambidas para parar e recomeçar logo depois, me provocando, me trazendo perto do êxtase, apenas para afastá-lo de mim como uma brincadeira. Eu o havia agarrado pelos ombros e cabelos, arranhando e puxando como vingança, mas ele parecia não se importar, ou melhor, ele parecia apreciar minha demonstração.
Não poderia dizer quanto tempo durou, sentia como se tivesse sido rápido demais, mas, longo o suficiente para me levar a loucura, tudo ao mesmo tempo. Não me permitindo alcançar o limite, mas me levando a beirada dele, deixando que eu bebericasse da fonte e soubesse o que estaria me aguardando quando ele finalmente me entregasse o orgasmo da minha vida.
Eu estava mole como um invertebrado e incapaz de me mover além de erguer o braço alguns centímetros.
– Dimitri… — Não fui capaz de não reclamar, com uma voz quase perdida, entre um murmúrio e um som de agonia.
– Shhh, eu sei, linda. Eu sei…
Ele se ergueu novamente, subindo pelo meu corpo, distribuindo leves beijos por todo o caminho como fizera quando descera, dando mais atenção aos meus seios que até então ainda estavam cobertos pelo sutiã. Este desapareceu já tarde e Dimitri mergulhou a mesma língua que me levou a felicidade minutos antes. Ele beijou, lambeu e deu a cada ponta dos mamilos uma sugava que os fez endurecer ainda mais, doendo como se não fossem capaz de parar de receber atenção.
Mas parar ele fez, escorregando para fora do sofá, me fazendo por um breve momento pensar que ele iria parar com tudo. Se o fizesse, eu iria cometer um assassinato assim que eu ganhasse de volta o controle das minhas pernas.
Mas ele se ajoelhou no chão, ao lado do móvel, passando seus braços por baixo do meu corpo na dobra dos joelhos e costas, me erguendo com um controle e força impossível. Ao menos eu me sentia como pesando uma tonelada.
Imaginei que ele nos levaria ao seu quarto, mas não, após me tirar do conforto e maciez do sofá, me abaixou até o chão onde me senti, realmente, sendo posta em uma nuvem. Era macio contra minha pele nua e quente, e eu tinha certeza que poderia adormecer com aquela sensação em mim. Mas adormecer eu não queria e, ao abrir os olhos novamente, recebendo a claridade da luz, pude observar que eram peles de ovelha, costuradas entre si se esticando por toda a sala, branca e imaculadas em contraste com o que iríamos fazer nelas.
Pude notar também pela figura enorme em minha frente que estava de pé cobrindo a luz da lâmpada e me mergulhando agora na sua sombra. Ele retirava sua calça com certa impaciência, se atrapalhando com os botões e zíper, o que me permitiu rir enquanto eu admirava sua figura. Me consolava o fato de que ele também estava sob o efeito da situação e que seus dedos tremiam levemente.
Quando ele retornou para mim, já não havia mais roupa nenhuma entre nós e sua pele quente parecia entrar em equilíbrio com a minha, já em erupção.
Seus cabelos estavam arrepiados e apontavam para todos os lados, culpa das minhas mãos que o agarraram, puxaram e maltrataram enquanto ele me dava o sexo oral mais perfeito da face da Terra.
Seus lábios tocaram os meus num beijo fechado e rápido, enquanto ele pairava sobre mim sem pesar, me dando o sorriso de menino travesso que eu nunca imaginei no rosto do russo, mas que agora parecia perfeito nele.
– Desculpa pequena, mas não posso esperar mais…
Ele estava se desculpando pelo quê? Eu o daria motivos para se desculpar se demorasse um minuto a mais.
Minhas mãos estavam mais eloquentes que minha língua no momento, levemente recuperada da sessão de prazer anterior e pronta para a próxima.
Com meus dedos firmemente retorcendo seu cabelo, o puxei novamente contra meu rosto, o obrigando a ceder a um beijo digno do momento. Pura luxúria e fogo, sem tempo para perder, sem deixar para o amanhã o que poderíamos fazer agora. Eu ainda sentia resquícios do meu sabor em sua boca, levemente adocicado e intoxicante. Eu esperava que fosse viciante para ele, como ele era para mim.
