Burning Desire
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Era a centésima vez que Elena olhava aquele misterioso cartão. As palavras “será sequestrada” dançando em usa mente, enquanto andava em círculos pelo imenso quarto.
De primeiro pensara que poderia ser Damon, mas julgando sua reação enciumada, não poderia ser. Resolveu então que não iria se importar com isso, afinal poderia ser engano.
Mas no meio da tarde um novo bilhete seguido de mais rosas dessa vez brancas chegou. Contendo um endereço de onde a morena deveria estar as 18:30. Iria ignorar quem quer que fosse esse desavisado, e não iria. Porém o próprio Damon lhe incentivou a ir, alegando que iria com ela pra que descobrissem quem era, segundo ele o “engraçadinho”.
Ou engraçadinha.
Sua consciência soprou. Passava sim por sua cabeça que poderia ser Rebekah, mas ela também tentava ignorar isso.
Agora estava ela em frente ao espelho terminando de pôr os brincos. Vestia uma roupa simples, vestido azul clarinho um palmo acima do joelho, um salto nude completava sua veste. Maquiagem leve e cabelo em cachos caindo por suas costas.
Iria sozinha, Damon recebera uma chamada de emergência do escritório e a encontraria lá. Estava nervosa, muito nervosa e desejava com todo coração que não passasse de uma brincadeira.
[...]
Depois de 20 minutos o carro parou no tal endereço. Damon havia deixado ordens para que seu motorista, aquele que a morena sempre soube que existia, só não entendia por que ele nunca usava. Até descobrir que ele mesmo levava April só para vê-la.
Para a surpresa de Elena tratava-se do Downtown, nada mais nada menos do que o Heliporto de Manhattan. Lá encontrava-se apenas um helicóptero preto. Aproximou-se e notou uma rosa presa ao mesmo, junto de outro cartão.
Olá amor....
Se veio até aqui peço que não desista.
Por favor entre. O piloto te trará pra mim.
Amo você.
Olhou em todas as direções à procura de alguém, mas não havia um ser sequer por ali O que era no mínimo estranho. Notou porém movimento na cabine e soube que se tratava do provável piloto.
Ouviu o barulho e as hélices começaram a se mover olhou mais uma vez na esperança que Damon chegasse. Porém nenhum sinal dele.
Agonia lhe percorria o corpo. Uma parte sua queria dar meia volta ir pra casa e esquecer tudo. Mas a outra parte, a parte mais curiosa de si, queria muito ir.
Sem pensar muito nas consequências de seus atos, ela subiu. Foi cumprimentada pelo homem lá dentro. Que também lhe ajudou a prender o cinto. Suas mãos tremiam e suavam.
Atreveu-se a perguntar onde iriam, mas sua resposta foi apenas um “logo saberá senhora”. Respirou fundo e assentiu. Esperando pra ver o que sua loucura lhe traria.
Depois de mais ou menos uma hora e meia de viagem e sem que nenhuma palavra fosse proferida no ambiente, fora informada que finalmente iriam pousar.
Quando finalmente desceu, percebeu que pousaram numa área descampada. Aparentemente deserta e bem isolada. Um frio lhe percorreu a espinha.
– Senhora? – assustou-se com a voz do homem atrás de si. – Desculpe. A senhora pode seguir por ali. – apontou para o que aprecia ser uma trilha.
Elena agradeceu e meio hesitante foi. Quanto mais se aproximava, conseguia ouvir nitidamente o som de ondas quebrando. Chegou a um pequeno cais, que continham uns poucos degraus que davam na praia. Antes de ir porém, viu mais um bilhete.
Sinto-me a pessoa mais feliz do mundo.
Por confiar em mim.
Venha pra mim.
Tímida ela desceu os cinco degraus, no último tirou os saltos para poder andar na areia. Foram poucos passos sentindo os grãos em contanto com seus pés. Pois um pouco mais a frente um tapete vermelho se fazia presente.
Elena seguiu o caminho, sem saber pra onde ele levaria, pequenas velas na areia acompanhando seu caminho, por uma trilha na areia.
Porém seus olhos não estavam preparados para a cena que viria a seguir.
Não muito distante de onde estava. Apenas alguns passos mais. E logo estaria lá.
