Burning Desire

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Não revisado Enjoy

As batidas, compassos e marcações entravam por seus ouvidos. Ela dava as coordenadas e passos enquanto assistia suas alunas executarem tudo com perfeição, havia alguns pequenos erros, mas nada que não pudesse ser corrigido.

Elena estava lá, fazendo o que sempre fez e amou fazer. Dar suas aulas de dança ao mesmo passo que podia dançar. Porém ela não estava ali, não realmente. Estava em corpo, mas não em espírito. Sua mente vagava sem sua permissão é claro para longe dali. Sempre na mesma direção, para a mesma pessoa.

Ele...

Já haviam se passado duas semanas desde que deixara a mansão. Desde que ela não sorria mais, desde que abrira não de sua felicidade, desde que deixara de viver. Sim havia deixado de viver. As horas de seus dias eram divididas em estar na Flawers, depois ir pra casa se enfiar debaixo das cobertas, assistir a filmes românicos melosos e se empanturrar de doces, na maioria das vezes sorvete de flocos. As vezes tinha a companhia de Rebekah.

Ela sorriu minimamente ao pensar na loira que surpreendentemente tinha se tornada uma boa amiga e principalmente uma boa ouvinte.

A morena ainda lembrava da manhã em que voltara a seu apartamento e encontrara a outra. Foi uma surpresa, afinal não sabia que Rebekah voltara a morar lá. Mas a outra tratou logo de explicar que como sabia que Elena não estava mais lá, tinha resolvido voltar.

Recordava-se também de ser questionada do porquê estar ali. E ela explicou, explicou os motivos que lhe traziam de volta. E ao contrário do que esperava, Rebekah apenas lhe ouviu atentamente e quando em prantos Elena terminou, sua ex apenas a abraçou forte e disse que tudo ficaria bem.

Desde então as duas voltaram a morar juntas, dividir o apartamento como duas amigas. Conversavam muito sobre tudo. Elena inda tinha receio que a loira tentasse voltar, mas aos poucos isso ia sumindo, pois Rebekah estava a apoiando e lhe respeitando. De verdade sendo uma boa amiga.

Não houve um dia sequer nessas duas semanas em que não tivesse pensado em seu belo moreno de olhos claros e hipnotizantes. Mesmo que se esforçasse ao máximo para não fazê-lo. Seus pensamentos eram traiçoeiros e sempre voavam em direção a ele e a tudo o que viveram.

Por vezes Damon foi a academia lhe procurar, porém em nenhuma das vezes ela o recebeu, ele também ligou centenas de vezes e deixou milhões de mensagens de voz em sua caixa postal, a qual estava lotada, mas ela não tinha força nenhuma para pagá-las, muito ao contrário ouvia repetidamente cada uma delas, cada vez mais machucando seu coração ou o que restara dele.

Deixar Damon havia lhe arrancado um grande pedaço se si. Pedaço esse que ela sabia que nunca seria capaz de ter de volta, a menos que o perdoasse. E isso ela tinha certeza que não poderia fazer, por mais que toda célula de seu corpo praticamente implorasse para que ela se jogasse naqueles braços músculos na primeira vez o que o visse. Pelo menos não por agora. Agora tudo que lhe habitava era mágoa e decepção por aquele que amava, que foi, era e sempre seria o amor de sua vida.

Ela quase riu ao pensar como que em cinco meses ele se tornara tudo isso para ela. Seria talvez cômico se o final não fosse tão trágico. Quem diria que ela, logo ela, uma homossexual assumida desde os seus quinze anos estivesse tão perdidamente e irrevogavelmente apaixonada por um homem. E que sua maior certeza fosse que ele era o amor da sua vida, do qual precisava para ser totalmente feliz. Mas era a mais verdade. Aquele homem em questão a mudara, a questionara e lhe roubara os sentidos e coração.

Suspirando e sentindo os olhos marejarem Elena foi retirada de seus melancólicos pensamentos quando ouviu o coro de suas alunas a chamando aparentemente preocupadas.

– Professora?

– Elena?

– Você está bem?

De tão distraída e absorta que estava e seus devaneios a morena mal se deu conta que estava apoiada em uma das barras laterais da sala. A sua frente estava uma April de olhos arregalados e a mesma expressão preocupada de todas as outras.

– Len?

– Eu tô bem.

