Burning Desire
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Sob luzes coloridas e música eletrônica, em volumes que com certeza passava dos aceitáveis, e enchiam todo o ambiente. A bela morena se remexia descontroladamente.
Seu corpo balançava no ritmo louco da música desconhecida. Enquanto sua mente entrava em estado de torpor tentando a todo custo fazer com que ela esquecesse como sua vida desmoronara há algumas semanas.
Queria esquecer tudo que não estivesse a uma distância de dois metros dela dentro daquelas paredes. Porém por mais que se esforçasse flashes e mais flashes invadiam lhe as lembranças atormentando-a.
"O filho é seu"
"Elena acredita em mim, isso não é verdade."
“Amor, não me deixe.”
A sua frente ela observou uma morena se aproximar sorrateiramente e colar seus corpos. Ela apenas sorriu e continuou a dançar.
Sentia mãos ousadas passeando por seu corpo e descendo até sua bunda, onde um aperto-lhe foi dado. Sorriu lascivamente e viu a outra retribuir.
Em poucos minutos suas bocas estavam coladas se devorando. Elena se permitiu gemer enquanto embrenhava suas mãos nos cabelos longos, os puxando, juntando ainda mais seus corpos.
Há quanto tempo não vinha a um lugar como aquele? E quanto tempo passara sem sentir um toque feminino?
Talvez cinco ou seis meses. Mas ela não estava contando, ou estava. Ofegante ela separou seus lábios e a morena desceu chupões em sua garganta até lhe alcançar o busto.
Gemeu mais uma vez, e praticamente empurrou ainda mais a cabeça da garota em seus seios cobertos pelo tecido da roupa e ainda assim ela podia sentir que eles já estavam duros.
– Vem comigo. — um sussurro rouco em seu ouvido e ela estremeceu.
Sem pensar nas consequências, guiada pela luxúria e principalmente pelos litros de álcool no organismo ela deixou-se ser levada.
Sem ao menos perceber a tal morena já a prensava em uma das paredes de uma cabine do banheiro feminino.
Os beijos em seus pescoços eram famintos e devoradores, as mãos em sua cintura se infiltravam lentamente sob a roupa e lhe arranhavam a pele da barriga.
– Seu nome? — conseguiu pronunciar entre um gemido e outro.
– Melissa e o seu?
– Elena.
Melissa então ajoelhou-se, olhando-a predatoriamente com um sorriso de canto.
Foi a partir daquele gesto que Elena realmente passou a observar a garota. Morena, alta, cabelos negros como a noite e então o baque final.
Os olhos...
De um azul sem fim. E aqueles olhos tão familiares lhe vieram a mente.
Sentia falta daqueles olhos, que a olhavam sempre com muito desejo, mas também com amor.
Sentia falta dele.
E quando dedos passaram a estimular seu centro, ela soube que só queria ele ali.
Tomada por um súbito lampejo de consciência Elena a afastou de si. Murmurando um fraco pedido de desculpa ela correu deixando para trás uma Melissa confusa e frustrada.
Sem rumo ela passou a vagar pela rua quase deserta. Se quer lembrava de onde estava, porém tinha vaga sensação que era algum beco na área suja de Manhattan.
Lágrimas grossas desciam por sua face e no silêncio da madrugada fria só o que se ouvia eram seus soluços.
– Elena.
Céus sentia tanta falta dele que já estava até ouvindo sua voz. Colocou as mãos na cabeça com a tontura que sentiu.
– Hey. — uma mão conhecida tocou seu ombro e então ela se deparou com os olhos que tanto queria.
A visão embaçada não lhe permitia ver muito mais que borrões. Mas pela voz, o toque e principalmente por aquelas duas safiras que a fitavam, ela tinha total certeza de quem se tratava.
– Damon.
A voz rouca e sussurrada. Tão frágil fez o coração de Damon se contorcer em seu peito doía tanto vê-la daquela forma, ainda mais quando sabia que era ele o verdadeiro culpado daqueles olhos castanhos, que ele tanto amava, estarem sem brilho algum.
Fazia umas quatro semanas que não se viam, desde a doceria, sem contar claro quando ele a observava de longe quando a mesma estava na academia. E reencontrá-la, mesmo que naquelas condições o traziam uma paz e tranquilidade absurdas.
