Notas iniciais
Olá! Me desculpem por não ter atualizado mais cedo. Estou no terceiro ano do ensino médio, sabe? Estudo em escola profissional para piorar a situação. Estou correndo feito louca de um lado para o outro para organizar o TFC, um festival que vou participar como cerimonialista, uma feira cultural, estou em projetos extra-classe, organizando a festa do terceiro ano (sou a oradora) e dando aula de redação alguns dias na semana. Ufa, não tenho vida. Sempre que tô com um tempo, utilizo para fazer meus trabalhos e tarefas da escola, escrever está virando um evento raro. /Cries in Spanish Chega de explicações para o atraso! Vamos ao capítulo! Espero que goste!. Não me deixem na mão, por favor! Me deixem saber tudo!

[“... De repente todas as minhas dores se tornaram fúteis.”]
[
Orihara Izaya]

[“Vou te ajudar com tudo que tenho. E espero que você se ajude com tudo que tem. “]
[
Kishitani Shinra]
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Apartamento de Kishitani Shinra
Ikebukuro
Kanto
Japão
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“Você está se sentindo bem?” Perguntou cauteloso.

“Não, não estou nada bem.” Murmurou a verdade em vez de responder sarcasticamente como sempre fazia. “Não responda uma pergunta com outra perguntar, Shinra. Me diga o que diabos você suspeita que eu tenha.”

“Não é suspeitar, Izaya.” Os olhos castanho-escuros se encontraram com os vermelhos. “Eu sei o que você tem.”

“Então por que não me diz? Por que está enrolando e enrolando?”

“Por que eu quero ter certeza de uma coisa antes de te falar. E eu só vou ter essa certeza quando receber o resultado dos exames que você ainda vai fazer.”

“Você quer ter certeza do quê?” O médico pareceu ponderar a resposta por alguns segundos antes de respirar fundo e colocar a mão no trinco da porta.

“Quero ter certeza de qual estágio o seu câncer de estômago está.” Shinra fechou a porta deixando o moreno sozinho com a impactante informação. Não era como se Kishitani quisesse fazer aquilo, ele queria dá suporte ao amigo, no entanto... Existiam outros problemas à serem solucionados naquele instante. Orihara precisava quebrar um pouco aquele revestimento anti-sentimentos que insistia em manter. Com uma certa hesitação voltou a sala de estar. [“Me desculpe.”] Fechou as mãos e os punhos tentando esquecer a face desolada do outro. [“Me desculpe”]

Enquanto isso, dentro do quarto, o paciente tentava digerir tudo aquilo que escutara minutos atrás. A imagem do homem de óculos dando o diagnóstico parecia uma fotografia antiga, sépia, uma lembrança de tempos passados, de uma outra vida. No ar, Izaya quase podia ver um esquema das coisas que aconteceram nos últimos 10 minutos.

1. Acordando em um lugar vagamente familiar.
2. Shizuo agindo como um idiota por alguns segundos antes de desaparecer.
3. Shinra e seu diagnóstico ridículo e surreal.
4. Shinra saindo pela porta, deixando-o com a bomba nas mãos e nenhum conforto
.
E foi isso.

Ele queria gritar e gritar e gritar. E apesar das cordas vocais em perfeito funcionamento, a voz não saía. Sua boca estava aberta sem que nenhum som escapasse dela. Suas mãos tremiam, sua visão estava embaçada e a sensação de sufoco roubava seu fôlego. As palavras do médico repetiam-se infinitas vezes dentro da sua cabeça. Enlouquecedora. Essa dor muda em seu peito estava enlouquecendo-o.

“Não é possível! Não é possível! Não é possível!” Ele havia se tornando tão humano ao ponto de sucumbir ao desespero? Orihara Izaya com câncer? Parecia errado, uma mentira. Totalmente fora do lugar. Inadmissível. “Eu... Eu não posso...! N-não dá pra acreditar...” Devia ser pegadinha. É, talvez fosse isso. Uma pegadinha ridícula. Uma forma de induzi-lo a cuidar melhor da própria saúde.

Suspirou, deitando-se na cama. A quem queria enganar? Não adiantava mentir para si mesmo. Não era do seu feitio também. Passou as mãos trêmulas pelos cabelos, olhos grudados no teto. Dependendo do estágio do câncer... Dependendo do estágio do câncer ainda havia cura, certo? Shinra não sabia em qual estágio a doença estava, então haviam chances de erradica-la. Mexeu-se entre os lençóis. As pálpebras iam ficando cada vez mais pesadas, estava difícil se manter lúcido.

