Bruxos De Blair

3 Capítulo 2 - Noite de Bêbados. Noite de Fogos.


Notas iniciais
Segundo capítulo fresquinho e lindinho para vocês! Ele saiu bem corrido porque eu tentei ao máximo diminuir o número de palavras e não assustar ninguém com um capítulo de 4.000 logo no início, isso seria bizarro, apesar de ser costume meu. Boa leitura!

“Oh, oh, oh, I wanna be free

yeah! to feel the way I feel

Man! I feel like a woman!”.

– Não está falando sério, está? Essa música lançou em 2004! – resmunguei com uma risada.

– 2003 para ser mais exata – Danna falou olhando para mim. Fiz um sinal para que ela olhasse para a estrada e evitar que o carro capotasse com nós duas dentro.

Passamos da placa da entrada de Burkittsville há alguns minutos e meio que andávamos sem sinal de onde estava a tal festa do Freeman. O lugar em que ele tinha dito para irmos mais parecia um campo abandonado com a grama alta e casarões esquisitos deixados aos pedaços sem qualquer sinal de vida.

– Liga pro Jeremy, ele já deve estar aqui. – Danna falou, passando seu celular para que eu ligasse.

– Sério, ligar pro Jeremy? – ela me fuzilou com o olhar e eu apenas dei entre ombros, ligando para ele...

– Alôôô? Danna?

– Jeremy, é a Oliver. Escuta, onde é a casa do Freeman? Estamos no meio da estrada vendo só umas mansões abandonadas sem sinal de vida...

Ouvi uns rangidos no celular sem entender o que ele falava e depois só o barulho da música no fundo da voz.

– ... Tem um caminho de terra perto das mansões, entra nele e vai direto até encontrar a maior delas, estamos numa CASA ABANDONADA!

Desliguei o celular e indiquei com o dedo a pequena abertura que dava para o tal caminho de terra no meio da grama alta.

– Jeremy deve ter bebido,haha. É só seguir essa trilha e parar numa casa grande e abandonada com vários carros estacionados. – falei com o olhar pra cima, tentando espiar a estradinha.

Senti mais pena da BMW de Danna do que de nós duas, garotas indefesas no meio do nada em plena uma da manhã, que arranhava ainda mais a pintura no meio da lama e do que tivesse naquele caminho. Então comecei a escutar o barulho grandioso das caixas de som. Estávamos na direção certa.

A casa foi fácil de ser encontrada, principalmente com 60% dos carros da nossa escola estacionados no nada, praticamente uns por cima dos outros. O som era eletrônico e a cada batida sentia meus pulsos compassarem e os batimentos entrarem em ritmo. Isso sempre acontecia quando chegávamos a festas com volume máximo...

O lugar estava aos pedaços como num filme assustador em que as madeiras ficam descolando e tem tonalidade acinzentada e lama pelos cantos, mas as caixas se estendiam por fora e por dentro, as garotas usavam saias curtas, os caras riam com suas bebidas em mãos (normalmente pulando em cima dos carros ou saindo da casa), enquanto luzes e mais luzes piscavam pelas janelas.

– Fazia realmente um bom tempo que eu não vinha a uma festa... – falei, fechando a porta do carro e mantendo os olhos parados na casa mal assombrada.

– E não vai assim, vai?! – Danna gargalhou. Percebi que ela se referia ao meu vestido do casamento. Devolvi o olhar como se perguntasse o que havia de errado com ele – Oliver, você está numa festa do seu ano sênior, não vou deixar que estrague seu vestido. Posso cortá-lo?

– Você não quer que eu o estrague e quer rasga-lo?! Ta curtindo comigo?

Danna revirou os olhos.

– Não, boba. Só quero deixar você mais atrevida para finalmente desencalhar!

– Primeiro que eu não estou encalhada, estou solteira por opção. – respondi com a mão nos olhos, depois me virando para ela e dando de ombros – Que seja, eu já estou cabulando o casamento mesmo. Só não vou fazer nenhum ritual satânico com você, certo?

A primeira puxada no tecido que Danna deu foi frustrante. Tínhamos em mente rasgar apenas a cauda do vestido e torna-lo um tipo de tubinho vermelho, mas a situação deu errado e ela puxou bem mais do que eu queria!

– Ok, você parece uma puta. – ela disse sem se aguentar de tanto rir.

O vestido rasgou até a altura do meu umbigo.

– E VOCÊ AINDA TEM A CARA DE PAU DE ME DIZER ISSO, DESGRAÇADA?! – berrei, pulando para dentro do carro.

