Burning Desire

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Emily Pierce IsabellePierce Mary Salvatore ReaderGirl Mary Salvatore Camila Cristyna ManditaCFC Giovanna Somerhalder Brave Sra Salvatore, obrigada por cada review Swift Williams, muito muito obrigada pela linda recomendação, amei cada palavra *-*

Era insano, era louco, era covarde e grande demais para que seu pequeno corpo esguio pudesse suportar. Era devastador e a consumia de pouco em pouco.

Decepção, raiva e tristeza habitavam seu coração e escorriam por seu rosto em rastros mornos e de gosto salgado. As pequenas e negras letras dançavam em sua mente aumentando seu estado de desespero enquanto roupas e mais roupas eram jogadas em uma mala.

Por longas e tortuosas três semanas ela evitou pensar naquela possibilidade. Tentou o máximo ignorar aquela sensação que lhe assolava, aquela pequena voz no fundo de sua cabeça que dizia insistentemente que talvez seu conto de fadas estivesse com os dias contados.

Porém, por mais que se esforçasse pra esquecer, ela sempre estava lá. A angustia e o desespero pela verdade. Embora a verdade que lhe veio não foi a que era esperada.

Muito pelo contrário essa verdade veio e como um tornado que destrói lugares e cidades inteiras. Levando tudo que encontra em seu caminho. A revelação veio e a destroçou inteira.

Sentia todos os músculos de seu corpo doerem com tamanha intensidade que até chegava a parecer que havia apanhado. E no fundo, bem no fundo Elena tinha certeza que uma surra doeria bem menos que o que havia naquele papel.

99% de compatibilidade.

Como ela desejava esquecer que lera isso. Mas não podia. Estava lá pra quem quisesse ver. E doía tanto. Seu lado mais irracional chegava até cogitar em se apegar aos 1% de chance que aquilo fosse uma mentira.

Damon estava ao seu lado parecendo tão ou mais devastado que ela. O desespero lhe correndo enquanto implorava para que ela não o deixasse. Mas não cederia, não poderia ceder. Não quando tudo estava contra ele.

Por quase quatro semanas ela acreditou cegamente em suas palavras, em suas juras de que tudo não passava de uma invenção. Porém não era, e aquele maldito papel estava á para comprovar.

O fato era que desde que Bonnie Bennet aparecera em sua casa na manhã após seu aniversário, sua vida havia ruído um pouco.

Elena recordava-se com uma clareza torturante tudo que acontecera aquele dia. Assim que a palavra grávida entrou por seus ouvidos.

Lembrava-se de cair e depois não ver nada. Hoje com certeza ela preferia com todas as suas forças que nunca tivesse acordado, ou que quando desperta-se tudo não passasse de um pesadelo, um horrível e doloroso pesadelo.

Porém assim que abriu seus olhos ela a viu diante de si, um pouco mais à frente do sofá onde fora deitada e onde Damon a avaliava.

Seus olhos só conseguiam se prender a figura de sorriso cínico diante de si. Ao passo que um sentimento de raiva crescia dentro de si. Mas tão logo seu olhar cruzou com dois orbes azuis cheios de preocupação tudo mais se desfez.

Olhando nos olhos de Damon ela percebeu que ele nunca faria algo do tipo com ela. Tudo só podia ser uma mentira daquela secretária que nunca lhe descera bem.

No entanto uma vez mais um pequeno papel branco e pequenas letras foram responsáveis por tirarem-lhe toda alegria. Ela o tomou das mãos o moreno e o que leu foi capaz de lhe ferir a alma e também abalar a confiança que tinha em seu noivo.

Lá constava uma gestação de oito semanas. E oito semanas era quase a metade do tempo em que estava com Damon. Ainda segurando aquele maldito exame e com a bile subindo por sua garganta, ela se deu conta que chorava assim que um soluço escapou de seus lábios trêmulos.

Sentiu mãos fortes lhe tirarem o tal papel e as mesmas mãos lhe tocarem o rosto, forçando-a a encará-lo. Desesperado e se justificando que aquilo não era verdade.

Enquanto uma Bonnie totalmente debochada ria e dizia que as provas estavam ali. Porém Elena não queria ouvir nada aliás ela não queria ouvir nada que saía da boca daquela mulher.

Tomada por este sentimento ela saiu em direção as escadas novamente, não queria estar ali. Tudo que desejava era voltar para sua cama, ficar em volta nas cobertas e torcer para que tudo fosse uma fantasia de sua cabeça.

Antes de sair notou April incrédula em um canto da sala e outra figura por ela desconhecida, um homem alto e calvo e de pele escura, que mais tarde descobrira ser o pai da cobra, exigindo que Damon casasse com sua filha.