. “O desgraçado...” Murmurou “... Me dopou...”

Da próxima vez não aceitaria nada para beber ao acordar.

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Apartamento de Kishitani Shinra
Ikebukuro
Kanto
Japão
Varanda.
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[“Como foi?”]
Celty não se conteve. Embora houvesse prometido mentalmente não perguntar nada, a expressão do humano foi o bastante para alertá-la que alguma coisa ruim havia acontecido. [“Por que você está com essa cara? Como ele reagiu? Você está bem? ︿⊙] Sua curiosidade sobre o que poderia ter ocorrido após a notícia era tão grande que quase transbordava. O mais jovem balançou a cabeça.

“Tá tudo bem, Celty. Eu estou bem, não se preocupe.” Tentou parecer causal. “Na medida do possível.”

[“Seu mentiroso! Está escrito na sua cara que você não está bem! Me diz por quê! Que foi que aconteceu? Izaya não conseguiu lidar com o diagnóstico?”] Shinra sorriu de uma forma que só poderia ser descrita como melancólica. Durou poucos milésimos de segundo. Outro sorriso — dessa vez um cheio de alegria falsa — tomou conta do rosto do homem de cabelos castanhos.

“Eu não fiquei lá tempo suficiente para vê-lo reagir.” Confessou. “Aliás, nem adiantaria ter ficado lá, nós dois sabemos que ele não é do tipo que quebra na frente dos outros. O máximo que eu conseguiria seria uma chuva de palavras ácidas.” A mulher concordou com um emoticon. “E eu o dopei como medida de precaução.” Deu de ombros. “Nunca se sabe, né?”

[“...”]

“Não fique assim.” Tocou o ombro da Dullahan. “Izaya necessita deste descanso prolongado. Prometo que assim que o efeito do remédio passar, conversarei sério com ele.”

[“Ele não é o único que precisa de uma conversa séria. Shizuo parecia muito chateado quando saiu do quarto. Você ainda não disse nada, né? Eu não acho que o Shizuo reagiria assim se soubesse...”]

“Não encontrei palavras para explica-lo sobre a situação.” Sentou-se no sofá, apoiando o queixo na mão. “Não sei se devo avisá-lo agora.”

[“Shizuo precisa ser avisado! Ele e Izaya estão namorando! É direito dele saber se o namorado dele está em estado terminal de um câncer ou não!”]

“Aí que está, Celty! Eu não sei qual é o estágio do câncer dele! A única certeza que eu tenho é que não é o inicial! Shizuo vai exigir essa informação apesar de não entende-la por completo e... E eu quero dá-la! Me sinto um pouco culpado por não ter insistido e persistido antes que fosse tarde demais. Se eu tivesse descoberto essa doença no estágio inicial... Quando alguns sintomas começaram a mostrar, assim como ele, eu confundi com gastrite. Mas tudo foi piorando e piorando.”

[“Você não tem culpa. Foi Izaya quem destruiu o próprio corpo. E por motivos tão... confusos.”]

“Não é uma questão de quem é culpado e quem não é.” O médico subterrâneo deu tapinhas no sofá com a mão livre. O ser sobrenatural entendeu o recado, sentando-se no lugar indicado. Os sentimentos misturados naqueles olhos castanhos não deixavam brechas para recusa. “Essa piora gradual me fez suspeitar que talvez não fosse gastrite.”

[“Gastrite quando não é tratada não tende a piorar?”]

“Não se seguir à risca a dieta que eu organizei. E Shizuo me assegurou que ele estava comendo direitinho do jeito que eu mandei.” Suspirou. “*Para me livrar da dúvida, fiz um exame bioquímico simples utilizando uma amostra de sangue que coletei. O Hemograma completo mostrou substâncias alteradas liberadas no sangue. Foquei principalmente no número de glóbulos vermelhos, de glóbulos brancos e plaquetas. Junto com a quantidade de hemoglobina nas células vermelhas do sangue. Geralmente são esses detalhes que mostram qual é a doença. Você se lembra da minha reação, não lembra? Digo, quando descobri.”

[“Como se eu pudesse esquecer! Você ficou tão estranho.”] Ela parou a digitação como se estivesse pensando em como formular a próxima frase. [“Ficou olhando fixamente para os papéis como se não pudesse acreditar.”]

