Burning High
2 s01e02- A Calma Antes da Tempestade
Notas iniciais
O som de rodas de metal se arrastando no chão foi ouvido, e debaixo do caminhão saiu de um carrinho de mecânico seguido por longas pernas. E nenhum dos três anos na academia de bombeiros me preparou para o que veio depois.
Porque, uma coisa é conviver com homens malhados, NAQUELES uniformes de bombeiros... Outra coisa é você ver deslizar debaixo de um caminhão um homem de aparentes 2 metros, cabelos negros, corpo feito para seduzir e olhos que penetravam a alma. Ele estava vestido com as calças largas da profissão, pretas com listras refletoras costuradas ao redor, e uma camisa de mangas curtas cinza, que agora exibia diversos padrões de óleo de motor grudados nela.
Ele girou as pernas e num movimento único se ergueu, como se todo seu tamanho nada mais fosse que um detalhe, e se aproximou a um passo de distância de onde eu estava já com o corpo feito gelatina. Ele tinha uma expressão séria que ao mesmo tempo parecia dar conforto e segurança, ao contrário dos outros que me encaravam como se eu fosse uma exibição de circo.
Naquele momento me deixei levar pelo pensamento de que deveria ser proibido um homem daquele tamanho servir de bombeiro, porque, afinal, com toda aquela envergadura e pernas, como era esperado que ele se arrastasse por prédios em chamas e cruzasse corredores caindo? O pensamento me fez soltar um riso engasgado que não ficou despercebido pelo sujeito que ergueu uma sobrancelha assumindo feições questionadoras. Oh, ele consegue fazer isso. Legal.
Seus longos dedos se esfregavam em um pano tentando se livrar do excesso de graxa, e a ação me hipnotizou por tempo suficiente para ele soltar um suspiro e jogar o pano por cima do ombro, cruzando os braços e fazendo os músculos dos ombros saltarem de maneira, oh, tão sensual. Céus, eu desejava que ele não tivesse feito isso.
–Sim... O que desejas?
Ooook, ele está falando sobre o trabalho, Rose. Sobre o trabalho... Foco.
Seu sotaque estrangeiro carregado puxava certas consoantes e prolongava o som de maneira doce. Tudo nesse homem parecia ter sido cuidadosamente criado para testar a minha força de vontade.
Então ele é o tenente, ham... Meus dias e noites aqui serão interessantes, para dizer o mínimo.
Quando finalmente senti meus dedos passarem pelas folhas do relatório de minha transferência, o puxei com mais força do que deveria, amassando-os no processo.
Com a documentação em mãos, estendi para que ele conferisse a situação e me jogasse ao trabalho... Mas eu precisava de um banho frio antes disso.
–Rose Hathaway, senhor, transferida...
Vi um dos homens atrás do suposto Tenente Belikov- o de cabelos ruivos- puxar o ar pela boca de maneira sonora, e segurar a respiração, como se fosse prolongar o momento. Não sabiam que eu estava vindo? Bem, isso explica nenhuma festa de boas-vindas para o bombeiro feminino.
Belikov abaixou os olhos conferindo os selos de autenticação das folhas, sem fazer menção nenhuma de pegá-los para investigar mais de perto. Imaginei que fosse para não sujá-los com o óleo.
–Certo, me acompanhe, por favor.
O segui para dentro da estrutura adjacente a garagem, sentindo cinco pares de olhos me queimando nas costas.
Apesar de todo o pacote físico e o sotaque exótico, sua postura e atitude exibiam frieza e um tanto de tédio na situação, nenhuma palavra a mais foi trocada entre nós enquanto eu cruzei portas duplas na entrada, um corredor em sentido oposto e o que parecia uma área de convivência, com uma cozinha ao fundo e uma longa mesa com lugares para cerca de vinte pessoas. Do outro lado uma TV Plana de várias polegadas estava exibindo um jogo de beisebol, e a sua frente dois homens assistiam esparramados em um sofá de três lugares. Por mais importante que a partida fosse, eles deixaram seus olhos vagar da tela para mim por alguns instantes, nas mesmas expressões curiosas e confusas dos bombeiros na garagem. Aparentemente os vários anos de serviço dentro do quartel os tornaram sensíveis a exposição de curvas femininas.
Atrás do sofá por sua vez havia uma mesa redonda para seis lugares, mas ocupada atualmente por um conjunto de quatro homens, de idade superior aos da garagem, devidamente compenetrados no jogo de pôquer que ocorria na roda. Para crédito deles, a minha presença foi ignorada e apenas um retirou os olhos das próprias cartas, e foi para cumprimentar o tenente que estava me guiando.
–Tenente, tem certeza que não quer se juntar? Estamos deixando Stan pelado...
