Burning High

22 s03e02 - Acelerando as coisas


Dimitri carregava um buquê de flores brancas e laranjas, exóticas e belas que havia comprado no caminho para o monumento."Preferidas delas", ele disse enquanto pagava a moça da floricultura.

Toda a viagem fora em silêncio comtemplativo, não eram necessárias palavras entre nós, era requerido de mim apenas que me mostrasse presente ao seu lado para apoiá-lo, um coadjuvante. E eu estava contente com isso, por simplesmente me ser permitido fazer parte e conhecer um pedaço de Dimitri que ele não revelara a mais ninguém.

Quando as primeiras lágrimas rolaram pelo rosto de linhas retas do Russo, me afastei silenciosamente para lhe dar mais privacidade naquele momento delicado. Ele faria suas homenagens, conversaria com Vic e voltaria quando estivesse pronto. E eu estaria o esperando, pelo tempo que ele permitisse, eu sempre estaria esperando por ele.

O pensamento me assustou, em como aquele homem em um ano havia se tornado algo tão importante e indispensável. Passado nosso inicial confronto e sua maneira de lidar comigo dentro do quartel, eu encontrei um homem maduro e formado em convicções, que valorizava e amava a família mas que também tinha um sentimento forte pelo que fazia, sendo bombeiro. Ele era como um espelho de mim mesma, e talvez fosse isso que me assustasse e fizesse desejar puxar os freios com todos esses sentimentos. Tinha tudo para dar errado, e por isso também, eu parecia querer como nunca quis algo antes. Eu sabia que tinha atração por Dimitri, mas admitir para mim mesma que isso era um sentimento mais fundo e não passageiro me deixava apreensiva. Eu estou apaixonada pelo meu instrutor. Seria igual com ele? Ou apenas atração, desejo de experimentar o novo? Até ter certeza, eu protegeria meu coração, o que não quer dizer que eu impediria todas as oportunidades que rolariam entre nós. Eu sou Rosemarie Hathaway-Dragomir, e se tem uma coisa que eu sei fazer é me aproveitar. E um certo russo Delícia dando bobeira nunca passaria reto pelo meu radar.

Eu aguardava ele em um banco no parque em que o monumento estava, segurando dois copos térmicos de café que eu comprara de um carrinho de lanches estacionado próximo, tomando como clientela as famílias passeando pela noite limpa ou alguns casais apaixonados que vinham apreciar o clima fresco ao redor do pequeno lago. Após vários minutos aguardando e quase terminando meu próprio café, Dimitri retornou ao meu campo de visão pegando da minha mão o copo que eu não estava tomando. O buquê de flores não estava mais em suas mãos, mas posto escorado contra a pedra de alicerce da estátua de bronze que representava um bombeiro segurando uma mangueira e a apontando para o céu. Na base entalhados vinham os nomes dos bombeiros mortos em serviço da região, não haviam muitos, Victoria estava entre eles. Mason estava no final. Eu desviara o olhar quando li seu nome marcado contra a pedra.

– Noite boa, hum?

Enquanto ele tentava puxar uma conversa neutra e sem peso, eu encarava o céu estrelado que estava limpo como não se via a muito tempo após o inverno pesado passar.

O que planeja agora, camarada? Uma noitada para marcar presença na cidade?

Ele bebeu novamente o líquido fumegante, mas não para conseguir tempo para pensar numa resposta. Ele estava certo do que queria.

Na verdade apenas voltar para casa, relaxar enquanto o próximo turno não vem.

Ele me encarou agora, sério mas fora da sua máscara de guardião, de maneira reservada, mas ainda assim, cativante. Permitia um glimpse das emoções que estavam abaixo da sua pele, ao mesmo tempo que me fitava certeiro aguardando minha posição no assunto.

Então, para São Vladmir.

Falei, mas não me levantei imediatamente, passei o olhar do vendedor de algodão-doce na outra ponta do parque, para um casal atravessando a ponte sob o lago, para uma criança se aventurando cada vez mais próxima da margem e atirando pedaços de pão aos cisnes mantidos ali.

Eu estava incerta de como proceder, e acabava por sentir como uma adolescente prestes a ser beijada pela primeira vez. Eu e Dimitri já passamos do beijo, eu queria mais e mais vezes, e não podia deixar de me sentir como uma tola com a incerteza de toda a situação. Um completo "chove não molha" até agora.

Já está escurecendo... Melhor irmos logo...

Dimitri me arrancou dos devaneios e pensamentos negativos para onde eu havia me trancado, mas pareceu realmente pedir desculpas por impedir minha mente de trabalhar, quando estendeu a mão para me ajudar a levantar do banco. Não quebraria todo o clima de camaradagem dividindo minha mente com ele, mas não havia nada por se desculpar. Ele poderia me interromper a qualquer momento, especialmente numa cama, com nos dois nus. Ok, velha Hathaway está de volta.

