Bulimia
11 Capitulo 11
Notas iniciais
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[“Eu tenho medo de te perder.
Eu tenho medo de ser deixado.
Eu não sou bom em conviver.
Mesmo assim, muito obrigado.”]
[Orihara Izaya]
[“Eu tenho medo de te perder.
Eu passei a ter medo de te machucar.
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei como lidar.”]
[Heiwajima Shizuo]
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Antigas instalações da fábrica de doces abandonada
Alguns quarteirões afastada do Centro
Ikebukuro
Kanto
Japão.
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“Eu decido o quê, para quem e por que dou meus conhecimentos, entenda isso.”
“As informações sobre a União Europeia, para o FBI, por que seu namorado está na mira do nosso melhor atirador de elite nesse momento.” O japonês arregalou os olhos, deixando escapar um soluço. Um silêncio de expectativa se instalou no local. De um lado, a equipe de investigação observava atentamente a figura magra e pálida, do outro, apenas soluços baixos.
“Atirador de elite? Sério isso? Pffff...” Os soluços se transformaram em risadinhas. “Atirador de elite?” Gargalhou de forma escandalosa, debochando do oficial. Ou esses norte-americanos eram muito burros, ou estavam sem criatividade. As duas teorias poderiam está certas. Enfim, ameaça-lo já era idiotice, mas, ameaça-lo com aquilo?! Ultrapassava até os limites da burrice. Não havia palavra que descrevesse. “Vocês estão de brincadeira comigo?! Podem atirar, não vai fazer estrago nenhum! Aquele monstro é feito de titânio!” Na verdade, o outro não parecia surpreso, provavelmente por que já os monitorava antes mesmo dos russos entrarem na jogada. Na verdade, o moreno de olhos vermelhos suspeitava que os dados sobre a União Europeia que estavam à procura não passava de uma desculpa usada de forma legal, ou seja, em nome da “Segurança dos Estados Unidos da América”, para uma aproximação. Agora, por quê? “Não acredito que desconheciam tal fato!”
“Nós já sabíamos. Não importa os tipos de armas de fogo que sejam utilizadas, nunca funcionam efetivamente com Shizuo Heiwajima. Por isso, decid-...”
“Estamos no Japão, por favor, não use os nomes na ordem ocidental, é tão estranho. ” Interrompeu, usando um tom de voz falsamente sério. Balançou a cabeça negativamente em desaprovação. “E, uau, pra conseguirem esse grande pedaço de informação, foram buscar que fontes? As pessoas que já tentaram matar aquela desgraça de livre e espontânea vontade? Ou, quem sabe os caras que eu já contratei? Não sei, está muito incompleto, você mandou seus subordinados irem perguntando para os transeuntes?” O aperto se tornou mais forte, ele foi empurrado para frente, pressionado contra a parede. Oba! Seu captor estava perdendo a paciência com as provocações. “Armas de fogo nunca irão matar o fortíssimo desse distrito, só digo isso.” O moreno mais velho riu baixo perto da sua orelha.
“Muito bem colocado, Orihara Izaya. Como eu disse anteriormente, armas de fogo. Por isso decidimos experimentar outra coisa, algo diferente de tudo que você já tentou. Uma arma bem especial, feita exclusivamente para Heiwajima Shizuo.” A malicia na fala causou um desconforto quase imperceptível em Izaya. Aquilo não cheirava bem. Mesmo quando se gosta de molho de pimenta, não se deve exagerar na quantidade colocada em cima das batatas, pode fazer mal e até matar. Era a mesma coisa com a sede de adrenalina que o informante possuía. A adrenalina causada por níveis altos de perigo era seu vício, entretanto, naquele momento, sabia que estava no limiar entre o perigo controlável e o mortal. Tratar daquela situação necessitava cautela. [“Preciso sair daqui o quanto antes. Não estou gostando da direção que essa conversa está tomando.”]
