Bulimia
13 Capitulo 13
Notas iniciais
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[“Não consigo pensar em nada...”]
[Orihara Izaya]
[“... Que não seja você”]
[Heiwajima Shizuo]
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Apartamento de Orihara Izaya
Shinjuku
Kanto
Japão.
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“... Você pode ir embora se quiser.” Izaya mantinha um olhar de irritação em seu rosto machucado enquanto segurava a porta com força usando as duas mãos como se fosse bater a estrutura de madeira na cara do loiro a qualquer momento. E Shizuo não duvidava que esta fosse sua vontade. Desde que voltaram do apartamento de Shinra, o moreno se mostrara escorregadio, evasivo, tentando várias vezes, durante a caminhada de volta, sair do aperto de ferro do namorado. “Obrigado por ter me arrastado até aqui, já pode ir embora.” Murmurou entre dentes, apertando mais o controle sobre a porta. Heiwajima lutou contra a vontade de grunhir, com certeza aquele percurso de volta ficaria marcado na mente de cada transeunte de Ikebukuro e de Shinjuku para sempre. As duas lendas dos distritos caminhando lado a lado pelas ruas movimentadas sem maiores problemas. “Sem maiores problemas” poderia ser descrito como o ex-barman arrastando o informante pelo braço a força, ignorando ameaças de esfaqueamento, xingamentos e zombarias.
“Tsk...” Em parte, este comportamento rebelde apresentado pelo outro era sua culpa. Antes de forçar o menor a acompanha-lo por aí, na calçada do ponto de partida, andavam ombro-a-ombro silenciosos até o loiro decidir conversar sobre suas preocupações com o atentado (não iria tocar no assunto das dúvidas que tinha sobre o relacionamento... Não naquele momento, pelo menos), entretanto, em vez de surpreender o namorado com a demonstração de preocupação, pareceu deixa-lo muito chateado. Além de se afastar da proximidade intima, deu respostas vazias e ambíguas. Um bufo, uma risada seca, um revirar de olhos. Gradativamente forçando-se a andar mais rápido, mais a frente, mais longe possível. Pequenos sinais de incomodo com a persistência.
Não, incomodo não, os sinais não eram apenas de incomodo, eram mais de...
Medo.
Ele conhecia o suficiente sobre o homem de cabelos negros para descobrir e entender (grande parte das) suas emoções através de mínimas ações. Os meses que passaram juntos naquele estranho namoro fizeram Heiwajima se tornar mais consciente da pulga irritante, aprendendo pouco a pouco sobre seus vícios e manias. Por exemplo, o vício idiota de usar uma máscara sobre os sentimentos mesmo ao estarem sozinhos no conforto dos braços um do outro, a mania de disfarçar com zombarias a vergonha de ser pego em flagrante , seja observando o maior dormindo, seja babando em cima da comida depois de bater o pé dizendo que não estava com fome... Essas bobagens que muitas vezes faziam o fortíssimo de Ikebukuro perder a cabeça. Ali estava uma dessas bobagens, a mania horrível de se fechar num caixão de espinhos mental após situações ruins. Não era fácil tirar Izaya dali, requeria paciência.
“Vou bater essa porta na sua cara caso continue parado aí como um imbecil.” [“Tô pouco me fodendo pra essa vontade dele de me expulsar daqui, nós vamos ter que resolver essa confusão toda hoje.”] O ex-garçom nem se moveu do lugar, ignorando totalmente o estalar de língua do outro. [“Já saquei o joguinho, Quase não existia verdade naquela ameaça, não havia por que obedecer. E mesmo que houvesse, Orihara era inteligente o suficiente para saber que se fizesse aquilo uma briga enorme seria desencadeada e seu corpo já cansado colapsaria, perdendo o resto da energia a qual se agarrava tão desesperadamente no intuito de se manter de pé. “Saia.” Quem não o conhecesse bem, perderia o tom de súplica em sua voz.
“Eu não vou sair.” O homem de olhos castanhos deu um passo à frente, entrando sem ser convidado, retirou os sapatos ignorando o soluço de surpresa do dono do apartamento. “Eu não vou sair enquanto você não me escutar.” Puxou a porta das mãos do informante, trancando-a por dentro e colocando a chave no bolso. O gesto deixou óbvio que não existiriam escapatórias. Não adiantava o quanto o moreno tentasse fugir, eles iriam ter uma longa conversa de um jeito ou de outro. Seja com as duas partes envolvidas, seja unilateralmente. Eles necessitavam falar um com o outro, não sobre isso ou aquilo, assuntos aleatórios, mas sobre “eu”, “você” e o “nós”. O quê era inédito desde a discussão sobre a saúde do dono do local que ocorrera ali meses antes.