– Tem certeza? Você está pálida. respirando fundo Elena mirou o espelho e viu que era verdade, Além a dor de cabeça que começava a sentir. Talvez seja melhor encerrar por hoje.

– Meninas eu tô bem, acho que foi uma queda de pressão. Mas por hoje é só vocês podem ir.

Assentindo uma por uma elas foram esvaziando o espaço até que restassem apenas ela e sua ex cunhada ainda recolhendo suas coisas. Elena também começou a pegar a suas inda sentindo meio grogue.

– Tem certeza que tá bem?

– Tenho sim.

– Então o que acha de irmos naquela doceria no final do quarteirão?

A morena franziu as sobrancelhas confusas geralmente aquele era o horário que Damon vinha buscar a irmã. Não que ela ficasse escondida observando. Quer dizer sim ela ficava observando, pois mesmo que de longe vê-lo era a melhor parte de seus dias.

– Você não tem que ir? na verdade a morena queria mesmo era fazer outra pergunta, mas mordeu sua língua para não fazê-lo.

– Não exatamente.

– Então vamos.

Assim que pôs os pés para fora da Flawers Elena se encolheu automaticamente pondo as mãos dentro dos bolsos de seu casaco. O inverno estava chegando ao fim, mas ainda estava bem frio. Além disso uma pequena tempestade de neve havia assolado a ilha de Manhattan naquela semana.

A morena deu graças assim que se encontrou no local quente e aconchegante. Sentia que poderia congelar a qualquer momento, ao que parecia seu corpo perdera um pouco de temperatura, outro sintoma de sua queda de pressão.

Escolheram uma mesa no canto diante de uma janela de onde podiam ver todo o movimento nas ruas completamente brancas.

– O que acha de pedirmos aquela torta de morango com raspas de limão e capuccinos?

– Concordo com a torta mas acho que vou querer um chocolate quente. Será que eles têm? a garota olhou-a com uma cara engraçada mas nada disse.

Elena sabia que se fosse mesmo uma queda de pressão deveria ao menos comer algo com um pouco de sal, porém sua única vontade no momento era a tal bebida. Então assim que seus pedidos foram entregues ela mal perdeu tempo e já levou seu copo fumegante a boca. Revirou os olhos nas órbitas e quase gemeu de satisfação ao sentir o gosto em sua língua.

– Estava mesmo com vontade hein. comentou uma April divertida também deliciando-se com sua torta.

– Talvez. respondeu da mesma forma. Mas me conte o que tem feito de bom.

A garota deu de ombros indiferente enquanto terminava de comer outra fatia do doce.

– Ah você sabe nada demais. Tem a dança, a escola e a peça que estamos terminando a qual você me ajudou. a morena assentiu. E o Matt.

Elena notou o brilho intenso que passou pelos grandes olhos azuis assim que April pronunciou o nome do loiro isso fez com que sorrisse abertamente. Adorava aquela menina, como uma filha, e torcia por sua felicidade.

– Isso quer dizer que estão bem?

– Mais que bem na verdade. sua cunhada afirmou bebericando sua bebida e desviando o olhar. Suas bochechas ganhando uns sete tons acima de rubro. A morena franziu o cenho confusa pela reação mas não foram preciso nem mais alguns segundos para que descobrisse.

– Vocês transaram. não foi uma pergunta.

Elena estava dividida entre o choque e a euforia. Sabia que havia gritado aquela informação e que possivelmente tinham muitos rostos virados para elas naquele momento, mas não se importava muito com isso, ao contrário de April que estava ainda mais corada e de olhos saltando nas órbitas.

— Fala mais alto Elena acho que ainda não te ouviram lá no

Uper East Side. retrucou irônica.

— Me desculpe, mas Ai.Meu.Deus. deu mais um grito e foi

repreendida por um olhar mortal. Pode ir me contando tudo agora mesmo mocinha.

– Não tem muito o que contar.

– Como não April! Você gostou? Ele foi carinhoso? Onde e quando foi?

As palavras saiam desenfreadas pela boca de Elena, que gesticulava com as mãos e só faltava pular em seu assento. Por um momento toda sua tristeza tinha sido substituída pela curiosidade. Aquele assunto em questão estava ocupando sua mente, impedindo-a de pensar em como nada em sua vida fazia o menor sentido.