Ele só queria toma-la em seus braços e nunca mais largar. Estava tão ou mais devastado que a própria Elena, se sentia tão vazio sem sua presença, seus abraços, beijos e principalmente seus sorrisos. Acostumou-se tão depressa com sua presença que quando ela se foi, fora como se eu mundo houvesse acabado. E tinha mesmo Pois não se imaginava em um mundo que não houvesse Elena.
Desde aquela fatídica manhã quando a morena deixar sua casa levara mais que seus pertences consigo mesma. Levara também o coração o rapaz e sua alegria de viver.
Não. Damon não mais vivia ele apenas vegetava, passando seu tempo entre o trabalho, que era praticamente executado mecanicamente, e o quarto de hóspedes onde passava a maior parte de seu tempo. Havia quebrado tudo que havia no seu, embora já tivesse arrumado toda a bagunça, apenas não queria ficar lá, lembrando de quando a tinha.
Sem a presença de Elena parecia que até a casa perdera um pouco sua graça e elegância. Sem falar de sua irmã April que ele fingia não ver que estava tão triste quanto ele.
Se perguntava todos os dias como aquilo fora acontecer. Estavam tão felizes num dia, planejando toda uma vida juntos, e no outro tudo tinha desmoronado. Como um frágil castelo de areia.
Não a culpava por isso, por ir embora. Não podia, não com todas as evidências da traição. Só queria poder entender como acontecera.
Porém umas poucas horas antes nessa madrugada havia recebido um telefonema um tanto quanto inusitado. E lá estava sua chance de ao menos vê-la e quem sabe mudar sua história.
– Hey meu anjo sou eu – sorriu tentando não demonstrar o nervosismo que lhe assolava o peito, somente por estar assim tão próximo dela outra vez. – Como você está?
Era uma pergunta estúpida, mas ele sentiu necessidade de preencher aquele silêncio constrangedor, a não ser pelos soluços sofridos de Elena, que se formara ao redor de ambos.
– Estou bem.
A face molhada e em tom rubro lhe diziam o contrário. Além da maquiagem borrada, o choro meio contido e ao mesmo tempo tão gritante e o cheiro de bebida que ele tinha certeza, poder sentir há quilômetros de distância.
Mais uma vez o aperto em seu peito se fez presente. Nunca a havia visto beber, a não ser sociavelmente. Mas ali estava ela, totalmente alcoolizada, com voz embolada e o corpo trêmulo.
A dor que sentia ao vê-la naquele estado era ainda pior do que se houvesse levado uma surra. Só queria tirá-la dali e cuidá-la com todo amor e carinho que possuía.
– O que você tá fazendo aqui?
Elena questionou tentando fazer sua voz sair mais firme, sem muito sucesso. Sabia que estava bêbada, mas tinha certeza que a presença de Damon mexia muito mais com seus sentidos do que o próprio álcool.
– Vim buscar você meu anjo.
Sua voz era tão suave e reconfortante que por um minuto ela se esqueceu de tudo ao seu redor. E quando sentiu a mão direita do rapaz vir de encontro a sua face e lhe acarinhar tão suavemente ela só pôde se inclinar um pouco, pedindo silenciosamente por mais ao mesmo tempo que suas pálpebras pesaram com o contato.
Sentia tanta falta daquilo. Mas a quem queria enganar. Sentia falta de tudo naquele homem. E acima de tudo sentia muita falta dele.
Absorta naquela sensação mal percebera quando Damon a tomou em seus braços fortes e caminhou em direção ao seu carro que não estava muito longe dali.
Se permitiu aninhar-se ainda mais aquele peito largo e forte, até encostar sua cabeça na curvatura do pescoço do moreno e aspirar fortemente aquele cheiro amadeirado que tanto adorava.
Porém não fora tão bom quanto das outras vezes e uma ânsia incomum lhe veio. Não sabia se fora o pequeno balanço de ser carregada no colo misturado à sua bebedeira, mas quando sentiu a bile subir por sua garganta só teve tempo para soltar-se do moreno e cair de joelhos no asfalto.
De início Damon não entendeu a agitação da morena em seus braços pensou que por um instante ela iria dizer que não o queria ali e que era para deixa-la em paz, como fizera outras vezes.
Porém assim que percebeu Elena praticamente colocar seu estômago pra fora, inclinou-se em sua direção e passou a segurar-lhe os cabelos ao mesmo tempo que acariciava suas costas e sussurrava que tudo estava bem e já ia passar.
