Budapest
13 Cap. 13 - End of the Beginning
Notas iniciais
Quase seis meses mais tarde, Natasha já havia se acostumado com a nova vida que escolhera e até mesmo com as pessoas que passaram a fazer parte dela, em especial Coulson e Melinda, e seguia treinando com instrução de Phill, que buscava ajuda-la a aperfeiçoar as técnicas que ela desenvolvera ao longo dos anos, e ensiná-la novas táticas de luta, que ela ainda não conhecia, extremamente úteis para imobilizar qualquer que fosse o adversário.
Sem a permissão de West para voltar aos treinos diários, Clint se designava apenas a ficar ao lado de Coulson, enquanto os dois observavam Natasha e Melinda treinando.
Naquela manhã, Natasha acordou com o som de seu despertador que piscava indicando que já se passava das 4 da manhã, e quando esticou o braço até o outro lado da cama percebeu que Clint não estava ali. Eles não dividiam o quarto, mas com frequência, Clint se esgueirava durante a noite até o dormitório dela.
Ela suspirou e se levantou, vestindo o uniforme da SHIELD logo depois de tomar um banho. Ela caminhou até o refeitório, onde encontrou Clint tomando café sozinho em uma das mesas.
– Olha só, parece que alguém madrugou hoje. – ela sorriu, sentando-se ao seu lado.
– Bom dia para você também Srta. Natasha. – ele riu. – Desculpe ter saído sem te avisar, mas tive um pesadelo a noite e depois não consegui mais dormir.
– Deveria ter me chamado. – ela disse, juntando as sobrancelhas enquanto uma ruguinha surgia em sua testa.
– Hey, não se preocupe. – Ele se aproximou, roçando seus lábios aos dela levemente — Eu estou bem.
– Bom dia! – disse Coulson se aproximando junto com Melinda, impedindo que Natasha pudesse retrucar as palavras de Clint.
– Pronta para perder hoje, Nat?
– Veremos, Mel.
– É assim que eu gosto. – riu Coulson. – Dá mais emoção, não é Clint?
– Com certeza. – ele o acompanhou.
A manhã seguiu normalmente, e após ambas terem corrido cerca de 5 km na pista externa, elas seguiram para o centro de treinamento, onde lutavam no tatame. May havia se formado na academia de operações pouco mais de um ano depois de Coulson, e a habilidades das duas eram igualmente notáveis e elas buscavam aprender e aperfeiçoar seus golpes marciais uma com a outra.
Quando a russa derrubou a parceira no chão, Coulson encerrou o treinamento de combate de ambas.
– Nada mal, May. – disse Natasha estendendo a mão para Melinda que aceitou de bom grado.
– É, mas eu quase consegui derrotar você, dessa última vez. – Ambas riram.
– Estava pagando para ver.
– Romanoff, May, excelente trabalho. – Coulson disse. – Embora eu queira muito continuar, tenho uma teleconferência agora com o vice-secretário da ONU. – disse revirando os olhos, e suspirando profundamente com uma expressão de tédio, fazendo os outros três sorrirem com o jeito criança do O.S. — Enfim, encontro vocês mais tarde para assistirmos ao jogo do Red Sox, combinado?
– Vocês vão perder Coulson! Ninguém supera os Yankees! – gritou Clint.
– Veremos! – respondeu, se despedindo e deixando a sala de treinamento.
– Não suspire Melinda, mais tarde você o vê de novo. – Clint provocou a agente que sempre “escondeu” o carinho especial pelo O.S.
– Cale a boca, Barton. – ela ordenou.
– Nossa, que falta de humor! – ele riu. – Está passando muito tempo com a Natasha, não acha não?
– Nat, por favor, quer dizer ao seu namorado que eu vou soca-lo se ele não ficar quieto?
– Nós não somos namorados, Melinda.
– Tá bom, vou fingir que eu acredito. – ela riu, enquanto pegava a garrafa de água das mãos dela. – Até mais pessoal.
– Você não deveria provoca-la. – riu Natasha. – Logo você será liberado pelo West e estará em forma para ela chutar o seu traseiro.
– Eu não me preocuparia, afinal, tenho a Viúva Negra para me proteger... – ele disse levemente, se aproximando.
– Clint, estamos no meio da sala de treinamento.
