Notas iniciais
Esse capitulo já estava pronto há alguns dias, no entanto, só pude publicá-lo agora por que houveram problemas com o site. :/ E com o meu notebook. Peço perdão por estar tão curto, mas desde que tenho TFC e outros paranauês do terceiro ano para fazer, tenho ficado sem tempo. Vida social 0/1000. Peço que me perdoem. E sobre o capítulo, espero que gostem apesar de estar “meio corrido”. E entendam que não pude estender mais por que o próximo capitulo ficaria sem “plot”. Deixem suas dicas, palpites, críticas ou qualquer outra coisa que queiram falar para mim nos comentários. Se quiserem, óbvio.

["Eu não queria que isso acabasse assim"]
[Kishitani Shinra]

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Apartamento de Orihara Izaya
4 meses depois
Shinjuku
Kanto
Japão
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“ Arght! “ Da cabeça aos pés tudo doía, Orihara Izaya sentia-se horrível. Naquele momento seu maior desejo era morrer. Ou ter forças o suficiente para se levantar do chão do banheiro e ir tomar algum remédio para dor. E por mais que a segunda opção fosse atraente, a náusea e a tontura o impediam de fazer qualquer coisa. O mundo girava ao contrário para o moreno. Sabia que se tentasse levantar, cairia. Abraçou os joelhos, ignorando a queimação no estômago e o cheiro terrível de vômito (em alguma parte do seu subconsciente, o informante notou sangue misturado aos restos de comida).

Olhando fixamente para a parede de azulejos a sua frente, não conseguia pensar em nada. Sua mente, pela primeira vez em anos, estava completamente em branco. Sentia-se quebrado por dentro e por fora. A dor era tão insuportável que deixou o seu corpo, mente e alma imersos em dormência. O ar do local estava abafado, demasiado quente para seus membros frios. Conseguia ouvir o próprio batimento cardíaco. Um tum-tum violento. Ha-ha, seu coração parecia bem agitado em comparação com o resto do corpo. E foi ao embalo do tum-tum que adormeceu.
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Apartamento de Kishitani Shinra
Ikebukuro
Kanto
Japão
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Definitivamente este não era seu banheiro. Recobrando lentamente a consciência, o homem de olhos vermelhos sentiu seu braço direito envolto em alguma coisa estranha. O ar que respirava estava carregado do característico “cheiro de hospital”, mas Orihara sabia que não estava em um. Suas pálpebras vibraram na necessidade de descobrir onde estava, mas não abriu os olhos. Não sabia os perigos que o rodeavam neste ambiente desconhecido, seus sentidos ainda não funcionavam direito. Confiando na experiência em sequestros, preferiu continuar a fingir inconsciência até que seus reflexos voltassem.

Enquanto não voltavam, começou a analisar o mínimo do mínimo dos detalhes disponíveis na esperança de arquitetar uma boa rota de fuga. Tentou se concentrar nos barulhos a sua volta. Haviam, pelo menos, duas pessoas conversando não muito longe de onde ele estava deitado. Duas pessoas com vozes muito familiares. Quase gargalhou com a própria lerdeza quando reconheceu os homens que estavam no quarto. Abriu os olhos devagar, acostumando-se com a luz artificial.

“ Shin.. Shinra...?” Chamou baixinho, surpreendendo-se ligeiramente com o tom rouco da própria voz. Sua garganta estava em carne-viva e a saliva com gosto azedo, uma mistura de remédio e resto de suco gástrico. Nenhum dos dois pareceu escutar o chamado. Bufou, chateado. “HEY, SHINRA!” Se arrependeu de ter gritado quase no mesmo segundo, pois uma tosse seca tomou conta de si e lágrimas nasceram nos cantos dos seus olhos.

“... – flamação no revestimento do estômago, ah, olha só quem acordou!” O médico correu para perto do paciente, pegando um copo com água e sal no criado-mudo ao lado da cama. “Toma, gargareja.” Depois entregou uma vasilha de porcelana para o moreno cuspir. “Sabia que sua garganta não estaria muito boa depois do que o Shizuo me contou.” Izaya olhou para o loiro chateado perto da porta. “Então já deixei esse gargarejo pronto para qualquer emergência.”