Ele comentou entre sorrisos, enquanto outro da roda de pôquer resmungou uma maldição e jogou sem cuidado uma carta na mesa. Imaginei que fosse aquele que estava perdendo o dinheiro na jogatina.
Com um gesto da mão o tenente dispensou a oferta sem parar de caminhar, dirigindo uma curta resposta “Talvez mais tarde”.
Depois de andarmos por um novo corredor ao lado da cozinha, me perguntei para onde exatamente ele estaria me levando, tendo a impressão que estava cruzando toda a estrutura com a bagagem pendurada no meu ombro.
Enquanto andava por trás daqueles dois metros de homem, aproveitava o momento para analisar seu corpo e características sem que ele pudesse notar meus olhos lhe varrendo cada pedaço de pele e músculo por baixo dela, que dançavam de maneira única a cada passo que ele dava, andando com uma graça desproporcional ao seu tamanho.
De volta ao mundo dos vivos, notei que estávamos agora caminhando ao lado de uma grande sala aberta que fora dividida em inúmeros cubículos como dormitório, tendo uma cama de solteiro, uma mesa de cabeceira e um abajur em cada separação. Estava tentando me ocupar na caminhada contando quantas camas havia, quando meu guia parou de repente ao lado de uma porta e eu fui de encontro as suas costas, sentindo o baque com o corpo rígido do homem, e o meu próprio ser jogado para trás de volta, sem que o grandalhão movesse um centímetro. Ele me encarou de maneira séria e com uma face impossível de se desvendar, enquanto eu esfregava a testa murmurando um “desculpe” baixo o suficiente para não ter certeza se ele ouviu. Sem nada exibir no rosto ele se virou novamente e bateu duas vezes na porta de vidro. Por acaso é um robô?
De dentro veio uma resposta abafada, e o homem entrou deixando a porta aberta para eu passar. Notei então escrito na porta em letras douradas “Chefe Kirova”, e engoli em seco ao adentrar no escritório. Já tinha ouvido falar do chefe da estação, com uma fama de durão que passava pelas bocas dos bombeiros de todo o país. Qual foi minha surpresa quando ao encarar a pessoa sentada atrás da escrivaninha do escritório, era uma mulher, entre os 30 e 40, encarando por cima de um par de lentes emoldurados por um fino metal.
–Chefe, o novo cadete está aqui.
Ela já estava focada na nossa entrada, e não precisou exatamente daquela informação para saber o motivo da interrupção no seu trabalho.
A mulher possuía cabelos negros presos disciplinadamente em um coque, pele clara demais para parecer natural, e em contraste a lábios vermelhos de um tom poderoso. Toda sua aparência gritava “não mexa comigo”, e era completada com vestimentas social azul marinho, uma saia até os joelhos e um blazer por cima de uma blusa de mesma cor. A única coisa presente nela que parecia indicar sua posição era um broche vermelho com o brasão da estação de bombeiros e o seu número correspondente.
–Senhorita... Dragomir. –Meu nome completo passou a ser Rosemarie Hathaway-Dragomir dês que a família de Lissa me adotou oficialmente, quando eu tinha 2 anos. Mas ser chamada daquela maneira era tão incomum que mesmo com meus 19 anos, soava estranho aos meus ouvidos.
– Seja bem-vinda a companhia 51. Já recebi uma cópia de toda a documentação da sua transferência, e seu turno irá começar em uma hora... Deveria ter vindo mais cedo para se apresentar, e depois de uma noite de descanso... – Seu tom era reprovador mas calmo, cheio de superioridade, como uma mãe punindo um mal feito do filho. — Se precisar de algo... Peça ao seu oficial superior, Tenente Belikov. Agora se me der licença...
Eu não havia sido convidada a me sentar, portanto permaneci em pé em frente à escrivaninha, tentando parecer tão boa quanto eu considerava ser, sem mostrar cansaço ou fadiga. Mas eu estava quase morrendo para levantar meus pés naquele sofá.
O metido a russo que havia sido apontado como meu oficial de treinamento estava parado ao meu lado, sem se mover, piscar, e aparentemente, nem respirar. Na primeira indicação da dispensa por Kirova, ele girou nos pés e se retirou da sala, aguardando do lado de fora que eu fizesse o mesmo.
Depois de mais uma caminhada, agora não tão longa mas igualmente silenciosa, paramos em outro escritório alguns metros do anterior, com a metade do tamanho. Sua porta fechada tinha no vidro a identificação “Ten. Dimitri Belikov”. Pude espiar para dentro já que toda a parede era montada de madeira e vidro e não tinha as persianas fechadas. Havia uma escrivaninha logo em frente à porta, uma prateleira em cima com vários livros um tanto velhos empilhados, livros em russo e inglês, e o que pude identificar dos títulos me surpreendeu. Eram romances do velho oeste. Cheio de surpresas, esse aí.