Assim que seu mal estar pareceu ter passado Elena tentou se reerguer, sem muito sucesso, e Damon a ajudou. Manteve-se de cabeça baixa não queria ser vista daquela forma por ele. Já não bastava seu estado deplorável de embriagues ainda tinha que vomitar?
Damon por outro lado pouco importava-se com isso, estava preocupado demais com ela para prestar atenção em qualquer coisa que não fosse isso.
Ergueu seu queixo com os dedos e fitou o rosto outrora moreno agora talvez mais branco que o seu e se assustou. Tocou-lhe a testa e percebeu que Elena suava.
Delicadamente a pegou de novo em seus braços temendo que qualquer movimento mais brusco a afetasse de novo, e dessa vez conseguiu chegar no local e coloca-la sentada no banco do passageiro.
Tentou outra vez olhar o rosto da morena que mais uma vez estava baixo, mas ela fugiu de seu toque.
– O que foi?
– Não quero que me veja assim. – ele riu pelo nariz e Elena encolheu-se ainda mais.
– Princesa, não precisa ter vergonha de mim. – tocou uma mecha de cabelo solto em sua face.
– Preciso sim, eu tô horrível.
– Nem se você quisesse conseguiria ser horrível. – brincou e ela até riu um pouco negando com a cabeça. – Além do mais “na saúde e na doença lembra?”
Finalmente ele teve os orbes castanhos voltados pra si e não conseguiu decifrar o que passavam por eles naquele instante.
– Damon... – rendeu-se encolhendo os ombros e suspirou.
– Como se sente?
– Minha cabeça e estômago doem muito – levou uma mão a barriga enquanto falava.
– Eu vou na boate te comprar água.
– Não precisa Damon.
– Claro que precisa.
– Mas eu não quero ficar sozinha. – pediu com um bico e ele sorriu.
– É rápido meu anjo eu prometo. – beijou-lhe a testa e sumiu.
Elena suspirou profundamente ainda sentindo-se tonta e com um gosto muito ruim na boca. Passou as mãos pelos cabelos e os notou úmidos e cheios de nós, tentou arrumá-los da melhor forma possível até os prender em um coque.
Pouco tempo depois Damon já se acomodava no seu lugar lhe entregando a garrafinha na qual ela deu goles generosos, sentindo-se um pouco melhor logo depois.
O moreno pôs o carro em movimento e Elena se ajeitou melhor. Olhou para o homem ao seu lado e por algum motivo o sentiu tenso. Damon também a olhava de canto, as palavras queimando na ponta da língua.
– Elena aquela boate...
Deixou a frase inacabada e Elena não precisava de mais nada para entender o motivo do silêncio e inquietação. Respirando fundo ela confessou hesitante.
– Era uma boate LGBT.
Ele assentiu sem olhá-la e apertou com demasiada força o volante, tanto que os nós de seus dedos ficaram brancos o que não passou despercebido pela morena.
Daí em diante a viagem foi silenciosa, cortada apenas por alguns resmungos de dor de Elena. E não demorou muito para que a BMW preta adentra-se pelos enormes portões da mansão.
– Por que me trouxe pra cá? – a morena questionou quando Damon já abria a porta para ela dentro da garagem.
– Não acho que seja seguro ir até o Brooklyn uma hora dessas. – pegou-a no colo mais uma vez naquela madrugada.
– Damon. – choramingou. – Eu vou enjoar de novo.
O moreno apenas a ignorou e adentrou a casa seguindo pelos corredores e logo já estavam em seu quarto. Colocou-a sentada na cama e foi até o banheiro.
Tudo sem olhá-la ou falar nada, E isso machucou Elena. Que tinha certeza que ele estava chateado com a coisa da boate. Se xingou internamente por aquilo.
Se bem que ela nem deveria se sentir assim, afinal nem estavam mais juntos, ele mão tinha o direito de lhe cobrar nada e ela nem havia pedido que fosse busca-la.
Ouviu o som da torneira e depois de água e soube que ele enchia a banheira. Suas pálpebras pesavam e sentia que poderia cair no sono a qualquer instante.
Permitiu-se observar o cômodo onde estava e percebeu que nada havia mudado tudo estava no mesmo lugar. O que era estranho já que lembrava de April dizer que ele havia quebrado tudo. As pesadas cortinas que cobriam as imensas janelas vitorianas eram as mesmas, o tapete era da mesma cor. O quadro acima da cabeceira também estava lá, porém olhando bem ela conseguia perceber uma pequena lasca na moldura.
