Buried Alive
1 Unholy Confessions
Notas iniciais
Prólogo.
Amanda
E aqui estou eu, arrumando minhas malas. Minha mãe não para de chorar e meu pai nem sequer me olha na cara. O fato é que eles não entendem que eu preciso de um tempo pra mim mesma, pra pensar a respeito do meu futuro. Talvez seja bom morar um pouco na Califórnia. Consegui um ótimo apartamento em Huntington Beach, por um preço razoável.
A propósito, meu nome é Amanda, tenho 18 anos, acabei de terminar o ensino médio, sou filha única e morei a minha vida inteira aqui em Nova York. Ao contrário da maioria das pessoas dessa idade, ainda não tenho a menor ideia de qual profissão pretendo seguir, então estou me mudando para outro estado, na tentativa de conseguir pensar em algo concreto em relação ao meu futuro. Como vocês puderam perceber, meus pais não estão lidando muito bem com a minha decisão. Embora eu seja maior de idade e tenha maturidade o suficiente para saber o que é melhor pra mim, eles não estão conseguindo aceitar a ideia de que, depois de todos esses anos, irei morar longe deles.
***
– Vamos, filha. – chamou minha mãe do andar de baixo.
– Já estou indo, mãe. – respondi, terminando de pentear meus longos cabelos escuros.
Passei um pouco de lápis nos olhos, peguei minhas malas, desci as escadas; com um pouco de dificuldade, afinal eu estava levando bastante coisa; e fui em direção ao carro, onde meus pais já estavam me esperando. Assenti quando perguntaram se poderiam me dar uma carona até o aeroporto.
Ao chegarmos lá, minha mãe secou uma lágrima e me surpreendeu com um abraço longo e inesperado. Como meu pai não se manifestou, fui até ele para me despedir. Às vezes tenho a impressão de que sou a mais madura da casa...
*
Meus pais partiram e fiquei esperando meu avião. Quando o mesmo finalmente chegou, me acomodei na poltrona e torci para que meus pais ficassem bem, afinal eles não estavam acostumados a viver sem mim. Pode soar um pouco arrogante, mas eu é que sempre mantive a situação lá em casa sob controle e vivia tendo que colocar panos quentes, pois meus pais sempre brigaram bastante. Talvez isso tenha contribuido para a minha decisão de morar em outro lugar... Na Califórnia terei mais tempo para cuidar de mim mesma, ao invés de ter que "tomar conta" dos meus pais.
Fechei os olhos e rezei para tudo dar certo para os meus pais durante o tempo indeterminado que ficarei fora. E, claro, também rezei para que tudo desse certo comigo em Huntington Beach.
Capítulo 1 — Unholy Confessions.
Amanda
Até que a viagem de avião passou bem rápido. Fiquei observando as pessoas que passavam no aeroporto enquanto esperava um táxi para me levar até minha nova casa. Os californianos pareciam ser simpáticos e amigáveis. Talvez eu até consiga fazer novas amizades e, quem sabe, desencalhar. Sinto arrepios só de lembrar do meu último namoro. Prefiro nem pensar a respeito disso.
Por fim, o táxi chegou, tirando-me de meus devaneios. Eu estava muito cansada por causa da viagem e, por sorte, minha casa não era muito longe do aeroporto. Durante o curto trajeto, aproveitei para apreciar a paisagem lá fora. Me animei ao ver as belíssimas praias e senti uma vontade imensa de dar um mergulho no mar. Creio que terei bastante tempo pra fazer isso nos próximos dias.
Alguns quarteirões depois, o táxi parou em frente a uma casa enorme. Levei alguns segundos para perceber que aquela era minha casa. Era de um amarelo bem claro e possuía várias janelas. Havia um lindo jardim, bem arborizado. Sorri quando o cheiro delicioso das flores penetrou minhas narinas.
Paguei o taxista e lhe dei uma generosa gorjeta pela ajuda que recebi ao descarregar minhas malas. Peguei a chave, enfiei-a cuidadosamente na maçaneta e girei, abrindo a porta.
Fiquei boquiaberta. Se o lado de fora da casa já havia me impressionado, o lado de dentro então nem se fala. Tá certo que o salário do meu pai é bem alto e estou acostumada à mordomias, mas eu nunca havia visto algo como o interior daquela moradia. Nem mesmo o mais caro de todos os hotéis cinco-estrelas nos quais já me hospedei poderiam se assemelhar àquilo. O chão era extremamente polido e transmitia uma agradável sensação de limpeza. A televisão da sala de estar aparentava ter umas 55 polegadas. Os sofás eram enormes e confortáveis e os tapetes, felpudos.
Me dirigi até a cozinha, onde encontrei um fogão novinho em folha e com várias bocas, porém duvidei de que o usaria algum dia. Nunca precisei cozinhar nada, sempre tive cozinheiros que fizessem isso para mim. Sendo assim, não sei nem fazer arroz.
Decidi subir as escadas que levavam ao andar de cima, pois deduzi que minha suíte estaria lá. Quando terminei de subir com todas as minhas malas, descobri que meu palpite estava certo. Adentrei o enorme quarto, que por sinal era muito bem iluminado e arejado. A cama era bem grande, assim como o closet. Fiquei feliz porque, honestamente, eu havia trazido muitas roupas. Vários vestidos, saias, minissaias, bastas, blusinhas e... sapatos. De todos os tipos: botas, sandálias, rasteiras e, claro, muitos sapatos de salto alto também.
Levei algum tempo para desfazer todas as malas e para guardar todas as roupas no espaçoso closet. Depois que terminei de arrumar tudo, decidi tomar uma boa ducha e tirar um cochilo na enorme cama.
*
Acordei com o toque do meu celular. Peguei ele, ainda meio sonolenta, e atendi, à contragosto. Os berros de minha mãe fizeram com que eu acordasse completamente:
– AMANDA HASTINGS SANDERS! ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA COM A CABEÇA? POR QUE NÃO ME LIGOU QUANDO CHEGOU? – gritou ela.
– Eu cheguei bem, mãe, eu só... – tentei, em vão, acalmá-la, mas fui interrompida.
– E ONDE É QUE VOCÊ ESTÁ? – berrou ela.
– Na casa nova, ué. Eu estava muito cansada da viagem, então dormi um pouco. E esqueci de te ligar. Só isso. – respondi, tentando manter a serenidade.
– Foi direto pra casa? Não passou em nenhum outro lugar? Ainda não conheceu ninguém? – perguntou ela. Estranhei.
– Não conheci ninguém, vim direto aqui pra casa... – respondi, desconfiada.
– Está bem. – disse ela, em tom de alívio, o que me deixou ainda mais com a pulga atrás da orelha. – Boa sorte na Califórnia, filha. Tchau.
– Obrigada, mãe. Tchau, beij... – não consegui terminar de pronunciar a palavra "beijos". Minha mãe já havia desligado.
Mãe da Amanda
Desliguei o celular o mais rápido possível. Percebi o tom de desconfiança na voz da Amanda e, para evitar que ela fizesse perguntas, me despedi brevemente. Eu precisava saber se ela já havia conhecido alguém em Huntington Beach... E fiquei aliaviada ao saber que isso ainda não havia ocorrido. Afinal, qual seria a reação de minha filha se soubesse que na cidade que ela acabou de se mudar mora um cara com o mesmo sobrenome que ela e que é, nada mais, nada menos do que... seu irmão mais velho?
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