“Eu sei exatamente sobre o quê você quer conversar comigo.” O coletor de informações suspirou, deixando os ombros caírem em derrota. “E sendo sincero, eu preferia que não conversássemos agora. Nem nunca. Só nos causaria dor de cabeça e desentendi-...”
“Eu te amo.”
“O... quê?”
“Eu te amo.”
“Po-por quê diabos está dizendo isso tão de repen-...”
“Eu nunca tive certeza do que eu sentia por você.” Virou o rosto para não ver a face chocada do ex-inimigo jurado, não querendo vera boca esticada na formação de uma palavra muda, nem os olhos arregalados de surpresa ou as sobrancelhas arqueadas de descrença. “Perdemos anos e anos tentando acabar com a vida um do outro... Droga, eu nem conseguia pensar em você como um ser humano! Era o carrapato maldio que infernizava minha vida ou o puto que fodia comigo sempre que queria, mas aí aconteceu aquele monte de merda que até hoje não consegui entender direito e... e... E aqui estamos nós, namorando! Puta que pariu, pulga! E-eu nunca pensei que pudesse ter um relacionamento amoroso sério com qualquer pessoa! Minha ficha não caiu ainda, sinto que estou sonhando e vou acordar em alguns segundos. ”
“Shiz-...”
“Cale a boca, eu ainda não terminei!” [“Não me atrapalhe, seu maldito! Eu não conseguiria terminar isso normalmente se você zombasse de mim! Por isso fique com a porra da sua boca fechada.”] De relance viu um indício de sorriso nos lábios ressecados do menor. [“Esse inseto está rindo de mim? Sério isso? Aaah, foda-se, comecei a falar, vou terminar de falar. Ele deve tá fazendo isso para me tirar dos eixos.”] “A primeira vez que eu disse que te amava foi por impulso. Não que tenha sido mentira... Aliás, nunca poderia ter sido mentira, por que eu NUNCA disse que amava alguém usando aquela intensidade, nem pros meus pais! Quando vi a forma como meu irmão estava te tratando me deu uma raiva imensa dele, fiquei com ciúmes das emoções que você demonstrou pra ele... Só eu posso ver você de verdade, assim como só você consegue me ver como eu sou. Kasuka estava aqui sendo um filho da puta como ele nunca foi antes, você estava aqui também tão, não sei, estava tão... arght, olha, odeio pensar, me causa dor de cabeça e me tira o sono. Sendo sincero, estou confuso. Tem vezes que eu te odeio, quero que se afogue na própria estupidez, mas tem vezes que tudo o quê quero é agarrar seu braço e te puxar para um beijo. Porra, fiquei com um puto medo de ter perder hoje..” Respirou fundo. “Izaya, eu estava com medo de nunca mais te ver.” Permaneceu com o rosto virado, não tendo coragem de enfrentar o moreno. “Eu só queria que você fosse mais honesto comigo e me dissesse como se sente.”
...
...
...
“Eu te odeio!” A declaração foi um sussurro quase inaudível, tão fraco que poderia ter sido confundido com o barulho do vento. O fortíssimo de Ikebukuro voltou a olhar o menor. “Eu te odeio tanto!” Os orbes rubis brilhavam de lágrimas reprimidas, mas Heiwajima não percebeu devido ao susto. A confusão deve ter se inscrito em seu rosto, pois o namorado começou a rir histericamente.
“Huh?” Balbuciou estupidamente. “Pulga?”