Olhando para a mesinha junto a cama percebeu aquele mesmo porta retrato. Os dois juntos e felizes. Damon a abraçando por trás e beijando sua bochecha de olhos fechados. O sorriso que ela possuía naquela fotografia era tão contagiante que lhe fez sorrir também.
Estava tão feliz aquele dia. Uma felicidade que agora parecia tão distante. Vagou em pensamentos se perguntando como tudo se perdera tão de repente.
Damon voltou ao quarto e Elena não sentiu sua presença. O moreno apenas a observou do portal do banheiro de braços cruzados. Tão concentrada na foto de ambos, notou o pequeno sorriso e sorriu também. Era bom vê-lo de novo depois de tanto tempo.
– Elena.
–Hum. – desviou o olhar pra ele.
– O banho tá pronto consegue tomar sozinha?
– Consigo sim. – murmurou pondo-se de pé e caminhando lentamente, porém assim que atravessou a porta só teve tempo de correr até a privada.
– Oh droga.
Resmungou antes de se debruçar e pôr a água que havia tomado pelo vaso abaixo. Mais uma vez sentiu as mãos de Damon, gentis em suas cotas e cabelos.
Sua garganta e estômago doíam pelo esforço. Sentou no chão gelado e sentiu o choque térmico em sua pele. Suspirou baixinho enquanto lágrimas escorriam por seu rosto.
O moreno sentou-se ao seu lado alcançando uma toalha molhada e limpando seu rosto um pouco antes de acolhe-la protetoramente em seus braços.
– Tá tudo bem amor, eu tô aqui. – beijou sua cabeça. – Agora vem aqui que eu vou te dar banho.
Damon sequer percebera o que tinha dito ou como a chamara, era natural para ele, Elena seria sempre o seu amor, mesmo que não estivessem mais juntos.
Porém para Elena tê-lo lhe chamando daquela forma como se nada houvesse mudado fora como num sonho. E a encheu de alegria e satisfação.
Deixou que o moreno fizesse tudo, que a conduzisse, afinal não estava em condição alguma. Deixou-se apenas sentir os toques em seu corpo enquanto era despida.
Não havia nada erótico naquilo, pelo contrário. Se tratava de carinho amor, cuidado e dedicação. Sentia o quanto Damon a respeitava enquanto tirava suas roupas.
Durante todo o processo o homem focou toda sua atenção no rosto de Elena que mantinha os olhos fechados e um pequeno sorriso brincando no canto de seus lábios. Tivera todo um cuidado especial com ela. Elena já era tentadora de roupa, sem elas então era uma perdição e tudo que ele não precisava no momento era uma ereção.
Quando já havia deixado a morena imersa nas águas da banheira tentou de forma desajeitada prender os fios chocolate e passou a banhá-la, suas mãos massageando todo o corpo delicadamente fazendo-a suspirar em alguns momentos.
Assim que Damon a levou de volta ao quarto ela já estava mais desperta.
– Acho que ainda tem algumas roupas suas no closet. Será que consegue ir até lá enquanto vou à cozinha?
Assentiu e ele se foi. Respirando fundo e segurando firme a toalha branca em torno de si ela foi até o lugar destinado. Abrindo várias gavetas até encontrar uma com algumas peças íntimas, as quais ela vestiu apenas uma calcinha azul de renda.
Tinha também um blusão que ela usava algumas vezes para dormir. Porém ele seguiu para o lado onde ficavam as camisas de botões de Damon e vestiu uma. Sentia falta de dormir sentido o perfume dele. Embora houvesse levado uma quando foi embora.
Encontrou uma escova para dar um jeito no emaranhado que encontrava-se seu cabelo. Voltou sentando-se e apoiando suas costas à cabeceira da cama. Damon a encontrou em uma batalha de escovar os fios e achou engraçado as pequenas caretas de dor que ela fazia.
– Tá tudo bem aí?
– Mais ou menos.
– Eu trouxe algo pra você. – viu quando ela resmungou. – Você precisa comer algo princesa.
– Eu não quero, tô enjoada.
– Por isso que são coisas leves, um chá e biscoitos salgados que devem ajudar com os enjoos. – Elena torceu o nariz em desgosto.
