Bulimia
9 Capítulo 9
Notas iniciais
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[“Eu te amo.” Quando foi a última vez que eu escutei essa frase sendo dirigida a mim? Ou melhor, quando eu escutei essa frase sendo dirigida a mim?]
[Orihara Izaya]
[“Eu te amo.” Mesmo nos dias de hoje, em que falar isso se tornou banal, para mim, continua sendo uma frase com um efeito e tanto.]
[Heiwajima Shizuo]
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Shinjuku
Kanto, Japão.
Apartamento de Orihara Izaya.
“Shizu-chan!” A exclamação era uma mistura de susto e esperança. O informante nunca ficara tão feliz em ver seu arqui-inimigo arrombando a porta da sua casa. (Ele estava esperando Namie, aquela maldita que não havia dado as caras ainda. Ah, essa ausência sofreria no bolso dela ao fim do mês.)
“Shizuo!” Se virou, sem soltar o aperto possessivo que tinha sobre a cintura do moreno, fitando o homem irritado que acabara de chegar. Na verdade, a palavra irritado nem sequer podia ser considerada como descrição adequada para o estado temperamental do loiro. A situação perigosa em que se encontrava, de ver o fortíssimo de Ikebukuro arreganhar os dentes e rosnar daquele jeito, deixaria qualquer pessoa tremendo, entretanto, o jovem apenas encarava o irmão, não dando importância a sua fúria.
“Sai de perto dele, Kasuka!” Vociferou. “Saia de perto dele agora, antes que eu faça uma besteira!” O mais novo não só ignorou a ordem, como, para provocar, desceu as mãos até os quadris do mais velho, acariciando-os. “Larga ele, seu merda!” O ex-barman sentia o sangue ferver em suas veias tamanha era a raiva, o ciúmes, a decepção e o sentimento de traição que tomava conta do seu ser.
“Porquê?” Desafiou. “O que tem de mais em agarrar esse puto?” O informante sussurrou um “Repita essa frase de novo e eu corto sua garganta, Kasuka-kun.” entre dentes. “Você não o odiava? Não o queria longe? Não tinha nojo dele? Então, que ciúme todo é esse de repente?” Os olhos castanho-escuro fixos nos castanho-claro. A ponta da segunda lâmina, visto que a primeira estava cravada na parede oposta, fez um arranhão no rosto de Heiwajima mais novo. Um sutil aviso de Izaya.
“Me sinto um pedaço de carne sendo disputado por dois mortos de fome” Empurrou o ator, dando passos para trás, se afastando de ambos os irmãos. “O engraçado é que falam de mim como se eu não estivesse aqui.” O sorriso característico que usava, ainda que perfeito, deixava transparecer o quanto estava cansado. Tanto daquela situação, como da vida. “Pena que não estou em clima de aguentar briguinhas familiares, nem de escutar desaforos, então, por favor, saiam do meu apartamento antes que eu tenha que matar vocês.” Gesticulou, apontando para a porta destruída.
“Tch.” Shizuo bufou, as palavras de Celty e Shinra ressoavam em sua cabeça junto com as de Kasuka, misturando-se a confissão de dois dias atrás do moreno de olhos vermelhos, tudo isso só servia pra contribuir com sua enorme confusão mental.
“Cale a boca, Orihara-san. Você não está em posição de falar, essa discussão é entre meu irmão e eu. Aliás, nem é uma discussão, afinal, nunca brigamos por nada, nem por ninguém, certo?” Encarou o irmão com um meio-sorriso presunçoso. “Podemos dividi-lo se quiser, não me importo se eu tiver que transar com ele estando exausto e ensanguentando. Desde que possa meter, tá bom.” O fortíssimo de Ikebukuro grunhiu como um leão raivoso. Tudo virou um borrão em sua visão, apenas as imagens mentais da conversa que tivera com os amigos estavam focalizadas.
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FlashBack
Apartamento de Kishitani Shinra
Ikebukuro.
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{“O que me contou... é... é... fora do normal!”} A mulher sentada a sua frente parecia tão perdida como ele. {“Aliás, muitas coisas fora da rotina andam acontecendo nesses dias, com pessoas que nunca imaginaríamos...”} Deixou o resto da frase pairando no ar, Heiwajima sabia quem ela queria citar.
