Notas iniciais
N/A: Nossa, fiquei surpresa com a polêmica que se gerou entre alguns leitores no último capitulo, ou melhor dizendo, a polêmica que se gerou por causa da minha demora no último capitulo. Estou pensando em anexar uma explicação depois como justificativa, adianto logo que além dos problemas pessoais, tive que formatar meu notebook e acabei perdendo todos os rascunhos e capítulos feitos, por que o meu pen-drive com o backup sumiu. Foram meses de merda. Muitos dizem que não me comunico com vocês ou respondo comentários, peço desculpas e que não pensem que é arrogância, mas falta do que falar, vocês são tão maravilhosos que me deixam sem saber como responder. É, sou assim, gosto de elogiar, mas não sei o quê fazer quando sou elogiada. Espero que entendam de coração o quando amo todos que acompanham a história mesmo tendo seus altos e baixos. A verdade é que tento melhorar a cada capitulo, sério. (Muitas vezes escrevo com livros de português/gramática ao meu lado e mesmo assim erro pra caramba!) Sobre a fanfic e seu desenvolvimento... Bom, explicar tudo desde o começo vai estender mais essa nota, vou direito ao ponto, “Bulimia” é um retrato abstrato da minha vida, já que começou com um pequeno diário virtual modificado, então não fiquem chocados ou achem que é “exibicionismo” da minha parte aparecer. Credo! Não vou viver um romance torrencial com a porra de algum personagem principal, ou secundário, só quero chegar ao ponto de fazer aqueles dois ficarem juntos definitivamente! Dois capítulos de aparição pra tampar buraco! Acabou minha aparição, nada mais nada menos. Aham, estamos chegando ao fim e pensar nisso me dói, entretanto desde o primeiro capitulo da primeira edição (essa é a segunda edição “revisada”) a história está com um foco e mudar isso de última hora não seria legal. Acredito que vou surpreender a todos com o final triste. BWAUAHUAHUAHAUHAHEUBEBWIESIWQHIEHIHWBEUEUHEUHEUHE. Não sou má, ok? É só minha natureza. Quem quiser mais detalhes, por que sinto que ainda não satisfiz vocês, entrem em contato comigo na DDUF (Devaneios de uma Fujoshi). Beijos da Sarah-sensei.

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[“Nós somos humanos. Ainda estou chocado em descobrir isso.”]
[Heiwajima Shizuo]

[“Eles são humanos. Nunca perceberam isso.”]
[Kishitani Shinra]

[“Nós somos humanos. Estou chateado com isso.
Muito, muito chateado com isso.”]
[Orihara Izaya]
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Apartamento de Kishitani Shinra

Ikebukuro

Kanto

Japão.

– DING ~DONG -

“Já estou indo! Já estou indo!” Sendo honesto, ele não havia nem se movido do lugar ainda. Nem estava com vontade. O incessante toque em sua campainha já deixava claro que o assunto era sério, embora não fosse motivo suficiente para fazê-lo correr até lá e abrir a porta. Tomou um gole de café, engolindo o líquido quente enquanto caminhava mais lentamente possível. Fazia pouco tempo que acordara, sonolência o definia. Pegou as chaves, entretanto, antes que pudesse fazer mais alguma coisa, a porta foi aberta com um chute violento, quase o derrubando no processo. “Hã?! Mas que porr-... No quê diabos vocês se meteram dessa vez?” Sufocou o susto com uma expressão de repreensão, balançando a cabeça negativamente. O casal estava ensanguentado, se apoiando na parede de tão fracos. Examinou-os de cima a baixo, suspirando aliviado por perceber que 60% do sangue não pertencia a eles, por mais que estivessem cobertos de arranhões e hematomas. “No. Que. Vocês. Se. Metera. Dessa. Vez?” O moreno deu um sorriso –quase– sem graça, abrindo a boca para responder, sendo cortado por um grunhido.

“Tsc, não seria melhor perguntar no que ele se meteu e me arrastou junto?” O loiro resmungou, segurando o namorado (uau, ainda era surreal usar aquela referência) com firmeza pela cintura. O médico subterrâneo riu baixo. [“É sempre assim.”]