“Hã?” O coletor de informações arqueou a sobrancelha com o jeito irritado do protozoário. Forçou um sorriso. “Oi, Shiz-...”O ex-barman bufou, cerrou os punhos, rosnou, deu meia volta e saiu do quarto pisando duro. “O que diabos deu nele?” Arqueou uma sobrancelha.

“Ele está chateado com você.”

“Quando ele não está?” Shinra deu de ombros como se dissesse de modo silencioso – Não sei, não me faça perguntas difíceis . Orihara decidiu mudar de assunto, levantou a cabeça apesar da tontura para obter uma visão melhor do outro. “Há quanto tempo estou desacordado?”

“Pouco mais de meia hora. Shizuo te trouxe até aqui soltando cobras e lagartos. Me disse que você passou horas no banheiro forçando o vômito.” O moreno estreitou os olhos, zangado. Ele não estava forçando o vômito, a estúpida bactéria não deveria tirar conclusões tão precipitadas. Percebendo a irritação do outro, o dono do apartamento emendou a fala rapidamente. “Só que eu fiz algumas analises enquanto você dormia e vi que a história não foi bem assim, até estava explicando para ele e tudo mais. Uma pena que não serviu de muita coisa.” O homem de cabelos castanho deu uma risadinha sem graça. [“Aposto que ele não te deu ouvidos. Shizu-chan pouco se importa com explicações técnicas. E não é como se ele entendesse mesmo.”] Pensou venenosamente. [“Quando eu sair daqui vai rolar uma briga dos infernos.”]

“Tsk, ele arrombou a porta do meu banheiro, não foi?” Resmungou. Talvez o tum-tum-tum insistente não fosse seus batimentos cardíacos no final, mas sim, murros “suaves” do cobrador de dívidas na madeira. “Não, não, ele destruiu por completo a porta do meu banheiro, não foi?”


“Foi.” Kishitani não pode deixar de sentir um pouco feliz ao ver a chateação do paciente. Um dia da caça, outro dia do caçador. Depois do terceiro ano do ensino médio, perdera as contas de quantas portas suas haviam destruídas pelo monstro de Ikebukuro por causa de Izaya. A justiça tarda mas não falha. Ha-ha. “Ele chegou furioso mesmo. Disse que você não atendeu aos chamados e que ele perdera a paciência, então chutou a porta com força. Só sobraram lascas pequenas da coitadinha.” Enfatizou por prazer.


“Nem vou exigir uma nova porta para o idiota.” Bufou. “O salário dele não compraria nem o trinco da nova porta.” Exagero? Exagero.

“Você deveria estar preocupado com outras coisas, Izaya.” O médico ajeitou os óculos tomando uma postura mais profissional. “Sua porta é descartável, mas sua saúde não é. O que aconteceu hoje prova que você não tem mais como ignorar o seu corpo. E nem me forçar a ignorar. Já passou da hora de dar um basta nesta teimosia. Já aguentei tempo demais. Você está fraco e eu sei o quanto isso te incomoda, te amedronta. Também estou assustado em te ver neste estado, por que é surreal para mim que tudo venha a colapsar de uma vez. Há anos tenho observado em silêncio seu corpo perdendo as forças de dentro para fora. Sendo sincero, esperei que pouco a pouco você fosse se desintegrando, tendo um ou dois problemas tão sérios que te desesperariam ao ponto de vir até aqui implorar por exames. No entanto, não aconteceu bem assim, por isso estou em choque. Os problemas que você adquiriu permanecendo na estupidez foram se acumulando em silêncio e quando decidiram que já estava na hora de “fazer barulho”, vieram à tona todos de uma vez. Não, não, não é só o colapso do seu corpo que me assusta, é a forma como você, um homem tão controlador, está deixando o controle se esvair com o vento. Ser assim não é ser Orihara Izaya. “ Houve uma pausa para descobrir se o moreno rebateria ou não as acusações. O paciente não deu sinais de protesto. Queria poder te deixar se ferrar sozinho como castigo, sabe? Infelizmente eu te considero como amigo, então não vou fazer essa crueldade. E Shizuo me mataria de qualquer forma caso isso viesse a acontecer.”