Minha amiga correu para o porta-malas e trouxe para mim uma saia preta que eu fiz questão de colocar num segundo. Fiquei com a saia preta justa e terminei o trabalho de estragar meu vestido, mantendo a parte de cima como uma blusa rasgada que mostrava minha barriga pálida.

– Agora sim você está sexy, parece até uma garota!

– Abra o bico mais uma vez e eu te faço engolir um pneu de carro. – ameacei.

– E voltou a ser um macho... – Danna riu. Eu apenas a empurrei começando a andar na direção da música.

Por todos os lados eu via os imbecis do colégio se divertindo a maneira deles, a maioria cumprimentando Danna (máquina de fazer amizades).

Se havia uma coisa que eu gostava nela era o fato de ter centenas de pessoas aos seus pés e continuar a andar comigo e com o desengonçado do Jeremy, que nunca foram as pessoas mais legais do colégio.

O estranho da casa era que ela fazia rangidos. No momento em que subidos as escadas da entrada eu fui capaz de escutar (e sentir) a madeira ceder de pouquinho, apesar da música alta continuar atordoando minha cabeça.

– Ei, Freeman! – berrou Danna na minha frente.

Olhei para ela e vi que se dirigia até Klaus que estava praticamente engolindo Tina Humpkins das líderes de torcida na parede da frente do casarão.

– Olha só quem apareceu. – ele riu, largando a boca da garota cheia de baba e a cara dela de idiota. Virou-se novamente para sua ‘dama’, dizendo – Tina, pode ir pegar uma cerveja para mim? Valeu, você é tudo.

Tina Humpkins deu um sorrisinho e saiu de mansinho. Coitadinha da moça, ser cadela garçonete do Klaus era o cúmulo da incapacidade mental.

– Você sabe onde está o Jeremy? – Danna perguntou. Klaus fez apenas uma cara de que não sabia de quem se tratava. – Jeremy Field. O nerd que você rouba o dinheiro do almoço todo dia. O garoto da cueca do Homem-Aranha.

– AHHH! – ele riu, estava bêbado... Ao menos parecia estar – Você tem que ser mais específica quando fala de alguém, amor. Ele está com o Chandler aqui por dentro, estava falando de matemática com os caras do futebol e explicando a melhor maneira de atingirmos os fogos no carro de alguém, haha.

Revirei os olhos.

– Certo certo. Oliver, você vai atrás dele?

Klaus pousou os olhos em mim logo em seguida, me olhando de cima a baixo me deixando numa situação extremamente desconfortável, ainda mais quando parou no meu decote.

– Heyes, Heyes! – Klaus riu – Deveria andar assim na escola, sabia? Tenho amigos que achavam que você era lésbica por causa da maneira como se vestia.

“Ele se veste do mesmo jeito! Usamos os mesmo casacos de couro e os mesmos tênis... Opa, isso é um mau sinal.” Pensei.

– Klaus, seja mais gentil com as garotas.

Chandler chegou do lado dele com uma garrafa de cerveja fedendo como um porco.

– Chandler, onde está o Jeremy? – perguntei.

Ele era pouco mais baixo que Klaus, mas também tinha os ombros largos e o jeito de esportista comum na nossa escola, fora os cabelos loiros descoloridos e os olhos pequenos. Apesar de parecer a primeira vista um bêbado desvairado, era um dos poucos que não implicava com Jeremy e, por isso, gostava mais dele... Quando sóbrio.

– Jeremy? Quem?

– O Peter Parker do vestiário. – Klaus falou, tomando a garrafa e dando um gole na cerveja.

– AHH! O que tem o Parker? Não anda se danando muito não, aquele franguinho... – Chandler ria. Então olhou para mim – E o que essas moças querem com o nosso querido Aranha?

– Mantenha contato visual, Chandler. Contato visual. Chandler! Olha pra minha cara. – estalei os dedos e voltei sua atenção novamente para o meu rosto e não para o decote.

Ele chacoalhou um pouco a cabeça e saiu cambaleando para longe de nós, provavelmente iria vomitar. Klaus apenas deu entre ombros, tomando mais um gole de cerveja e dizendo:

– Bem, minha casa, sua casa...

Colocamos o pé para dentro novamente, rindo – eu e Danna, digo.

– Ele é esse imbecil desde que jogava pelo time de basquete. – Danna falou.

– Sinceramente, eu gostava mais dele naquela época. Hoje ele bate e rouba garotos como o Jeremy, antes ele só batia neles... – falei sadicamente, o que não teve efeito já que não escutávamos direito que uma falava por causa da música. – É mania dele de querer se mostrar valentão, principalmente ao dar em cima de você e das outras meninas. Não entendo como tem gente que ainda cai na lábia dele haha.