“Feita só para o Shizu-chan? Jura?!” Fingiu-se de desinteressado. “Devem ter passado meses desenvolvendo essa coisa.” Sorriu. “Quer me contar logo ou vai continuar fazendo suspense? Não posso ficar perdendo tempo.” Enquanto enrolava, seus olhos esquadrinhavam todos os ângulos do local. Conhecia Ikabukuro como ninguém, especialmente as áreas isoladas como aquela, se conseguisse descobrir uma rota de fuga, poderia colocar seu plano em ação. Os homens estoicos apontavam revolveres em sua direção, prontos para qualquer movimento suspeito. Tsc, esses filhos da mãe poderiam ser despistados fácil, fácil, agora, o chefe deles não. Era o moreno mais velho que lhe causava preocupação. [“Esse cara é ágil, só que não tem muita força, diferente do Shizu-chan, que transborda força e não tem agilidade. Escapar dessa posição irritante vai ser mole, meu problema são os reflexos dele. Merda! Preciso de uma brecha! Tudo de quê preciso é uma brecha! Tenho que arranjar ideias para distraí-lo.”] “Aaah! Entendi! É um blefe.”
“Não é um blefe. Por favor, nunca nos subestime, não sabe do que somos capazes. Além disso, fui interrompido anteriormente antes que pudesse complementar. ” O mais velho respondeu arrogantemente.
“Se quisesse falar mesmo sobre essa porcaria especial que criaram, não estaria explicando os contratempos.” Houve um farfalhar e cliques. Desdenhou, deliciando-se com uma quase imperceptível demonstração de frustração das pessoas ao redor. Ah-ah, não iriam assustá-lo. Virou a cabeça para o lado, encarando sua única saída. O caminho por qual veio. Para sua sorte, a fábrica não era afastada da área de movimentada, então, assim que saísse das instalações, poderia se misturar com o povo, e tan-dã, sumiria da vista dos oficiais malditos. O atirador de elite não teria chance contra o loiro, tendo um ás na manga ou não, melhor deixar pra lá aquela sensação de vazio no estomago. Seu não-humano favorito ficaria bem.
“Parece que alguém aqui está bem ansioso para saber de quê forma o namorado vai morrer.”
“Tipo isso.” Deu de ombros, dando um sorriso maroto. “Sempre desejei mata-lo e tal. Coisa de inimigos mortais. Saber que o FBI tem algo que pode realizar esse desejo me deixa em estado de euforia. Inveja, até. Infelizmente não posso fazer minha dancinha da vitória, um bruto norte-americano está me prensando contra a parede.”
“Deixarei que faça sua dancinha da vitória assim que nos entregar o quê viemos pegar. Ou assim que o nosso alvo for acertado e derrubado graças ao dardo especial que contém a substância química que irá destruir alguns dos seus órgãos vitais em questão de segundos. A escolha é sua, afinal.” Dessa vez, a reação de medo não foi simulada. A revelação deixou-o paralisado. Arregalou os olhos em horror, o coração falhou uma batida, a respiração ficou pesada, a saliva pareceu secar dentro da boca. Sua máscara de falsa indiferença e ousadia caiu por terra devido ao choque. Não podia ser! Não podia! Não podia! Sentiu o chão ruir sob seus pés, deixando-o perdido em um mar de pensamentos turbulentos que não levavam a lugar nenhum. Agora não precisava só fugir, precisava localizar e acabar com a ameaça também. Merda. Shizuo já sobrevivera a tiro, facada, porrada, pancada e nada, nada mesmo, de sofrer danos permanentes. Entretanto, ele nunca fora atingido por uma arma química e não se sabia os efeitos dela em seu corpo monstruosos e sendo sincero, o informante não gostaria de descobrir. (Não naquele momento, não por causa daquelas pessoas.) A onda sufocante de temor pareceu durar uma eternidade e não apenas quatro segundos. Lambeu os lábios secos, forçando um sorriso.
“Dá pra soltar meus braços?! Preciso bater palmas, sério. Olha, devo admitir que foi surpreendente! Depois de acabar com essa palhaçada, irei rever meus conceitos sobre a burrice aparente do FBI, prometo.” Poderia está assustado, mas não daria o gosto da vitória ao inimigo. [“Porra, se eu não conseguir salvar aquele protozoário...! Hã?! No quê demônios estou pensando? Por que estou tão preocupado? Não era meu sonho me livrar daquele oxigenado escroto? Bom, ainda tem a chance de não acontecer nada. Rá-Rá, a quem penso e tento enganar? Com certeza esse ás na manga vai ser prejudicial ao Shizu-chan. Eu não posso deixa-lo morrer. Não pelas mãos de outros.”] Enfrentando o monologo interno, suspirou dramaticamente. “Situações drásticas, pedem medidas drásticas.”
