Burning Desire
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Dois dias antes
Rebekah batia freneticamente a caneta em sua mesa, alheia demais em seus próprios pensamentos. Divagava no por que de sua namorada estar tão distante nos últimos dias.Chegaram a ter até uma pequena discussão, coisa boba.
Não que ambas nunca tivessem brigado, longe disso, afinal que casal não tem seus momentos de desavença não é?
O fato é que Elena estava realmente estranha, e isso já vinha acontecendo a pelo menos uma semana. Olhares e pensamentos distantes. E a loira agora tentava saber o motivo disso. Tinha até questionado amorena, e a única resposta que conseguiu foi um.
Não ta acontecendo nada demais Bekah, é impressão sua.
Ela chegou até a cogitar que fosse algo relacionado ao trabalho, sabia o quanto Elena era apaixonada pelo que fazia e também o quanto costumava ficar decepcionada quando ago não saia como ela planejou.
Porém logo descartou tal possibilidade, as coisas iam muito bem nesse departamento pelo que sua namorada sempre lhe contava. Estava até dando aulas particulares agora, pra uma garota.
É isso!
Pensou logo se levantando sua mesa, já pegando a bolsa e se dirigindo para fora do estúdio. Quase esbarrando em sua pequena assistente que estava carregada de pastas, que ela imaginou serem books.
– Laura, quero que tome conta do estúdio enquanto resolvo um problema tudo bem?
Mal esperou que a garota ruiva lhe respondesse, e saiu feito bala pela rua procurando onde estacionara seu carro. Para ela tudo estava muito claro agora, como não tinha percebido antes, Elena ficara assim desde que fora à casa de April Salvatore.
Iria resolver isso agora mesmo, já tinha visto a garota nas vezes em que esperava por sua namorada, em seu carro estacionado em frente à Flower’s. A menina sempre ia embora a um carro de luxo, isso significava que não podia ir até a academia e ainda tinha o risco de Elena vê-la.
Não, se ela quisesse falar com April, teria de ser em outro lugar. Talvez em sua escola não fosse uma má ideia, cheia de adolescentes, e não seria difícil de saber onde a riquinha estudava não é? Afinal todos ali sabiam quem eram os Salvatores.
Com uma rápida busca no celular descobriu o endereço de onde a caçula Salvatore tinha suas aulas. Não era tudo que imaginou que fosse a julgar a quantidade de dinheiro que aquela garota possuía. Era uma escola comum do ensino médio.
Rapidamente adentrou no local e pôs-se a andar no pátio coberto por grama do lugar, não havia ninguém por ali, e Rebekah supôs que ainda estivessem nas salas. Esperaria o tempo que fosse pra esclarecer, pra quem quer que seja que Elena era sua e demais ninguém.
Em sua cabeça era claro que April Salvatore estava dando em cima de sua mulher. E a morena havia ficado mexida por o que quer que fosse que a ninfeta lhe dissera.
Não demorou muito para que ouvisse um burburinho de vozes, e que os alunos começassem a aparecer. Não foi difícil para loira identificar a garota tímida e totalmente sem sal, no meio de um grupinho de garotas próximas a uma árvore. April ria de alguma coisa quando ela aproximou-se chamando-lhe a atenção.
– April Salvatore.
– Pois não? – April virara-se rapidamente ainda com um sorriso nos lábios assim que ouviu seu nome. Sentiu também que a bela mulher a sua frente lhe mediu da cabeça aos pés antes de falar de novo.
Sem sal!
Rebekah não conseguia aceitar que Elena estivesse mesmo sentindo algo por aquela menina. Sem chances, tendo uma mulher como ela em casa, pronta pra satisfazer todos os desejos da morena. Só podia se algum tipo de fantasia, bem estranha.
Conversaria com sua namorada sobre isso, se ela sentia mesmo atração por ninfetas, poderiam dar um jeito as duas de resolver isso.
– Será que poderíamos falar senhorita Salvatore? – Pediu olhando diretamente para o grupo de garotas que estavam ali. A menina logo entendeu o recado.
– Claro. – Estava um pouco desconfiada sobre o fato de aquela mulher misteriosa estar ali para falar com ela, mas, mesmo assim assentiu. – Vejo vocês depois.
– Err eu conheço você?
A pequena Salvatore perguntou assim que estavam as duas sozinhas debaixo daquela árvore, e assistiu enquanto a loira dava uma pequena risada fitando algo ao longe.
– Não exatamente. – Respondeu-lhe depois de uns minutos, voltando seu olhar gélido para a outra. – Mas, não posso disser que vai gostar de me conhecer.