Quando ele estava prestes a tocá-la, a Agente Hill entrou na sala, de cabeça baixa enquanto analisava algo em seu tablet, fazendo com que os dois se afastassem rapidamente, surpresos. Natasha olhou para Clint sarcástica, movimentando os lábios dizendo um silencioso “Eu não disse?!”.
– Barton, Romanoff, o Diretor Fury deseja vê-los imediatamente.
– No que ele precisa de nós? – perguntou Clint.
– Não posso adiantar nada agora, mas tenham certeza de que é de total interesse de ambos.
– Vou tomar uma ducha, e estamos indo Hill. – respondeu Natasha.
– Não demorem. – disse Maria simplesmente, antes de sair também.
– Estou te esperando lá fora. – disse Clint, roubando um rápido selinho em Natasha antes de se encaminhar para o corredor.
Ela rolou os olhos com o jeito impossível do parceiro, e seguiu para seu banho.
Poucos minutos depois, ela já estava pronta, e ia em direção à sala de Fury junto com Clint.
– Senhor, mandou nos chamar? – perguntou Clint.
– Sim, mandei.
– E no que o senhor precisa de nós?
– Barton, todos nós sabemos que precisamos regular a situação da Agente Romanoff.
– Quer dizer então que o Conselho finalmente decidiu julgá-la?
– Nesse exato momento. Estão apenas aguardando vocês.
– Então vamos acabar logo com isso. – disse Natasha, apreensiva.
A teleconferência foi iniciada, e os quatro conselheiros da segurança mundial, apareceram do outro lado do vídeo.
– Boa tarde. – iniciou Fury. – Acredito que todos saibam por que estamos aqui.
– Isso é loucura Fury! – esbravejou o primeiro, a esquerda de Natasha. – Ela é uma assassina, e pode muito bem estar tentado se infiltrar na SHIELD.
– Na verdade, é realmente intrigante. Mas, por outro lado, se nós pudermos contar com os talentos da senhorita Romanoff a nosso favor, seus serviços seriam de grande utilidade para a humanidade. – contrapôs o conselheiro no lado oposto.
– Senhores, eu sei que um tanto quanto complexa a decisão a ser tomada aqui, e agora, mas acredito que terão uma perspectiva mais sólida, se permitirem que meus agentes contem o que realmente aconteceu.
– Fury está certo. – colocou a única figura feminina do conselho. – Não adianta discutirmos os prós e contras uns contra os outros como um bando de velhos rabugentos, quando o que nos interessa no final é apenas o que eles podem nos contar.
– Então se é assim. – continuou o conselheiro no centro. – Agente Barton, faça o relatório da missão.
E assim Clint o fez, omitindo obviamente alguns detalhes, assim como grande parte da história que Natasha lhe contara, afinal, compartilhar algo tão duro e cruel como o que acontecera em seu passado, deveria ser uma escolha só dela.
Quando ele terminou, a expressão dos conselheiros havia mudado, e só então pediram que Natasha falasse sobre a missão, e a questionaram sobre o que a havia feito tomar a decisão de se juntar a SHIELD.
Natasha fez o relatório com calma; a verdade exposta em suas palavras para qualquer um que ainda duvidasse de suas decisões e a convicção dela ao afirmar ser agora uma agente da SHIELD, foram fatores determinantes na absolvição da Viúva, que teve seus crimes perdoados, e finalmente recebeu o seu distintivo.
.-.
– Achei que o casal não vinha mais! – gritou Phill quando Clint e Natasha entraram no quarto de West especialmente redecorado por ele, como uma grande sala de TV. – O jogo já vai começar.
– Cadê o West? – perguntou Clint, ignorando o comentário de Coulson, enquanto se jogava no sofá ao lado de May, e Natasha sentava-se ao seu lado.
– Foi buscar as pizzas.
– O Hank? – riu o loiro – Tem certeza que terá sobrado alguma coisa quando ele chegar aqui?
– Eu não duvido de mais nada quando falamos do West. – acompanhou-o Melinda. – Por que vocês demoraram? – perguntou ela.
– Mel, você não pode ser tão inocente. – implicou Coulson mais uma vez – O que você acha que eles estav... – a ruiva impediu-o de continuar a falar, acertando uma almofada em seu rosto.
– Fique quieto Coulson.
– Eu te disse para não ficar cutucando a onça com vara curta. Mas falando sério agora, aconteceu alguma coisa? Vi que Hill seguia para a sala de treinamento hoje mais cedo, quando estavam lá.
