Burning High
3 s01e03 - Azar de Principiante
Notas iniciais
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O serviço como bombeiro funcionava em turnos de 24 horas por 24 horas de descanso. Haviam se passado metade daquele período, e eu já estava cansada, dolorida e estressada. Não só tive que limpar os banheiros duas vezes, como tive de usar o esfregão em toda a parte interna da estação.
Agora eu me encontrava no estoque de mantimentos, fazendo... Bem, fingindo fazer algo. Era o único lugar que o russo não circulava, e eu vergonhosamente reconheço que estava me escondendo.
Havia girado um balde vazio para baixo e sentado em cima, escorando minha cabeça nas mãos que por sua vez estavam apoiadas em minhas pernas, em uma posição que poderia indicar que estava refletindo em algo, se não fosse pelo fato de meus olhos estarem praticamente fechados, sendo embalados para um sono de exaustão, já que mantive as luzes da sala apagadas para não notarem a presença de alguém.
Foi então que a porta se abriu de repente e eu dei um pulo de onde estava sentada, derrubando o balde que fiz de banquinho e me desequilibrando, tendo que procurar apoio em uma estante, a fazendo balançar e ranger. Tudo isso enquanto a luz foi acesa e do espaço da porta, me encarava um russo de maneira surpresa e assustada, e eu ainda lutava em segurar a estante para a impedir de cair, com meus olhos ardendo pela repentina claridade.
– Hathaway...? O que você... Estava dormindo no estoque?
Sua voz exibia incerteza e um certo tom que eu não pude identificar, mas era claro que estava longe da frieza e dureza de líder que ele exibia em todos os outros momentos. E me incomodava ver que ele era capaz de exibir sentimentos e reações como um humano normal, e apenas não o fazia conosco em público. Mas eu tinha problemas mais urgentes do que admirar a maneira como sua testa ficava enrugada enquanto ele parecia perdido na situação.
– Eu... Não... Estava...
Eu não tinha explicação boa nenhuma para o que eu estava fazendo, então tinha que arrumar uma ruim mesmo. E nesse momento, enquanto meus olhos varriam a sala por uma desculpa, eu vi uma sombra passar pela porta atrás de Dimitri, com cabelos claros e andar despreocupado. Meu salvador.
– Adrian! – Gritei fazendo preces mentalmente para que ele entrasse na história e não me deixasse com mais cara de idiota que eu já estava naquele momento. Em meio segundo ele voltou andando de costas e parando de lado na porta, sem se virar de frente para nós, mas com o rosto me encarando agora, sem entender o repentino interesse nele. Eu simplesmente estique o braço para a estante que estava momentos antes impedindo de virar em cima de mim, e agarrei o primeiro pacote que havia nela, o erguendo e sacudindo antes de ver o que tinha realmente pego.
– Encontrei a... Massa que você tinha pedido.
Ele me olhou questionador da mesma maneira que o tenente, não acreditando nem por um segundo naquilo, mas sem verbalizar o quão ridículo fora minha explicação.
– Agora podemos cozinhar... Aquela receita... Da sua vó!
E trotei para a porta, enquanto o russo se virava para me dar passagem mas sem sair dali, analisando cada um dos meus passos.
A frente Adrian soltou um sorriso maroto, diferente da malícia típica ou das raras demonstração de felicidade genuína. Ele era o oposto do russo, Adrian tinha inúmeras facetas, e todas elas fáceis até demais de se desvendar.
Quando o alcancei um passo após sair do estoque, ele passou o braço pela minha cintura esbanjando toda sua falta de compostura profissional, e me empurrou em direção a cozinha adjunta da área de convivência, se abaixando levemente enquanto caminhava ao meu lado, pondo o rosto próximo demais do meu, sussurrando de maneira divertida:
– Receita da minha vó...?
– Apenas jogue junto, Adrian.