– Olha, eu não to entendendo. É melhor eu ir embora. — Calma aí bonitinha, não vou te sequestrar se é o que está pensando. – April tinha os olhos cheios de medo, enquanto tinha seu cotovelo preso pela mulher. – Eu não sou de rodeios então, Fique longe da minha mulher.
– Quê?
– Isso que ouviu, quero que se afaste da minha namorada Elena.
– Elena? – A garota não compreendia o que estava havendo ali, ou melhor, não entendia Por que aquela mulher estava lhe dizendo tais coisas. E o que sua professora tinha haver com isso?
– Não se faça de idiota que eu não tenho paciência pra isso garota! – Rebekah falava cada vez mais alto sem importar-se com quem passava por ali e à medida que aumentava seu tom, apertava mais o braço de April, que estava prestes a chorar. – Mas já que você quer se fazer de desentendida, eu vou te explicar tudo direitinho.
“Meu nome é Rebekah, e eu sou namorada da Elena me ouviu bem. E não faz essa carinha por que eu aposto que você já sabia muito bem que sua professora é gay. Aliás, você ta usando isso pra se aproximar dela né? Tentando seduzir a Elena, e eu não sei por que, mas acho que você ta conseguindo.”
April ouvia a tudo de olhos arregalados. Elena era lésbica?
– Só vou te avisar uma vez, não importa que tipo de fantasia minha namorada nutra por você, uma fedelha, mas nunca, me ouviu bem, nunca vai passar disso, uma fantasia, uma diversão. Elena me ama, ela é minha entendeu? – Da garota Rebekah recebeu um pequeno afirmar de cabeça, enquanto lágrimas e mais lágrimas desciam dos olhos azuis amedrontados. — Não ouvi. Você me entendeu?
– Si...sim.
– Ótimo. Tenha um bom dia querida.
***
Dias atuais
Pensativa.
Era assim que Elena andava desde aquela fatídica noite em que jantara com os Salvatores. Ela diria que não foi uma tortura fazê-lo, muito pelo contrário fora extremamente agradável.
Pudera conhecê-los melhor, viu que assim como sua irmã, Damon não era nenhum pouco metido, como a maioria das pessoas ricas e bem sucedidas como ele são.
Assim como April amava falar, mas, também sabia ouvir, tinha riso fácil, e isso de certa forma a deixou encantada. Pode também conhecer Madeleine, ou Mad,como os irmãos a chamavam e como ela mesmo pediu para ser chamada.
Foi um jantar bem agradável, regado a risadas e muita conversa. Damon fizera muitas perguntas sobre ela. As pessoais ela evitou o máximo que pode só disse onde morava, e que sua família era do interior da Virgínia.
Falou mais sobre seu amor pela dança e como isso era importante em sua vida, que através da dança ela demonstrava todos os seus sentimentos. Damon ouvia a tudo que saia dos lábios da morena com extremo fascínio.
Porém não conseguiu escapar de algumas perguntas que Elena ousou lhe fazer também. E respondeu cada uma com um grande sorriso no rosto, não eram nada demais, só coisas relacionadas ao trabalho do advogado, e como era criar uma adolescente.
Ficaram tão entretidos que nem perceberam quando April e Madeleine os deixaram a sós. Ao que parecia a menina realmente estava levando a sério a ideia de ser o cupido dos dois. E pelo jeito Madeleine era sua aliada.
Elena nem percebeu o tempo passar e assim que disse que iria embora, Damon fez questão de levá-la. Ela ainda tentou recusar, mas, mais uma vez não conseguiu resistir àqueles olhos azuis.
Assim que a BMW preta estacionou em frente ao seu prédio, um pequeno silêncio se instaurou no local. A morena ficara divida em agradecer e ir embora logo ou apreciar um pouco mais a companhia que lhe fez tão bem por mais alguns minutos.
– Seu carro está chamando bastante atenção.
– Pois é.
– É melhor você ir, pode ser perigoso. Boa noite Damon e obrigada pela carona. — Antes que pudesse abrir a porta sentiu uma mão firme em seu cotovelo a fazendo voltar para o mesmo lugar.
– Obrigado você por aceitar jantar conosco. — Elena ajeitou nervosamente uma mecha de cabelo atrás da orelha antes de responder. Ficar tão perto assim dele, a deixava inquieta. Damon prosseguiu. — E obrigado também pelo que tem feito por April. – Ela arqueou um pouco as sobrancelhas. – Sabe desde que meus pais morreram que eu não a vejo tão empolgada com algo e você é responsável por isso.
– Não por isso, sua irmã é uma menina incrível, doce, e tem muito talento Damon. Eu gosto dela.