– Sim o Diretor queria nos ver e... Temos boas notícias, baixinha! – riu Clint.
– Estou dentro, Mel. – sorriu Natasha, mostrando seu distintivo aos outros dois. – Oficialmente.
– É isso ai! – disse a asiática estendo sua mão para bater na de Natasha.
– Tinha certeza que conseguiriam. Parabéns, Natasha. – disse Phill sincero.
– Obrigada Coulson. – ela sorriu, quando a porta foi aberta, e ali surgiu um West carregando cinco caixas de pizza.
– Hey crianças. – disse ele, já dentro de seu quarto – Espero que tenham se comportado enquanto eu estava fora!
– Espero que tenha sobrado pizzas para nós nessas caixas. – Clint riu.
– Engraçadinho você hein Barton? Mas e aí? O que contam de bom?
– Isso, West. – respondeu Natasha levantando o distintivo.
– Uau! Boa ruiva! – ele sorriu, tirando os pés de Clint da mesa de centro para colocar as pizzas ali.
– Valeu, doutor.
– Bom aqui temos uma de calabresa, mussarela, frango, palmito e é claro, banana!
– Senta ai logo cara, o jogo tá começando! – disse Coulson, pegando um pedaço de pizza e ligando a TV.
A noite foi a mais agradável possível, enquanto os cinco assistiam ao jogo de baseball, em meio a muitas fatias de pizza e brincadeiras de Clint e Coulson, enquanto May e a Natasha se contentavam em apenas rir dos dois e West, mal prestava atenção saboreando a comida.
Quando o jogo terminou, com a vitória dos Yankees, Clint, Natasha, May e Phill decidiram ir para seus próprios dormitórios descansar.
– Mais sorte da próxima vez, Coulsonzinho! – riu Clint, seguindo para a direita junto com Natasha, vendo Coulson mostrar-lhe o dedo do meio, indo pela esquerda com May.
– Dá próxima vez, vocês não tem chance Barton!
– Okay, isso é tão certo quanto dizer que a May não ama você!
Phill voltou-se para eles, observando Melinda lançar um olhar assassino para Clint.
– Ops... Falei demais? – ele riu, travesso.
– Acho que sim. – sorriu Natasha contidamente.
– Barton você é um homem morto. – disse May ameaçadoramente enquanto saia correndo atrás do arqueiro.
– May, calma cara! – ele disse correndo o mais rápido que podia. – Nat, não vai ajudar aqui não?
– A culpa é sua. Eu te avisei! – respondeu ela sorrindo, apenas observando a cena.
– Devemos ajudar? – perguntou Coulson, aproximando-se dela, enquanto os outros dois desapareciam pelo corredor da SHIELD.
– Acho que ele dá conta disso. – ela riu.
– É verdade o que ele disse?
– Coulson, eu...
– É verdade?
– Acho que sim. Qualquer um pode ver o quanto a Mel gosta de você.
– Queria que ela pudesse ver o quanto eu gosto dela.
– O que...? – Natasha iniciou, com um grande sorriso brotando em seu rosto.
– Nat!! Corre! – disse Clint aparecendo do nada e a puxando pela mão – Eu consegui despista-la no refeitório. Vamos!
– Depois teremos uma conversa muito séria senhor Coulson! – ela gritou, seguindo Clint.
– Sim senhora! – ele gritou de volta, sorrindo bobo. – Que noite... – ele disse, colocando as mãos nos bolsos de sua calça, refletindo por um momento, antes de tomar o caminho oposto ao seu quarto, em direção ao refeitório, procurando por May.
.-.
Durante a madrugada, Natasha despertou procurando por Clint ao seu lado. Ao perceber que ele não estava ali, ela levantou-se, sentando-se na cama procurando-o pelo dormitório dele.
– Clint?
Ela não teve resposta, e sabia bem o que aquilo significava: Pesadelos. Desde que o conhecera, isso o atormentava durante a noite, e então, ele não conseguia mais dormir, exatamente como acontecera na noite anterior. Levantou-se da cama, esfregando os olhos para afastar o sono, vestiu-se e saiu do dormitório, seguindo para o terraço do prédio.
Sentindo o vento balançar seus cabelos ao alcançar a parte externa do prédio, ela não se surpreendeu ao velo parado ali, em pé na beirada, enquanto observava o céu, que naquela noite era iluminado por toda uma constelação de estrelas.