O alertei, e não trocamos mais nenhuma palavra andando lado-a-lado agora sem a companhia do braço dele no meu corpo, e a falta da proximidade me deu tempo para acalmar com toda a situação em que me envolvi. Não olhei para atrás quando cruzei o corredor, mas tinha certeza que o russo ainda acompanhava cada movimento meu, como se sua atenção e presença pudesse ser notada por mim de maneira incômoda.
Alguns metros depois Kirova cruzou por nós, em passos rápidos fazendo seus saltos ecoarem no corredor, e eu observei com divertimento como Adrian se endireitou e passou a andar como que um soldado, aumentando a distância entre nós. Ele não parecia se intimidar tanto com Dimitri, mas aquela mulher era uma história totalmente diferente. E não o culpo. Encará-la nos olhos me dava arrepios.
– Chefe...
Cumprimentei rapidamente com um aceno da cabeça, e ela o repetiu sem falar nada, com clara pressa de ir para onde quer que fosse, ela dobrou para o caminho de onde viemos, e seus passos diminuíram de barulho até não escutarmos nada, chegando a zona de alimentação da estação.
Já havia passado de meio dia e todos os bombeiros se amontoavam nos diversos lugares disponíveis daquela sala, esperando impacientes pelo almoço.
Eu estava me virando do avesso para acompanhar Adrian no preparo, ou melhor, ele estava me acompanhando, já que a tarefa de alimentar a tropa havia recaído nos meus ombros, e eu estava falhando nisso também.
– Rose, tá queimando!
Gritou Adrian que estava cortando verduras e correu para o fogão, vestindo rapidamente as luvas resistentes a fogo e retirando a enorme panela para colocá-la no balcão. Nós dois encaramos para dentro da panela com feições d desgosto. A massa estava completamente mole, grudada, e queimada no fundo. Quando o cheiro da comida queimada dominou a sala, vários bombeiros protestaram, e muitos outros suspiraram exasperados. Teriam uma péssima refeição pela frente, mas não era minha culpa se meus dotes culinários não estavam a altura de algo apresentável.
– Tudo bem... Se tirarmos só a parte de cima e misturarmos com mais molho e as verduras, acho que nem vai dar para notar...
Adrian sorriu tentando me animar, mas seria preciso mais que isso. Eu não via a hora do turno terminar, meus pés latejavam e minha cabeça zumbia. Eu realmente devia ter descansado antes de me apresentar, como Kirova havia indicado.
O almoço foi barulhento e bagunçado. Pão sendo atirado daqui, gritos por mais molho ali, e para minha surpresa, nada da comida restou exceto o que estava realmente queimado e impossível de se consumir. A fome aparentemente os impediu de serem seletivos demais.
Dimitri se juntou ao grupo após a maioria já ter se retirado para aproveitar os minutos de descanso em outro lugar, e se serviu de uma generosa porção que Adrian havia escondido especialmente para ele e Chefe Kirova, que sempre vinham mais tarde para o almoço, provavelmente para evitar o burburinho que era logo que a comida era servida.
Estava cutucando um brócolis no meu prato quando a voz carregada de sotaque me obrigou a encarar o russo, que novamente estava com o rosto impassível, feito pedra, me encarando com o prato vazio a sua frente.
– Já que estragou o almoço, pode lavar a louça...
Era injusto, eu sabia. Era conhecimento popular, em qualquer lugar. Quem cozinha não precisa lavar a louça. Mas eu estava cansada demais para questionar. Exausta demais para argumentar a irracionalidade das ordens dele.
Foi com surpresa que ouvi a voz leve e doce do bombeiro ruivo do nosso time, Mason, se erguer e começar a empilhar os pratos abandonados na mesa.
– Eu ajudo...
Disse ele incerto sobre o que ele mesmo estava fazendo quando o encarei surpresa, e tudo que eu pude demonstrar de volta foi um meio sorriso produzido com força sobrenatural. Eu nem sabia se seria capaz de me por de pé para sair da mesa.