“Tudo bem, reformulando a pergunta, Izaya no que você se meteu dessa vez?” Afastou-se para dar passagem aos dois homens feridos. Guio-os direto para o sofá, onde sentaram, ou melhor, desabaram. Ao passarem por ele, o ex-colega de escola aguçou a visão, sentindo uma imensa vontade de dar tapas nos dois. Somente Izaya estava com hematomas e arranhões, Shizuo levara dois tiros, um nas costas e outro na perna. [“Ok, esse casalzinho tem uma longa explicação a me dá.”] Vagamente o dono do apartamento percebeu que o maior continuou com o braço em volta do menor, segurando-o perto de forma protetora, mas preferiu ficar quieto, o momento era raro e até bonitinho. Foi até o armário onde guardava alguns dos materiais de trabalho, pegou o necessário para cuidar dos amigos, colocou-os sobre a mesinha de centro e esperou a explicação que deveria seguir o implícito pedido de ajuda. “Sério, o quê aconteceu?” Curiosidade o corroía, sabia que uma história interessante se escondia por trás de cada machucado.

“Não aconteceu nada demais.” O informante deu de ombros. “Não me olhe com essa cara, um pequeno acidente no trabalho por conta de uma coisa mal calculada, acontece.”

“Só posso te olhar com essa cara já que só tenho ela, se quiser me arranjar uma máscara, fique a vontade.” Cruzou os braços. “Agora conte-me os detalhes desse pequeno acidente, fiquei interessado.” O outro se remexeu, olhando para um ponto distante, fingindo não ter escutado, era óbvio que não queria falar. [“Tem alguma coisa fedendo por aqui, ele nunca hesitou em contar das besteiras perigosas que fez. Algo grave aconteceu com os dois, mesmo Shizuo parece frustrado. Interessante.”] “Pare de ser chato, te fiz uma pergunta! O mínimo que tem que fazer é me dar uma resposta.”

“Eu não quero dar a resposta.”

“Ora, não é o seu trabalho fornecer informações?”

“O quanto você pagaria pelos meus serviços?”

“O quanto você precisa dos meus serviços?”

“Não precisava jogar tão baixo! Ok, ok, vamos lá contar como sua namorada nos salvou da morte iminente. ”

“Celty?!” Arregalou os olhos, surpreso. Orihara bufou.

“Você namora mais alguém? Namora mais uma mulher sobrenatural sem cabeça que anda de moto pelas ruas de Ikebukuro fazendo entregas e buscando sua cabeça perdida? Não?! É, então, é a Celty. Entretanto, se estiver traindo-a com outra mulher que se encaixe nas descrições, por favor, me avise.”

“Só fui pego de surpresa, não seja tão sarcástico.”

“Continuan-... Ah, olha, falando no diabo, parece que invocamos um!” A Dullahan acabara de passar pela porta com passos pesados, digitando no PDA furiosamente, sua linguagem corporal gritava fúria. Ignorou o caloroso “Oi, amor!”, indo até os pacientes, colocando o aparelho frente aos seus rostos, quase fazendo o objeto se fundir com os narizes deles.

{“Primeiro, existe uma diferença enorme entre o quê você é e o quê eu sou, Izaya. Segundo delicadamente gostaria de frisar que... VOCÊS PODERIAM TER MORRIDO! VOCÊS TEM IDEIA DE COMO AQUELES TRÊS ERAM PERIGOSOS?!”} Digitou mais um pouco. {“ELES ERAM PERIGOSOS! MUITO PERIGOSOS! Ò.Ó”}

“Eles? Eles? Quem são esses eles, amor?”

{“O QUE ACHAM QUE PODERIA TER GANHADO PROVOCANDO OS TRÊS DAQUELA FORMA? VOCÊS NÃO TEM NOÇÃO DO PERIGO QUE ESTAVAM CORRENDO OU ALGO DO TIPO? Ò.Ó”}

“Eu sei! Foi tão legal! Me diverti com aquele pessoal!” Uma aura escura se instalou na sala, deixando o ar sufocado. Celty quase tremia de raiva, suas sombras se agitavam formando chicotes, assustando o melhor amigo e o namorado, mas não tendo efeito nenhum sobre o morador de Shinjuku. Ela não iria mata-lo. Não na frente do seu adorável monstro que lhe era tão caro, não quando ela se mostrava tão preocupada.

“Hã? Alguém pode me explicar o quê está acontecendo aqui?”