Natasha aproximou-se dele devagar, o abraçando pelas costas e depositando um suave beijo em seu ombro descoberto.
– Hey... – ela disse suavemente – Pesadelos outra vez?
Ele apenas assentiu silenciosamente.
– Quer me contar? – normalmente, ela procurava não pressioná-lo, mas às vezes, seria bom compartilhar o que tanto o incomodava, e ela estaria sempre ali apenas para escutá-lo, assim como ele havia feito por ela.
Ele soluçou e só então Natasha percebeu que ele chorava, o que realmente a preocupou.
– Clint? — chamou ela o soltando e fazendo com que olhasse para ela – Me diz o que aconteceu.
Ele nada disse, apenas a abraçou.
– Ele voltou Nat... – ele disse – Todos os dias, eu sonho com aquele dia.
– Do que você está falando? Hey, calma. – ela disse, o encarando, acariciando seu rosto. – Eu estou aqui, lembra? – ela sorriu.
Com ele mais calmo, ambos se sentaram na beirada para conversarem.
– Eu não te contei Nat, o que foi que destruiu a minha família. – ele disse, os olhos ainda raso d’agua. – Ou melhor, quem foi. Mas eu preciso te contar toda a verdade. Meus pais morreram em um acidente de carro, e deixaram a mim e ao meu irmão sozinhos, porque se existia qualquer parente que pudesse cuidar de nós dois, eu nunca cheguei a conhecer. Fomos deixados num abrigo, mas o Mason... Ele era cinco anos mais velho do que eu, e me convenceu a fugir. Ele cuidou de mim, por muito tempo no circo, e... – ele suspirou, antes de continuar — Um dia, ele tentou me matar, mas ele não tinha nem sequer metade das habilidades que eu adquiri lá, e então... Eu consegui me salvar, e matei meu irmão, com a mesma lâmina com a qual ele tentou me atingir. E agora, mesmo depois de tanto tempo, eu continuo sonhando com ele. Todos os dias ele aparece, o brilho daquela faca em sua mão, a arma no meu peito, eu vendo a mim mesmo enquanto o matava, lembrando que fui eu que destruí o que restou da minha família. E isso está me deixando louco.
– Então, foi por isso que...
– Não só por isso Nat, mas eu conheço bem demais o que você sentiu. E quando eu pude ver a mesma dor, que eu carrego há tanto tempo, no fundo dos seus olhos, eu vi que você era sincera comigo.
– Clint, quando eu te contei sobre o que eu fiz, você me disse que não devemos deixar nosso passado nos consumir. Que pagamos pelos pecados que cometemos. Lembra-se disso? – ele assentiu, cabisbaixo — Mas você... Você é bom Clint. Olhe o que você fez por mim. Você me salvou, e talvez eu nunca poderei retribuir isso. Mas, hoje, se a Milla o conhecesse, ela me diria o quanto você é legal.
Ele conseguiu sorrir junto com ela. Aquela era a primeira vez que ela conseguira dizer o nome da irmã, e ele sabia o quanto era doloroso.
– O que seria de mim sem você hein? – ele disse a puxando pela nuca levemente e a beijando.
– Provavelmente, nada. – ela riu.
– Romântica você.
– Só quando eu quero. – respondeu fazendo-o rir. – Está melhor?
– Estou. – ele disse assentindo – Obrigado, por tudo, e por simplesmente estar aqui comigo.
– É onde eu sempre estarei. – ela disse o beijando de novo – Venha, vamos para a cama. – respondeu, se levantando e estendo sua mão para ele.
– Vou ficar aqui se não se importar.
– Na verdade, eu me importo.
– Daqui a pouco eu vou. Vá descansar Nat, eu não estou com sono.
– Quem foi que falou em dormir?
– Ah, é? – ele disse, com um sorriso torto no canto de seus lábios – Então, nesse caso, será um prazer te acompanhar, srta. Romanoff.
Ele se levantou, e abraçou, e ambos seguiram para seu dormitório.
Naquela noite, Natasha sentia-se feliz. Não só por estar livre, mas também por sentir a respiração de Clint, em sua nuca enquanto ele dormia tranquilamente. Enquanto ela estivesse ali, não permitiria que nenhum pesadelo o destruísse por dentro.
E então, ela pode voltar a dormir também, sem se preocupar em ter que fugir do abraço de seu arqueiro.
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