“E eu não podia.” Kishitani mostrava sinais de cansaço, frustração e tristeza. Temia só de pensar na conversa que teria com o informante quando este acordasse. Em torno de uma ou duas horas. “Ainda preciso fazer alguns exames para ter certeza de como prosseguir com o tratamento. Não tenho os recursos necessários para realiza-los aqui. Quando Izaya acordar, terei que convencê-lo a ir em um hospital normal. Ou não. Duvido que ele não tenha contatos outros médicos mais especializados do que eu.”

[“Outros exames?”]

“Tem uma série de exames para detectar o estágio do câncer. E depois de detectar qual é o estágio, temos que detectar mais uma série de coisas. É complicado explicar todo o procedimento. Você poderia pesquisar na internet ou vir comigo para escutar a conversa.” Era um pedido silencioso de apoio. Seria uma conversa difícil para ambos os lados. Ela não podia nega-lo conforto.

[“Eu te acompanharei.”] Ele sorriu em agradecimento. [“ ♥ “]

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Ikebukuro.
Kanto.
Japão.
Calçada do prédio onde Kishitani Shinra mora.
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Já era seu terceiro cigarro e a calma parecia longe de ser alcançada. Batia o pé no chão, olhando para os grandes e cinzentos prédios no horizonte. As pessoas mudavam de calçada para não passar por ele, os poucos “corajosos” que passavam, tremiam e andavam rápido, provavelmente orando por suas vidas. Heh, babacas. O loiro não era de atacar transeuntes. E mesmo se fosse, sua mente estava muito ocupada canalizando pensamentos anti-raiva.

Heiwajima Shizuo estava estressado na melhor das hipóteses. Não sabia como descrever a sensação de fúria branda, derrota, medo e irritação que sentia em sua alma. O dia já começou errado no momento em que ele pisou fora da cama. Tsk, se soubesse, nem teria se levantado. E realmente não ia se levantar, mas o constante fluxo de mensagens de Tom e o fato de ter dormido no apartamento do inseto (de novo) o forçaram a desistir do colchão confortável e dos lençóis aconchegantes.

No momento em que pôs os pés no chão gelado foi que notou uma coisa estranha em sua rotina matinal; Izaya não se encontrava em canto nenhum do quarto. Tão acostumado a ver o menor falando com alguém ao celular ou trocando mensagens ou provocando-o que o silêncio simplesmente não se encaixava naquele local. Será que o bastardo já estava infernizando alguma “pobre alma” às oito e três da manhã de terça-feira? O ex-barman até esperava que aquele fosse o caso, pois o moreno não vinha agindo de uma forma muito normal já fazia um tempo, deixando-o preocupado com a sanidade do informante. Infelizmente, uma coisa não mudava, a imprevisibilidade da pulga. Ele nunca fazia as coisas que Shizuo queria que ele fizesse.

Resumindo a não-tão-longa-história: Ele foi ao banheiro, a porta estava trancada, ele perdeu a paciência tentando abri-la e arrombou, encontrou o namorado desmaiado e um cheiro de vômito e sangue terrível. A partir daí é fácil saber o que aconteceu. É procedimento padrão. Qualquer coisa que aconteça a saúde de um dos lendários de Ikebukuro, a casa de Kishitani Shinra é a primeira e única alternativa.

Muitas outras coisas aconteceram depois. Coisas que o irritaram profundamente. A maldita pulga se rendeu a uma recaída e poderia ter ficado em um estado pior se ele não houvesse invadido o banheiro e o salvado. Celty estava tendo um enorme trabalho tentando esconder alguma informação importante dele. Shinra lhe dera uma explicação muito “mais-ou-menos” sobre a condição do parasita. Confiando no instinto, o cobrador de dívidas podia dizer que algo ruim acontecia ao seu redor e que ele estava sendo mantido no escuro por alguma razão.

“Tsk.” E lá se foi ao chão o resto do terceiro cigarro. “Foda-se.”

Continua.

Notas finais
Explicações sobre o câncer de estômago. 1. Japão, apesar de ser a terceira maior economia do mundo, é o que registra o maior número de casos da doença em todo o planeta. São aproximadamente 780 casos para cada 100 mil habitantes. (Vocês acreditariam se eu disse que não ia ser câncer? /pedrada ) 2. Existem uma série de exames que devem ser feitos para detectar os tipos de câncer de estômago. Explicarei tudinho no próximo capítulo! Isso serve para o asterisco na fala do Shinra. Ele explicou o procedimento mais simples para se descobrir os indícios da doença. Enjoy It. ~