“Ai, ai, Shizu-chan, sério isso?” Passando a mão entre os fios negros, Orihara encarou-o com uma paródia do seu sorriso marca. . “Então, achas mesmo que... Achas mesmo que com... e-essas palavras estúpidas...” Os lábios tremiam enquanto falava, parecia está desesperadamente procurando meios de não quebrar. O dono do apartamento respirou fundo, ficando sério de uma hora para outra. “Você quer honestidade? Vou te dar honestidade! Eu te odeio! Eu te odeio pelas palavras que me disse hoje, ontem, antes de ontem, no dia em que nos conhecemos, no dia em que começamos nosso relacionamento fodido! Eu praticamente te odeio a cada respiração que dou e sabe por quê? Por que não consigo mais viver um dia que não seja ao seu lado! Odeio ser dependente de alguém que me forcei a considerar monstruoso! Isso é pura contradição! Eu odeio o quanto seu amor me faz bem e como eu me nego a aceitar! Odeio te amar! Eu amo os seres humanos, não monstros... Mas eu amo você! Sempre te amei! Arght, apenas me deixe em paz! Essa demonstração de preocupação me deixa doente... doente de felicidade! Que droga! Que droga! Nunca ninguém havia se preocupado de verdade comigo e agora tem essa, meu pior inimigo quase morrendo por mim! Tem certeza que não entrei em coma ou algo pare-...”
“Já é o suficiente! Eu te amo, você me ama. Pronto, acabou. Que bosta, não complica o quê tá já decidido.” Puxou o homem tremendo para um abraço apertado.
“Isso é tão atípico da gente.” Izaya agarrou-se na blusa de Shizuo escondendo o rosto na curva do pescoço dele. “Aaah, não estou me sentindo bem.” Murmurou abafado. “Eu não estou me sentindo eu mesmo, muito menos você está agindo como você.”
“É, não estamos no personagem hoje.” O maior apoiou o queixo no topo da cabeça do namorado. “E, sabe, é até melhor assim, digo, te ver sem aquelas frescuras de falsa indiferença e tal...”
“Tanto faz.”
“Você é um idiota.”
“Eu não sou idiota, você que é um imbecil.”
“Imbecil? Grr...
“Nada de brigas por hora, seu protozoário imbecil. Estou cansado, não quero gastar o resto da minha energia batendo boca com bactérias.” Raspou os dentes no pescoço exposto, provocando arrepios. “Em vez disso, por que não vamos para cama, hmmm, dormir?.” Sussurrou em tom ambíguo enquanto deslizava as mãos pelo peito do outro. “Essa manhã foi bem agitada e não tenho mais nada a resolver no decorrer do dia, ficar entediado não é opção, por isso fica aqui comigo?! Tom-san vai te deixar dar essa escapada do trabalho, não vai? Pooor favoooor.” Afastou-se um pouco para mostrar o sorriso malicioso estampado na face. “Vamos dormir pertinho um do outro! Soa atraente pra você? Faz um bom tempo que não... fazemos nada juntos.” [“Ele realmente tá falando sério? Fazer... Puta merda, fazer sexo nesse estado? Ele realmente tá falando sério sobre fazer sexo quase à beira da morte? Ele quer morrer com um pau enfiado na bunda, é isso? Esse desgraçado...”]
“Você não toma jeito.” Envolveu os braços ao redor da cintura fina do informante e o ergueu sobre o ombro, marchando em direção ao quarto. Se era assim que seu namorado queria, assim teria. Orihara reclamava da rudeza com que estava sendo tratado por pura vontade de irritar, exigindo cuidados com os machucados, gargalhando com os constantes “cale a boca” disparados para si. O cobrador de dívidas abriu a porta do quarto com um chute violento, andando a passos largos até cama de casal. Rindo baixinho ao ser jogado de costas sem delicadeza entre os travesseiros, o moreno de orbes escarlate separou as pernas de modo convidativo, mordendo o lábio inferior daquela maneira sexy que sabia que enlouquecia. Entretanto, Shizuo nada fez, preferindo permanecer parado a poucos centímetros do leito.
“Shizu-chan?!” Arqueou uma sobrancelha com a falta de ação do outro. “Não vem se deitar? É inverno, está frio, meu corpo está gelado... Quero calor, nada melhor que o seu corpo me esquentando, não acha? ” O loiro nem respondeu, causando uma sombra de raiva na expressão sensual do menor. Sem se importar com a crescente chateação da pulga, o fortíssimo de Ikebukuro retirou a gravata borboleta com uma das mãos, com a outra desfez os botões do colete negro lentamente. Os olhos castanho-claros nunca deixando os olhos cor-de-sangue sozinhos. Desafivelou o cinto deixando a calça escorregar e mostrar o cós da cueca vermelha que usava, sorrindo ao notar como a atenção do namorado pareceu se prender naquele pedaço do seu corpo.