Não podia e não queria acreditar que Damon tinha sido mesmo capaz de fazer tal coisa. Que ele a tinha traído e que agora teria um filho de outra.

Contrariando seu instinto de auto preservação que exigia que fosse embora dali o mais rápido possível. Ela ficou e enfim conversou com quem mais queria.

Depois de muito choro de ambas as partes, indignação da sua e um monte de promessas e juras de seu moreno. Ela optou por acreditar em suas palavras. Acreditar que ela não tinha nada com Bonnie desde que a conhecera e que tudo aquilo não passava de uma mentira da mulher.

Naquele mesmo dia seu moreno lhe disse que entraria com um teste de paternidade. E assim foi feito, ao contrário do que os dois esperavam a ex secretária não se negou a fazê-lo.

Depois de alguns exames e duas semanas de espera para saber se o procedimento não teria alguma consequência para o feto. Ele finalmente fora feito. Era a hora de aguardar o resultado.

Então pelas duas semanas que se seguiram Elena tentou viver sua vida da melhor maneira que pôde. Afastando para longe dos seus pensamentos a possibilidade de tudo dar errado.

Bloqueou a voz irritante que dizia para que se preparasse para o pior. A voz que lhe atormentava diversas vezes por dia todos os dias.

Não queria pensar que dali há alguns dais tudo podia desmoronar. Então decidiu viver tudo mais intensamente. Mesmo que sua consciência gritasse que cada coisa que ela fazia com Damon poderia ser uma despedida, que cada beijo pudesse ser o último.

Pois se aquele exame confirmasse o que ela mais temi, sabia que não tinha condições de perdoar algo desta magnitude. Confiava em Damon e tinha certeza que tudo daria certo no final.

Porém ainda mesmo que inconscientemente fez tudo que tinha vontade de fazer com o moreno e ainda não tinha feito. Como andar de mãos dadas numa manhã pelo Central Park. Assistir filmes agarrados na sala. Passar um dia inteiro no quarto debaixo das cobertas e fazer amor com ele de todas as maneiras possíveis e inimagináveis.

Todos os cantos da casa tinham agora evidências de seu amor e devoção um pelo outro. E em cada vez que o amou, mesmo não querendo pensar assim, o amou como se fosse a primeira e também última vez. Se entregou de corpo, alma e coração a ele.

Como na noite anterior, ali naquela mesma cama que agora abrigava suas malas e roupas espalhadas. Onde o amou com todo o seu ser, sem imaginar que realmente seria a última vez.

Os corpos quentes e suados se completavam uma vez mais naquela imensa noite de amor e paixão. Era um momento único de entrega total e plena.

Damon sentado ao meio de sua cama com Elena montada em seu colo, nua e ofegante em seus braços, conectados. As pernas torneadas da morena envolviam seu tronco firmemente.

Ele segurava em sua cintura cadenciando seu ritmo, enquanto sentia as pequenas mãos de sua noiva percorrer lhe os músculos de seus braços até chegar em seus ombros e cravar suas unhas.

Estavam daquele jeito por longos minutos, percorrendo seu caminho em busca do máximo prazer. Ele permitia que a morena cavalgasse em si, que rebolasse como desejava e quando os dois estavam a ponto de atingir o clímax da relação ele parava os movimentos.

Elena não reclamava não dessa vez, ela queria senti-lo acima de tudo e de toda as formas. Queria passar a noite amando-o e se entregando a ele. Sentia prazer como nunca antes sentira.

E tentava empurrar pro fundo de sua mente a vozinha que insistia em soprar lhe que podia ser a última vez. Cansada ela apenas aproveitou o momento.

Estavam no momento mais intenso agora, com Elena subindo e descendo no colo do homem, buscando seu “alívio” Damon a ajudava também investindo seu quadril com o dela e aumento a fricção entre seus sexos pulsantes.

E ele vinha chegando tomando conta dos dois corpos, percorrendo os baixos ventre lhes comprimindo e apetando, a maravilhosa sensação estava por chegar logo, mais uma vez.

Elena procurou os olhos azuis, que brilhavam de luxúria e foi ela quem diminuiu o ritmo dessa vez. Olhando intensamente nos orbes escuros de desejo e excitação, ela pediu ofegante e trêmula.

– Promete que isso é pra sempre?

– Prometo.

E como último da mais antiga dança conhecida, foi preciso apenas mais uma rebolada para que ambos derramassem seu prazer um no outro.

– Elena, amor não me deixa. – as palavras saiam entrecortadas por soluços baixos do moreno ao seu lado.

– Eu não consigo Damon pra mim não dá. – a voz de Elena também era embargada e sofrida. – Você me traiu.