Suspirando fundo e terminando sua torta, enquanto Elena a muito já nem ligava mais para a bebida que tanto queria, April se preparou para sanar cada questionamento de sua cunhada.

– Primeiro, sim eu gostei, gostei muito sequer saber. admitiu ajeitando uma mecha de seu cabelo, corando e fazendo a morena rir baixinho. Aconteceu semana passada, na casa dele e sim, ele foi muito carinhoso.

Elena riu extasiada, de certo tinha aquela garota como uma filha. O tempo de convívio entre as duas, as fez ficarem tão próxima, sentia ter um vínculo, um elo muito forte com April. Se tinha uma coisa, uma entre milhares aliás, que seu relacionamento com Damon lhe trouxe fora essa amizade linda com sua cunhada.

– Estou tão feliz por você. pegou as mãos da garota junto as suas.

– Ah Len eu também, o Matt foi incrível, perfeito na verdade, um verdadeiro príncipe. a menina suspirou, os olhos brilhando.

– Tenho certeza que sim a julgar por esses olhinhos brilhantes. as duas riram. Mas como foi, porquê se me lembro bem seu irmão com a marcação dele, não deixava vocês dois sozinhos um minuto sequer.

Só a simples menção a seu ex noivo fez com que um nó se formasse em sua garganta. E ela precisou de todo seu auto controle para não começar a chorar ali mesmo. April demorou um pouco para responder e pareceu até um pouco desconfortável com isso.

– Bem, eu não posso dizer que o Damon esteja ligando pra qualquer coisa que eu faça. deu de ombros, deixando que aquela genuína felicidade de minutos atrás, desse lugar a uma pequena melancolia. Na verdade ele não tem ligado pra muita coisa desde que você saiu lá de casa. Tudo que ele tem feito é ficar o em casa, e só sai quando a presença dele na empresa e inevitável.

Ele passa o dia trancado no quarto, aliás no de hóspedes porque ele praticamente destruiu o de vocês naquele dia, até mesmo os valiosos quadros dele. E outras coisas também, eu não sei bem já que ele não deixa ninguém entrar lá.

Elena não pôde conter a surpresa que tomou conta de seu corpo diante de todas aquelas revelações. Nessas duas semanas longe, tudo que ela menos pensou foi em como Damon podia estar se sentindo. Na verdade ela estava muito focada em sua própria dor e sofrimento para se dar ao luxo de pensar na dor de alguém, mesmo esse alguém sendo aquele que amava. Porém de forma um pouco torta isso lhe trouxe uma certa alegria, um alívio, saber que ele sofria tanto quanto ela, lhe dava certa satisfação. Ele a havia magoado e quebrado sua confiança, e saber que ele sofria era bom para massagear um pouco seu ego ferido.

– Eu nem sei o que dizer.

– E nem precisa.

– Eu não posso perdoá-lo. choramingou.

– Eu sei Len. a garota apertou as mãos ainda juntas. E eu não te contei por isso, afinal nem eu engoli essa história ainda. Só de pensar nele com aquela vadia eu sinto vontade de estapeá-lo até cansar.

– Eu adoro você garota.

– Eu sei que sou muito amável. ambas riram. Você sabe que também ti gosto muito não é? E que não importa se você e o idiota do meu irmão vão estar juntos ou não, eu sempre vou ser sua amiga.

Logo os olhos de Elena encheram de água diante daquelas palavras. Era tudo que ela precisava nesse momento de extrema tristeza e carência.

– Eu também blue, eu também.

– A gente podia sair mais vezes não é? Ir ao cinema que tal, tem um filme que tá pra sair e eu tô louca pra ver.

– Claro, que filme é?

– Fifty Shades Of Grey.

–Mentira! Eu também quero muito ver.

– Sério? questionou empolgada batendo palminhas. Então está decidido nós vamos, mas espera você já leu os livros?

– Sim, porquê o espanto?

– Ah sei lá Len é que você era...ah você sabe. a morena riu com gosto dessa vez da cara que April fez.

– Okay eu confesso que no lugar do senhor Grey eu imaginava na verdade uma Sra Grey toda dominadora tá bem. Levantou as mãos ainda rindo. Porém hoje eu o acho um tesão, ainda mais com aquele ator que foi escalado para o papel. Eu adoraria ser a Anastasia dele.

Terminou num tom pra lá de malicioso e as duas gargalharam atraindo diversos olhares até serem interrompidas pelo celular da caçula Salvatore.

