Bulimia
10 Capítulo 10
Notas iniciais
–----------------------------------
[“Fazer o mundo girar ao contrário pode ser mais fácil do que namorar a pulga. Ou tentar fazê-lo mudar de comportamento. Sabe, por mais que isso seja difícil, não vou desistir.”]
[Heiwajima Shizuo]
[“É a primeira vez que namoro alguém e pra falar a verdade, não é uma boa experiência. Claro que sendo o Shizu-chan meu namorado, as coisas são bem mais complicadas. Estranhamente, estou satisfeito com a situação.”]
[Orihara Izaya]
–--------------------
Apartamento de Orihara Izaya
Shinjuku
Kanto
Japão.
Há três meses, Shinjuku e Ikebukuro, sem saberem, presenciaram o que muitos chamariam de milagre. Ou apocalipse, dependendo do ponto de vista. Os lendários inimigos jurados dos distritos começaram um relacionamento sério. Mais ou menos. Somente os mais próximos dos dois ficaram sabendo deste fato, já que a metade da população ficaria em choque se essa novidade viesse à tona. Mesmo as pessoas que conviveram com eles por anos não conseguiam acreditar que aquilo houvesse acontecido. Sim, Heiwajima Shizuo e Orihara Izaya estavam namorando. Do jeito deles, óbvio.
“Aaah...” O moreno arranhava as costas desnudas do maior, enquanto este distribuía mordidas em seu pescoço. As roupas do informante foram descartadas e repousavam no chão de madeira, algumas estavam em cima de moveis, à medida que o ex-garçom ainda estava com as calças e outros acessórios, como a gravata borboleta e meias. Suas pernas rodeavam a cintura do outro, aproximando-os e roçando as ereções. Mãos acariciavam e arranham as peles, deixando marcas de possessão. “Ngn.. a-assim.. to-toque aí..” Gemia, provocando.
“Você faz muito barulho.” Os lábios, dentes brancos e as línguas se encontraram em um beijo típico, cheio de luxúria e violência. Por mais que o dia estivesse frio, pois era o começo do inverno, seus corpos estavam quentes. E aquele choque de temperaturas os excitava.
“A-ah! Pa-para! Isso machuca, seu estúpido.” Reclamou, rompendo o beijo ao ter o lábio inferior mordido.
“A culpa é sua por ficar me provocando tão cedo.” Se afastou, bufando. “Merda, pulga, são oito horas da manhã! E eu tô atrasado pro trabalho!” Apontou para o relógio digital no criado-mudo.
“E daí?” Izaya sorriu, puxando-o pela gravata desfeita, lambendo o canto da boca onde tinha resquício de saliva. As esferas vermelho-sangue encarando as castanha-claras. “Eu ganho em um dia, o quê você demora um mês para conseguir. Não tem problema em chegar atrasado.” Colocou a mão dentro das calças do namorado, massageando a ereção por cima da cueca vermelha. “Principalmente se o motivo for e-...” Foi interrompido pelo toque da campainha. Os dois olharam para a porta, depois entre si, perguntando-se silenciosamente quem iria atender o visitante. “Não olhe pra mim, Shizu-chan. Eu não vou.” Colocou as mãos frente ao corpo, como defesa. “Estou quase pelado.”
“Você é o dono do apartamento, gênio.”
“E eu com isso? Está praticamente morando aqui, tem toda a autonomia de abrir a porta.” O mais alto se afastou, contrariado. Seu namorado deu uma risadinha maliciosa, comemorando a pequena vitória na discussão. Não queria perder o toque excitante, nem recepcionar uma pessoa com o pau duro. Seja quem fosse, teria que apresentar um bom, não, um ótimo motivo para atrapalha-los tão cedo. “Que-...?” Arregalou os olhos, empalidecendo. “Porra!”