{“Escuta aqui, meu querido, se ninguém houvesse aparecido naquela hora, você estaria morto. U.Ú”}

“Não é pra tanto, meu doce! Sei me defender!” Haviam faíscas voando pela sala dos olhos vermelhos. Metafóricas faíscas mortais voando pela sala. “Além disso, não estava tão mal assim.”

{“É PRA TANTO SIM! ESTAVA SIM! ADMITA! OS DESGRAÇADOS DO FBI IAM CONSE-...”} Ela foi interrompida enquanto digitava por um alto “EI!”.

“Ótimo, me deram atenção.” O homem de óculos bateu o pé no chão, impaciente. “Repetindo, alguém pode me dizer claramente o quê está acontecendo aqui? Não estou entendendo nada!”

“Eu explico essa merda pra você, Shinra. Cale a boca e me escute, beleza?” Todos se voltaram para o aclamado monstro de Ikebukuro. Shizuo tinha a cabeça apoiada no ombro do menor agora, nem se incomodando com a expressão ofendida do mesmo. “Já estou de saco cheio da porra dessa discussão de merda.”

“Hum, tá.” O amigo de longa data sorriu de satisfação. “Conte-me.” Ajoelhou-se na frente do morador de Shinjuku para cuidar dos seus ferimentos. “Pode ir contando em quanto cuido desses cortes aqui.” Pegou o álcool e molhou o algodão nele, deixando o resto dos materiais sobre a mesa de centro.

~/ FlashBack On/ ~

Centro

Ikebukuro
Kanto

Japão

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O chuvisco cessou rápido, dando lugar novamente há um reles sereno que não incomodava. Para distrair o mais novo das preocupações amorosas que pareciam ter decidido permanecer, Tom lembrou-o que deveriam procurar logo o devedor ou não folgariam no próximo dia. Shizuo estava desejando aquela folga há um tempo, então jogou as dúvidas idiotas pra lá no intuito de se dedicar a tarefa de caçar o vagabundo daquele dia. Depois iria tomar alguma providência em forma de ação. Não fazia seu estilo ficar usando neurônios, estava acostumado a resolver por impulso.

“Ora, ora, estamos com sorte! Hahahaha! Nosso cara está bem alí.” Apontou para um homem na casa dos trinta, encostado na parede de uma loja, a barba por fazer, usava um paletó meio-sujo, tinha cara de quem acabara de sair de um bar, xavecava algumas meninas descaradamente. Sem dúvidas o alvo do dia. O loiro suspirou.

“Lá vam-...” Parou no meio do caminho, tenso, pois havia captado o cheiro familiar da pulga. Ou melhor, do sangue dele. “Espere, Tom-senpai.” Respirou fundo tentando sentir o odor de novo, o cheiro estava meio fraco da primeira vez pra julgar alguma coisa, provavelmente o dono se encontrava longe. Droga! Aquele parasita maldito só podia ter se metido em encrenca. “Tsk...”De novo.Como sempre.

“O quê foi?”

“O verme está em Ikebukuro, sangrando em algum lugar.” Tentou parecer o mais despreocupado possível. Uma parte dele dizia: Não vá atrás, não vale a pena, o desgraçado sempre se safa das coisas que faz; A outra, com menos empenho, dizia: Raramente o sangue dele é envolvido, só quando dá algo errado, é bom investigar. Encontrava-se em dúvida, não sabia qual das alternativas escolher, nem o quê fazer. E se largasse o trabalho para checar? E se não fosse algo grave? E se fosse? E se ele não fosse checar e acontecesse algo grave? E se fosse alarme falso?

Que dor de cabeça chata
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Eram tantos – E se – em sua mente
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E aquela vontade louca de descobrir o que estava acontecendo
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Era muito mais chata do que a dor de cabeça.
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Por que estava querendo desesperadamente ajudar o cara que até alguns meses atrás não significava nada menos do que uma maldição em sua vida?
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Desde quando Shizuo se preocupava tanto? Que sentimentos eram aqueles?

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Doía pensar demais.

“Tem certeza?”

“Não.”