Suas mãos desceram até minha cintura e então a lateral de cada perna, as abrindo para que pudesse posicionar seu corpo no meio. Ele estava, finalmente, completamente contra mim agora, nu e febril como eu, me apertando contra o pelego macio como que desejando provar sua força e potência. Não que ele precisasse, mas eu apreciava mesmo assim.
Seu membro já estava em riste pressionado contra minha barriga, inchado como que sabendo o que viria e pronto para o caso. No tempo em que ficara de pé ele havia se livrado de todas as roupas e já envolvido o órgão com um preservativo branco. “Não podia esperar mais”, de fato.
Com as mãos apoiadas sobre o chão ao lado da minha cabeça, erguendo metade do corpo, ele se esfregou duas vezes num vai-e-vem, arrastando seu pênis contra minha barriga, me fazendo sentir sua extensão fora de meu corpo e antecipar com ansiedade o momento que ele finalmente tomaria minha virgindade.
Minhas mãos fizeram caso de suas costas, agora ao meu alcance, arranhando cada vez mais forte em cada novo movimento que ele se esfregava contra mim.
Finalmente tomando a decisão, sua mão direita foi para minha coxa, a erguendo levemente e girando para o lado, posição que tomei com a perna esquerda, enquanto o sentia se posicionar a minha entrada aberta.
Quando levemente moveu o quadril para frente, senti a pontada causada pela pressão, a cabeça do membro lentamente entrando e esticando minhas paredes internas como um objeto que não pertencia a ali. Mas pertencia e eu sabia que doeria as primeiras vezes e nem mesmo com a minha excitação e o lubrificante do preservativo me salvaram desse batismo de fogo.
Mas Dimitri se movia com precisão e um cuidado quase aborrecedor. Apenas alguns centímetros por vez, nunca forçando a ponto da dor me interromper. Cada vez que retirava até a cabeça e entrava novamente, movia-se apenas uma fração a mais que a anterior, permitindo que meu corpo se adaptasse e esticasse, o acolhendo com mais facilidade.
Ele repetiu o movimento lento e certeiro por tantas vezes que eu já estava a ponto de explodir antes mesmo de que todo seu membro estivesse até o final. Toda a movimentação pareceu natural e apenas levemente dolorida, me proporcionando um prazer inimaginável. Ele sabia onde tocar e o exato ângulo da penetração fazendo com que me atingisse num ponto que me mergulhava em uma onda arrebatadora de prazer. Eu via estrela atrás dos olhos e murmurava e gemia palavras desconexas.
Nunca sua velocidade passou de um lento confortável, mas havia poder em suas estocadas, cada vez mais fundo, mais fundo…
Nossos dois corpos estavam suados e corados pelo calor e movimentação, enquanto eu fazia uma carnificina com suas costas, fincando minhas unhas e as arrastando pelo seu corpo como se precisasse me agarrar a ele para impedir de cair num poço sem fim.
Ele trocou palavras em determinado momento, quando senti seu corpo começar a tremer e seu controle esvair aos poucos, mas eu estava perdida demais para entender, era aquilo russo? Sua voz era tão pesada quanto o ar da sala naquele momento.
A partir desse momento minha memória é turva e perdida, alucinada pela aproximação do orgasmo que estava próxima, embora eu mesma desejasse ser capaz de recobrar cada detalhe daquele momento, relembrar para o resto da minha vida.
Acordei novamente apenas sentindo ser mais uma vez levantada, nos braços fortes do meu amante, ambos ainda nus. O ar havia esfriado e eu sentia os calafrios que causavam contra minha pele ainda quente e descoberta. Embora eu não tivesse aberto os olhos, ele notara de alguma maneira que eu não estava mais inconsciente e senti seu sussurro em meu ouvido, seguido de um beijo carinhoso na têmpora:
– Shhh, volte a dormir minha Roza.
Eu já estava de volta ao mundo dos sonhos antes mesmo dele me depositar na cama.
Fale com o autor