“Tsk.” Estalou a língua, descartando o cinco junto com as outras peças em uma montanha ao seus pés. Na cama, o informante gemia baixo a cada movimento, se arrepiando e se remexendo entre os lençóis. Mesmo todo machucado e quase a beira da morte, ele parecia sensual. Sensual de um jeito doente. Aquelas faixas e curativos eram estranhamente atraentes.
“Wow...” Não existiam maneiras de dizer o quanto ele amava quando seu mostro tomava a iniciativa e dominava. Óbvio que dominar era seu direito exclusivo, mesmo contra sua vontade admitia no íntimo não reclamava ao ser dominado. Ergueu o troco, apoiando-se nos cotovelos para ter uma melhor visão do corpo que estava sendo desnudado. Mordeu o lábio sufocando a vontade de implorar para o ex-garçom apressar as coisas. “Nunca pensei que conseguisse fazer um strip-tease tão sexy, Shizu-chan... Hmmm, não posso dizer que descobrir isso é desagradável.”
“Vai se foder!”
“Estou a ponto de fazer isso...” Gargalhou. “Pare com essa provocação, seu protozoário imbecil! Não faz seu estilo. ~” Cantarolou, sentando-se de joelhos sobre a cama. Um por um, os botões da camisa social branca iam saindo de suas casas, revelando pedaços da carne que ele conhecia o gosto e o cheiro tão bem. Oh! Era enlouquecedora a luxúria que o tomava! Lambeu os lábios, retirando o casaco e a própria blusa, jogando-os para o lado. Quando o maior abriu o zíper, pensou em copiar o movimento, mas não teve chance de colocar o pensamento em prática, foi forçado a se deitar de costas novamente. Sorrindo, esticou o pescoço para colocar um selinho nos lábios secos do homem que pairava acima de si. “Nee, Shizu-chan, vamos apressar um pouco mais! ~ ” Ronronou feliz por que finalmente a parte divertida iria começar.
“Hmmmm.” Heiwajima puxou as calças do moreno até os joelhos, distribuindo beijos nas bochechas feridas até alcançar o pescoço machucado e a clavícula. O informante mexeu as pernas até que a incomoda peça de roupa escorregasse para fora dos seus tornozelos, ficando na mesma situação de semi-nudez do monstro. Pousou as mãos sobre os ombros fortes do loiro, puxando-os para baixo, lutando contra a vontade de rodear a cintura dele em busca de mais contato. “Isso é o suficiente para te manter aquecido, Izaya?” A voz do namorado mais rouca que o normal provocou um gemido de puro deleite. “Huh?” Fechou os olhos, lambendo os lábios.
“N-não...”
“Não? E o quê mais precisa pra te aquecer?”
“Você sabe bem o quê eu quero, te falei desde o começo.” Ouviu uma risadinha pelo nariz e quando percebeu, Shizuo havia rolado para o lado, envolvido os braços em volta do seu tronco, puxado as cobertas sobre eles e estava de olhos fechados como quem tirava um cochilo. Arqueou a sobrancelha, se afastando. “O quê acha que está fazendo? Enlouqueceu de vez?” Não escondeu a indignação.
“Como assim o quê eu acho que estou fazendo? Você não queria dormir?” O homem de olhos castanho-claro respondeu com simplicidade, enfiando o rosto no travesseiro. “Dormir comigo? Então, estamos fazendo isso.” O moreno bufou, virando de lado para fuzilá-lo com os olhos.
“Eu nunca pensei que te chamando de ameba dia e noite acabaria por te transformaria em uma! Palavras tem poder.” Cruzou os braços, ridicularizando com todo o sarcasmo que tinha. “Sejamos sinceros, normalmente você já é idiota, muito mesmo, aí fica mais idiota ainda fingindo que é mais idiota do que o normal.”
“Vai pro inferno, estou querendo dormir.” O maior respondeu baixo por está com a cara enfiada no travesseiro. “Você pode ter perdido seu sono, só que eu ainda quero dormir.”
“Estou com tanta vontade de matá-lo sufocado.” Respirou fundo, pegando os fios de cabelos dourados grossos, puxando até que o protozoário o encarasse. “Tsk, quer algo direto? Sem metáforas ou brincadeiras maliciosas? Beleza, vamos direto ao ponto!” Aproximou seu rosto do rosto do outro até que os narizes se tocassem. “Eu. Quero. Sexo.”
