Burning Desire

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Hello! Reader Girl, um beijo enorme pra você guria. Roberta Salvatore e Helen Smolder Salvatore, obrigado pelos favoritos. Tem uma música no capítulo, se quiserem pôr no momento pra ficar mais real. http://www.youtube.com/watch?v=Dsp_8Lm1eSk E imaginem a Elena dançando com uma típica roupa de dança do ventre vermelha Enjoy

O tempo estava um pouco nublado naquele início de tarde, de uma segunda feira em New York, dando indícios de que uma chuva de verão se aproximava.

E ela estava bem próxima de cair.

Foi o que constatou a professora, ao sentir uma pequena gota molhar sua face. Apressou seus passos, queria chegar logo ao seu destino. A mansão Salvatore.

April havia lhe telefonado pela manhã, dizendo que não poderia ir à academia naquele dia, pois, segundo a mesma seu irmão não estaria disponível para levá-la.

Pelo que Elena pode entender, em resumo, o Salvatore mais velho não gostava que sua irmã saísse sozinha, menos ainda que andasse de táxi ou metrô.

A morena compreendia um pouco esse cuidado todo do homem, afinal todos naquela cidade sabiam quem, e o quão ricos eram os Salvatores. Só não entendia como era possível que com tanto dinheiro assim, eles não possuíssem motorista ou qualquer coisa do tipo.

Elena não queria ir, para ela não era uma boa ideia ir à casa de Damon Salvatore, não se isso implicasse em ficar algum tempo perto dele. Estava mais que decidida a ficar longe de problemas, e era isso que ela quase conseguia ver em letras garrafais e de neon, tatuado na testa do moreno.

Porém se ele não poderia levar a irmã, isso significava que estaria ele muito ocupado, assim talvez não estivesse na casa. Pelo menos não enquanto a mesma estivesse por lá. Umas duas horas no máximo, ela ficaria.

Ela pensava mais era no lado econômico mesmo, pois, as aulas com April lhe rendariam um dinheiro extra, o que era sempre bem vindo. Ainda mais agora que ela e Rebecka iriam oficializar a união. Não que fossem fazer algo exagera ou extravagante demais, seria apenas uma cerimônia pequena e íntima, apenas para seus pais e alguns poucos amigos que as apoiavam.

Elena estava feliz, o amor de sua vida havia aceitado seu pedido, e especialmente hoje fora acordada com uma trilha de beijos pelo corpo, que logo se transformou em uma manhã de amor, nada poderia ser melhor.E nenhum empresário bonitão iria estragar isso.

Enfim havia chego ao seu destino, e não pode não abrir a boca em total surpresa, assim que seus olhos pousaram sobre a imponente construção diante de si.

A mansão Salvatore era na verdade um palácio para ela se fosse comparar com seu pequeno apartamento em Williamsburg no Brooklin. A casa um pouco mais afastada da Ilha de Manhattan, localizada em Upper West Side, era uma mistura da arquitetura contemporânea do século XIX, juntamente as famosas colunas romanas do império de Júlio César.

Certamente era digna de um rei, e Damon Salvatore poderia muito bem exercer este papel.

Porém ali diante da luxuosa mansão ela só conseguia sentir uma gostosa sensação de lar. Era diferente do que ela tinha imaginado, quando fora convidada para ir lá. Pensava em algo ainda mais sofisticado e moderno. E o tom meio rústico e antigo da construção a deixou fascinada.

Era toda rodeada por árvores e por entre o verde ela pode distinguir alguns homens engravatados, que ela reconheceu como sendo seguranças. Já à porta um pequeno sino fazia notar no lugar da campainha, que ao ser tocado emitiu uma suave melodia. Para espanto de Elena a própria April toda sorridente, vestida em um lindo vestido azul soltinho, foi quem lhe atendeu.

– Olá Elena, que bom que veio.

– Olá April, eu disse que viria não. — Respondeu uma Elena com um pequeno riso, que fora retribuído pela caçula Salvatore.

– Claro. Entre por favor.