– Oi. ela atendeu e ficou calada logo depois esperando que a pessoa do ouro lado da linha falasse provavelmente. Estou na doceria no final da rua. Certo.

Assim que encerrou a ligação, Elena passou a observar uma April extremamente inquieta, olhando pela janela enquanto mexia em seus próprios dedos.

– Algum problema? perguntou por fim.

– Nenhum.

– Tem certeza?

– Claro que sim, porquê?

– Você ficou estranha depois da ligação.

– Impressão sua. sorriu nervosamente.

– Quem era no telefone April?

– Quê?

Elena não precisou perguntar uma segunda vez, pois assim que olhou em direção a porta, ela soube exatamente que, ligara para a garota.

Damon estava parado percorrendo todo o lugar com o olhar em busca de alguém. E assim seus olhos se encontraram. E a morena quase ofegou, com a intensidade e tudo que só aqueles olhos azuis lhe traziam. Lá estava ele tão lindo quanto se lembrava, talvez com algumas olheiras, mas isso não lhe tirava toda sua beleza.

Ele caminhou em sua direção e isso foi o que a morena precisou para sair de seu transe, jogar alguns dólares na mesa e se encaminhar a saída, sob os protestos da Salvatore. Assim que passou por ele seus olhos se cruzaram amis uma vez e ele até tentou segurá-la, porém ela foi mais rápida.

Já fora ela teve que se abraçar instantaneamente, tinha até esquecido como estava frio. Seu mal-estar de mais cedo pareceu ter voltado com força total, e ela podia sentir suas pernas fraquejarem, ou talvez fosse só mais um dos efeitos que eu adorável ex noivo tinha sobre ela.

Elena sequer chegou a ir muito longe e logo sentiu seu braço ser agarrado. Poderiam se passar mil anos, mas ela sempre reconheceria aquele toque, mesmo por cima das suas camadas de roupas e da luva negra que ele usava.

– Elena.

A voz rouca e melodiosa entrou por seus ouvidos e mais uma vez Elena se sentiu fraca Reunindo toda sua coragem ela virou-se para fitar mais uma vez aqueles belos e fortes traços, tão únicos e característicos dele. Porém dessa vez eles estavam retorcidos em uma expressão quase de dor. E aquilo machucou ainda mais seu pobre coração. Mesmo ferida e despedaçada ela inda se preocupava com ele, e vê-lo tão abatido e frágil estava sufocando-a.

– O que quer Damon? ela forçou sua voz a sair o mais firme e fria que conseguiu, não tinha certeza se o fez direito, mas a expressão magoada que ganhou logo em seguida lhe dizia o contrário.

– Não faz assim pequena. foi um sussurro angustiado, e ela jurava ter visto umidade nas belas orbes, porém não podia demonstrar sua fraqueza naquele momento. Ela estava destruída, mas não deixaria que ele tivesse mais vislumbres dela assim.

– Eu não fiz nada Damon, foi bem ao contrário sequer saber.

– Amor, por favor vamos conversar. Eu preciso de você Elena...Eu não sei viver sem você. Me perdoa princesa, volta pra mim.

Lágrimas manchavam a pele pálida e ela podia ouvir pequenos soluços, irrompendo pelo peito do homem diante de si. E ela precisava sair dali antes que cedesse. Seu peito doía, e ela também não continha seu próprio choro.

– Me desculpe, mas não posso fazer. sussurrou tremula. É demais pra mim, perdão.

E saiu correndo o máximo que seu corpo lhe permitia. Sua cabeça girando, sua visão embaçada. E com a certeza de que se ainda tivesse um coração ele estaria sangrando no momento. Porém ela já não tinha mais. Não tinha porque havia acabado de deixa-lo com o homem dos olhos azuis mais belo que já vira. O qual não tinha certeza se veria novamente.

Notas finais
Hey gente vou ser rápida pq estou sem internet, roteando o 3g do meu irmão. Por isso também não respondi os comentários lindos de vcs, mas li e amei cada um e prometo que os responderei assim que der. Alguém me perguntou quanto tempo Delena está junto, bom até a bonnie aparecer falando da gravidez eles estavam juntos a cinco meses, a bonnie com dois meses de gestação. o teste de paternidade demorou um mês pra sair. E agora já tem duas semanas que a lena foi embora da mansão. É isso, beijos e até mais.