“Me diz logo o que eu tenho.” O homem de olhos vermelhos mexeu-se desconfortável na cama dura. O mundo parecia pular, rodar e fazer piruetas. “Me poupe do discurso.” Voltou a encostar a cabeça no travesseiro vencido pela dor de cabeça. Fechou os olhos não podendo mais mantê-los abertos. Suas frágeis forças se esvaíram. Era questão de tempo até que Shinra exigisse o check-up.

“O quê você tem? Bem, a lista é longa demais.” Não foi dito em tom de brincadeira, o coletor de informações percebeu. Era a mais pura verdade. “Entretanto, se servir de consolo, não é uma lista definitiva.” Nos lábios do médico havia um sorriso condescende que irritou o informante. Ele não precisava de compaixão só por que havia fraquejado.

“Resuma-a, então! Não me importo se a lista é ou não definitiva, quero saber!” Tentou fingir que não estava nervoso. “Diga-me o principal.”

“Eu vou precisar fazer uma bateria de exames para ter certeza do diagnóstico.” Ah, aí estava o tão temido check-up. “E você não tem direito de recusar. É para o seu bem.” O clima no quarto tornou-se tenso e sombrio. Apesar de não estar nos melhores dias, o moreno conseguiu perceber o ar de nervosismo do amigo mesmo que este usasse uma fria máscara profissional. Kishitani escondia algo dele. “Vou deixar você descansar agora.” Sorriu delicadamente, aproximando-se da porta.

“Parado aí, doutor. Nossa conversinha ainda não acabou.” [“Você não vai fugir sem me dá uma explicação satisfatória!”]

“Hã?” O homem de cabelos castanhos virou-se para o outro, congelando-se no lugar. “Você precisa descansar, depois conversamos.”

“Eu estou em estado crítico de gastrite, Shinra? Minha vida está correndo perigo ou algo assim? Esse seu tom manso está me irritando.” Arriscou um palpite. Há algumas semanas atrás, antes dessa crise, ele fizera uma pesquisa rápida sobre os sintomas que seu corpo apresentava e percebeu que eram extremamente parecidos com os sintomas da gastrite. Talvez fosse isso que ele tivesse adquirido devido a bulimia. O dono do apartamento arregalou os olhos devido a surpresa. Provavelmente não esperava que o paciente tivesse conhecimento da própria doença ou não esperava que fosse tão direto ao assunto. “É isso? É a gastrite?”

“Você está se sentindo bem?” Perguntou cauteloso.


“Não, não estou nada bem.” Murmurou a verdade em vez de responder sarcasticamente como sempre fazia. “Não responda uma pergunta com outra perguntar, Shinra. Me diga o que diabos você suspeita que eu tenha.”

“Não é suspeitar, Izaya.” Os olhos castanho-escuros se encontraram com os vermelhos. “Eu sei o quê você tem.”

“Então por que não me diz? Por que está enrolando e enrolando?”

“Por que eu quero ter certeza de uma coisa antes de te falar. E eu só vou ter essa certeza quando receber o resultado dos exames que você ainda vai fazer.”

“Você quer ter certeza do quê?” O médico pareceu ponderar a resposta por alguns segundos antes de respirar fundo e colocar a mão no trinco da porta.

“Quero ter certeza de qual estágio o seu câncer de estômago está.”

Continua.

Notas finais
*Crying in spanish* Me desculpem pelo capítulo de hoje, acho que não ficou legal. E ME DESCULPEM AINDA MAIS POR JOGAR ESSA BOMBA E SAIR CORRENDO.