Eu desmaiei em uma das camas no dormitório e o restante do turno ocorreu sem maiores ocupações, para minha gratidão. Nenhum chamado, nenhuma emergência. Aquela cidade era tão pacata quanto demonstrava. E eu estava sendo generosa quando a chamava de cidade.
Com as forças parcialmente recuperadas, enfiei meu cartão na máquina de horas, esperando o visor confirmar minha saída e rumei para a garagem, onde todos da minha equipe estavam reunidos em uma roda solta, semelhante a como estavam quando entrei na estação para me apresentar.
Peguei a conversa pela metade, mas pareciam estar combinando de se encontrarem em um bar. Belikov estava junto se despedindo enquanto eu me aproximava, negando o convite de acompanhar o grupo. Nenhuma surpresa, ele nem deve saber o que é diversão.
– Hey Rose, nada mal hoje.
Adrian me cumprimentou com um aceno e um sorriso enquanto me aproximava, e parecia ter sempre uma disponibilidade de frases para tentar me animar.
– Com o tempo melhora, sabe... Logo estará chutando portas e pulando de janelas em chamas...
Ele brincou, mas eu desejava que fosse verdade parte daquilo. Eu não havia me esforçado na academia para cozinhar para o resto da vida. Eu era mulher sim, mas isso não fazia de mim a empregada deles.
O agradeci e me despedi dos demais, todos mais hesitantes e controlados na amizade do que Adrian.
Quando meu taxi chegou, saí da garagem sentindo o calor produzido pelo aquecedor me abandonar, e uma brisa gélida me trazer de volta a realidade de Montana como um soco na face. Me encolhi nos longos passos até o veículo e joguei primeiro a mala no assento traseiro, entrando sem cerimônias e indicando meu endereço ao motorista. Com um último suspiro assisti as luzes na rua ficando para trás. Essa seria minha vida agora.
Lissa só viria na tarde do dia seguinte, mas ela reservou um tempo entre as festas e o que for que estava fazendo na viagem de férias, para me ligar.
A conversa não demorou mais que vinte minutos, mas serviu para rejuvenescer o meu espírito e alimentar a amizade que estava ferida por toda minha ausência. Não via o momento de abraçá-la como antigamente.
O dia de minha folga passei em casa, encomendando comida e vendo TV, andando pelo apartamento organizando minhas poucas coisas que haviam chegado com o caminhão da mudança. Teria que renovar meu armário com roupas mais apropriadas, as curtas e leves que trouxe da Califórnia não seriam usadas tão cedo nesse clima. Que Liss não soubesse disso, ou me arrastaria para um dia de compras no shopping. E isso era o oposto de relaxar a mente.
Quando as horas se aproximavam do retorno dela, eu já não tinha mais com o que me ocupar e andava pelo apartamento sem realmente fazer algo. Quando o interfone finalmente tocou, eu pulei até o aparelho sem contar a animação, e após confirmar que era realmente ela pelo pequeno visor que exibia a filmagem de uma câmera na porta, destranquei a porta ao mesmo tempo que gritava que estaria descendo para ajudar com as malas, correndo até o elevador e o amaldiçoando por ser tão lento.
Nosso reencontro foi mágico, corremos uma contra a outra e nos abraçamos com tanta força que nossos corpos se bateram e nos jogou de volta alguns centímetros, enquanto ríamos e nos abraçávamos apropriadamente agora, ignorando o porteiro observando a situação com desgosto e o taxista retirando as malas do carro tentando fingir não estar assustado com nós duas agindo descontroladas em meio a calçada.
Com a ajuda do porteiro, trouxemos toda a bagagem para nosso apartamento, e eu jurava que ela havia posto todas as roupas dela em malas, com tantas coisas para se carregar.
Assim que a porta do apartamento se fechou, ela se jogou no sofá de quatro lugares que gritava elegância, de couro em cor creme, fofo estrategicamente posicionado em meio a nossa sala.