– Só dela? – Atrevido perguntou enquanto mexia na mecha teimosa.
– Damon...por favor!
– Sai comigo um dia desses? – Elena estava pronta para relutar, não era certo, não podia se envolver, não quando não sabia nem o que sentia, sobre tudo que ele despertava em si. – Por Favor, Elena, me deixa te conhecer melhor?
Com um suspiro cansado ela rendeu-se.
– Tudo bem.
– Yes.
– Boa noite Damon. – Novamente ele segurou-a e beijou-lhe demoradamente sua bochecha.
– Boa noite, Elena.
Não sabia o que havia-lhe dado de novo para mais uma vez aceitar um convite do Salvatore,alias ficar sem saber o que fazer diante de Damon havia virado rotina para ela, mas não adiantava lamentar-se já tinha aceito mesmo. Era tarde demais.
Porém existia algo que estava incomodando-a mais no momento do que seu encontro com Damon Salvatore. E isso era o estranho comportamento de April nos últimos dias. Elena não sabia o que havia com a garota, mas todas as vezes que tentava aproximar-se ou até conversar ela fugia.
E tinha também Rebekah, que ela achava já estar desconfiada de algo desde aquela noite, em que a morena chegara tão tarde.
– Muito bem meninas, mais uma vez! E 1, 2, 3,4... 5, 6, 7,8... Vamos Aimee você está fazendo errado. E 1, 2, 3,4... 5, 6, 7,8... — E por hoje é só, estão dispensadas nos vemos amanhã.
Enquanto arrumava suas coisas pôde ver a caçula Salvatore seguir junto às outras até a saída.
– Aonde vai April?
– Esperar meu irmão não é óbvio?
Mais uma vez April lhe respondera de maneira irônica, como vinha sendo nesses últimos dias. E a morena resolveu que utilizaria a mesma arma.
– Pensei que ele não gostasse que você esperasse lá fora sozinha não? – Cruzou os braços e arqueou as finas sobrancelhas, e o que obteve como resposta foi um revirar perfeito dos olhos azuis. – April, sério o que ta acontecendo?
– Eu já disse que não é nada, que droga!
– Pensei que confiasse em mim. — Elena podia ver que tinha lago acontecendo com aquela garota e queria ajudar, doía um pouco que não tivesse total confiança nela para contar. – Somos amigas, April.
– Amigas dizem a verdade umas pra outras. – A mulher não compreendia onde queria chegar falando aquilo. – Estou falando da sua namorada. – April fez aspas no ar ao citar a palavra, com extremo deboche. Elena ofegou pondo a mão no peito, totalmente descrente. Como April soubera de Rebekah?
– O quê? Rebekah?
– Ah então é verdade mesmo, aquela louca falou a verdade.
– April, espera, eu não to te entendendo de onde conhece a Bekah? – Esticou o braço para poder tocá-la, e o que recebeu foi um olhar de decepção da garota.
– Não me toca! – April praticamente berrara por sorte todas as meninas já haviam saído.
– Tudo bem, tudo bem, só me diz onde a viu?
– Ela me procurou, disse que eu devia me afastar de você. Que sabia que eu tava tentando te seduzir. – Elena ouvia as palavras sem acreditar que Rebekah fora capaz de procurar uma aluna sua e dizer tais coisas. – Mas, que não ia dar em nada, que você ia brincar comigo e depois me largar, por que só queria diversão.
Enquanto April falava, sua cabeça girava. Sabia que sua namorada era ciumenta. O que ela reprovava totalmente, afinal ela nunca dera motivos para isso. Mas ir atrás de April e dizer tudo isso. Ela só podia estar louca, tinha passado dos limites.
– É era só diversão, por que você a amava, e era dela só dela. – A garota terminou de falar aos prontos, enquanto a morena encarava perdida.
– Eu...Meu Deus April! Ela te machucou? – Elena chegou perto de novo e dessa vez não foi repelida.
– Não.
– Olha, eu vou te explicar tudo ta bem?
– Você não me deve explicações, só pensa no que esta fazendo com meu irmão. Ele me disse que vão ter um encontro hoje. – April disse enquanto limpava as lágrimas que insistiam em cair.
Ela ficara mesmo com muito medo de Rebekah, pensara até me desistir de fazer aulas com Elena, mas Damon faria perguntas que ela não saberia como responder. Por isso decidiu continuar vindo, mas decidiu também que não falaria mais com a professora.
– E eu não sei que tipo de jogo você pretende com ele, mas Damon já passou por muita coisa, ele não merece sofrer de novo.
Elena sentiu seu coração se apertar, diante das palavras da garota. Era óbvio que não queria fazer ninguém sofrer, mas também não sabia se queria ficar longe tanto de Damon como da própria April.