“Posso cuidar do bêbado sozinho, pode ir procura-lo se quiser.” O ex-colega de escola ofereceu, sabendo que o mais novo queria ir. Preocupação transbordava dos olhos castanhos que procuravam nervosos o foco do odor metálico. Desde que começaram a namorar, Heiwajima passou a demonstrar uma faceta mais humana, assim como Orihara. Não fugiram do personagem nessa nova parte do script, óbvio, ainda brigavam como cão e gato pelas ruas da cidade, destruindo coisas, infernizando pessoas. Mantinham a complicada relação em segredo por outros motivos além de não quererem que ninguém descobrisse, orgulho no meio, entretanto também um trato silencioso de proteção. O informante sabia bem que a força sobre-humana de Shizuo poderia ser contida por armadilhas inteligentes, armadilhas que utilizassem o emocional e o mental do alvo, buscando Kasuka, Tom e até ele como iscas, coisa que muitos dos seus inimigos sabiam usar com maestria, assim como sabia que sua inteligência, ego, estratégias e aparente autoconfiança poderiam ser abalados se os mesmos inimigos usassem as mesmas armadilhas envolvendo o ex-barman. Escondendo aquela preciosa informação, o morador de Shinjuku protegia conscientemente a pessoa que amava e a si mesmo. Soaria romântico se fosse uma proteção honesta e aberta. O homem de olhos vermelhos fazia o amante pensar mil e uma coisas erradas referentes à razão do segredo, perturbando-o constantemente. (Tanaka passou algumas semanas refletindo com paciência para chegar aquela conclusão, duvidava que o colega de trabalho fizesse o mesmo.)

“Tom-senpai...”

“Vai ser fácil dar conta desse carinha. E você odeia fazer isso, veja como um favor.” O moreno deu de ombros. “Pode ir atrás da sua pulga, veja se ele está bem ou não.”

“Hmmm... Se não tiver acontecido porra nenhuma, aquela praga ficará rindo de mim.” Murmurou baixinho, colocando as mãos no bolso. “Tsc, não estou com saco pra aturar aquelas palhaçadas. Vou acabar dando uma surra nele.” Trincou os dentes.

“Essa cidade parece muito calma nas últimas semanas, estou começado a pensar que estamos em um mundo paralelo. Pela primeira vez, seria bom agitar as coisas.” Sorriram um para o outro. O kouhai balançou a cabeça e se despediu, seguindo o cheiro “ruim”, já o senpai foi na direção oposta, indo atrás do bêbado devedor. Talvez se o homem vestido de garçom tivesse prestado o mínimo de atenção, teria percebido o estranho casal de turistas que passou a segui-lo de perto. Talvez se tivesse se lembrado de convidar o senpai para o jantar marcado com o irmão e tivesse olhado para trás, poderia ter visto o estranho e suspeito aparelhinho que a mulher segurava enquanto se aproximava dele. Talvez se tivesse virado a tempo, poderia ter visto o que lhe atingiu.

~/ FlashBack Pause/ ~

“Desse ponto em diante tudo ficou meio embaçado.” O cobrador de dívidas deu de ombros, dando a entender que a sua história tinha terminado. Shinra gemeu em frustração. “Que foi?”

“Como você começa uma história se não vai terminar? Isso é muito... muito... frustrante! E idiota.” O informante riu com o desespero do médico. Como vingança, Kishitani pressionou o algodão embebido em álcool num corte mais profundo, fazendo o paciente estremecer. “Não ria, Izaya! Estou curioso para saber o desenrolar dos fatos e como o meu amorzinho ajudou vocês.” O mulher sem cabeça bateu-lhe com o PDA, talvez por vergonha. “Ai..!”

“Aham, tudo bem.” O moreno revirou os olhos, bufando divertido. “Minha ve-...

{“Espera, eu posso continuar a partir daí.”} A Dullahan foi mais rápida na digitação, cortando a fala do outro. Os olhos vermelhos se cravaram na forma esbelta da criatura, irritados. {“Aliás, um pouco antes disso encontrei ele com problemas.”} Começou a explicar, ignorando a zanga de Orihara descaradamente. {“Estava passando pelo centro naquela hora quando o avistei sendo seguido de perto por pessoas suspeitas, pode chamar de instinto, mas eu sabia que eram pessoas perigosas, principalmente pelo jeito como se comportavam, andando sorrateiramente atrás dele. Então, assim que percebi a garota puxando um aparelho parecido com uma arma de eletrochoque de dentro da bolsa e apertando o passo, acelerei e me interpus entre eles, tanto é que o quê bateu no Shizuo foi a minha moto. – Acabei derrapando, desculpe – Ela pulou e desviou, segurando o aparelho estranho com força para não cair no chão... Não sei a importância daquela coisa, mas na hora sabia que não poderia deixa-la encostar no alvo. O cara que também estava lá avançou na nossa direção com uma arma, Shizuo tinha acabado de se levantar quando isso aconteceu, ainda atordoado pela pancada, arrancou uma placa de trânsito e jogou no homem por que ele estava a ponto de atirar em mim, o que acabou que quem levou o tiro foi o Shizuo, na perna. Devo admitir que aqueles dois eram bem resistentes, porém não aguentaram a surr-...”}