“Hum? O quê est-.;.?” Ergueu o tronco, tentando ver por cima do ombro quem chegara. “Hã? Que descaramento é esse?” Lambeu os lábios secos. “O quê diabos está fazendo aqui?”
“Falando assim parece que não sou bem vindo.” Ironizou, empurrando a porta, entrando sem ser convidado. Quando soube que seu irmão assumiu um relacionamento estável e sério, da forma como queria, após anos e anos, ele abriu o jogo e explicou a razão por trás dos seus atos odiosos. A sua forma de narrar seus pensamentos e ações é que não agradaram. Com sarcasmo, iniciou o dialogo dizendo que sempre sonhara em ser o vilão de algum filme, coisa que infelizmente não acontecia por causa do seu rosto angelical, e que a história recheada de brigas, intrigas e um amor incompreendido que acompanhava desde criança serviam de prato cheio para seus desejos, resolvendo, assim, ser o malvado aos olhos de todos. Deixou claro que há tempos maquinava uma forma de acabar com o mal-entendido dos dois inimigos, mostra-los que se amavam, entretanto, nunca imaginou que entraria logo de cara na pior parte do “filme”, aonde os segredos iam sendo desvendados. Riu-se ao concluir que havia se perdido em algumas partes confusas, graças aos boatos sobre ele — não tão boatos- coisa que foi bem aproveitada como motivo para se aproximar do informante e os fatos que se desenrolavam com mais rapidez do que alguém podia acompanhar. Confessou que antes de colocar tudo em prática, rondara Izaya no intuito de estudá-lo, analisá-lo, conhece-lo, montando um scrip convincente para agir. Mesmo com tudo o que acontecia por fora do planejado, Kasuka, como o bom ator que era e se denominava, ia se adaptando as situações, sendo flexível. No fim, todos contribuíram para seu planinho sem saberem, inclusive Shinra que sacara desde o princípio sua principal razão por trás das aparentes maldades. Passado todo esse besteirol, a paz voltou a reinar na família Heiwajima. Na família, ponto e vírgula. Com o homem a quem maltratara o buraco era mais em baixo. Bem mais em baixo.
“Você não é bem-vindo, Yuhei-kun.” O moreno de orbes vermelha ficou de quatro no sofá, de costas para o menor, tentando alcançar sua blusa em cima do abajur. Empinando a bunda, fingindo ter dificuldades para alcançar o vestuário, só por provocação. “Principalmente em momentos como esse.” Virou o rosto para o lado. “Melhor cair fora.” Soou mais como um gemido abafado do quê com uma ameaça. “Ou encontrou algo que te prende aqui?”
“Não vi nada de legal por aqui, já, já vou pro estúdio de gravação.” Fingiu desinteresse, por mais que seus dedos enquadrassem o traseiro empinado, dando a entender o contrário. Shizuo se postou na sua frente, lhe tampando a visão. “Só passei pra convidá-lo para um jantar na minha casa esta noite.” Se ficou decepcionado pelo ato do mais alto, não demonstrou.
“Jura? E o quê faríamos nesse jantar? Ver a comida escorrendo pela sua garganta tão logo fosse ingerida?” Alfinetou, vestido a blusa negra. No fim das contas, o boato sobre a bulimia do ator era verdadeiro. Muito verdadeiro, por sinal. Comprovado pelo dossiê elaborado por mais de sete pessoas que colocara na cola do cunhado.
“Aham! Eu adoro me divertir apostando corrida com você pra ver quem chega ao banheiro primeiro pra vomitar.” Replicou, cruzando os braços. Quer guerra? Vai ter guerra.
“Você sempre ganha, se torna repetitivo.” Puxou a calça do chão. O celular tocou “Ring Ding Dong – SHINee” anunciando a chamada do empresário do garoto, que desligou, ignorando. Ligasse depois.
“Repetitivo? Quanto? Maior do que as vezes que você vomita por dia?” Escutou um rosnar. “Desculpe, deve ser muitas vezes pra contar, né?” Sua face só transmitia escarnio.