“Tudo nessa história é absurdo.” O homem de óculos roxos passou a mão destra pelos cabelos, suspirando chateado. “Porra, só não consigo entender porquê a pulga se tornou tão frágil de repente! Caralho, como assim do nada ele diz que me ama/”
“Vocês sempre foram frágeis, Shizuo. E esse “amor” não vem de hoje, acredite, eu sei.” O médico, que até então escutava os relatos da cozinha, sentou-se ao lado da Dullahan. “Tanto você, como o Izaya. A única diferença é o modo como encaravam e encaram essa fragilidade inconsciente.” O loiro arqueou uma sobrancelha, dando um meio sorriso zombeteiro.
“Agora deu pra me comparar com aquele desgraçado, Shinra?” O jovem de óculos de grau balançou a cabeça, afirmando. Talvez estivesse esquecido sua sanidade em algum lugar antes de vir para a sala de visitas. “Fragilidade o escambau! Desde quando eu sou frágil? Você, mais do que ninguém, sabe o tamanho da minha força, essa maldição do caralho que tenho que carregar!” Estava começando a ficar irritado, entretanto, havia prometido a Celty que não quebraria nada no tempo em que estivesse no apartamento, manteria a promessa intacta. Ou melhor, tentaria.
“Não me refiro a força física, Shizuo, até por quê, você e Izaya são os dois homens mais fortes de Ikubukuro.” Percebendo que a namorada ia interrompê-lo, provavelmente para pedir que parasse com aquela conversa, ele apertou sua mão, pedindo silenciosamente que ela o deixasse falar. “ Não sou psicologo, ou psiquiatra já que voc-... eer, bem, não estudo a mente humana, e nem quero mas, o básico conhecimento que possuo me faz perceber coisas ao respeito de vocês dois que me assustam de tão simples e complicadas que podem ser. O que quero dizer é quê toda essa “inimizade”, esse “desprezo a primeira vista”, essa “raiva acumulada”, esse “ódio” é porquê ambos são muito parecidos em muitas características, experiências e ideias. Os iguais tendem a se repelir.” [“Só que nesse caso, vocês são exceções. Afinal, em vez de ficarem longe, passam o tempo todo correndo um atrás do outro. ”] Complementou mentalmente. [“ E fazendo outras coisas que não me atrevo mais a imaginar.”]
“Eu não tenho e nunca terei qualquer semelhança com aquele parasita!” Rosnou, se segurando para não avançar no pescoço do amigo de infância. “Não tente me comparar com ele!”
“Não negue, o quê eu falei é a mais pura verdade.” Kishitani mantinha a voz calma, como se explicasse algo a uma criança birrenta. “Entre os dois, há poucas diferenças psicológicas e comportamentais. Enquanto você, por exemplo, descarrega suas frustrações jogando máquinas automáticas nos outros e gritando palavrões, Izaya se fecha para o mundo, descontando em si mesmo, inconsciente e conscientemente.” Observou o rosto do outro, vendo-o concentrado, continuou. “Falando sério, nunca acreditei muito que a causa da bulimia do Izaya fosse o bullying que sofreu, aliás, nunca acreditei nas desculpas que ele dava, os assédios não eram tão cruéis a ponto de quebrar uma mente tão “complexa”. Fez as aspas com os dedos. ”Lembro que insultavam-o devido a inteligência e a magreza, o quê, de fato, destrói milhares de pessoas, no entanto, convenhamos, isso não seria o suficiente para afetá-lo. O Orihara Izaya que conhecemos não ficaria “louco” por besteira.” Fez uma pausa, as emoções conflituosas que se passavam na face do loiro deixava bem claro que o médico estava conseguindo o que queria. “Depois de um tempo, finalmente consegui a resposta para a indagação “qual o real motivo dessa doença?”.”
{“ Estou ficando cada vez mais confusa, Shinra!”} A dullahan praticamente enfiou seu PDA na cara do namorado, desviando sua atenção de Shizuo. {“Você me disse que não fazia ideia do levou Izaya a ter bulimia, disse que acreditava ser o bullying, ou uma distorcida baixo autoestima e agora está dizendo que nunca acreditou nisso. Afinal, no que você acredita de verdade?!” } O homem de cabelos castanhos sorriu.