– Não, por favor acredite em mim.

– Como hãn? Olha eu juro que eu queria muito me apegar a mínima chance de isso não ser verdade, mas é. Você é pai do filho dela. E não imagina como dói aqui. – ela pôs a mão no coração. – Saber que você brincou comigo, com os meus sentimentos desse jeito. Você me destruiu da pior forma que alguém pode destruir outra pessoa. Eu confiei em ti, me entreguei pra você. Mudei por você Damon, você me fez questionar as minhas escolhas. Fez eu me apaixonar perdidamente. Desejar absurdamente e com todas as minhas forças você. Eu te amei como jamais vou amar de novo.

A morena chorava copiosa e ruidosamente as vezes chegando a engasgar-se com o próprio choro. E Damon não estava diferente. E mesmo para Elena com todo seu sofrimento era ainda pior olhar aqueles olhos azuis que tanto amava manchados de vermelho.

Damon se perguntava em que momento sua vida desmoronara sem que ele percebesse. Em um dia estava feliz com sua noiva e no outro ela estava indo embora.

Se tivesse ouvido todas as vezes que sua irmã implicara com sua secretária, até mesmo a própria Elena. Talvez nada disso estivesse acontecendo.

Talvez seu coração não teria esse buraco, sua alma não estivesse tão vazia e essa dor em todo seu corpo não estivesse ali. Ver Elena arrumando suas coisas pronta para ir embora e acabar com tudo que tinham estavam o despedaçando. Sentia como se mil navalhas lhe perfurassem ao mesmo tempo em golpes ritmados e contínuos.

Não conseguia e nem queria imaginar uma vida em que não tivesse sua Elena todos os dias em seus braços, um mundo onde não a visse dormir e acordar ao seu lado. Onde não existiria o sorriso que lhe contagiava e lhe enchia de alegria. Viver sem Elena seria como condená-lo a uma vida de amargura e dor.

– Lena não eu juro.

– Não jure não prometa nada. Não de novo Damon, porque em todos esses dias é tudo que você tem feito e olhe só onde estamos.

Gesticulou com as mãos entre eles logo após colocar sua última peça de roupa de qualquer jeito na mala. Por semanas ela lutou, evitou e acreditou com todas as suas forças que aquilo que Bonnie dissera não passava de uma mentira, mas agora não podia mais fingir que nada aconteceu.

Não podia fingir que não fora traída, que não estava doendo e que poderia perdoá-lo. Porque simplesmente não podia, não conseguia, ao menos por enquanto.

Seria o melhor para os dois que ela fosse embora. Mesmo que isso fosse destruí-la por completo assim que ela passasse pela grande porta da mansão.

– Amor...

– Não torne mais difícil do que já é

– Você não pode ir embora Elena, eu não tive nada co...

– Chega! – quando percebeu a morena já estava gritando. – Chega Damon, durante dias u te ouvi dizer que não me traiu com a Bonnie e que isso, essa gravidez não passava e uma mentira dela, mas olha só não sei se você sabe mas aquele papel, aquele bendito exame diz o contrário.

– Ela pode ter manipulado o resultado.

– Para Damon, para que nem você acredita nisso. Porque você me disse que o laboratório era de extrema confiança e que também não havia dito a ela o nome do lugar.

Damon sabia que aquilo era mais pura verdade. Tinha tomado todos os cuidados possíveis para que o resultado do teste não fosse adulterado. E não fora, ele sabia disso.

Porém a dor de ver Elena partindo lhe faria dizer e acreditar em qualquer coisa. Sua cabeça girava e lágrimas não parava de cair enquanto assistia o amor da sua vida fechar e pôr no chão sua última mala.

Não aguentaria isso. A dor que sentiu ao perder seus pais fora de longe a maior de sua vida e agora a dor de perder sua morena era tão parecida ou até pior. Pois fora ela a única que o conseguira trazer de volta daquele mar de solidão que sua vida havia se transformado logo depois do acidente que o deixara órfão.

– Sabe o que é pior nisso tudo. – foi Elena que cortou o pequeno silêncio, sua voz rouca quase irreconhecível. – Que por mais que eu queria e tenha motivos, não consigo te odiar. E eu me odeio por isso. Eu odeio te amar tanto Damon.

– Eu te amo Elena. – murmurou pausadamente com toda certeza e verdade de seu ser.

– Adeus.

Seu último ato foi retirar o lindo anel que pendia em sua mão direita. O que só contribuiu para que o sofrimento do moreno triplicasse.

E se dirigiu a porta o mais rápido eu suas duas malas pesadas lhe permitiam, mal conseguia enxergar o caminho a sua frente. Olhos embaçados, o choro explícito e coração estilhaçado, era assim que Elena sairia dali.