“Tá, tá, já dá pra saber o que aconteceu depois, pura pancadaria e destruição.” O morador de Shinjuku disfarçadamente roçava seus dedos nos cabelos dourados, acariciando-os de uma forma delicada que era atípica dele. A estranha atmosfera calma que os envolveu depois de todos os acontecimentos prevalecia, deixando-o intrigado com a esquisita sensação de estar morno e satisfeito ao lado do seu monstrinho. (Sua vida e seus sentimentos sempre foram tão frios...) Sensação essa que nascera a partir do momento que Heiwajima o abraçou com força, como se tivesse medo de perde-lo. Era muito agradável a sensação de relaxamento. Sendo sincero consigo mesmo, preferia ficar assim para sempre. Morno. Calmo. “Como chegaram até mim? Coincidência não foi.“

“Segui seu cheiro depois que nos livramos deles.” O ex-barman jogou a cabeça para trás, soltando um suspiro alto de tédio. “Só fomos perceber que tinha ligação com você quando nos encontramos com os desgraçados de novo.”

“E o quê aconteceu nesse meio tempo?” O dono da casa terminou de desinfetar as feridas do ex-colega de escola e passou a enfaixa-las.

“Agora é a minha parte da história.” Orihara revirou os olhos. “Ainda acho poderia ter conseguido fugir sozinho.”

{“Você nunca ia conseguir fazer isso sozinho.”}

“Já saí de coisas piores antes.”

{“Posso te mostrar que não.”}
“Do meu ponto de vista dará para ver que eu até tinha a vantagem.” Sorriu, zombando.

{“O seu ponto de vista é bem distorcido. Vamos ver até onde essa teimosia em não admitir que precisava de ajuda vai. Você deveria fornecer informações mais verdadeiras.”}

“Eu forneço o que quero fornecer.” Bufou. “Agora, voltando ao foco...”

~/ FlashBack Continue/ ~

Nas instalações da fábrica de doces abandonada
Alguns quarteirões afastada do Centro

Ikebukuro
Kanto

Japão.

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“Ngh...! So-solta...! AH! Lar... Larga!” Se expressar com clareza enquanto mãos apertavam fortemente seu pescoço era mesmo difícil. Já havia se envolvido com o FBI antes, de forma indireta e impessoal, manipulando a situação e as pessoas, nunca cara-a-cara e se arrependia amargamente de não ter mantido esse status de omissão. Eles eram rápidos e fortes, fato que atrapalhou sua fuga. O oxigênio acabava em seus pulmões quando o aperto diminuiu, causando uma tosse seca irritante. Deslizou até o chão, arranhando as costas sobre a blusa na parede de concreto puro, tentando recuperar o fôlego. “Aah! Aah!”

“E então? Já está pronto pra falar?” Izaya levantou o olhar, encarando o agente com ódio, entre engasgos e tossidas, deu um sorriso irônico. Se ele se encontrava em um estado ruim, o inimigo se encontrava em um estado péssimo. Analisou os estragos no homem mais velho, um corte profundo na bochecha e no lábio inferior, arranhões no rosto graças aos descartados óculos de sol que foram quebrados devido ao um chute certeiro, roupas cheias de poeira e rasgos. [“Palmas para meu prêmio de consolação!”] Podia sentir o sorriso irônico dirigido a si mesmo adornando sua face. [“Nada como ter feito burrada e perdido uma ótima oportunidade de escapar! Ah, cara, eu preciso de muitos aplausos!”]

“Foda-se...” Deu uma olhada fugaz ao redor, analisando o terreno em desespero, ignorando as indagações. Os agentes daquela divisão estavam desmaiados no chão, um deles muito próximo ao informante, apenas os dois, ele e o velho maldito, continuavam em pé. Bom, vendo por um lado, era até um prêmio de consolação legalzinho, pois o chefe da divisão era o único que permanecera com consciência após sua medida desesperada, vendo por outro lado, o maldito chefe permanecera com consciência após sua medida desesperada.Portanto, o plano foi um fracasso.