“Acredito nas minhas teorias.” Voltou a encarar o mais alto. “Nelas, a resposta é tão simples e óbvia que me deu raiva não ter sabido antes, o real motivo da obsessão pelo “melhor corpo/aparência” não era vontade de ser aceito pelos outros, nem de ser “amado” pelos seus adorados humanos ou de se “tornar Deus”, como ele costuma dizer, o pior é que nunca passou nem perto. O quê Izaya sempre quis desde do começo do ensino média, não, foi até antes disso, era chamar a atenção do Shizuo-kun, a quem ele já pesquisava meses antes de encontrá-lo no colégio.” O citado tossiu, entre um rosnar e uma gargalhada forçada.
“Aquele vadio sempre gostou de se mostrar, de se exibir, não precisa ser inteligente pra perceber.” Bufou. “Aquela pulga sempre foi irritante e problemática, não tenho nada haver com qualquer maluquice que aquele parasita possa ter desenvolvido. Só nos conhecemos no começo ensino médio, porra!”
“Correção, você o conheceu no ensino médio, ele já sabia sobre você há tempos.”
{“Bem, agora que você falou, me lembro dele vindo aqui várias vezes em busca de informações sobre Shizuo.”} O namorado dela balançou a cabeça, concordando.
“ O adolescente mais forte de Ikebukuro. Chamativo, não? Como informante, sua “pulga” tem “dever” de colher informações, separar boatos de verdades, produzir notícias ou caçá-las então, ao saber dessa “lenda urbana”, ele recolheu todas as histórias, fotos e relatos que pôde. Tanto é, que seu único motivo de ir pra Raira/Rainri foi por quê você ia pra lá. Acredite ou não, Izaya estava ansioso para te ver pela primeira vez.”
“Tá de sacanagem comigo.” Seu tom de voz parecia mais surpreso do que irônico. Se encostou no sofá, cruzando os braços. Uma das suas memórias mais claras era o maldito dia em que conheceu aquele sanguessuga. Desde a primeira vez em que pôs os olhos naquele moleque magrelo, de olhos vermelhos que brilhavam de maldade mal-contida, de sorriso malicioso, algo dentro de si se remexeu, incomodado com aquele ser. Seu primeiro pensamento foi expresso nas palavras de Shinra ao apresentá-los, “Esse cara não presta.”. Heiwajima tinha certeza que foi ódio mútuo a primeira vista. “Aquele carrapato tava ansioso era pra me testar e ver se eu era como um desses “bonequinhos” que ele adora de manipular.”
“Não e não.” Kishitani balançou a cabeça negativamente. “Muito pelo contrário, eu até podia compará-lo a um animal no cio maaaaaaas, iria ficar sexual demais e minha amada Celty não ia gostar.” Em resposta, recebeu um cascudo da mulher. “Ai, ai.” Passou a mão no local atingido, massageando. “De qualquer forma, após aquele desastroso primeiro encontro, Izaya se tornou obcecado por você.” [“E continua até hoje.”] “Essa obsessão ocasionou em transas “casuais” que ele passou a conseguir com você para suprir a carência do amor que não conseguiu. Eeer... desculpa, meu amor, sóóóóó que eu tive que tocar nesse assunto, pra mostrar como ele é obcecado pelo Shizuo.”
{“Muito obcecado.”} Celty reforçou. {“ Ele guarda suas informações a sete chaves. Ninguém, por preço nenhum, obtêm qualquer coisa relacionada a você. Sem brincadeiras, presenciei uma cena quê, sinceramente, pensei que Izaya iria esfaquear o cara no meio do apartamento dele. } O ex-barman arqueou uma sobrancelha. Claro que era óbvio quê, doido daquele jeito, o parasita deveria ter uma pasta para cada integrante de cada maldita gangue, máfia ou seita naquela cidade, bem como pastas contendo dossiês dos próprios cidadãos mas, saber que a pulga colecionava informações sobre ele desde quando eram adolescentes o surpreendeu.
“Sim, e o quê a bulimia, bullying e o caralho a quatro tem haver comigo?”
“Tudo! Bullying nunca o maltratou tando, serviu para destruir e desajustar metade da quase-inxistente-mentalidade dele porém, em momento algum foi a causa da bulimia ou de outros males. Meio que... eer... foi você, Shizuo.” O homem de cabelos castanhos coçou a nuca, desconcertado. (Não, não estava com nem um pouquinho de medo. Imagina.)
“Eu?! Como assim, “eu”?”
“Vamos pensar, qual o maior “objetivo” do Izaya?” Cruzou as pernas, ficando sério. Shizuo bufou.