Centro
Ikebukuro
Kanto
Japão.
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Heiwajima Shizuo odiava a violência. (Não importa o quanto aquilo soasse irônico até em seus próprios ouvidos) Odiava-a com todas as fibras do seu ser, odiava-a por não conseguir controla-la, odiava-a devido ao medo que ela metia nos outros e em si mesmo, odiava-a por que ela era odiável. A violência foi, e ainda é, em parte, talvez 49%, a razão de todos os problemas em sua vida. O responsável pelos outros 51% era seu inimigo mortal e atual namorado. (O primeiro, provavelmente, o único)
“Você parece distante, pensativo. O que foi? Teve problemas com ele novamente? Ou são aquelas dúvidas sobre namoro que já debatemos? Te vendo melhor, posso dizer que deve está refletindo sobre sua vida. Tem feito muito isso ultimamente.” Tom cortou sua linha de pensamento. Os dois estavam sentados no banco da praça, observando o movimento, curtindo uma manhã tranquila enquanto esperavam a hora de emboscar um devedor.
“É assim tão óbvio?" O loiro soltou uma baforada, sentindo a toxina amargar em sua boca. Fumar lhe servia como uma terapia, uma espécie de relaxamento, clareava sua mente. Entretanto, o vício vinha diminuindo consideravelmente nos últimos meses. A razão? O informante de Shinjuku e seus melodramas. O maldito não lhe deixava em paz, vivia reclamando sobre o gosto ruim que ficava em sua boca após se beijarem e o cheiro enjoativo das roupas do maior devido ao cigarro, então para evitar estresse e agradar o outro, estava parando aos poucos com a compulsão. Passou a língua nos lábios secos, suprimindo a vontade de rir da ironia que acabara de perceber, estava mudando seu comportamento por uma pessoa que não mudava o próprio por ele. Aliás, a ironia maior se dava pelo fato de que ninguém nunca imaginaria que ele, o monstro do distrito, cederia aos caprichos de Izaya.
“Nem tanto.” O mulato deu de ombros, sorrindo. “Porém, tenho experiência o suficiente para conseguir ler suas expressões.” Verdade seja dita, Tanaka conseguia lê-lo bem. Tanto é que antes do mais novo tomar coragem de contá-lo sobre a evolução do bromance que mantinha com o moreno de olhos vermelhos desde a época da escola, o mais velho o enchera de perguntas por notá-lo diferente do usual e acabara por descobrir todo o resto sozinho.
“É, eu sei.” O ex-barman tragou o novamente. “Mesmo que não sejam apenas essas coisas que citou aí, Tom-senpai acertou grande parte. ”
“Não é melhor me falar sobre isso? Quem sabe não posso ajudá-lo?”
“Quero mais que aquele desgraçado cheio de frescura se exploda, isso sim! ” Resmungou baixo, deixando a fumaça escapar pelos lábios. Não queria expor seus pensamentos, sentia-se envergonhado de alguns sonhos e devaneios que vez ou outra decidiam aparecer. “Mas, sei lá, acho que depois de tudo que passamos juntos, não quero tanto assim que ele morra. Se nós pudéssemos... ficar mais próximos, eu acho que, que, bem, que nossa relação se tornaria melhor. “
“Uau, declaração linda, bonita mesmo! Heiwajima Shizuo, sinto te dizer HAHAHAHAHA. Tudo bem, conte-me os problemas e as razões que te fizeram mudar de opinião, sou todo ouvidos.”
“Os problemas são as mesmas bobagens de sempre. Começamos o dia em paz e acabamos em guerra. Izaya me provoca até que eu perca a paciência, discutimos, tentamos nos matar, acabamos envolvendo algo sexual no meio e... ” Parou, olhando para o céu nublado e cinzento da cidade. [“Vai chover em breve.”] Seu cérebro avisou aleatoriamente. “E, bom, eu...”