“Nós não vamos transar.” Pegou o pulso fino com o mínimo de força e o retirou do cabelos. “Não com você nessa situação!”
“Nós já transamos comigo em um estado parecido antes!”
“E não deu certo!”
“Não é necessário se preocupar comigo!”
“Já te passou na cabeça que eu não ligo com o quê você acha necessário ou não? Nunca te obedeci em nada, não vai ser agora que eu vou começ-...” Izaya o interrompeu com um beijo repentino, deixando-o sem ação. Não passara de um roçar de lábios, porém serviu como um cala a boca não serviria. Não por ter sido surpresa, e sim, pela delicadeza dele.
“Pare com isso.”
“Não.”
“Só as preliminares?”
“Não.”
“Pooooor faaaaaavoooooor? Por favor? Por favor?”
“Não.”
“Prometo te dizer se doer.”
“...” Pareceu pensar na possibilidade. “Eu vou parar no momento em que perceber qualquer indicio de dor. Nem precisa falar.”
“Duvido que consiga parar quando nós estivermos nos finalmente, mas, em respeito à sua força de vontade e preocupação sem motivo, eu te direi se doer.” Shizuo revirou os olhos, bufando com chateação. Seus gestos diziam – você sabe que não são preocupações sem cabimento, pare de negar que está ferido e dolorido – ao que ele respondeu com uma risadinha baixa e outro beijo, dizendo mudo – estou feliz que esteja preocupado comigo, isso me faz satisfeito de alguma forma, mas eu meio que quero transar agora, conversaremos depois – . Sendo sincero no fundo do fundo do fundo da sua mente, Orihara não sabia explicar o sentimento que o consumia a cada palavra amorosa do antagonista. Uma profunda sensação de... de... muito parecida com... quem sabe, talvez lembrasse... Ok, ok. Era impossível descrever. Romperam o beijo ao mesmo tempo, observando juntos a fina linha de saliva que os conectava.
“Você não muda nunca, não é? Olha, eu nem sei mais o quê fazer com você! ” Escutou-o resmungando baixinho. Sorrindo, depositou um selinho carinhoso na bochecha homem a sua frente.
“Eu tenho algumas ideias.” Riu maliciosamente, roçando uma perna entre as coxas do maior. “Ótimas ideias.”
“Você é irritante.”
“Eu preciso de você, Shizuo.” Sussurrou no ouvido dele num tom que não deixava dúvidas sobre a veracidade das palavras. O fortíssimo de Ikebukuro envolveu os braços ao redor da sua cintura em um abraço frouxo, deslizando as mãos até conseguir apertar as nádegas durinhas por cima da cueca. “Nossa, então é só dizer qualquer frase sensual de um jeitinho romântico que te convence a transar?” Sorriu de canto, deixando um gemido manhoso escapar quando sentiu um beliscão particularmente forte. Como vingança, arranhou as costas dele tendo a certeza de deixar vergões vermelhos que durariam até a manhã seguinte. A perna fina servindo de objeto para a fricção da ereção crescente.
“Porra!” O outro rosnou, arqueando as costas na dor. “O que diabos é você? Um gato?” O moreno arranhou o mesmo lugar novamente, dessa vez com menos força. Lambeu os lábios grossos, cutucando-os abertos com a língua para um novo beijo. Durou pouco, preferiu trilhar um caminho com selinhos desde a ponta do nariz até o queixo do loiro, finalizando com um chupão. Arrepios de excitação percorriam ambos os corpos, aquecendo as peles e aumentando o desejo.
“Shizuo.” O nome rolava em sua língua como um mantra, uma oração. Heiwajima o empurrou de leve para que ficasse de costas, se ajoelhou na cama e bateu os dedos sobre seu joelho. Ele logo entendeu o pedido, abrindo as pernas para que o parceiro se acomodasse entre elas. Inclinando-se para baixo, o monstro chupou forte um mamilo, utilizando dentes por maldade, mordiscando a parte sensível do jeito que o faria gritar como um devasso. “Aaaah! Aaaah! Aaaah!”