Ainda no corredor ela pôde ouvir os gritos de Damon lhe pedindo que não fosse e o barulho de móveis e vidro quebrando.

No topo da escada avistou April sendo consolada por Matt que assim que a viu foi lhe ajudar. Madeleine também estava lá, as mesmas feições tristes de sua cunhada.

A garota correu ao seu encontro abraçando com toda sua força. Seria outra coisa difícil naquela “separação” deixar April. Tudo bem que ainda se veriam na academia, mas não seria a mesma coisa. Tinha se apegado demais a menina, a quem as vezes considerava uma irmã mais nova e algumas vezes até filha.

– Eu posso dizer que estou odiando ele? – a morena riu um pouco.

– Não quero que o odeie, quero que cuide dele por mim está bem? – viu os olhos azuis rolarem como acontecia sempre. – Está bem? – assentiu.

– Vou sentir sua falta.

– Eu também.

– Mad chamou meu táxi?

– Já sim querida.

Seus olhos percorrem o ambiente e ela notou a figura que destruíra sua vida num canto. O mesmo sorriso e ar de deboche estavam lá estampados pra quem quisesse ver. Ela ainda ousou se aproximar de onde estava.

A mão repousando sobre a barriga ainda não tão aparente ao passo que seus olhos examinavam Elena minunciosamente, pronta para destilar mais um pouco o seu veneno.

– Já está indo amor?

Um pouco atrás de si Elena pôde ouvir cunhada lhe pedir que ignorasse a cobra a sua frente. Porém ela não tinha sangue de barata e o que saiu da boca de Bonnie logo a seguir, fez sua visão ficar vermelha.

– O que houve achou que era só seu o privilégio de ser comida na mesa dele?

Esquecendo-se momentaneamente que o projeto de vadia diante dela estava grávida Elena levantou a mão e com toda sua força e raiva acertou a face esquerda de Bonnie que chegou a cair no sofá, a marca de cinco dedos bem vívidos em seu rosto.

– Eu tenho vontade de fazer isso desde o primeiro dia que te vi. – todos naquele ambiente observavam a cena atônitos, com exceção de April que tinha um mínimo sorriso brincando nos lábios. – Porque assim que pus meus olhos em você eu soube que era uma vadia, que na primeira oportunidade que teve não perdeu tempo em abrir as pernas pro chefe. E eu sinto muito por essa criança inocente que vai ser criada por uma mulher como você, amarga, invejosa e mal amada. Eu vou embora sim, mas com a certeza de que o amor dele é meu. E tudo que você vai ter é desprezo.

Elena teve o vislumbre de lágrimas brotando nos olhos da outra, porém pouco se importou, suas palavras não eram nada perto da dor que Bonnie estava lhe infringindo.

Matt a ajudou a levar suas coisas, seguidos de April eles saíram pelas portas da mansão. A garota se segurando para não bater palmas pra morena.

Já acomodada no carro Elena inda se permitiu por um momento observar a fachada da casa. Aquela mesma fachada que a encantara desde a primeira vez que estivera ali. Olhou o jardim, lembrou-se de todos os momentos felizes ali passados e despediu-se daquele que tornara-se seu lar por alguns meses.

[...]

A viagem até o Brooklyn foi feita de forma melancólica e triste, acompanhada de suas companheiras, as lágrimas que não paravam de cair. Notou algumas vezes o olhar de compaixão do senhor no volante, mas não ligava muito.

Ao colocar a chave na fechadura de seu antigo apartamento e adentrar no mesmo uma onda de nostalgia lhe percorreu o corpo. Tudo estava da mesma forma que deixara há cinco meses, talvez um pouco arrumado demais. Foi quando ela viu quem menos esperava no momento.

A cabeleira loira estava lá do mesmo jeito que recordava. O rosto de menina sapeca, agora surpreso com sua chegada, também estava lá. Vestida em sua típica camiseta longa de ficar em casa e com um pote de sorvete de chocolate em mãos.

– Beckah?

Notas finais
Não sei se deu pra entender bem o capítulo já que juntei o conteúdo de dois em um só. Isso pq a fic como já sabem está no final que agora está bem mais próximo já que estou encurtando os capítulos. Nesses dias sem postar confesso que cheguei a cogitar em excluir a história, arrumá-la já que ela parece não agradar do jeito que está. Porém em consideração e respeito as lindas pessoas que mencionei nas notas iniciais, que sempre estão aqui, vou terminar sim de postá-la, por elas e só por elas. Não vou pedir comentários , sei que não adianta. Espero que tenham gostado. Nos vemos no próximo capítulo Beijos doces.