A situação estava mais selvagem do que eu imaginava. Dentro da casa tudo estava manchado de tinta que brilhava com a luz negra, como numa glowparty. A sala era grande demais, tinha piso de madeira velha e um grande tapete carmesim mofado se estendo pela maior parte do chão. As pessoas dançavam, conversavam nos sofás rasgados, pulavam, bebiam... Havia meninas usando lingeries de cabarés dos anos 40 que saiam andando com bandejas cheias de cervejas e copos com outros tipo de drinks com álcool.

Peguei um.

– ELA COMEÇOU COM FOGO HOJE, PESSOAL! – Danna gritava enquanto gargalhava.

Eu também ri. Senti o álcool queimar a garganta e comecei a pular no meio da multidão que dançava. A música era boa. Tudo estava ficando divertidíssimo, quase fora de controle.

A luz estava alta. As pessoas passavam por mim. Eram mais e mais corpos se esfregando uns nos outros por causa da quantidade de pessoas juntas, a música ensurdecedora e o tamanho da sala. Eu via muitos subindo as escadas e procurando outros lugares, além de ver cenas que não devo comentar. E o suor, AH O SUOR, escorria de um e passava pelos outros, misturando com maquiagem e perfume barato de adolescentes duros.

As músicas mudavam, se misturavam e ninguém parava de empurrar. Às vezes eu mesma empurrava, o que não adiantava muito. Sabe a sensação de estar no meio de pessoas que não se conhece, sensação de ser presa, mas se soltar ao mesmo tempo?

Tomei outro copo.

De repente, em meio àquela euforia momentânea que eu sentia, escutei um grande estrondo. A música parou e todos ficaram se perguntando o que aconteceu.

– VÃO SOLTAR OS FOGOS! – alguém gritou na entrada.

Todos dispersaram em poucos segundos. Eu, entretanto, tentei segurar no braço de Danna para sairmos com a multidão.

“Onde ela está?” pensei sem conseguir encontrá-la perto de mim.

– Danna! – berrei caminhando para o lado contrário enquanto todos passavam por mim. – Danna, cadê você?!

Todos passavam por mim fazendo barulho e gritando como loucos, dificilmente ela me escutaria onde quer que estivesse.

De repente, escutei um berro do outro lado do salão. Vi uma porta aberta que dava para outros cômodos e a primeira coisa que veio na minha mente foi seguir para lá. Não que tenha sido a melhor ideia que eu tive, mas aconteceu. Atravessei tudo e dei numa cozinha repleta de teias de aranha, um casal se engolindo em cima de uma mesa e outra porta aberta que dava para os fundos.

– Danna? – gritei na direção da porta.

Escutei outro berro seguido de um grito assustado. O casal do meu lado se assustou também, mas eu fui mas rápida e corri para os fundos, descendo uma escadinha de madeira repleta de buracos e dando de cara com o jardim dos fundos.

Na minha frente estava Danna, andando rapidamente em seu salto 15 atrás de Jeremy, que cambaleava logo à frente.

– Danna!

Ela se virou, sorrindo:

– Venha, Oliver! Jeremy ficou bêbado e tá correndo atrás do Chandler!

Danna tropeçava e parecia que girava no próprio eixo em alguns momentos, estava claramente fora de si.

“Será que todos estão bêbados?! Danna, Jeremy e Chandler juntos... Não vai dar certo”. Olhei para a grama e senti pela do meu salto, ainda mais do meu pé que ficaria todo sujo. Retirei os dois pés e fui correndo atrás dela e dos caras imbecis, foi quando os fogos começaram.

Atrás de mim a queima começou num espetáculo e eu até desejei parar para vez, mas ao olhar novamente para Danna vi que ela ia numa direção suspeita. Justamente atrás do casarão do tio de Klaus Freeman havia uma enorme cortina de árvores grandes, como se fosse um bosque ou coisa assim. Era, na verdade, uma parte da floresta de Burkittsville com uma enorme porteira feita de ferro meio enferrujado e um grande arco em cima escrito “Cemitério de Burkittsville”.

Danna entrou no portão correndo e sorrindo como uma idiota.

– Ei, o que está fazendo?! – alguém berrou atrás de mim.

Virei-me, ainda andando.

– Indo atrás dos bêbados, Freeman.

Klaus Freeman vinha num passo apressado justamente ao meu encalço.

– Espera,Heyes! Está atrás do Chandler?! – ele falou, chegando próximo a mim.