No meio da areia branca, bem em frente ao mar. Estava montada uma tenda de quatro pilares e coberta por um tecido branco. Ao seu redor em cada extremidade dos pilares haviam tochas.
Caminhou até chegar lá. A estrutura parecia um altar. Tinham dois degraus que ela subiu sem hesitar. Dentro da tenda tudo era ainda mais perfeito.
Havia uma pequena mesa, nos mesmos modos daquelas de restaurante japonês, disposta para dois lugares. Com taças, pratos e talheres, além de algumas velas aromáticas e um vaso com rosas vermelhas
O “chão” de madeira estava revestido por um acolchoado escuro. Havia também diversas almofadas espalhadas por todo o lugar. E por cima destas pétalas de rosas vermelhas, brancas e amarelas.
Elena olhava e tocava tudo encantada com tamanha beleza. Porém só ela estava lá. Nenhum sinal de seu “sequestrador”. Foi quando notou, presa a uma das colunas, mais uma rosa. Só que dessa vez azul.
Ela aproximou devagar e a tocou. Era tão suave e linda. E a morena nunca havia visto nada igual. Nunca vira uma rosa azul. E ela era perfeita. Pegou o cartão.
“A flor azul é conhecida por ser uma flor que representa o infinito e o inalcançável. Significa também gratidão, respeito, admiração, desejo e amor.”
A escolhi pois, tem tudo a ver com o que sinto por você Elena.
Gratidão por tê-la em minha vida. O respeito e admiração pela mulher que você é.
Desejo.... Eu sempre te quero e muito.
Amor e infinito...
Meu amor por ti é infinito vezes infinito.
Acho que agora você já pode virar amor.
Com um sorriso, lágrimas nos olhos, coração querendo sair pela boca e borboletas no estômago. Elena se virou de uma vez e ofegou de surpresa. Não acreditava no que seus olhos viram.
– Damon?
A sua frente encontrava-se seu moreno seu típico sorriso de lado, aquele que o deixava com covinhas fofas e que era de longe o preferido de Elena. Trajando uma calça jeans de lavagem escura junto a uma camisa de mangas compridas, que estavam dobradas até o cotovelo, branca, cabelo bagunçado até um pouco úmido e para o delírio da morena descalço.
Elena não pôde esconder o sorriso bobo diante da imagem mais sexy que ela já presenciara. E olha que ela já o havia visto tantas vezes, muitas vezes nu também. Mas tinha algo naquela imagem, ela não sabia o que exatamente, talvez fosse a luz da lua combinada com as velas incidindo nos olhos azuis e os deixando ainda mais hipnotizantes. O fato era que ela estava encantada, e até mais apaixonada por aquele homem.
– Oi anjo.
– Eu não acredito. Eu... O que você... – tamanha surpresa a morena não conseguia completar uma frase sequer o que fazia Damon sorrir ainda mais. – Como eu não desconfiei disso? Que era você o tempo todo.
– Sou um bom ator. – ele fez aquilo com os olhos enquanto a enlaçava pela cintura e recebia os braços de sua mulher em seu pescoço.
– Oh eu percebi pela cena de ciúmes quando as primeiras rosas chegaram – ele riu enquanto os olhos castanhos rolavam e ela lhe beijou castamente.
– Era necessário pra que você não desconfiasse de nada. – arrumou uma mecha de cabelo castanho.
– E pode apostar que eu nunca desconfiaria.
– Eu sei. Sou muito bom em tudo que faço.
– E é convencido também. – murmurou fazendo carinho na nuca do rapaz. – Sabe, eu adorei tudo isso. Desde as primeiras flores até essa decoração. Mas o que eu mais adorei foi essa rosa azul. Como conseguiu?
– Tenho meus segredos Gilbert.
– Ela é linda.
– Perfeita e rara como você.
– Me faz lembrar seus olhos. Sabia que azul é minha cor preferida? – perguntou com um sorriso.
– E eu nem faço ideia do por que. – ele também riu, beijando mais uma vez. Dessa vez mais durado e profundo. Encostaram suas testas e permaneceram de olhos fechados apenas sentindo suas respirações se misturarem.
– O último cartão. Aquelas coisas que você escreveu. – Damon a fitou e Elena permanecia de olhos fechados. – Eu amei. – orbes castanhas o encararam. – E eu nem sei...