“Nossa, você é sempre tão sensível aqui.” Tocou com a ponta do dedo o outro mamilo, fazendo movimentos circulares com o pedacinho de carne ereto, arrancando ofegos altos e gemidos desesperados. Chateado, Orihara segurou o cós da cueca do namorado dos dois lados, fazendo questão de deixar as unhas rasgarem a pele bronzeada enquanto abaixava a peça intima até o limite possível naquela posição. Novos vergões vermelhos apareceram para fazer companhia aos das costas. Agarrou o pênis grosso que se erguia orgulhosamente diante dos seus olhos com a destra, fazendo lentos movimentos de vai-e-vem. “Ngh! Pu-pulga...” Esfregou o polegar na glande, espalhando o pré-gozo acumulado.
“Nossa, você é sempre tão sensível aqui.” Retrucou sarcasticamente. Os movimentos de vai-e-vem se aceleraram, causando o aumento dos gemidos roucos para o prazer do homem de olhos escarlates. O maior sorriu com todos os dentes numa careta assustadora. Inclinando-se para o lado, abriu a primeira gaveta do criado-mudo ao lado da cama, retirando de lá um pacote de lubrificante. Ignorou os diversos tipos de camisinhas. (Ignorou por que odiava aquele plástico irritante ao redor do pênis.) Entretanto, antes que pudesse abrir o pacotinho, ele foi arrebatado de suas mãos.
“Hã?” O coletor de informações mordeu os lábios de forma travessa. Os olhos brilhavam de malícia incontida. Abriu com os dentes a embalagem, espalhando o liquido viscoso em suas mãos. Uma delas foi levada ao membro do namorado, espalhando o óleo na extensão da ereção, traçando com um dedo a veia em relevo. Shizuo não pôde deixar de suspirar de prazer com a coisa gelada em sua pele aquecida. Empurrou o quadril para frente, deslizando na mão ossuda. Repetiu o movimento quando os dedos se fecharam contra si, apertando-o pouquinho. “Hmmmmm...”
“É gostoso?” O estupor onde de encontrava foi quebrado ao escutar a voz sensual do outro. Encarou o moreno, percebendo a beleza de suas bochechas coradas e olhos semicerrados de êxtase. Tomou a boca deliciosa em um beijo apaixonado. “H-hey... T-tá atrapalhando as minhas mãos!” O menor rompeu a carícia virando o rosto para o lado. Notando a perda do ritmo em sua masturbação, Heiwajima pensou que iria ser empurrado com o braço livre para melhorar o espaço, mas nada aconteceu. Foi com a falta de resposta que o loiro logo percebeu onde estava a outra mão do amante. Com as pernas abertas para acomodá-lo, ficava mais fácil para o ex-inimigo deslizar o braço para baixo e dedilhar-se com os dedos encharcados de lubrificante. Coisa que fazia naquele exato instante.
“...” Observava com atenção a estrada e a saída dos dígitos de dentro do coletor de informação. Desceu as mãos pelo peito do namorado, passando pelo quadril e coxas, tocando suavemente a pele cheia de hematomas. Izaya estremeceu, soltando um “hn” ambíguo. O ex-barman se afastou até a beirada da cama, sentando-se sobre as panturrilhas, apoiando-se nos joelhos alheios. (Afastou-se a contragosto, não queria interromper a masturbação) Surpreendido, Izaya ergueu o tronco para olhá-lo.
“Shizu-cha.. aaah?!” O maior rodeou ponta do membro com o lábios antes que ele formulasse a pergunta, desconcentrando-o devido a sucção. O fortíssimo de Ikebukuro não podia deixar de se sentir satisfeito com o rumo da situação. Sexo lento, preliminares suaves. Antes, tudo se resumia em Izaya chegando de madrugada, ou em horas aleatórias, perturbando seu sono, ou seu trabalho, enchendo sua cabeça e seus ouvidos com idiotices até que, perdendo a calma, ele acatasse a vontade do parasita, satisfazendo a luxúria do maldito. E a sua própria. “Ngh! Ma-mais!” Lambeu de uma ponta a outra a ereção várias e várias vezes, sugando a glande sempre. “A-ah... E-eu vou acaba gozando assim! Sai! Sai!” O segundo homem mais temível de Ikebukuro se debatia como um animal selvagem em uma jaula. Quando o calcanhar dele passou muito perto do seu rosto, ele se afastou.
“Tsk, você quase me dá um chute no ombro!”
