Burning High
24 s04e05 - Final... Só que não.
Notas iniciais
[ uma musiquinha pra acompanhar ]
O sol batia em meu rosto com pequenos feixes que escapavam da delicada cortinha que cobria a janela ao lado da cama. Meu rosto de esquentava aos poucos abandonando o frio matinal…
Nada me atingiu como algo estranho até que na segunda vez que me espreguicei meus olhos se encontraram com os números vermelhos do relógio digital na cabeceira. Sete e quinze da manhã. Merda! Eu devia estar no trabalho a horas!
Levantei-me rapidamente ou tentei, atingindo uma lâmpada conectada ao canto da mesa de casal, provavelmente usada pelo maldito russo para ler seu faroeste a noite.
— Merda! — A esse ponto eu não seria apenas repreendida pela ausência mas enfrentaria sérias punições por abandonar o posto. E não muito tempo eu retornara de uma suspensão. Minha carreira mal começava e eu já podia ver o fantasma do desemprego rondando.
Do corredor ouvi a risada grossa daquele que era o dono da casa, como sempre saboreando minha desgraça. Eu vou matar aquele russo!
Quando me ergui finalmente da cama depois de enfiar a calça que estava dobrada de maneira perfeita sob uma cômoda – claramente esse homem é neurótico em organização-, senti o incômodo em ficar de pé e me mover. A cada passo a ardência intensificava e eu não podia evitar uma careta enquanto eu me locomovia lentamente pelo corredor. Definitivamente. Matar. O. Russo. Heh, certo, como se eu não tivesse gostado e planejasse fazermos de novo… Depois que a dor passasse, é claro.
Eu o encontrei na cozinha como imaginei, com um cheiro irresistível se espalhando pelos cômodos. Ele estava tirando uma forma de pão preto do forno quando me avistou sorrindo, claramente tentando não parecer cheio de si quando me viu caminhando com dificuldade até o balcão.
— Vou te matar, russo, esquece o pão! Sabe que horas são?
— Eu liguei para Kirova avisando que ficarei um dia fora por causa da data. E Lissa ligou também para avisar que você está muito doente para ir trabalhar. Ela já havia chamado um tenente de outro quartel para me substituir querendo que eu ficasse fora, e você é facilmente substituída.
— Ahá. Aposto que ela pensa assim. Não vão desconfiar que estamos faltando junto?
Ele encolheu os ombros e bateu em minha mão que tentava arrancar um pedaço da casca do pão para comer seco mesmo.
— Espere esfriar, tem um pouco do outro de ontem ainda.
Mas quentinho era sempre melhor, então aproveitei quando ele se virou novamente para por uma nova forma no forno para finalmente arrancar um pedaço e sair correndo para o banheiro com o homem urrando meu nome atrás de mim.
Após um relaxando banho quente na ducha dentro do cubículo que era o banheiro da casa, encontrei uma camisa longa e limpa, ainda tendo o cheiro dele sob a cama junto com uma calça que, com certeza, seria grande demais para mim, mesmo que parecesse antiga e pequena para ser usada atualmente por Dimitri.
Deixei a calça de lado vestindo apenas a camisa que me serviu como um vestido, e quando estava prestes a fechar o penúltimo botão seus braços fortes me circularam e puxaram contra seu corpo, fazendo o topo de minha cabeça bater conta seu peito e nos encaixarmos de forma estranhamente familiar, mesmo tendo proporções diferentes -ahem-, parecíamos pertencer um ao outro.
— Ainda está braba comigo? — Ele perguntou em meio ao meu cabelo ainda solto e molhado pelo banho, sentindo o cheiro de seu próprio shampoo em mim.
Eu nunca fui capaz de ficar realmente braba com ele mais que alguns segundos, mas eu morreria antes de deixá-lo saber disso.
— Digamos que a próxima vez que fizer algo que me envolva sem me avisar, vai ficar sem usar o júnior por um bom tempo.
Dei uma leve cotovelada para trás e em reflexo ele me soltou, rindo e esfregando as costelas como que eu o tivesse realmente golpeado com força.
— Você seria a que mais sofreria com minha incapacidade. — E assim mesmo me puxou novamente agora me virando e fazendo com que eu estivesse de frente para ele, prensada em seus braços.
Um passo e estávamos caídos na cama, com o russo tomando pouco cuidado em não me esmagar no processo.
— Ainda está dolorida? — Ele perguntou entre beijos no pescoço e fungadas em posições estratégicas que levavam meu cérebro a curto circuito.
Nada mais que um vermelho intenso em meu pescoço e rosto foram minha resposta, e seus dedos fizeram pouco caso dos botões da própria camisa deixando meu corpo nu debaixo dele, a mercê de sua habilidade em me fazer virar gelatina sob seu toque.
— Não se preocupe, sei outras maneiras de encontrarmos prazer… E eu vou te ensinar…
Depois da terceira vez que ele me fez encontrar o êxtase com sua boca, eu desabei sem ser capaz de me mover novamente e o teto do quarto certamente girava.
Que o quartel esperasse um pouquinho mais. Diabos, que a minha vida esperasse mais um dia para acontecer, porque hoje eu seria somente dele, e ele meu.
Mas eu tinha certeza, entre meus delírios fomentados por orgasmos múltiplos, que iríamos fazer dar certo… E o mundo teria que lidar com nós, Dimitri e Rose, como uma dupla… Eles que nos aguardem.
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