“Você?” Tom se encontrava mais do que preocupado com o seu kouhai, havia alguma coisa diferente na atmosfera daquele dia. O clima frio e chuvoso nada tinha a ver, podia afirmar, a sensação de distúrbio se concentrava mais na aura em volta do rapaz. Quando as tímidas mudanças que vinham ocorrendo durante os últimos três meses começavam a se mostrar, significava que a situação era dificultosa, insuportável. Um quê de constante preocupação, o celular sendo checado a cada seis minutos atrás de novas mensagens, uma responsabilidade incrível, o estresse (oh, surpresa) diminuído, a introspeção quase extinta, esses detalhes que melhorarama personalidade de Shizuo, cujo único responsável por isso estava em algum lugar de Ikebukuro acabando com a vida de alguém, apontavam que de algum jeito o namoro entre as lendas do lugar contribuíram para um bem maior. No entanto, ainda existiam coisas a serem consertadas.
“Sabe, acho que não importa o quão perto estamos, sempre haverá um clima frio e de desconfiança entre nós.” Como isso, o mais velho pensou.
“Lembro-me que na adolescência, costumávamos muito falar de possíveis encontros ideias, passeios, vida amorosa, primeiro beijo e tal. Você sente falta do romantismo que essa relação não tem, não é? ”
“Não sinto falta de uma coisa que eu já sabia que não conseguiria mantendo uma relação com ele, o quê sinto é inveja dos outros casais que sempre parecem felizes, andando de mãos dadas, comemorando em restaurantes datas significativas, se beijando e abraçando por simples afeto.” Jogou o cigarro no chão, esmagando-o com o pé. “Porra, nunca falei tanta merda numa frase só.” Murmurou, mirando fixamente as pedras da praça. Tanaka conhecia superficialmente os sentimentos do rapaz, embora o pouco que conhecia era suficiente para deduzir o tamanho e a profundidade do abismo que permanecia entre os ex-inimigos. Não importa quanto demorasse, teria que fazer o abismo desaparecer, não pelo bem do moreno de olhos vermelhos, mas pelo homem de olhos castanhos ao seu lado.
“Nunca pensou em propor nada? Acho que seria engraçado presenciar um encontro entre vocês. Em Ikebukuro e Shinjuku seria considerado um evento histórico, declarariam feriado.”
“Izaya nunca aceitaria fazer algo vagamente afetivo comigo. Já conversamos sobre isso uma vez, infelizmente não chegamos a um consenso. Fiquei furioso quando o maldito me disse que a minha impaciência e força bruta atrapalhariam o momento. Meu rabo! Quem estragaria tudo seria ele!” O jovem rosnou, cerrando os punhos. “Estragaria tudo com seus joguinhos mentais imbecis e insensibilidade.”
“Insensibilidade? Insensibilidade com o quê? Com o mundo, com você?” O cobrador de dívidas ficou quieto, olhando para longe na tentativa de disfarçar a sombra de vermelho que tingia suas bochechas. [“Oh-oh! Shizuo está mais apaixonado do que imaginei.”] Observava o outro se mexer no lugar, parecendo bastante desconfortável com o assunto, não, não com o assunto, era outra coisa, ninguém olharia para vários cantos como se buscasse Deus-sabe-o-quê só por vergonha. Ah, o kouhai de cabelo tingido pressentira ameaças ao redor. Heiwajima já comentara que seu namorado zombava vez ou outra sobre seus instintos de “caça”, referindo-se a eles como “sentidos de cachorro” ou “radar monstro”. (Interessante frisar que esse instinto só se manifestava quando o par corria perigo. Geralmente 2-3 por semana.)
“O quê foi?” Olhou na mesma direção quando o amigo fixou a mirada, querendo descobrir o que alertara o amigo.
“Não sei. Me sinto vigiado e tenho certeza que não é nenhum dos subordinados do Izaya.” Murmurou, levantando-se do banco e colocando as mãos nos bolsos. Fazia um bom tempo que o ex-garçom estava incomodado com a suspeita de ser seguido, desde que saíra de casa naquela manhã. Opa! N-não de casa! Do apartamento da praga! Ele saíra do apartamento da praga e o apartamento da praga DEFINITIVAMENTE NÃO era sua casa! (Apenas ignorava o fato de que passava mais horas lá do que no seu próprio lar) Enfim, quem quer que fosse o engraçadinho que estava de olho, iria levar uma surra se o irritasse demais. “Tom-senpai, vamos sair daqui.”