Ele a interrompeu colando suas bocas outra vez. Sua língua pediu passagem entre os lábios carnudos e foi prontamente atendido. Quando seus pulmões reclamaram por ar eles os separou ainda selando pequenos beijos só para vê-la ofegante depois.
Tomou o pequeno rosto entre suas mãos e a encarou profunda e ternamente antes de falar.
– Tudo que eu escrevi ali é a mais pura verdade. E se encaixa perfeitamente em tudo o que sinto. Você chegou e em pouco tempo se tornou tudo pra mim. Você é meu mundo Elena Gilbert e eu te amo.
Sem permissão os olhos da morena encheram-se de umidade e logo ela escorria por seu rosto em forma de lágrimas.
– Oh Damon eu me sinto tão feliz e grata por te ter em minha vida. Por você ser só você, por me aceitar, fazer essas coisas por mim e me amar. Eu não poderia estar mais feliz, mais realizada e amada do que ao seu lado. E eu também te amo Damon Salvatore.
Damon tinha muitos risos e sorrisos e Elena amava cada um deles. Mas assim que ele sorriu naquele momento, um sorriso enorme, cheio de dentes e emocionado ela soube que este era o seu preferido e o que ela queria ver sempre naquele belo rosto.
– Repete? – pediu maravilhado.
– Eu te amo. Amo muito se quer saber.
Damon riu e abraçou-lhe forte. Tirando-a do chão e rodopiando enquanto os dois riam sem parar. Assim que a pôs de volta ao chão começou a enchê-la de beijos por todo o rosto. Suas bochechas, testa, olhos, nariz e por fim demoradamente seu boca.
– Não sabe como eu desejei ouvir isso. – sussurrou os lábios se tocando a cada palavra.
– Eu sei. – foi um sussurro também, — E me sinto uma idiota por ter feito você esperar tanto.
– Hey, isso não importa mais. – deu-lhe um selinho demorado. – Tudo que importa é o agora. Você e eu aqui juntos.
Elena assentiu e dessa vez foi ela quem o beijou. – E onde é exatamente aqui? – ela riu. E Damon respondeu com sorriso travesso.
– Los Angeles. – o queixo da morena foi ao chão. – Uma praia deserta de LA pra ser mais específico
– Você é louco.
– Por você? Claro que sim. – sorriu e lhe estendeu a mão. – Agora vem, vamos jantar.
– Bom eu sabia que tinha passado muito tempo naquele “troço”, mas não que estávamos saindo de Manhattan.
Elena comentou se acomodando em uma almofada diante da mesa, com Damon a sua frente tirando a tampa de um prato que continha um tipo peixe.
– Por falar nisso. Como foi a viagem? – Elena os serviu e Damon providenciou que suas taças fossem preenchidas por um vinho branco que combinava perfeitamente com a comida.
Ele havia mesmo pensado em tudo, constatou Elena dando um pequeno gole em sua bebida.
– Hum foi silenciosa e apavorante.
– Ficou com medo? – o moreno questionou preocupado pegando a mão que ela mantinha sobre a mesa.
– Um pouco. – ela assentiu e Damon beijou a ponta de seus dedos.
– Sinto muito.
– Não precisa eu faria de novo só pra ter esse momento com você. – ambos sorriram. – Mas ajudaria um pouco se seu piloto não fosse tão... Como posso dizer chato?
Damon soltou uma gargalhada rouca e extremamente gostosa aos ouvidos da morena. Ela sorriu pela milésima vez naqueles poucos instantes só por vê-lo sorrir.
– Charles não é chato amor. Só um pouco calado. – Elena o olhou cética e não restou-lhe outra coisa senão render-se. – Tá tudo bem, ele é um pouco chato sim.
– Eu sei.
Os dois riram e assim se passou o jantar entre conversas amenas e sorrisos bobos e apaixonados.
[...]
Já haviam terminado a refeição e agora estavam os dois andando, de mãos dadas a beira mar. A água gélida molhando seus pés. Só o que se ouvia era o barulho das ondas quebrando.
Damon e Elena apenas aproveitavam a companhia um do outro e a calma que o lugar lhes proporcionava.
– Sabe por um segundo eu pensei que pudesse ser a Rebekah. – fora Elena quem quebrara a bolha em que estavam.
