Budapest
12 Cap. 12 - S.H.I.E.L.D
Notas iniciais
Depois da longa conversa com Fury, Natasha sentia-se mais leve, como se a culpa que trazia consigo, não fosse mais um fardo tão pesado para carregar, porque agora, ela teria a chance para tentar reparar todo o mal que causara.
Uma mulher chamada Maria, chegou a sala do diretor e esta a acompanhou até a enfermaria, onde uma enfermeira jovem tratou de seus ferimentos, refazendo os curativos em sua perna e abdômen, e depois seguiram para um corredor, com várias portas a esquerda e a direita, que davam acesso aos quartos dos agentes.
O dormitório aonde ela a encaminhou não era muito espaçoso, e possuía uma cama, um pequeno sofá de dois lugares, um guarda roupa e um banheiro. Pequeno, mas ainda assim, confortável.
Era estranho pensar que agora poderia um lugar de verdade para chamar de seu. Algo sólido, para onde pudesse voltar no fim do dia.
– Fique a vontade para tomar um banho e dormir se quiser, Natasha. Encontrará roupas limpas, assim como seu novo uniforme em seu guarda roupa.
– Obrigada, hã... Qual é mesmo o seu nome?
– Desculpe, não fomos apresentadas adequadamente. Sou Maria, Maria Hill.
– É um prazer conhece-la. – disse cumprimentando-a com um aperto de mãos.
– Como estava dizendo, descanse se quiser. Mais tarde, o Agente responsável por seu treinamento aqui na SHIELD lhe fará uma visita. Ele será seu O.S. e lhe ensinará tudo o que precisa saber sobre a nossa organização. Se durante o tempo de adaptação proposto pelo diretor, tudo correr como planejado, você se tornará definitivamente uma agente integral. – Hill entregou-lhe uma pequena caixa – E este é seu comunicador. Alguma dúvida?
– Não, obrigada novamente Agente Hill.
– E um conselho: Fury sempre quer poder confiar em seus agentes. Prove a ele, que você é digna de sua confiança.
– Por que está me dizendo isso?
– Porque eu quero acreditar que as pessoas ainda podem mudar. – ela sorriu, simpática.
– Darei o meu melhor.
– Eu sei que sim. Vejo você no jantar, Romanoff. – disse ela saindo do quarto de volta para a sala de Fury.
– Senhor.
– E o que você me diz, Maria?
– Creio que não esteja cometendo um erro senhor. Em minha avaliação, Natasha Romanoff está dizendo a verdade. Ela não hesitou em nenhum momento, ou teve quaisquer alterações durante o percurso até os dormitórios. Considerando que nos encontrávamos sozinhas, esta poderia ter sido a melhor oportunidade para ela ter tentado trair nossa confiança.
– Concordo com você Agente Hill, tive a mesma impressão durante o tempo que estive com ela. Mas manteremos os olhos bem abertos, por precaução. Natasha Romanoff é um risco, um bem alto, que eu estou disposto a correr. Então até que ela nos prove sua total lealdade, você ficará de olho nela, e me manterá informado.
– Sim senhor.
.-.
Após tomar um bom banho quente e trocar-se colocando uma calça jeans, uma camiseta preta, e um coturno preto extremamente confortável, ela passou a analisar o símbolo da águia da SHIELD no braço esquerdo de seu uniforme, quando escutou uma leve batida na porta.
– Pode entrar.
– Agente Romanoff?
– Agente Coulson, estou certa?
– Perfeitamente. – disse ele entrando em seu quarto. – Creio que não tenha lhe dado uma boa primeira impressão a meu respeito com tudo o que aconteceu na enfermaria. – ele continuou, esboçando um sorriso – Desculpe-me por aquilo.
– Não há problema algum. – ela sorriu também, minimamente.
– Mas deixe-me me apresentar da maneira correta agora. Meu nome é Phillip Coulson, e eu serei o responsável pelo seu treinamento na SHIELD. Sou eu que vou lhe mostrar como melhorar tudo o que você já aprendeu, e como a SHIELD trabalha. Eu vou ser o seu O.S.
– Entendido, Agente Coulson.
– Me parece, que você já está pronta para o jantar. Com fome? – ele sorriu, gentil.
– Admito que sim.
– Vamos então até o refeitório, há uma mesa esperando por nós lá.
Os dois caminhavam pelos corredores da base em um silêncio desconfortável, que Coulson quebrou.