“Foda-se?! É tudo o que tem a me dizer? Será que ainda precisa de mais motivos pra cooperar?” O homem mais velho puxou-o pela camisa, erguendo-o vários centímetros do chão.

“...” O moreno de olhos vermelhos fez um barulhinho indefinível, algo entre um engasgo, um gemido de dor e uma risada de desdenho. A falta de resposta pareceu irritar ainda mais o norte-americano, para o azar do menor. Foi sacudido com violência, fazendo cada célula do seu corpo chorar em protesto. [“Merda! Esse cara não vai me deixar sair daqui, o pior que é não tenho mais tempo de pens-...”] Pneus cantando no asfalto interromperam seus pensamentos.

“IZAAAAAAYAAAAAAA!” Por um momento, sentiu que seu coração parara de bater, seus ouvidos ficaram surdos, o thum-thum sumira, o tempo congelara. E no momento seguinte, seu coração pareceu voltar a bater tão forte que pensou que o perderia pela boca se a mantivesse aberta, o thum-thum enchia seus ouvidos, tudo ficou borrado. A única imagem nítida eram seus salvadores parados em uma moto há poucos metros de distância de onde se encontrava, Shizuo e Celty.

“Shizu-chan..!”
O sussurro – que mais pareceu um grito engasgado – carregou mais emoção do que deveria carregar, assim como demorou mais segundos do que deveria para se recompor da surpresa. Como... Como você...?”

“TIRE SUAS MALDITAS MÃOS DA MINHA PULGA!” Heiwajima bufava furioso, ódio escapava de cada poro do seu corpo. Se olhar matasse, o oficial do FBI estaria em decomposição na baía de Tóquio. Um sentimento esquisito tomou conta de si ao escutar o ênfase na palavra minha, era muito parecido com o gosto da esperança, dando o mesmo frio na barriga que a ansiedade, a vontade quase irreprimível de sorrir, lembrava vagamente o nervosismo, pois fazia suas mãos tremerem de leve... Uma sensação nova, embora nem um pouco desagradável, enfim, mais tarde iria tentar estudar o significado, o foco agora era escapar dali.

“WUAH!” Orihara gritou de surpresa quando foi jogado no chão pelo homem mais velho. Olhando-o de baixo dava pra ver o quão tenso o outro se tornara, acuado, zangado, correndo perigo e principalmente intimidado, o estrangeiro babaca não tinha mais para onde correr. Era ótimo que seu namorado soubesse ser um bruto intimidante. Era ótimo ter uma Dullahan irritada ao lado também, contava muito na intimidação. Os recém-chegados caminhavam a passos largos até eles, exalando vontade de matar, deixando o cara de terno extremamente apreensivo.

“Heiwajima... Shizuo?!”

“Shizu-chan está vivo? Mas você não disse que iria mata-lo? Nossa, me decepcionei pra caramba com você.” O moreno revirou os olhos. “Detalhe, tome mais cuidado da próxima vez, por favor.” Zombou, tentando se levantar. Na queda, tentando desviar do corpo de um dos subordinados do americano desmaiado, acabou batendo a cabeça na parede, causando tontura. “Você estava segurando um homem ferido, deveria ter mais delicadeza.” Riu alto, provocando. “Acho que você estava tentando me matar, pena que agora é três contra um e não vai conseguir isso. ~ ” Cantarolou as últimas palavras.

“Cale a boca, seu maluco de merda!”[“Ele está morrendo de medo do Shizu-chan, não desgruda os olhos dele um minuto! Com certeza está pensando em maneiras de mata-lo, ou fugir daqui o mais rápido possível. HAHAHAHAHAHAHAAH! Idiota.”] O amante estava com vários arranhões no rosto e as roupas empoeiradas como se houvesse rolado no chão, haviam manchas de sangue espalhadas no colete e nas calças, ele rosnava e grunhia como um animal selvagem, fazendo o homem de terno estremecer visivelmente. No entanto, o loiro não era o único a transpirar raiva, a moça ao seu lado, assim como o amigo, não parecia feliz, seus ameaçadores tentáculos escapando das mangas compridas do macacão demonstravam isso. Os apêndices sobrenaturais chicoteavam o ar com tanta violência que até ele acostumado com aquela visão, ficara apreensivo. (Não que fosse admitir em voz alta) “Não consigo entender... Por quê Heiwajima Shizuo ainda está vivo?”