– Ele, Danna e Jer-

De repente, foi como se uma fina lâmina tivesse me atravessado e tirado o fôlego dos meus pulmões. Minha visão girou por um mero segundo e meus pelos todos se arrepiaram das minhas pernas até a minha nuca, subindo numa força extremamente agoniante. Então a sensação parou de repente, como se eu tivesse levado um choque e tivesse retirado meu dedo no mesmo milésimo.

Olhei para cima, eu havia acabado de atravessar o arco do cemitério. Mirei minha frente e vi o caminhozinho de terra coberto por folhas se estender no breu no bosque com setas nas árvores e tudo mais.

– Heyes, quando eu disser para me esperar, é bom que me esp-

Freeman parou exatamente do meu lado com uma expressão de susto. Ele tinha os grandes olhos verdes saltados e a boca entreaberta.

– Você está pálido... – eu disse, piscando rapidamente os olhos e encarando-o.

– Talvez a bebida tenha feito efeito agora. – falou com a voz um pouco mais arrastada. Pensei naquele instante se ele havia tido a mesma sensação estranha que eu — Onde está Chandler?

Apontei para o caminho das setas e o vi dar entre ombros, seguindo com largos passos e a mão enfiada na jaqueta de couro.

– Espera, Freeman! – gritei para ele, correndo para o seu lado.

– Vai se machucar descalça, Heyes.

Lancei um olhar desaprovador e ele apenas riu.

O caminho estava extenso e o vento batia na minha pele, principalmente nas minhas pernas que estavam quase nuas e me dava arrepios.

“Queria que o imbecil fosse um pouco mais cavalheiro e me desse o maldito casaco...” pensei quase rindo da minha esperança em transformá-lo num homem de verdade.

O vento ia e voltava, quase me embalava como se fosse uma dança, com música talvez.

Entre as moitas parecia que animais se mexiam freneticamente, passavam de um lado para o outro. O barulho das cigarras era intenso e as únicas luzes que podíamos ver eram postes de 10 em 10 metros e os fogos acima das folhas das árvores.

Então, escutei uma voz.

– JEREMY, SAI DAÍ! PARA COM ISSO!

– É a Danna... – falei para o imbecil de maneira até calma.

Ele, entretanto, deu um impulso e saiu correndo na direção da voz. Eu, logicamente, fui atrás... Talvez esse tenha sido meu maior erro.

Corremos como dois loucos, escutando os barulhos aumentarem e os sons nas moitas nos seguirem. Corri com o sapato nas mãos e sentia o chão ficar mais úmido, quase molhado, como se tivesse acabado de chover naquele lugar. Mas, quando me dei conta, estava na frente de um enorme campo repleto de sepulturas e outro arco gigante, desta vez com uma placa de madeira incrivelmente desgastada com alguma coisa talhada nela. Não tive tempo de ler.

Na minha frente vi apenas o corpo de Danna em pé e corri para perto dela.

– Ei, bêbada! Devia ter parado de correr! Por que estava gritando tanto? – eu falava enquanto andava. Toquei seu ombro e tomei um grande susto.

Na frente de Danna, os corpos inertes de Chandler e Jeremy estavam deitados, com os olhos abertos e os queixos cheios de baba e espuma. Seus olhos, entretanto, estavam claríssimos... Quase acinzentados nas íris. Eu gritei.

– Heyes, o que houve?!

Puxei o ombro de Danna e ela estava com a boca aberta, deixando com que a saliva espumada saísse de sua boca e descesse pelos lábios, assim como os garotos estavam.

– DANNA?! – eu choraminguei.

Então seu corpo tremeu e caiu em cima de mim, quase me levando ao chão.

– HEYES! – Klaus Freeman berrava, correndo na minha direção.

Eu fiquei imobilizada até bater os olhos na cripta no último clarão de luz que apareceu.

Todo o barulho a minha volta sessou de vez, e nisso eu escutei apenas um grande zunido abafado. A visão se tornou embaçada e meus pés começaram a ficar quentes. O quente foi subindo e subindo... Era como se fogo começasse a me consumir pouco a pouco, me fazendo desmanchar entre as chamas e me despedaçar em fagulhas inalteráveis. Inigualáveis! Era uma sensação ardilosa e desesperadora, como se eu perdesse o fôlego outra vez e tivesse vontade de vomitar minhas entranhas de uma vez.

Meu corpo era invadido por um tipo de desejo.

Meu corpo era consumido por uma dor repressiva e esmagadora.

Então, eu apaguei.

Notas finais
Chegou até aqui! UHUL! TRÊS VIVAS PARA VOCÊ! Não apague como a Oliver e escreva ema review para mim! (que piada horrível e.e não mereço mesmo...) enfim, espero que tenha gostado! Beijões :3