“Fazer da minha vida um inferno?!” Deu de ombros. Na sua concepção, essa era a única coisa que Orihara sabia fazer. Ferrar os outros. Infernizar os outros. Ser um problema pros outros. Acabar com os outros. “Amar”... os outros.
{“Além disso, acho que é o que Shinra quer dizer.”}
“E ele sabe fazer alguma coisa diferente disso? A porra da vida dele parece que gira em torno de me fazer sofrer.” O médico suprimiu um risinho com a mão, os outros dois focaram sua atenção nele. O mais novo voltou a ficar sério.
“Você falou certo, muito certo. “A vida dele gira em torno de você.” Quase que literalmente.” Sua namorada começou a digitar algo, furiosa. Ou não. Ela digitava freneticamente. “Imagine uma situação, por exemplo, seu irmão some por anos, não te dá satisfação e nem planej-...”
“Ele jamais faria isso.”Foi interrompido.
“É só uma ideia hipotética, posso continuar?” O maior gesticulou com a mão, mandando-o prosseguir. “Pois bem, óbvio que ficaria ansioso para vê-lo de novo quando, certo?” Era uma pergunta retórica, mesmo assim o outro concordou com a cabeça. “Em um dia qualquer, recebe uma mensagem dele dizendo que voltará a Ikebukuro. Mais do que óbvio, ficará louco para vê-lo de novo por que o ama, não é?”
“Isso foi retórico?!”
“Uhum. Enfim, vocês se reencontram. Enquanto você está muito feliz por finalmente ver seu irmãozinho depois de anos, ele parece MAIS, bem mais, indiferente as coisas. Digamos que vá abraçá-lo e é rechaçado, ao perguntar a razão, és que recebe como resposta um sonoro “você me irrita/chateia/enjoa.”, me diz sinceramente, o quê sentiria?”
“Seria como uma facada no peito.” Resmungou. “Eu iria ficar puto de raiva.”
“Bingo!” Comemorou, batendo palmas. “Era o que eu queria ouvir!”
“Como assim, “bingo”?”
“Izaya era como você, você como Kasuka. Ele, naquele jeito estranho e distorcido, queria muito que quando se conhecessem, ficassem próximos ou algo do tipo, talvez pra te “estudar”, no entanto, simplesmente você lhe disse que o odiava! Claro quê, ao ficar decepcionado, reagiu daquela maneira. Foi por causa do quê você disse, Shizuo, que todo esse ódio começou.” Finalizou a conversa sorrindo. “Izaya te ama, só de maneira diferente. Claro quê, graças ao teu temperamento, essa paixão teve que ser omitida de diversas formas e agora, agora que descobriu seus pontos fracos, sua doença, ela veio se expor como uma tábua salvadora!”
{“Você está romântico demais, Shinra.”} Alfinetou. {“ De verdade, meio que acho nojento essa relação de vocês. Não por serem dois homens mas, porquê um não admite o que sente pelo outro, preferindo se machucarem. E, também, é estranho imaginar Izaya namorando com meu melhor amigo. =P “}
“Desde da adolescência esse amor existe, por isso disse que não era de hoje que eu sabia dessa história. Nunca percebeu como sua “irritante pulga” sempre estava metido em tudo da sua vida?”
{“Em todas as coisas ruins.”} Heiwajima grunhiu baixo, em plena concordância com o que foi digitado no PDA.
“He-hei, nem sempre. Ele já fez coisas para o bem-estar do Shizuo, embora, se eu disser, minha garganta será cortada.” Ajeitou o colarinho da camisa branca e o jaleco, significativamente. “Só que por culpa dessa teimosia e raiva, ninguém nunca pode perceber. Se dependesse de mim, vocês até casados já estariam.”
“Tá me dizendo quê EU sou o CULPADO da pulga ficar todo “coisado” como está agora?”
{“Não o culpado por completo mas, um dos que tem a maior parcela de culpa.”} A Dullahan parou de digitar, pensativa.
“Até agora não entendi quase porra nenhuma do que vocês falaram.” Bufou, zangado.