– Então, me conte tudo sobre as suas férias...
Eu disse enquanto largava as chaves em um recipiente de vidro para aquela finalidade, em cima do balcão da ilha da cozinha.
– Não! Conte-me tudo sobre o seu primeiro dia!
Eu tentei erguer a sobrancelha como todas as demais pessoas do planeta sabiam fazer com maestria, mas tudo que devo ter conseguido foi uma careta torta, pois Lissa riu e se esticou até a mesinha em frente ao sofá para pegar uma mão do salgadinho que eu havia deixado ali antes de ir buscá-la. A folgada. Mas eu não insisti, eu realmente queria esbravejar com alguém sobre o que passei no meu primeiro dia.
– Ah Liss, foi um inferno...
E eu comecei a descrever tudo que acontecera dês da chegada a estação até a minha saída. Sobre Adrian, que apesar de ser consideravelmente bonito, não me agradava por parecer ser capaz de ter relações com qualquer coisa que se mova... Sobre a linha-dura Kirova... Mas é claro, usei a maior parte do tempo para reclamar de um certo metido a russo que me levou a loucura em apenas um dia. E não de uma maneira boa. Nem perto disso. Ela era minha melhor amiga, e portanto não pude deixar de lado o fato que Dimitri era o homem mais lindo e atrativo que já havia encontrado. E olha que convivi com bombeiros por três anos na Califórnia. Tudo bem, Adrian era belo... Mas não era Dimitri-bonito. Ninguém era Dimitri-bonito, só... Dimitri.
As horas passaram com ela trocando experiências e acontecimentos nas férias, até decidirmos por uma pizza e mais conversa leve, sobre trabalho, estudo, homens... Esse último tópico sempre dava o que falar.
Quando o relógio pendurado em cima da exagerada geladeira de duas portas indicava nove horas e meia, Lissa decidiu que deveria me levar ao bar, relaxar e ampliar meus conhecimentos de homens da cidade. Não deveria haver tantos outros, a população era o que... cem pessoas?
Eu realmente sentia que merecia aquela saída, mas não poderia dormir tarde e acordar de ressaca para o trabalho. Liss entendia que o meu trabalho era ainda mais importante do que o das outras pessoas, e eu deveria estar em meu melhor pois a vida de muitos descansavam na minha capacidade de exercer meu trabalho. Ela insistiu que seria apenas para se divertir, no máximo dois drinques, e eu não senti mais com vontade de contrariar ela. Ela tinha um poder de convencer as pessoas, quase sobrenatural.
Vestindo uma calça jeans preta justa e uma blusa branca com lantejoulas, acompanhada de uma sandália de salto médio preta, eu saí a acompanhando até a garagem onde descansava abandonado o carro que ela havia deixado para a viagem. Bem, classificar aquilo como veículo talvez fosse um exagero em si, eu preferiria mais o termo “carro-alegórico”. Era da marca Jeep, algo que eu não acreditei quando vi: Lissa dirigindo um carro off-road. Mas eu imaginei que era a única opção para se andar naquele fim de mundo. Afinal era preciso um carro adequado para não se prender no banhado.
E ele tinha seu toque Lissa: Ele era totalmente, por dentro e por fora, rosa bebê. Nada discreto, no final, era a cara da Lissa, no próprio jeito da Lissa. Só dela...
Ela dirigiu por cerca de dez minutos até parar em uma rua que indicava ser o principal lugar noturno da cidade, saindo do carro e fazendo a volta para se encontrar comigo. Quando eu pus os pés na calçada, me arrependi imediatamente de ter abandonado o confortável e aquecido apartamento. Parecia que hoje estava ainda mais frio que ontem, e um forte vento agredia minha pele descoberta.
Eu fiz menção de retornar para o carro e voltarmos para o apartamento, mas Liss me puxou pela mão arrastando até a entrada de um bar, onde um homem de idade média e tamanho suficiente para amedrontar qualquer um, me parou.