– Não quero. – gemeu manhosa e tinha certeza que no momento parecia uma garotinha mimada, mas não queria nada, sentia que se comesse qualquer coisa passaria mal de novo e isso era tudo que menos ansiava.
– Por favor princesa, por mim. – pediu juntando as mãos, os olhinhos brilhando e aquele bico que Elena amava desfazer com beijos. Não restou muito a Elena diante daquilo e ela só pôde concordar vencida. – Yes. Agora vou tomar um banho rápido.
Elena colocou a escova na mesinha e se ajeitou para que ele colocasse a bandeja em seu colo. Enquanto Damon estava no outro cômodo. A morena sorveu moderadas doses do líquido quente e de sabor doce fumegante em sua xícara e comeu apenas uns três biscoitos.
A sensação de que logo colocaria tudo pra fora ainda estava lá e ela não desejava arriscar. Nunca fora muito forte para bebidas e a julgar por todo mal estar que estava sentindo, realmente devia ter exagerado. Com cuidado para não derrubar nada ela se pôs de pé.
– Onde a senhorita pensa que vai?
Virou-se a tempo de ver seu moreno chegar perto e lhe tomar o objeto das mãos. Ele já estava vestido em uma calça moletom e regata, ambos pretos.
– Eu ia levar lá em baixo.
– Nada disso, deixa que amanhã ou hoje mais tarde eu levo.
Ela assentiu e os dois foram pra cama sentando lado a lado. A morena virou-se para olhá-lo e o notou de cabelos úmidos. Sem conseguir se controlar suas mãos já estavam na penugem negra.
– Você molhou o cabelo. – não foi uma pergunta e sim uma afirmação que soou em tom de repreensão e que o fez encara-la confuso.
– E o que tem?
– Que faz mal dormir de cabelo molhado ué. – deu de ombros ainda tocando os fios. Ele sorriu.
– Posso saber quem disse isso?
– Minha vó, ela sempre me disse isso.
– Bem eu acho isso uma bobagem pequena, mas em todo caso não faz mal. Eles secam rápido
– Se você diz.
– Como está se sentindo?
A voz suave combinada com a mão que acariciava o rosto da morena foi o suficiente para que ela se inclinasse como uma gata manhosa a procura de mais carinho.
– Melhor. – os olhos castanhos miraram os azuis intensamente por longos segundos antes de alguém se pronunciar. – Obrigada por ir lá e por cuidar de mim.
– Não por isso princesa. – sorriu ao vê-la beijar a mão que estava em seu rosto.
Por minutos que pareceram uma eternidade eles se comunicaram apenas com o olhar. E tinha tanta coisa pra ser dita ali. Tanta saudade, tristeza, carinho e acima de tudo amor.
– Com sono? – Damon questionou assim que um pequeno bocejo de Elena cortou o momento.
– Hum hum. – outro bocejo.
– Vou deixar você dormir.
Beijou-lhe a testa ternamente e já se preparava para sair da cama quando a mão delicada segurou seu pulso.
– Fique. – pediu. – Quero dormir com você.
Foi impossível para Damon conter o amplo sorriso que se desenhou por sua face. Sentia tantas saudades de estar com ela e de apenas poder dormir com ela. Que felicidade que se instalara em seu peito com aquele pedido era totalmente proporcional ao amor que sentia por aquela mulher, vestida em sua camisa e deitada em sua cama.
– E como você quer?
Elena sorriu antes de deitar-se de lado de costas para ele que entendeu no mesmo momento. Achava a posição incomoda e desconfortável, mas jamais reclamaria de dormir assim se fosse com a morena.
Deitando-se atrás da mesma ajeitou-se da melhor forma que pôde. Passando seu braço esquerdo por debaixo do corpo esguio e passando o direito por sua cintura.
– Assim?
A respiração de Damon de encontro a pele de seu pescoço fez arrepios subirem pela coluna de Elena numa sensação extremamente gotosa, conhecida e muito bem-vinda.
Aconchegou-se ainda mais naqueles braços que eram seu porto seguro, suspirando baixinho. Damon aspirou seu cheiro e ela se permitiu fechar os olhos. Enquanto apertava suas mãos nas do moreno em torno de si.
– Boa noite meu anjo.
– Boa noite meu amor.
Damon ouviu o sussurro sonolento antes de ser levado pela inconsciência e soube que dormiu sorrindo.
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