“Quer que eu leve uma escova de dente? Tipo, caso queira ajuda na hora de você fazer.” Encarou o outro, vestindo-se completamente. Orihara aproximou-se do visitante, entregando os óculos lilases do amante. As faíscas voavam na sala. O loiro bufou, recompondo-se também. Preferia mil vezes ser atacado por servos da Saika loucos de amor do quê ter que aturar isso o tempo todo.
“Não, eu providenciarei uma tesourinha para você cortar suas unhas antes de usar os dedos na úvula.” Deu um sorriso torto. “Sabe, pode causar algum corte indesejável.” O celular do astro nacional tocou mais uma vez, sendo ignorado. O maldito empresário que se danasse, estava se divertindo muito.
“Indesejável é esse seu corpo magricelo.” Atacou, sabendo que ambos estavam no mesmo barco quando se tratavam de dá opiniões próprias sobre seus corpos e massa muscular. Pela forma como o rosto jovial do inimigo se transformou em uma careta por segundos, havia conseguido irritar de verdade.
“Posso dizer o mesmo sobre o seu, querido saco de ossos. Ainda não sei como um puto sem carne pra apalpar pode visitar tantas camas diariamente.” Wow, desceram muito baixo no poço. Dali se podia até abraçar a Samara. O dono do apartamento deu uma gargalha maldosa.
“Quer sentir meu canivete no seu pescoço? Garanto que além da comida, você vai ter sangue saindo pela goela!” Soco imaginário. Soco bem no estomago.
“Sangue sai pela minha garganta e esperma entra pela sua.” Chute no rosto. Imaginário.
“Ao menos não é o seu!” Nocaute. “É sério, consigo sentir a lâmina clamando para ser cravada na sua traqueia!”
“Dispenso, por hora.” Deu de ombros. “Encomendei um jantar muito bom pra ser estragado.” Em uma visão poética, podia-se dizer que havia uma disputa entre ânimos iguais, em uma visão real, havia um campo de batalha cheio de corpos no chão. Cada corpo significava uma parte do orgulho e autocontrole deles.
“Nós iremos no jantar, satisfeito?” O cobrador de dívidas interpõe-se entre os combatentes, no intuito de acabar com aquilo. “Agora cai fora, Kasuka. Tenho que trabalhar. A pulga também.” [“Depois de fazer o carrapato terminar o quê começou, óbvio.”] O mais novo afastou-se, voltando para o umbral.
“Oh, claro.” O ator voltou a ter a máscara de inexpressividade na face. “Desculpe interromper, tá bem, Izaya-san? Pensei que putos só trabalhavam a noite, mas, me enganei, não é? Você trabalha em tempo integral?! Ganhar mais dinheiro fazendo isso do quê vendendo informações?” Fechou a porta no momento exato em que o canivete do moreno foi jogado nele. “Só fiz simples perguntas.” Ergueu a voz antes de se retirar. “O jantar é ás oito. Tome seu remédio contra tpm!” [“Eu ainda mato esse filho d-...”]
“Hey! Pra onde você acha que vai?” Seu namorado tinha aberto a porta de novo, estando a um passo de sair do apartamento.
“Trabalhar.”
“E me deixar assim? Sem nenhuma satisfação sexual?” Simulou um tom dengoso, abraçando-o pelas costas. “Esqueça esse seu trabalhinho de merda.”
“Me larga, pulga.” Desvencilhou-se dos braços finos do moreno. “Vou trabalhar. E você trate de terminar o café da manhã, não ache que eu me esqueci disso só por que decidiu transar pra me distrair.” O informante pareceu ofendido. “Coma tudo o que lhe preparei.”