– Identidade por favor.
– Tá brincando comigo? – Eu o encarei incrédula, mas ele não se comoveu. Na Califórnia ia a festas abertas na praia, onde todos bebiam, e não havia o problema de eu aparentar uma adolescente ao invés de uma adulta. Na pequena bolsa que eu trazia comigo eu retirei com impaciência o documento, e o segurança encarou a foto nele, olhou para mim, encarou a foto de novo, e me olhou de novo... Por céus! Ele não estava acreditando que eu tinha 21 anos?! Nunca vi alguém conferir com tanto afinco a identidade, e Liss apenas se divertia ao meu lado, sem precisar se esforçar para comprovar sua superioridade etária, provavelmente porque já era conhecida no local. Com certeza não ela pela aparência. Ela tinha a mesma face infantil que eu tinha.
Após alguns segundos naquele impasse do lado de fora no clima glacial que fazia, ele gesticulou para que entrássemos passando pela estreita porta de madeira maciça, mas me encarando nos olhos em todo o processo, com se dissesse “estou de olho em você”. Céus, eu estampo minhas tendências arruaceiras tão claramente na minha cara?
O clima dentro do bar estava calmo e em temperatura mais agradável. Pequenos grupos espalhados pelas mesas redondas, alguns jogando bilhar em uma mesa na extremidade do bar, outros conversando com seus pares, e algumas almas solitárias sentadas ao balcão do bar, assistindo uma partida de futebol americano sendo exibido pela televisão ali, ou simplesmente afogando mágoas. E foi ali que o encontrei, segurando com determinação um largo copo de uísque, já com apenas um resquício sobrevivente dentro. Ele girou o copo para misturar com o gelo e virou o restante do líquido de maneira como se já tivesse feito isso inúmeras vezes na noite: seus movimentos eram um tanto erráticos, e seus olhos pareciam ter dificuldade em se focar. Ele bateu o copo contra a madeira do balcão e fez sinal para o barman servi-lo outra rodada. O homem que estava servindo as bebidas o encarou por alguns segundos, acabando por servir mais uma dose e se retirando para atender outros clientes.
Eu toquei seu ombro e procurei sorrir quando ele se virou, e seus olhos se iluminaram de maneira que eu pensei impossível. De maneira pura e graciosa, por mais que o cheiro de álcool acompanhasse sua imagem.
– Rose! Não estou acostumado com meus sonhos se realizando tão cedo na noite...
Minha presença pareceu fazê-lo se esquecer do copo de bebida a sua frente, e eu agradeci mentalmente por isso. Aparentemente eu passaria a noite tentando mantê-lo longe de mais álcool.
– Adrian, o que está fazendo aqui? Temos um turno em menos de dez horas...
Ele apenas deu de ombros e girou novamente no banco, de frente para o bar e para seu copo, o girando sob um guardanapo.
– Eu poderia perguntar a mesma coisa, pequena. Estou apenas passando o tempo... E posso finalmente aproveitar agora, com essa companhia...
Ele retornou ao seu jeito paquerador rapidamente quando notou que eu tentaria impedi-lo de beber mais, e eu notei que era um mecanismo de defesa. Ele tinha um problema com bebidas? Eu esperava que não, um bombeiro alcoólatra não era novidade, o que víamos nessa profissão não era nada fácil, e muitos recorriam ao fundo de uma garrafa em busca de alívio das memórias de terror.
Eu me sentei ao bar e Lissa me acompanhou, pedindo dois drinques mais leves, e eu pedi uma coca para Adrian, o que apenas o fez girar os olhos e suspirar num cansaço aparente.
– Tem alguém com você, Adrian?
Fiz questão de manter contato visual para impedi-lo de virar o copo de uísque, e logo que a coca apareceu, entreguei o copo de álcool ao barman, o deixando apenas com o refrigerante.