O moreno parou de caminhar e a fez olhá-lo. – E por que? – perguntou enquanto tocava os traços do rosto de Elena.
– Eu não sei – deu de ombros. – Eu só não imaginava que fosse você e me ocorreu que poderia ser ela.
Damon hesitou por um momento antes de falar algo. Mas ele precisava tirar aquela dúvida que estava o corroendo.
– Ainda gosta dela? – viu Elena desviar os olhos e respirar fundo antes de voltar a encará-lo e responder.
– Gosto – respondeu sincera e seu moreno baixou o olhar. Elena o tomou nas mãos como ele fizera mais cedo. – Não desse jeito seu bobo. – riu e o beijou. – Gosto sim da Bekah, afinal foram anos ao lado dela. Fomos feliz e eu nunca vou esquecer isso.
“Ela sempre terá um lugar na minha vida e no meu coração. Mas é com você que eu tô agora, é com você que eu quero estar sempre. Eu te amo Damon nunca duvide disso.
O moreno assentiu e se perdeu naqueles lábios que tanto adorava mais uma vez.
Voltaram para sua caminhada agora com Elena feito uma criança chutando a água.
– Nós vamos voltar hoje?
– Só se você quiser.
– Eu não quero.
– Que bom por que eu ainda tenho que fazer uma coisa.
– O que? – o encarou curiosa.
Damon respirou fundo e fitou o mar antes de olha-la de volta. Estava nervoso como nunca estivera antes em sua vida.
– Damon?!
– Você entrou na minha vida der repente. Quer dizer quem diria que levando April no Balet eu encontraria aquela que mudaria minha vida pra sempre. – sorriu.
“Eu já disse isso, mas vou repetir. Eu me apaixonei instantaneamente pela morena de sorriso mais lindo que já vi na vida. Você me fez acreditar que eu podia ser feliz de novo, desde que meus pais morreram. – uma lágrima escapou dos olhos de Elena. – Eu passei a ir todos os dias no seu trabalho só pra te ver e nunca tive coragem de falar com você até aquele dia. Depois eu convenci minha irmã a te pedir aulas particulares.”
Elena o olhou incrédula. Como assim ele havia pedido isso a April? Estava pronta para falar, mas ele não deixou.
– Sim eu fiz e não me arrependo um segundo sequer. – a morena balançou a cabeça sorrindo. – Depois eu te chamei pra jantar, nos beijamos. Quando você me ligou desesperada eu nunca pude esperar o que você me contou. E eu fiquei confuso sim. Mas percebi que eu já te amava e não poderia deixa-la ir assim. E passei a amar ainda mais, admirei você, sua coragem e sua força. Você não tem ideia de como é uma mulher incrível Elena. – falou acariciando seu rosto. – E eu te amo. Cada dia mais e quer saber. E é por isso que....
Elena prendeu a respiração e deu um passo para trás quando o viu levar a mão ao bolso da calça. De lá ela retirou uma caixinha de veludo preta.
Quando aberta revelou seu conteúdo. Duas alianças em ouro rose sendo um menor e com quatro pedrinhas de diamante no centro.
– Elena Gilbert. – Damon se ajoelhou pegando sua mão, enquanto Elena segurava as lágrimas. – Eu te escolhi pra ser a mulher com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Pra ser minha parceira, amante, amiga namorada. A mãe dos meus filhos, companheira de vida e agora eu queria saber se você me quer também. E eu sei que posso estar sendo precipitado, mas você aceita se casar comigo?
Quando terminou Damon tinha um lindo sorriso no rosto, que escondia o nervosismo que sentia por dentro. Podia ver que Elena tremia e que chorava também.
Por um segundo que mais pareceram horas Elena nada disse. Estava surpresa demais. Sabia que precisava responder só não saia. Parecia que o dom da fala lhe tinha sido roubado.
Nunca tinha se imaginado numa situação dessas. Um dia perfeito, jantar romântico na praia e um pedido de casamento. Feito por um homem.
Mas não era qualquer homem. Era aquele a quem ela amava. Que a fez ver a vida de um novo jeito. Que a fazia feliz e foi disso que precisou para responder com toda certeza do mundo aquilo que mais queria.
Queria ser feliz e amada e sabia que só teria isso com Damon.
– Sim Damon, eu aceito.
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