Passaram por um pequeno hall, e logo chegaram ao que Elena julgou ser a sala de estar, no mesmo estilo da fachada lá fora, misturando modernidade e clássico. Toda em tons neutros e marrom.

A morena olhava tudo minuciosa e curiosamente, desde os carpetes persas no chão ao quadros na parede, sendo que O Velho Moinho foi o que mais lhe chamou atenção.

– Muito bonita sua casa.

–Um pouco exagerada, eu acho. Mas é bonita sim.

Elena estava de costas para April, muito compenetrada em observar as diversas obras de arte espalhadas por cada canto daquela sala.

– Hum...este é o preferido de Damon. A menina referia-se a Noite Estrelada.

– É o meu também. – A morena pode ouvir um riso baixo vindo de trás de si. – Mas, vamos começar?

– Vamos sim.

***

– Pausa, por favor! Pediu uma April ofegante ao se jogar no chão, depois de quase três horas dançando sem parar. – Sério Elena, não sei como você consegue, mas, eu quero tempo.

Elena apenas riu, antes de sentar-se ao chão do estúdio em que estavam. Não era de se surpreender que April tivesse um pequeno salão de dança exclusivo dentro de casa, Era idêntico aos de balet, cheio de barras e espelhos.

– É um belo espaço esse que você tem April. — Comentou Elena pegando uma garrafinha de água. –Talvez agora eu saiba por que você sempre se sobressai às outras alunas. – Encarou-a com um sorriso divertido.

– Você descobriu o meu pequeno segredo professora. – Ela caiu na brincadeira. – E bom, eu posso repassar toda sua aula aqui. Damon que mandou fazer.

– Você e seu irmão são bem unidos não? Ela não entendia por que, mas queria saber mais sobre o Salvatore.

– Somos sim. – A menina afirmou. – Desde que nossos pais morreram, ele tem sido minha figura paterna, cuidando de mim e ao mesmo tempo tendo que gerenciar a empresa sozinho. Damon é muito importante na minha vida. Na verdade eu acho que ele é meu herói.

A morena sorriu diante das palavras pronunciadas com tanta admiração pela garota. De certa forma ela tinha um pouco de inveja. Ela e seu irmão Jeremy, um dia já tinham sido assim. Porém depois de descobrir sobre a opção sexual da irmã Jeremy não quis se quer mais vê-la.

– Sabe, eu acho que ele gostou de você. – Elena saiu de seus devaneios depois de ouvir a frase tímida ecoar pelos lábios de April e ao erguer seu olhar, ela a viu de cabeça baixa ajeitando uma pequena mecha de seu cabelo negro atrás da orelha.Ela arqueou as sobrancelhas como se não houvesse entendido o que a garota dissera.

E April tornou a afirmar. – Meu irmão, ele gostou de você. – Elena abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir pronunciar alguma coisa.

Damon Salvatore gostando dela?

Isso só poderia ser piada.

– Ora April, não diga bobagens, seu irmão só me viu uma vez.

– Isso não é verdade. Você que só o viu uma vez, mas ele sempre ficava te admirando todas as vezes que foi me buscar. – Ela não sabia o que pensar. – E eu acho que vocês formariam um casal lindo.

Era em momentos assim que Elena se arrependia amargamente de não assumir para suas alunas que ela era gay. Evitaria que muitas delas tentassem jogar seus pais ou irmãos para cima dela. Justamente como April estava fazendo agora.

Rebecka por diversas vezes já dissera para que ela contasse logo, afinal a própria Rebecka já tinha dito a todos os seus funcionários, até tinha apresentado Elena para eles. A grande diferença estava aí, a loira possuía funcionários, era dona do seu próprio negocio. Já Elena, ela era a funcionária.

Como seria chegar pros seus chefes e dizer que ela chupava vaginas ou invés de pênis. Não era fácil, e também ela tinha medo da reação de suas alunas e de seus pais. Que eles tirassem as meninas da Flower’s.

– Não April, eu não posso isso não é certo.

–Não pode por quê? Elena! Vocês dois estão livres, quer dizer me desculpe, mas, eu nunca te vi com ninguém. – April falava freneticamente agitando as mãos e por diversas vezes atropelando as palavras. – E Damon, bom o Damon ao contrário do que você possa imaginar não teve muitas namoradas.