“Por quê ainda estou vivo? Por quê AINDA estou vivo?” O ex-barman grunhiu alto, a cara se retorcendo numa careta de raiva pura. Pegou o agente pelo colarinho e o ergueu, sacudindo-o com violência. “ENTÃO FOI VOCÊ QUE MANDOU AQUELES DOIS FILHOS DA PUTA ATRÁS DE MIM?! HUH? RESPONDA! É VOCÊ O MANDANTE DAQUELA TENTATIVA DE ASSASSINATO? ME RESPO-...” O barulho de um tiro interrompeu o resto da frase. O fortíssimo de Ikebukuro soltou o agente e cambaleou para frente tamanho impacto e vomitou sangue. Seus pés se atrapalharam destruindo seu equilíbrio, teria caindo se um dos tentáculos da mulher sem cabeça não o houvesse segurado a tempo. De olhos arregalados, virou o rosto de lado tentando enxergar o responsável por acertar uma bala em suas costas.

“Devia ter atirado na sua cabeça oca, mas acho que a bala passaria reto.” Em um péssimo estado, o assassino também deu as caras por lá. Celty se perguntou como aquele infeliz conseguira chegar tão rápido naquelas condições, ela e o amigo não pegaram leve na surra, no entanto, ali estavam o cara, ensanguentado e portando uma arma. Porém, faltava uma coisa, ou melhor, uma pessoa... Aquela cena simplesmente não parecia certa, por que aquele maldito deixou bem claro que não detinha o poder de matar o loiro, logo, se a missão era um assassinato, ele nunca viria sozinho...

Onde estava o outro componente da dupla?

Aquela tal...

“Finalmente conheci alguém que concorda comigo! Que ótimo! Agora voltando ao que interessa, poderiam me ajudar aqui?” A resposta para a pergunta veio mais cedo do que a irlandesa esperava. Todos se voltaram na direção de Izaya, encontrando-o forçadamente em pé, rendido por alguém poucos centímetros mais baixa que ele. Sarah. Os óculos de grau falsos tortos por conta da surra, vestido sujo, cabelos embaraçados, irritação vazando de cada poro, tanto é que segurava o revolver – provavelmente – pego do agente desmaiado perto dos seus pés com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos, aham, com certeza a pessoa “que faltava” naquele lugar. Como ela havia chegado ali sem que ninguém percebesse? Ao que tudo indicava, utilizando a distração de curta duração do parceiro. Droga! Se sentia idiota por baixar a guarda.

“Ninguém se move.” A mulher de cabelos castanhos apontava um revolver para a cabeça do refém. A frase, assim como a posição, era bastante clichê, mas acabou obtendo o resultado esperado. Nada se movia, nem mesmo seus tentáculos. Havia os retraído para dentro das roupas. Tudo silencioso, exceto pelos barulhos da rua distante. “Sei que não seria uma pena se eu alojasse uma bala no cérebro desse carinha, porém sei muito bem que nenhum dos dois gostaria que isso acontecesse , não é?!”

“Três contra três, Orihara Izaya.” O chefe da divisão derrotada sorriu em escárnio. “E isso não poderia ser melhor, matar dois coelhos com uma cajadada só. Você e seu namorado anormal. E quanto a essa criatura...” Apontou para Celty. “É apenas mais um pormenor.” A motoqueira, se pudesse, teria dito poucas e boas para o arrogante filho da puta. Perdendo a pouca paciência que lhe restava depois de tanta enrolação, envolveu os três bastardos com os apêndices feitos de sombra, sufocando-os apenas o suficiente para caírem no chão sem consciência. O elemento surpresa contou muito. Idiotas, se confiando em uma ameaça tão parva... Por favor, ela fora dissecada viva! Tinha se posto em uma posição de defesa para que baixassem a guarda.

“Você poderia ter feito isso antes.” Izaya zombou, encostando-se na parede, lutando contra a vontade de gemer de dor. Dava para perceber o quão cansado e dolorido ele estava. Suas pernas tremiam de leve. Observando o estado dos agentes da divisão ao redor, era fácil tirar a conclusão de que o moreno estivera em maus lençóis por um bom tempo.