– Eu jamais faria algo que o machucasse. – Respondeu tentando conter suas próprias lágrimas. – Eu vou conversar com ele hoje, explicar tudo.
– Acho bem mesmo. A morena afirmou antes de a outra lhe dar as costas.
– E April, falarei com a Rebekah também, o que ela fez com você... Só me desculpe.
– Tudo bem.
***
Rebekah já estava em casa quando Elena chegou. Esperava a namorada para fazer alguma coisa juntas quem sabe sair pra jantar. Tinha algum tempo que não fazia algo como um casal. E ela pensou que aquela era a noite perfeita pra isso. Ouviu o barulho de chaves e foi recepcionar sua namorada com um lindo sorriso.
– Hey amor, chegou cedo. – seu sorriso morreu ao ver a expressão da morena. – Lena, aconteceu alguma coisa?
Elena estava com muita raiva e o pior decepcionada, ainda não conseguia acreditar no que ela fora capaz de fazer, e vê-la ali, sorrindo como se não tivesse feito nada demais, só a deixou, ainda mais irritada.
– Aconteceu sim. A voz perigosamente calma e contida, só fez com que o temor da loira aumentasse.
– Você está me assustando meu bem.
– Como pode? Como pode ser tão baixa assim Rebekah? – Elena não queria escândalo, mas não pode evitar que os gritos escapassem de sua garganta.
– Do que você está falando? – Ela não queria escândalos, porém a falsa inocência de Rebekah a estava deixando fora de controle.
– Ah, mas você sabe sim. Estou falando de você se prestar ao papel de ir numa escola de ensino médio, ameaçar uma adolescente, pior uma aluna minha.
Aos poucos a expressão de medo da loira foi trocada por uma de deboche. Não acreditava que Elena estivesse mesmo ali para defender a pirralha.
– Ah é isso? – Riu sem humor. – Quer saber fui sim, aquela menina é uma fingida, aposto que te disse um monte de mentiras e você caiu direitinho né? Por que ta aqui brigando comigo.
– Eu não to acreditando no que to ouvindo. Você perdeu o juízo sua maluca. April é praticamente uma criança, de onde você tirou a ideia dela estar me seduzindo.
– Vai negar Elena? Vai defender sua ninfetinha? Por que você ta toda estranha desde que começou a dar aulas pra ela. E eu sei, eu sei que ela ta mexendo com você.
Nenhuma das duas controlava mais seus tons de voz, e não duvidavam que todos os vizinhos estivessem ouvindo a gritaria.
– Meu Deus, você ta se ouvindo Rebekah? Olha o que você ta insinuando.
– Eu não to insinuando, eu tenho certeza. O que é hein Elena? Ta com tesão na novinha? É esse seu problema, a gente resolve, eu procuro alguém e nós duas podemos aproveitar juntas. – A morena teve que respirar fundo pra assimilar as palavras que saiam da boca de Rebekah, ela estava insana dizendo essas coisas. – Hein Lena, ou tem que ser aquela garota? Por que se for à gente a convence que tal? Vamos nós duas fuder com ela. Eu posso realizar essa fantasia por você meu amor.
Assim que terminou de falar Rebekah só pode sentir quando um, forte tapa atingiu-lhe a face esquerda. De olhos arregalados ela voltou o olhar para Elena que ainda tinha a mão estendida e ofegava.
Mais lágrimas desceram pela pele branca, agora marcada de vermelho, e ela não podia acreditar que depois de cinco anos juntos. Sua namorada havia lhe batido, por conta de uma fedelha.
– Nunca mais fale esse tipo de coisa pra mim, ouviu bem? Nunca mais.
– Meu amor.
–Eu vou tomar banho e quando eu sair, não quero te ver aqui, se você ficar quem sai sou eu.
– Lena.
–Chega Rebekah, você foi longe demais agora.
Ela seguiu a passos rápidos em direção ao outro cômodo, ainda ouvindo os soluços baixos da outra. Mas, por hora decidiu que não iria se deixar levar. Rebekah tinha passado de todos os limites possíveis, estava pela primeira vez na vida com nojo da mesma, mais estava decepcionada.
Encarou seu reflexo no espelho a cima da pia e forçou as lágrimas a voltarem, agora não era hora de chorar, afinal ainda tinha que se encontra com Damon naquela noite, e o pior de tudo lhe contar a verdade.
Tinha medo de sua reação, mas não podia enganá-lo mais, não quando sabia dos sentimentos dele em relação a ela. Ainda mais quando sabia que não seria capaz de correspondê-los.
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