“Você fez muita comida.” Cruzou os braços na frente do peito. “Nunca conseguiria comer aquilo tudo.” O motivo para o amasso no sofá tão fogoso logo pela manhã era esse. Haviam começado o dia discutindo pela mesma razão que se repetia desde quando passaram a morar juntos, a alimentação precária de Orihara. (Yeah, moravam juntos agora, para o desespero de Namie que além de aturar seu algoz excêntrico, tinha que aturar a massa de músculos violenta.)
“Muita comida? Você que come menos que um peixe!” Ralhou.
“Shizu-chan, sempre brigamos pela mesma besteira.” Passou a mão pelos sedosos fios negros, sentindo o começo de uma dor de cabeça. “Você é muiiiito chato! Preferia quando corria atrás de mim querendo me matar, gritando centenas de palavrões. Sinceramente era mais divertido. Não é legal ter você correndo atrás de mim com um prato de comida.” Seu queixo foi erguido por dois dedos, em seguida, um suave beijo foi depositado em seus lábios.
“Eu ainda quero te matar, ok? Por isso cuido de você, afinal, meu sonho seria despedaçado se eu te perdesse para um distúrbio alimentar boboca.” [“Queria te meter um belo par de chifres, quem sabe desistiria de bancar minha babá e voltasse a ser minha bactéria monstruosa favorita.”] Mirou os olhos castanho-claros com traços de uma cor indefinida por trás dos óculos lilases. Era a mesma coisa de avistar de novo as nuvens de poeira que se elevavam do terreno da escola quando corriam feitos loucos, gritando nomes impróprios e arremessando coisas pesadas um no outro. Gostava de imaginar bobagens quando estudava os pequenos detalhes do corpo do maior. Alguns não tão pequenos e que não geravam fantasias tão inocentes também eram estudados com afinco. Colher informações era seu serviço no fim das contas. [“Ah, chifres não combinam com você, agradeça.”]
“Vou tentar comer alguma coisa, ok? Só não me enche mais o saco.” Dando-se por convencido, o fortíssimo de Ikebukuro saiu. [“Protozoário estúpido! Estúpido!”] “Ok, ok, vamos lá tentar engolir aquelas malditas calorias.”
“Pare de ser dramático, nunca vi um café-da-manhã mais light que esse.” A jovem mulher descia pela escada, segurando um espanador e uma cesta com produtos de limpeza. Mostrava a mesma cara e tom de voz entediado. “Nem em um spa.”
“Oh? Você estava aí o tempo todo? Vendo tudo de cima, heim, danadinha? Olha, não quero ver nenhum resquício de fluído vaginal nas minhas coisas.” A ex-farmacêutica grunhiu, rolando os olhos. Céus, que babaca. “Hahahaha, estou muito drama queen hoje, minha querida Namie-san?”
“Você merecia arder no fogo da inquisição por bruxaria, meu caro.”
“Hum? Por quê? Acaso eu te enfeitiço com meu sex-apple?” Piscou.
“Que sex-apple?” Zombou. “Condenar-te-iam no tribunal como invocação mal feita de satanás.” Jogou o espanador nele, acertando-o no ombro. “Agora vá comer! Não sei se aguento mais escutar grito por causa da sua falta de interesse nos alimentos.”
Não houve um dia, depois daquela conturbada semana que se seguiu após a declaração de amor vinda de ambos, que não ocorresse pequenas trocas de xingamentos na hora das refeições. Shinra e Shimon adoravam ressaltar que a preocupação exagerada de Heiwajima era sua forma mais sincera de demonstrar paixão. Paixão minha bunda. A situação era complicada muito antes do relacionamento, agora com aquele filho da puta vinte e quatro horas na sua casa, monitorando sua alimentação, tudo se tornava insuportável. Insuportável e romântico. Torcia o nariz ao admitir. Voltou para a cozinha onde estavam antes de darem um amasso no sofá, sentou-se e com dificuldade devorou a salada de frutas, a xícara de café e duas torradas de pão de forma integral. Tamborilou os dedos na mesa, pensando. Em três meses, engordara cinco quilos, para seu desespero. Seu corpo magro estava ganhando massa corporal rapidamente com aquela nova dieta forçada, montada e recomendada pelo médico oficial do casal. (Se não dependesse pra caramba daquele idiota, já o teria matado e enterrado.) Se livrara do espelho que havia em seu quarto para não olhar a tragédia que estava se tornando. A balança que mantinha no banheiro fora escondida para evitar novas chateações, pois, além das reclamações do namorado sobre sua fixação doentia pelo peso, não conseguia mirar mais os números malditos que aquela porcaria mostrava. Levantou-se, dando o café-da-manhã como encerrado.