“E daí? Até parece que eu nunca te dei um chute enquanto fodíamos. Um chute. Um soco. Uma cabeçada. Você respondia com coisa pior. Lembra de quantas camas tivemos que comprar por que elas viravam campos de guerra?” O dono do quarto revirou os olhos, remexendo-se entre lençóis bagunçados. Um dos doze trabalhos de Hércules era transar em cima de uma cama sem quebra-la. Muita violência. Ou, talvez, a madeira fosse muito vagabunda. “Em vez de reclamar, por que não faz algo melhor?” Lambeu os lábios, convidativo. “Como me foder?” Os orbes cor-de-sangue guiaram os orbes castanho-claro até a entrada vermelha pela estimulação. Dois dígitos lubrificados esticavam o local, tornando a visão totalmente erótica. “Nghh!”
“Izaya.” Voltou a posição original, colocando o pênis pingando lubrificante rente a entrada do moreno. Com um único impulso, empurrou a glande para dentro do anel de músculos, forçando passagem. O informante arqueou as costas, passando os braços em volta do pescoço do antagonista. Shizuo encostou a testa na testa do namorado, respirando em conjunto com ele enquanto o penetrava por completo. A partir dali, construiu seu próprio ritmo de estocadas longas e profundas. “Aah!” Gemeu rouco ao sentir seus cabelos serem puxados com força.
“Mais!” Orihara sussurrou de olhos fechados. “Mais! Aaaah! Ngh! Ma-mais!” O aperto em seu couro cabeludo não diminuiu mesmo quando ele aumentou a velocidade das estocadas. Uniram as bocas em um beijo cheio de dentes clicando, línguas colidindo e gemidos entrecortando. As mãos que repousavam sobre as omoplatas desceram para os lados, arranhando das costelas até o quadril. Rompeu o beijo, chupando o pescoço exposto. Com as mãos firmes nos quadris alheios, trazia-os em direção ao próprio quadril, causando um som de tapa pele-a-pele excitante, além de um atrito muito bem vindo. “Aah.. dó-dói desse jeito!”
“Você gosta de me ver sangrar, não é?” De fato, as unhas afiadas do homem abaixo dele estavam deixando filetes de sangue aonde passavam. Marcas de possessão. Marcas de paixão. Marcas para provar quem era o dono de quem ali. Marcas de ameaça a outrem. Nunca vira ou conhecera alguém tão ciumento quando aquele carrapato desgraçado. E era um tipo de ciúmes doentio. Hum, pensando bem, já havia conhecido um tipo de cara tão ciumento quanto a pulga, ele mesmo. As mordidas, pancadas, arranhões e xingamentos que apareciam em pequenas dosagens vez ou outra durante as sessões intimas simplesmente aconteciam por que eles eram eles e não podiam ficar uma única vez sem marcar um ao outro. “Essas porras vão arder pra caralho mais tarde.” Voltou a encará-lo.
“Também amo você, Shizu-chan.” O menor lambeu seu queixo. Mesmo em tom de brincadeira, o loiro sabia que era uma declaração sincera. Sorriu de canto, novamente beijando o parceiro enquanto ia fundo naquele local quente. Os suspiros e ofegos se misturavam em uma melodia sexual, causando puro prazer em quem fazia e escutava os sons. Por fim, quase exaustos, ambos alcançaram o ápice. Shizuo foi o primeiro por não ter controle próprio, também devido as paredes internas do homem de olhos vermelhos estarem o apertando de proposito. Izaya foi o segundo, poucos minutos depois. Gozaram com o nome de quem amavam na língua.
“Iemphhsjaaishhhhmsh.” Heiwajima meteu a cara no travesseiro mais uma vez, murmurando algo abafado e aparentemente sem sentido.
“O quê?” O moreno perguntou sem se dignar a olhar seu namorado. O corpo todo doía graças ao esforço. [“Ideia estúpida! Ideia estúpida!”]
“Estou exausto.” Afastou a cara o mínimo possível do travesseiro apenas para se fazer entendível.
“Eu aguento mais um round.” Mentiu, rindo.
“Aham, claro.” Puxou um dos cobertores que caíram no chão com a atividade anterior e os enrolou. “Quando acordamos. Você já teve o que queria! Deixe-me dormir, pulga nojenta.”
“Humph! Ameba insignificante. ” Aconchegou-se no corpo suado do monstro, enterrando o rosto no peito dele e escutando seus batimentos cardíacos. “.. Shizuo...”
“O quê foi?”
“Você não parou quando eu disse que estava doendo.”
“Por que você não dorme de uma vez e me deixa em paz?”
“Idiota.”
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