Estava aí uma coisa que ela não seria capaz de acreditar nem me mil anos. Damon Salvatore não teve muitas namoradas? Como um homem que além de podre de rico é um deus grego, não ter tido milhões de mulheres.

– E outra, eu juro que nunca o vi olhar pra alguém como ele olha pra você. Aquilo era demais para Elena, ela precisava sair dali. Antes que fizesse alguma besteira. Por que aqueles olhos brilhantes de April Salvatore quase a estavam convencendo de que seu irmão estava de fato interessado nela.

– Olha April, eu acho melhor eu ir embora agora.

– Não, por favor, Elena. Eu juro que não falo mais nada. Só me mostra aquele último passo. A mulher deu um suspiro de alívio e acenou.

– Tudo bem. Agora se lembre, tente puxar o máximo que puder sua barriga para dentro e você está errando na hora de fazer o oito infinito para trás. – Disse uma vez mais antes de deixar a música tocar, e voltar a dançarem.

***

Damon acabara de chegar em casa, e logo pôde avistar sua governanta e por que não, segunda mãe Madeleine, surgindo do corredor que levava à sala de jantar. A senhora baixinha, de cabelos brancos e feições enrugadas tinha no rosto um sorriso doce dirigido ao rapaz.

– Olá querido. Como foi seu dia? -

Olá Mad. – Damon saudou-lhe com um beijo estalado na bochecha sorrindo. – Foi tudo bem, cansativo como sempre, mas, bem. É April que esta lá em cima?

Ele conseguia ouvir o som de uma música bem agitada vinda da parte superior da casa, logo imaginou que sua irmã tivesse passado o dia no estúdio e que possivelmente estivesse com raiva dele por não levá-la a aula.

April não entendia por que ele não a deixava andar sozinha. Ela não sabia que o maior medo de seu irmão era perdê-la, assim como perdera seus pais. A menina era tudo que Damon tinha, ela era sua vida, e ele faria de tudo para protegê-la.

– É ela sim, passou o dia tranc... – O rapaz mal esperou que Madeleine terminasse a frase e lhe dissesse que April estava com sua professora, e saiu praticamente correndo pelas escadas pulando de dois em dois degraus, como gostava de fazer quando criança e sempre era repreendido por sua mãe.

Damon podia jurar que todas as vezes que fazia isso, conseguia ouvir a voz de Dona Elizabeth ecoar pela casa.

– Damon meu filho, quantas vezes já pedi pra não fazer isso. Você pode se machucar meu amor.

O moreno sentia muita falta de seus pais, já se fazia cinco anos, e desde então ele tivera que criar sua irmã, que na época só tinha dez anos, e ainda cuidar da empresa, isso aos vinte e dois anos. Hoje com vinte e sete, ele era Damon Salvatore o jovem mais bem sucedido do país, no ramo de advocacia.

Porém ele sentia saudade dos olhares amorosos de sua mãe, mesmo quando ele fazia bobagens, e também dos sábios conselhos de seu pai Giuseppe.

Já na porta ele reconheceu a música como sendo La Tortura da cantora colombiana Shakira. Ele sabia que sua irmã agora estava tendo aulas de dança do ventre. Não sabia se aquela música tinha haver, afinal ele não entendia nada de dança. Mas ele achou a melodia bem envolvente.

Adentrou o local esperando encontrar April, porém o que seus olhos captaram foi à visão mais encantadora que ele já havia visto na vida.

Elena dançava de olhos fechados como se não houvesse nada ao seu redor, enquanto April apenas assistia de um canto, totalmente fascinada. Damon petrificou no lugar em que estava e passou a fitar a morena com total admiração.

Elena.

A dona de todos os seus pensamentos, desde que a vira na primeira vez que fora levar April a academia, isso há seis meses. A morena de lindos olhos castanhos e cabelos da mesma cor, com algumas mechas loiras nas pontas, que caiam sobre seus ombros, formando um contraste maravilhoso com sua pele. Que só de olhar ele tinha certeza ser a mais macia do mundo.