“A porta do banheiro está trancada.” Avisou, com certa felicidade, a garota. “A pedido do seu monstro de estimação.” Soltou um Humph, pegou a jaqueta e saiu, ouvindo um aliviado Finalmente. Passeando pelas ruas de Shinjuku, tudo que antes servia para distraí-lo dos pensamentos, estava o irritando. A paisagem, o barulho, os prédios, os veículos, os pássaros... as pessoas(!). Seria efeito daquelas gorduras? Com certeza. Tudo culpa daqueles desgraçados. [“Depois de inúmeros anos sem se importarem comigo, todo mundo decidiu bancar o bom samaritano ao mesmo tempo.”] O celular vibrou, tirando-o das suas maledicências.
/(Número Desconhecido)/
Izaya Orihara.
Nos encontre em Ikebukuro, agora, nas antigas instalações da fábrica de doces abandonada.
O assunto a ser tratado é de extrema importância e sigilo total, por isso necessitamos dos seus serviços.
Sabemos que você as possui, nossas informações.
“Hum? Na fábrica abandonada, né?” Sorriu de canto, ao menos um pouco de serviço e ação iria melhorar seu humor. E pelo conteúdo subliminar da mensagem de texto, aquilo seria muito engraçado. “A caminhada daqui para lá é um pouquinho longa, melhor checar o chat enquanto isso.” Nunca admitiria que sentia saudades dos peculiares conhecidos de Ikebukuro.
–-----------X---------------
Sala de Chat.
*Kanra está on*
Kanra: o/ Bom dia.
Kanra: Nossa, tão cedo e já tem tanta gente, vocês não dormem, é isso?
Setton: Parece de bom humor hoje, Kanra-san.
Saika: Bom dia, Kanra-san.
*Tarou Tanaka está on*
Kanra: Taro, Tano... Tarou, você adora mudar o começo do seu nick, neh?
Tarou: Ah, e-eu... mudo sem querer as vezes.
Tarou: u///u
Tarou: Bom dia, Kanra-san! Nunca mais tinha aparecido por aqui.
Setton: Ela está ocupada com o novo relacionamento. Hahahaha.
Saika: O.o Re-Relacionamento?
Setton: Yeah.
Tarou: Você está namorando? 0=========0
Saika: Co-Com quem?
Kanra: SETTON-SAN! >////
Kanra: Estou namorando. XD Problema? Eu não sou tão chata quanto imaginam.
Kanra: Não vou dizer com quem.
Setton: Não, você é pior do que se imagina.
Setton: Ainda bem que seu namorado cuida de você e da sua alimentação.
Tarou: Hã?
Saika: Hã?²
Saika: Alimentação?
Kanra; Aff. ¬¬
Eu tenho probleminhas com algumas comidas, só isso. Setton-san vive me enchendo o saco. Meu namorado também.
Setton: Sinal de que nós dois nos preocupamos com você.
Kanra: Tanto faz.
Kanra; Olha, cheguei no meu trabalho.
Me desejem sorte, os idiotas que me contrataram estão me vigiando a séculos.
Acho que querem algo a mais do que eu posso oferecer.
HAHAHAHAH.
Bye, Bye be!
*Kanra está off*
Tarou: WUAAAAH, o professor chegou na sala! >__________< Até logo, Setton-san.