{“Resumindo tudo o que esse traste do meu namorado falou: Izaya te ama. Você AINDA não percebeu porém, o ama também. Ele sofre dessa paixão rejeitada desde que te conheceu quando tinham quinze anos. Talvez, você também só que pensava que era raiva. O único motivo pelo qual transam/transavam era porquê ele queria está com você de alguma forma, e oferecer o corpo foi a maneira mais prática de conseguir isso. Ao descobrir a doença dele, VOCÊ ficou altamente PREOCUPADO, nem adianta negar, e por ISSO, foi atrás dele, como me contou, fazendo-o se DECLARAR graças a uma discussão, agora é a SUA vez de ir lá. ”}
“Vo-vocês querem... espera, cês tão querendo quê eu vá lá naquele vadio e me declare pra ele?” Se levantou da poltrona, alterado.
“Colocando me palavras simples desse jeito, é.” Shinra coçou a nuca, mexendo-se no sofá. “Eeer...” O ex-barman sorriu ferozmente.
“Shinra, eu vou lá fazer isso mas, se você tiver errado e aquele desgraçado só estiver mentindo, eu JURO que te mato.” O jovem médico engoliu em seco, murmurando um “ok” e depois uma oração.
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Fim do FlashBack
Apartamento de Orihara Izaya
Shinjuku
Kanto
Japão.
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“...zu-chan! Shizu-chan! Shizu-chan!” Saiu do seu estupor, virando a cabeça para o lado, encontrando os preocupados olhos vermelho-sangue do informante. Só agora percebera que estava segurando a camisa do seu irmão mais novo, cujo rosto estava inchado de tantos socos que recebera. Vagamente se lembrava de ter recebido alguns golpes também, embora, não sentira nem cócegas.
“Porra, Kasuka.” Soltou o menor, deixando-o cair no chão. “Suma da minha frente. AGORA.” A celebridade nacional se levantou, encarando-o como se a surra que acabara de levar não fosse nada. “E para de me olhar com essa cara de papel-em-branco, seu desgraçado!” Era verdade que doía saber que seu irmãozinho, a quem tanto protegeu, se rebelava contra ele. Jamais perdoaria-se por quase matá-lo de novo, no entanto, o motivo daquela quase tentativa de homicídio poderia ser justificada pelo … pela paixão. (Ou, seria amor?) “Suma da minha frente, Kasuka!” O famoso ator limpou o sangue que escorria dos seus lábios machucados.
“Me diz, Shizuo...” Fitou-o. “Por que me atacou desse jeito? Por causa dele?” Apontou para o moreno que os observava, calado e encolhido no canto. “Por causa de um putinho qualquer?” Os olhos castanhos-escuro se direcionaram para quem estava se referindo, depois para o irmão.
“Ele não é um “putinho qualquer”, Kasuka!” Defendeu.
“E ele é o quê?” Questionou.
“É o cara que amo! Nada mais, nada menos!” Sua voz saiu calma e baixa, porém, decidida e ameaçadora. “Eu o amo! Não deixarei mais ninguém tocar nele além de mim!” O mais jovem dos três não esboçou uma sequer reação, como se esperasse aquela resposta. Já Izaya... seus olhos se arregalaram, o canivete que segurava caiu no chão com um baque surdo, ofegou alto como se acabasse de ver um fantasma, gaguejou um “Shizu-chan” inaudível.
“Se diz...” Virando-se, saiu do apartamento, sem precisar abrir a porta, pois esta estava arrancada do lugar, caminhando lentamente pelo corredor. Talvez, se o mais velho não tivesse lhe dado as costas para atender a um assustado moreno, teria visto o suave sorriso do astro japonês. Dentro do local, os dois inimigos, ou melhor, amantes, se olhavam como se aquela fosse a primeira vez que vissem na vida.
“Shizu-chan...” Começou, hesitante.
“Eu te amo, sua pulga imbecil.” Deu a sentença final, reforçando o que já dissera. O moreno de olhos vermelhos abriu a boca com o intuito de responder mas foi cortado. “Você escutou bem, eu te amo.”
“E-eu...” O loiro o enlaçou pela cintura, beijando-o apaixonadamente sem esperar o que o menor iria dizer. “Mphgf!” Heiwajima rompeu o beijo.
“Cala a boca, Izaya. Você sempre fala merda pra estragar nossos momentos, só que eu não vou deixar dessa vez.” O informante sorriu.
“Ok, protozoário estúpido!” Passou os braços em volta do pescoço do ex-barman, beijando-o ferozmente. “Só... que eu te amo não estraga momento algum.” Sussurrou.
Continua.
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