Ele nunca teve coragem de se aproximar o suficiente para pronunciar uma palavra sequer, pelo menos não até algumas semanas atrás. E isso se devia ao fato de pela primeira vez Damon Salvatore não saber como agira diante de uma mulher.

A oportunidade perfeita para apresentar-se a ela surgiu no dia que a encontrou sozinha com sua irmã, das outras vezes ela sempre era a primeira sair, sempre parecendo atrasada para algo.Chegaram até a se esbarrar uma vez, mas Elena nem sequer olhou na cara do homem e foi embora.

Aqueles olhos castanhos,tinham algo neles, algo escondido, que fazia o moreno querer mergulhar de cabeça naquele mar chocolate.

Elena dançava magnificamente bem, ele nunca vira aquilo. O jeito de mover-se. Ela sabia como seduzir e envolver. A forma como seu corpo se mexia, as mãos que pareciam acompanhar o movimento rebolativo de seu quadril.

E que quadril!

...[ Ay amor me duele tanto

AlejandroSanz: Me duele tanto

Shakira: Que te fueras sin decir a donde Ay amor, fue una tortura perderte

Alejandro Sanz: Yo se que no he sido un santo Pero lo puedo arreglar amor...]

Ay amor, Es una tortura...Perderte.

Elena se entregou a música era sempre assim, poderia passar milhares de horas fazendo isso e nunca se cansaria. A dança era sua paixão. Ela girava e girava, rebolava os cabelos caia sobre os olhos, sua cintura parecia ter vida própria naquele instante.

Mais um giro e sues olhos encontraram a imensidão azul, lhe fitando com tanta profundidade, que ela por um minuto esqueceu-se de como era facial respirar. Os movimentos pararam abruptamente, só restou à música fazendo fundo para a troca de olhar intensa que acontecia ali. Ela não conseguia desviar seus olhos e Damon também não o faria.

– Mano. – Fora April que quebrara aquele encanto, ao desligar o som e ir até seu irmão. – Pensei que chegaria mais tarde.

– Oi baixinha. – A menina revirara os olhos diante do apelido, cruzando os braços, quando ele beijou-lhe a testa carinhosamente.

– Não, eu já cheguei e é tarde por sinal moçinha, são quase sete da noite. – Comentou divertido.

Puta que pariu!

Soltou Elena sem querer, fazendo a atenção dos irmãos se voltarem para ela.

– Ah quer dizer...desculpem, é que eu não percebi o tempo passar. – Começou a explicar-se toda atrapalhada enquanto pegava sua bolsa de ginástica que havia jogado em um canto qualquer. — E eu...eu tenho que ir agora.

– Já Elena? Por favor, fica mais um pouco, janta com a gente. – April procurou os olhos de seu irmão pedindo ajuda.

– Desculpe-me, que falta de educação a minha. – Damon disse um pouco antes de tomar a mão da morena e levá-la aos lábios, em um típico gesto que encantaria qualquer mulher, e com Elena não foi diferente. – Como vai Elena?

Ela teve que respirar fundo antes de responder, sua pele formigando onde a baça rosada havia tocado.

– Olá Damon, estou bem....e você? – Ele deu-lhe um sorriso de lado ainda segurando a sua mão.

– Estou maravilhosamente bem, mas ficaria ainda melhor se aceitasse nosso convite para jantar.

A morena sabia que não podia aceitar, não podia ficar perto dele, tirava sua sanidade. E ainda tinha Rebecka, ela já ficara o dia inteiro fora, e não ligara nenhuma vez para namorada. Não ria aceitar, precisava ir embora dali agora mesmo.

– E então o que me diz?

Si...sim.

Mas como poderia negar qualquer coisa com aqueles dois pares de olhos azuis a encarando.

Notas finais
*O Velho Moinho e Noite Estrelada, são duas das mais famosas obras de Van Gogh. Próximo, o jantar na casa dos Salvatores. Como eu imagino a casa http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRM6jXE5N4SFp_UFpuDM9gmNS2cZBmdmDsd9x2H0iuovsbldzdZRQ Xoxo