*Tarou Tanaka está off.*
Saika: O professor chegou na sala. Até logo, Setton-san.²
*Saika está off*
Setton: No que Kanra foi se meter agora?
*Setton está off.*
A sala de chat está vazia.
–------------X----------------
“Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete.” Suspirou, murmurando para si, observando de longe a silhueta da fábrica abandonada. Piscou, passando as mãos nos cabelos, disfarçando o olhar que lançou a um beco. “Oito.” Fingindo despreocupação, guardou o celular no bolso da calça, cantarolando. Sabia que estava sendo observado antes mesmo de sair de casa, gostava daquele joguinho. Viu uma pequena e quase imperceptível movimentação na parte escura do percurso, parou, puxou o canivete e apontou para frente, sorrindo de forma zombeteira. “Nove? Isso é um comitê de boas vindas? Vocês montaram esse grupinho só para falar comigo? Esperava bem mais sutileza do FBI, sinceramente.” Em poucos segundos uma silhueta um pouco mais alta do que ele ia se formando. “Sequer sabem disfarçar uma ameaça ou a própria identidade.”
“Oh?” Um cara de terno, face inexpressiva, cabelo curto, negro com fios cinzas, aparentando mais de quarenta anos, barba feita e pose imponente o encarava por trás dos óculos de sol. Aquilo só podia significar encrenca. O cara parecia ser chefe de uma divisão. “Como soube?” Izaya arqueou uma sobrancelha, como se a pergunta o ofendesse profundamente. Oito homens apareceram em volta dele, vindos das sombras projetadas pelos prédios do subúrbio. Sentiu um arrepio, percebendo que o palpite estava certo.
“Posso explicar de forma inteligente ou da forma norte-americana?” Sua voz transbordava arrogância, embora seus dedos estivessem gelados com a ansiedade. Shizu-chan farejava seu cheiro, ele, o cheiro da maldade. Com seus anos de prática, aprendera que se queria parecer firme mesmo quando estivesse com medo, deveria agir de forma arrogante para se proteger, para parecer mais intimidante. E também, os norte-americanos não suportavam alguém pior do que eles. Os irritava profundamente. Vendo os rostos mostrando sinais perceptíveis de raiva, deu uma risada seca. “Vocês usaram meu nome do jeito ocidental, a mensagem foi muito formal e os russos me procuraram duas semanas antes utilizando a mesma expressão; sabemos que você as possui, nossas informações. Está fácil de entender ou preciso desenhar?”
“Você gosta de zombar dos outros pelo que percebo.” A voz grossa e carregada de sotaque causou uma sensação ruim no moreno de olhos vermelhos. “Tenho a paciência curta, sabe? Mais uma brincadeirinha dessas e eu não irei perdoar.”
“Concluiu isso sozinho ou um dos brutamontes que servem na sua divisão o ajudou? Aliás, não estou brincand-...” Em um movimento rápido, o agente do FBI virou o menor de costas, imobilizando seus braços, derrubando o canivete no chão, aproximando-se dele em uma velocidade assombrosa. “Wow! Para um velho, você é bem ágil.” [“Que merda! Isso vai dar mais trabalho e demorar mais tempo do que imaginei. Hummmm, ao menos não precisarei ir para o jantar do Kasuka-kun.”)
“E você é bem irritante, minha vontade é te matar a meses, entretanto, suas informações são valiosas demais para o meu país.”
“Eu trabalho para os russos.” Mentiu. O homem que o imobilizava sorriu cruelmente.
“Não trabalha, afinal, negou-se a entregar informações a eles.” Ah, então eles realmente estavam grampeando dois dos seus celulares.
“Eu decido o quê, para quem e por que dou meus conhecimentos, entenda isso.”
“As informações sobre a União Europeia, para o FBI, por que seu namorado está na mira do nosso melhor atirador de elite nesse momento.” O japonês arregalou os olhos.
Continua.
Fale com o autor