– Infelizmente tenho que avisá-la que a comida aqui, não é das mais variáveis, porque tentamos manter os agentes na dieta, oferecendo os alimentos corretos, que incluem cereais, verduras, carboidratos e proteínas, na maioria das vezes. Mas hoje é seu dia de sorte: Macarronada! – ele riu.
Ela sorriu para o homem ao seu lado, que tentava fazê-la sentir-se bem. Aquele Coulson era realmente bem diferente do que ela conhecera horas atrás.
Logo chegaram ao refeitório, atraindo a atenção dos poucos agentes que se encontravam ali inicialmente, que encararam Natasha durante algum tempo antes de voltarem-se para seu jantar. Ela conhecia bem o que aqueles olhares significavam. Como sua reputação antecedia qualquer segunda impressão, os outros olhavam para a Viúva Negra com desconfiança, hesitação e acima de tudo, medo.
Os dois pegaram seus pratos com uma boa dose de macarrão a bolonhesa, e seguiram para uma mesa no canto esquerdo, com dois lugares sobrando, na qual se encontravam quatro pessoas. Uma delas, Natasha reconheceu facilmente por seus cabelos cor de areia, inconfundíveis para qualquer um: Clint.
As outras se tratavam de uma mulher que ela notou ser Maria Hill, o outro o médico que cuidara de Clint na base, West, e uma mulher asiática que aparentava ter a mesma idade de Coulson.
– Boa noite. – disse Phill, sentando-se ao lado de Hill, enquanto Natasha sentava-se entre ele e Barton.
– Hey Phill! – disse West.
– Olá Natasha. – disse Clint, com um sorriso caloroso preenchendo seu rosto.
– Oi, boa noite.
– Maria e Clint você já conhece, e estes são Hank West e Melinda May. West, Melinda, esta é Natasha Romanoff, nossa mais nova agente.
– É um prazer finalmente conhece-la. – disse o rapaz, cumprimentando-a.
– Seja bem vinda. – sorriu levemente a asiática.
– O prazer é meu.
– Você está bem? Pedi a Hill, que a levasse a enfermaria para tratarem seus machucados. – perguntou Clint.
– Estou bem, obrigada Barton. – ela respondeu simplesmente, sabendo que ele entenderia que o agradecia por muito mais do que uma ida a ala hospitalar.
O resto da noite foi a mais normal possível, conversaram um pouco enquanto jantavam evitando qualquer pergunta relacionada ao passado ainda recente da Viúva Negra, e mais tarde, Coulson, May e Maria se retiraram, deixando Clint como responsável por levar Natasha até o quarto dela novamente, enquanto West repetia pela 3° vez sua refeição.
– Cara, você não vai parar de comer hoje não?
– Qual é Barton? Nunca se sabe quando teremos macarrão à bolonhesa de novo, então eu tenho que aproveitar. Além do mais, sabe que perderemos todas essas calorias treinando.
– Tente apenas deixar o prato inteiro, ok? – ele brincou, enquanto encaminhava-se para os dormitórios na ala leste junto com Natasha.
– Mas essa é melhor parte! — disse Hank levantando os braços, fingindo estar inconformado.
Eles seguiram em silêncio, passando pelos outros agentes nos corredores, até que finalmente chegaram ao quarto, no qual Clint entrou logo depois de Natasha, fechando a porta atrás de si, quando a abraçou.
– Eu te disse que conseguiria, não disse? – ele disse sorrindo.
– Obrigada Clint, por tudo.
– Eu não fiz nada além do que era certo. – falou, se afastando e acariciando o rosto dela com o polegar. – Em alguns dias, com a sua recuperação, Coulson iniciará seus treinos, assim como lhe ensinará acerca de uma série de protocolos e regras que devemos seguir. Quanto a Phill, lhe garanto que ele irá te treinar bem. Ele tem um jeito diferente, mas é um dos melhores agentes que conheço; um homem de caráter a quem o próprio Fury confiaria a vida, assim como eu. Você pode confiar nele também, não precisa se preocupar.
Ela assentiu, sorrindo para ele. Se esforçaria ao máximo para se adaptar, mas seguir regras nunca tinha sido seu ponto forte. De qualquer forma, se aquilo era a maneira de começar de novo, ela não hesitaria em nenhum só momento.
Ele a beijou, e se despediu, indo para seu quarto para que finalmente pudesse descansar sabendo que ela estava bem.
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