– Não se preocupe, pequena. Sou todo seu esta noite...
Lissa já havia acabado com seu drinque, e notando que eu não consumiria o meu na frente de Adrian, tratou de sorver o álcool com um tanto de pressa. Ela havia prometido apenas dois drinques, e já havia atingido sua cota em menos de dez minutos no bar.
Aproveitando minha breve troca de atenção para Lissa o homem se levantou, mais firme nos pés do que eu imaginei, indo até a mesa de bilhar levando a garrafa de Coca, e eu o absorvei com aprovação.
– Quem é ele? –Lissa questionou já com uma nova ordem de bebida nas mãos. Só então me toquei que a havia deixado de lado na situação, e a levei para a mesa de jogo em que Adrian se posicionou, esfregando giz na ponta de um taco.
– Adrian, esta é Lissa, minha amiga e colega de quarto...
Os dois balançaram a cabeça um para o outro e trocaram “olás” um tanto sem jeito, e eu resolvi pegar um taco para acompanhá-lo na partida, contra outros dois jogadores desconhecidos. Ele não havia dado muita atenção para Lissa, mas seus olhos iam de encontro aos meus a cada pausa entre jogadas, e um sorriso fraco, mas mais honesto do que o normal se estampava em seu rosto toda vez que nossos olhos se cruzavam. Acabamos por perder a partida, obviamente, com Adrian bêbado e eu terrível naquilo. Mas acabamos por nos divertir, trocando informações e histórias pessoais, me fazendo ver um ser humano por trás de toda aquela postura de brincalhão e pegador.
Duas horas depois nos retiramos do bar. Estava me despedindo de Adrian enquanto Lissa tentava fazer o carro ligar no frio.
A postura dele me surpreendeu na noite. Apesar de claramente alterado pelo consumo de bebida, suas brincadeiras e galantes frases se mantiveram leves, ele nunca tentou algum movimento mais físico, como se ele fosse mais controlado bêbado do que sóbrio, já que tive que controlar sua mão diversas vezes durante o serviço na estação.
Após colocá-lo no táxi e ter certeza que o motorista o levaria até a porta, me dirigi ao pinkbaby de Lissa, suspirando. A noite foi divertida e bem aproveitada, mas eu estava cansada e temia que não suportaria 24 horas de trabalho, que iria começar em algumas horas.
– Esse cara tá tão na sua.
Ela falou enquanto manobrava o carro para retirá-lo da zona de estacionamento, atenta ao retrovisor enquanto falava com um sorriso suprimido no rosto.
– Ele é assim com qualquer coisa que tenha peitos, Liss. Não procure pelo em ovo...
Ela encolheu os ombros, não aceitando minha negativa.
– A única que ele tinha olhos essa noite era você, Rose. Sinceramente, você não passou tempo com homens na Califórnia para notar essas coisas?
Eu me virei encarando a paisagem desértica da noite na cidade pela janela embaçada, refletindo no que ela estava me dizendo. Adrian genuinamente interessado em mim? Naaaah, ele simplesmente era assim.
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P.S.sss:
Já notaram que eu sou shipper cega de Radrian, né? Me perdoem os Romitris de plantão, mas ele merece um pouco de amor também...
Vi que geral descreve o Ad com cabelos castanhos claros, enquanto que eu tinha na cabeça que ele tinha cabelos loiros. Que feio gente, vocês vendo eu engasgando na manga e não falando nada... Mas tudo bem, nas próximas manterei a descrição geral dele.
Eu estava procurando dês do início algum ator pra castear como meu Adrian, e nunca me vinha a mente alguém a altura. Então me lembrei: o guri de Chicago PD! Pesquisei ele no google, e concordei que ele seria perfeito para meu Adrian. Além de bater com a descrição física, ele tem um jeitinho maroto e galanteador, então, perfeito. Procurem aí também: Jesse Lee Soffer. Como se eu precisasse de mais motivos pra shippar eles.


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