{“Disponha.”} Respondeu sarcasticamente.

“Tsc, você poderia ser mais educado, pulga.” Heiwajima estava apoiado na moto da amiga. As costas e a boca ensanguentadas. A criatura mitológica se aproximou dele, tocando-lhe o ombro. “Eu estou bem, Celty.” Sussurrou, cuspindo mais sangue da boca. “Porra...”

“Falou o poço de educação exemplar que você é, né, Shizu-chan?! Bem, tanto faz, o importante é que me livrei desses norte-americanos babacas, de um jeito ou de outro. Ah, isso me lembra que já que estamos cobertos de sangue e a namoradinha do Shinra está aqui, é uma boa desculpa para passar lá e obter algum tratamento.” Os olhos castanhos fizeram contato com os vermelhos, conseguindo vislumbrar uma coisa que nunca tinham visto antes refletidos nas orbes escarlates, preocupação. O tom aparentemente despreocupado e frívolo do namorado traiam seus próprios sentimentos. Como sempre. O cobrador de dívidas não sabia se ficava feliz por entender que a urgência de ir à casa do médico subterrâneo era por que o menor estava preocupado com os seus ferimentos e não com os dele ou se ficava chateado pela falsidade que ainda envolvia o homem que amava. Mais tarde teriam uma longa conversa sobre essa falsidade. E dessa vez, Izaya não iria escapar com truques sujos. Tom o havia encorajado a bater de frente com suas – atípicas – inseguranças.

“Tsc, tanto faz.” Subiu na moto, deixando a frente para a dona. “Você vem ou não?” O informante lançou lhe um olhar esbanjando irritação e ironia, como se dissesse “Acha que estou nas condições de andar?”. O loiro suspirou, desceu da moto e pegou o mais baixo pela cintura, abraçando-o fortemente, tirando-o do chão. Sua bochecha roçando na bochecha do moreno. “Estava preocupado com você...” Sussurrou, abraçando-o ainda mais forte.Sentiu os ombros do outro tremerem, assim como seus lábios. Oh? Seria possível... Seria possível que seu namorado estava a ponto de chorar? Não... Ele nunca choraria na frente da Dullahan... Mas e dele? Orihara Izaya, seu atual compromisso, choraria novamente na frente dele? Talvez se estivessem sozinhos... “Eu estava muito preocupado com você.”

“Você está me esmagando, seu monstro idiota! Me coloque logo na moto!” Falou bem alto, se contorcendo, fingindo não gostar do contado. “Você é um idiota, Shizu-chan... Se... Se preocupando por mim... Monstro idiota.” Murmurou baixinho, os olhos fechados para ninguém ver a umidade. Voltou para a moto, acomodando o homem em seus braços no banco e sentando atrás. O ex-garçom precisava mesmo ficar sozinho com ele o mais rápido possível. Estava começando a ficar desesperado por essa chance.

~/ FlashBack Off/ ~

“E foi assim que vocês chegaram aqui.” O homem de óculos sorriu, se levantando. Enquanto escutava a história, ia cuidando das feridas do casal, principalmente da remoção da bala nas costas do fortíssimo de Ikebukuro. “Interessante! Acham que o pessoal do FBI vai voltar?”

“Talvez.” Orihara respondeu evasivo. “Já podemos ir?”

“Hum, recomendo um bom descanso para vocês. Sim, se quiserem ir, podem ir. Cuidado, por favor.”

“Pensaremos no assunto.” Ele sorriu, se levantando.

Continua.

Notas finais
O ponto de vista do Shizuo (no finalzinho) foi feito as pressas, me desculpem se ficou estranho. Sabe, só queria dar uma palhinha do próximo capitulo... É, vai ser puro romance. Juro. Coisa fofa e cute pra curar tanta angústia nessa porra. Não sei se perceberam isso antes, mas estou tentando fazer o Shizuo procurar meios de entender a cabecinha fodida do namorado, assim como estou tentando fazer o Izaya se abrir mais com quem o ama. Talvez não estou sendo eficaz... AAAAAAAAH, vocês gostaram? Se tiverem críticas ou acharem corrido demais, podem me dizer, criticar, brigar, xingar... Eu aceito. Spoiler - Cenas fofas, românticas, sentimentos do casal, foco neles e .... lemon.