Sem delongas ele entrou na sala e eu aguardei do lado de fora, procurando ocupar meus pensamentos com os objetos dentro daquele pequeno espaço, ao invés da maneira como os músculos dos braços e costas e parte baixa do corpo dele se moviam quando inclinou o corpo para frente para pegar algo na gaveta da mesinha.
Foquei meus olhos na cama de solteiro que estava posicionada ao lado da mesa e contra a parede, coberta com lençóis brancos simples. Minha mente estava indagando se ele cabia naquela cama, com todas aquelas pernas dele, mas fui trazida de volta ao mundo dos vivos com um arranhar da garganta, só para mergulhar no mar negro que eram os olhos do homem. Procurei não demonstrar que estava imaginando ele ali naquela cama, e rezei para que somente eu pudesse sentir o calor das minhas bochechas. Oh, grande. Agora estou agindo como uma adolescente.
–Suas chaves do armário. O cartão de registro de horas, e documentação com o que precisa saber sobre a casa.
Ele estendeu o material em minha direção e eu ao pegá-lo toquei na ponta de seus longos dedos, sentindo um fraco choque passar pelas minha pele. Na reação puxei com certa força o material, procurando notar se ele havia sentido o mesmo. Se sentiu, não deixou de demonstrar nada. Definitivamente um robô.
Após receber indicações de onde era a área do vestiário e que minhas roupas de serviço estariam dentro do meu novo armário, larguei a mala e pensei melhor sobre o banho frio naquele clima de temperaturas negativas. Um banho morno teria que dar. Após a devida ducha, me retirei da área dos chuveiros enrolada em uma fofa toalha branca.
Já havia alguém parado ao lado do meu armário, e eu soltei uma maldição ao mesmo tempo em que parei instantaneamente no lugar, assustada pela presença.
–Oh, bem... Eu vim para dar as boas-vindas devidamente... E oferecer um tour pela estação...
Seus olhos varriam meu corpo como se eu estivesse totalmente nua, e um sorriso despontava no canto dos lábios, pingando malícia.
–Sou Adrian, aliás. Prazer... –Ele estendeu a mão para me cumprimentar, mas eu estava com ambas bem ocupadas, tentando segurar a toalha no lugar e evitar uma situação ainda pior. Apenas o cumprimentei com o balançar da cabeça, esperando que ele terminasse com aquilo e eu conseguisse condições de me vestir.
–Vou esperar você lá fora para se vestir... Se bem que, por mim pode ficar assim mesmo...
Meu queixo caiu com a audácia das palavras dele, o que apenas rendeu ao homem um sorriso de satisfação, e com uma última piscadela, ele saiu do vestiário me deixando congelada por vários segundos.
Como prometido, ele havia esperado por mim, escorado ao lado da porta. Eu havia vestido a calça preta larga de bombeiro, e uma blusa cinza parte do uniforme, que exibia no lado esquerdo do peito o brasão da companhia, e no centro do peito, na frente e atrás, impresso em azul em letras grandes o suficiente para serem lidas a muitos metros de distância: Cadete.
–Devo dizer, você não fica muito pior com as roupas, o trabalho aqui acabou de ficar mais interessante.
E com uma nova piscadela ele ofereceu o braço para me guiar por todas as partes da estrutura do quartel de bombeiros. A área onde antes eu havia passado com os cubículos e camas era o dormitório dividido por todos da estação. Ao lado, o escritório da Chefa e uma área mais reservada para cada oficial, como eu já havia visto também, e a seguir dali vimos a academia, o estoque dos mantimentos da cozinha, a área com as roupas especiais dos bombeiros, o estoque de equipamentos de serviço e o outro estoque de equipamentos pesados, como serra, braço mecânico e afins. Tudo na estrutura e equipamentos era o melhor que o dinheiro poderia comprar, modernos e bem cuidados. Adrian no caminho me explicou que a casa tinha um patrono generoso, embora mantivesse segredo da identidade.
Terminamos na garagem, onde ele apresentou o caminhão onde estavam próximos quando cheguei.
–Esta é Lola, a queridinha do esquadrão... Estava tendo uns problemas, mas agora está pronta para rodar, certo, minha querida?
Ele falou com voz carinhosa e esfregou a manga da camisa em uma parte da porta para limpar uma pequena marca de óleo, e eu senti como se estivesse interrompendo um momento entre dois amantes. Depois de alguns segundos de olhares estranhos de Adrian para o caminhão, ele retornou sua atenção para mim com um sorriso mais genuíno e leve.
–Bem, acho que agora é hora de você conhecer a tropa...
E retornamos ao refeitório/área de convivência, agora ocupada por aparentemente todos os membros das equipes. E, como era de se esperar, todo o barulho da conversa morreu quando entrei novamente no local, mais empurrada por Adrian do que por boa vontade. Apenas o som do narrador do jogo de beisebol na TV ainda ecoava ali.