Quando saímos do parque e nos dirigíamos ao carro estacionado no canto da espaçosa rua dupla, ele enfiou a mão no bolso da sua calça jeans levemente folgada e puxou a chave do carro com um tanto grande pingente de uma boneca Matryoshka, em versão masculina especial proibida para crianças. O objeto devia ter o tamanho do dedo maior dele.

Então sem aviso nenhum ele jogou as chaves ao se virar para mim, e por pura reação impedi que o metal se chocasse com a minha cara. Encarei o molho que continha duas chaves, o chaveiro de Matryoshka e um pequeno aparelho do que deveria ser de um portão eletrônico, já que seu carro era totalmente original e não continha sistema de alarme.

Está escurecendo e estou cansando...

Como se aquelas poucas palavras pudessem iluminar suas intenções para mim. Mas não foi bem assim. Olhei das chaves para o homem que agora caminhava para trás, em direção ao carro mas ainda me encarando, eu atônita até que as peças se encaixaram e eu tive certeza que pode ser ouvido um “click”.

Acho que meus olhos se iluminaram ao mesmo tempo que arregalaram o máximo para não saltar para fora. Eu com certeza fiquei como alguém que abre um presente para ver aquele brinquedo maneiro e extravagante que é o desejo de consumo de todas as outras crianças.

Dimitri apenas riu baixo mas de maneira aberta, e se virou novamente para o carro caminhando mais devagar dando tempo para mim absorver a oportunidade.

Você vai deixar eu dirigir seu carro??

Não dei tempo para ele responder, eu já havia corrido o restante do caminho e passado voando até o lado do motorista -não perdendo a chance de acariciar a traseira Mustang no processo-, testando se a chave realmente encaixava e não era uma pegadinha.

Porque não, apenas tente não nos matar, e estaremos bem.

Meu sorriso se alargou quando ouvi o som metálico da tranca da porta sendo liberada, e entrando sem delongas no automóvel, observando o painel como se tudo fosse diferente agora sentada atrás do volante. E para este dei atenção especial, passando de novo e de novo os dedos pelo couro envelhecido por uso e pelo Sol, até que ouvi um pigarro do meu passageiro. Impressão minha ou ele parecia ciumento com a maneira que eu acariciava seu carro? E seria do carro, ou de mim? Eu não poderia ter certeza, ele nunca deixara ninguém dirigir que eu saiba.

Ele tem nome?

É claro que não, é um carro.

Virei novamente para frente acionando o motor e acelerando seu liberar a marcha, deixando o ronco feroz me envolver como um cobertor quente. Um pensamento em incomodou na viagem de volta, voltaria ele a ser o velho e distante Russo quando retornasse para casa, como se ele se encaixasse no papel de Tenente de novo, me trancando fora da sua mente?

E é ela.

Sorri com o comentário, eu sabia que ele tinha dado nome a essa beleza. Acelerei mais agora após encaixar a primeira e saí com uma fome apenas controlada o suficiente para não cantar os pneus a ponto de Dimitri ameaçar trocar de motorista novamente.

Notas finais
Parte final do cap em homenagem a Agents of SHIELD, aquela cena é maravilhosa :3 ___ Yep, vai ter quantos na multidão com foices e bestas querendo me caçar huehuehue Mas sabem que eu não falho sem (bons) motivos. Meu note finalmente deu sinal das consequencias de derramar chá sob ele, e o conserto demorou 2 semanas para chegar a peça de substituiçao, felizmente nao perdi nada nele, ufa! Aí depois teve meu aniversário, e eu fiquei encalhada no cap. As coisas vão se tornar importantes e quentes, realmente. Próximo cap é para finalmente ser +18, fiquei nervosa por me preocupar em nao decepcionar, apesar de que eu comecei a fic pensando em como seria a primeira vez deles buahahaha fiquei com crise de existencia e inspiraçao, e preocupada em estar fugindo dos personagens ao desenvolver essa fic, mas acho que é impossível nao o fazer, os personages tomam rumos diferentes que nos livros, e tem diferentes experiencias de vida que moldam a personalidade de cada um. Enfim, estou encerrando BH logo logo, e é sério agora, dois caps e teremos de nos despedir do Tenente =/ Para dar atençao especial a esse periodo, Segurança da Princesa vai ficar pausada como avisei que seria, voltando após eu dar todos os nós e pontos nos i`s aqui. Esse cap já era para ser a viagem + a primeira vez, mas fiquei ansiosa para postar logo já que nao terminaria hoje, e entao saiu esse cap que é mais como um prólogo ao que está para acontecer. O final feliz está chegando... será?