“Hã? Ah, ok.”
No segundo andar de um restaurante qualquer
Centro
Ikebukuro
Kanto
Japão
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“Ele nos percebeu?” O homem de pele morena indagou, encarando a parceira com visível descrença. Ambos observaram o alvo sair junto com o colega de trabalho. Ela arqueou uma sobrancelha em resposta, revirando os olhos como quem diz fala sério. Guardou na bolsa o aparelho considerado o ás da missão, tendo o cuidado de coloca-lo de forma que não quebrasse, retirou a quantia certa que tinha pagar. Ajeitou o vestido cinza, limpou os óculos de grau falsos com um lencinho, pois começara a serenar, e penteou os cabelos ondulados cor-de-chocolate com os dedos. Chamaram o garçom e pediram a conta.
“Se percebeu ou não, pouco importa, não é como se isso fosse mudar alguma coisa. Nosso trabalho é não perde-lo de vista, simples assim. Venha, não podemos deixa-lo se misturar com a multidão.” Colocou o dinheiro nas mãos do jovem que lhes atendeu. Se levantaram juntos, se dirigindo as escadas.
“É meio difícil perder um cara como Heiwajima Shizuo de vista, só pra constar. Não por que é mais alto do que a maioria do japoneses, ou por que é loiro, ou por que se veste como um barman em plena luz do dia, e sim, por causa do jeito dele. ” A outra soltou uma risada baixa, zombando. O agente deu de ombros, checando as horas no relógio de pulso. “É bem chamativo.”
“Ah, tá.” Sorriu. “Eu achei que era difícil por outros motivos. Enfim, tanto faz, é só seguir a trilha de placas de trânsito arrancadas, máquinas de venda-automática e de violência para encontra-lo.” Desceram rapidamente, afinal era apenas o segundo andar, não era tão alto. Localizaram os cobradores e passaram a segui-los.
“É, tem esse método também.” Admitiu, bufando baixo. Foram caminhando pela calçada a uma distância segura da futura vítima, fingindo serem turistas para despistar. Andavam de mãos dadas, tiravam fotos com os celulares e davam ataques com as coisas ligeiramente bizarras que se pode encontrar nas ruas japonesas. Missões a paisana eram fáceis, na opinião deles, já que a pessoa que seria atacada não sabia até o último minuto. O sereno aumentou a intensidade, as nuvens verteram pingos mais grossos e pesados.
“Que bosta! Está chovendo água.” A agente de cabelos ondulados aparou as gotas com a mão, olhando para o céu. “Essa chuva pode comprometer nosso trabalho.”
“É óbvio que está chovendo água, você já viu chover cavalos, Sarah?” Riu sarcástico.
“Se chovesse, gostaria que um caísse em cima da sua cabeça, Machiavell.” Respondeu em um tom doce-venenoso. Era pura ironia do chefe coloca-los na mesma missão juntos. Aliás, ironia não, aquela escolha era uma brincadeira de mal gosto que resolveram fazer. Machiavell, pele bronzeada e cabelos pretos, usando uma calça jeans cinza, uma blusa branca de mangas curtas e um tênis de marca qualquer, não fazia jus ao apelido damn psycho que ganhara no serviço de interrogador de suspeitos. Sarah também não estava atrás no quesito não-parece-o-que-é, de vestido cinza, sandália e bolsa vermelha, tendo os cabelos ondulados cor-de-chocolate que encostavam nos ombros soltos em um penteado bem-arrumado e óculos de grau falso, jamais poderia ser apontada como technical death, apelido que ganhara sendo uma cracker bem-sucedida e uma ótima atiradora. Quando realizavam algo juntos recebiam o nome de Murderers and Destroyers, não pelo conteúdo de seus deveres, e sim pelo temperamento de ambos que causavam isso aonde fossem em par. Bom, talvez fosse o motivo de terem sido designados para tal atividade. O homem abriu a boca para dar uma resposta ofensiva quando o celular tocou, atendeu sem precisar olhar o número para saber quem é. Na ligação, uma voz rouca e fria ordenou:
“//Matem-no//”
Continua.
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