–Pessoal, esta é Rose, ela estará se juntando ao esquadrão do tenente Belikov...
E com isso a sala mergulhou novamente no som, vários gritando “Bem vinda”, outros parabenizando a sua maneira, e os membros da minha nova equipe se aproximando e conversando comigo sobre como era minha vida antes, de onde eu vim, e o que eu esperava da minha experiência na casa. Cada um deles que se aproximava Adrian apresentava, identificando todos por apelidos — inclusive eu -, e notei que com a exceção do tenente, todos eram consideravelmente jovens no esquadrão.
Só depois que a animação das apresentações se acalmou, avistei um certo russo que estava junto na sala, sentado na longa mesa lendo um jornal estrangeiro, sem nem piscar para toda a movimentação, vivendo na sua bolha invisível. Se ele iria me ignorar, tudo bem, dois podiam jogar aquele jogo.
Após todos me cumprimentarem e eu tentar decorar seus rostos junto aos sobrenomes que estavam bordados em suas jaquetas ao lado do tipo sanguíneo de cada um, o tenente rusos se levantou, dobrando o jornal e segurando debaixo dos braços, indo até mim com uma face em branco, sem nada escapar – Talvez fosse fácil para ele não demonstrar emoções porque não tinha nenhuma.
–Cadete, já que conhece tão bem a estação, os banheiros estão precisando ser esfregados.
Eu pensei que ele viria até mim para finalmente se apresentar e descongelar a situação entre nós, já que ele seria meu oficial supervisor e responsável pela equipe em que estava. Mas tudo que ele pôde fazer é me colocar nos serviços degradantes que todo cadete passava no seu período de avaliação. Ah, é guerra.
Após terminar de limpar todos os banheiros de todas as maneiras humanamente possíveis, retornei a sala de convivência procurando coletar experiências de colegas. As horas pareciam passar rapidamente com conversas com vários membros das equipes. Descobri que o tal Stan era o tenente do segundo time, completo com membros mais experientes. Eles eram especializados no resgate, enquanto meu time era um “pau pra toda obra”, mais focado em controlar e apagar o fogo, e lidar com o trabalho pesado das situações de emergência.
Depois de algum tempo a sala de convivência esvaziou, com exceção de mim, Adrian e o russo. Enquanto o tenente-robô ainda estava na mesa, folheando um livro russo e bebendo uma xícara de café, Adrian e eu estávamos sentados no sofá, mais relaxados que deveríamos, assistindo uma comédia na TV como se fosse um domingo qualquer. Mas é claro que a moleza não iria durar o suficiente para me acostumar. Após depositar a xícara vazia na pia, Dimitri caminhou até o sofá se parando ao lado.
–Se você tem tempo para ver TV, tem tempo para limpar o banheiro...
Ergui a cabeça que estava escorada no sofá e encarei o russo incrédula. Nem seus músculos enrolados em dois metros de gostosura o fariam parecer melhor agora que me tratava como uma empregada qualquer. Nope. Nem aqueles olhos que pareciam penetrar minha barreira de durona e abraçar minha alma de criança. Nope. Nem... Ah, Rose, foco!
–Mas eu já limpei eles hoje...
Resmunguei me endireitando no sofá, observando com o canto da minha visão a postura de Adrian se tornar rígida.
–Não me interessa o que fez antes. Estou mandando você fazer algo, você faz. Sem questionar. Algum problema com isso, cadete?
Seus olhos se estreitaram e ele cruzou os braços, assumindo uma posição que deveria ser para ameaçar. Ah, finalmente um pouco de reação do robô.
–Você poderia me mandar fazer qualquer coisa, algo que tire proveito dos meus serviços, mas me manda repetir as mesmas tarefas. Tem nada melhor para fazer, camarada?
Adrian arregalou os olhos como se um acidente trem se desenrolasse na sua frente em câmera lenta, e meus punhos estavam cerrados concentrando minha frustação em toda aquela indiferença que o tenente exibia. Nisso minha voz já estava alterada o suficiente para membros que estavam na garagem se encolherem no corredor da sala para apreciar o drama, enquanto um moreno enfiava a cabeça para dentro da cozinha, tentando ter uma visão apropriada da cena.
Adrian naquele momento acordou do transe e se levantou do sofá segurando minha mão levemente e a sacudindo, para chamar a atenção.
–Rose, não...
Ele parecia desenhar círculos no topo da minha mão, tentando me acalmar, o que em tempo estava funcionando, para minha surpresa. O russo apenas baixou o olhar sutilmente encarando nossas mãos juntas, e abandonou a postura rígida simplesmente dando de costas e abandonando a cena como se nada tivesse acontecido.
Definitivamente trabalhar aqui será interessante. Se eu não assassinar meu tenente a qualquer instante.
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