Bruxos De Blair
4 Capítulo 3 - Poderes Cósmicos e Fenomenais
Notas iniciais
E a Oliver?! Bem, ela tem sérios problemas para organizar as ideias. Ou sou eu que tenho? Tanto faz, ficou uma coisa bem confusa kkkk
Acho que sonhei com uma praia naquele dia. O vento batia na minha cara e tinha uma sensação gostosa nos meus pés, talvez fosse o mar batendo neles. Entretanto, nesse meu suposto sonho aconteceu uma tempestade terrível, eu gritava histericamente, mas ninguém me escutava por mais que eu berrasse. Então, de repente, não via mais nada! Barulhos me atormentavam, olhos caiam sobre mim e a terra começava a sacudir... Coisas assim...
Então, de repente... BAM. Acordei.
– Oliver? – uma voz ecoou quando abri os olhos, ainda tendo a visão embaçada – Ela acordou! Chandler, ela acordou!
– Quem estava dormindo? – eu disse com a voz arrastada.
O corpo incrivelmente leve de Danna pulou em cima de mim antes de minha visão clarear. Olhei para cima e me dei conta de que não sabia onde estava. Era um teto de madeira com uma pequena lâmpada que balançava de um lado para o outro e um cheiro de mofo misturado com álcool... Fiquei enjoada.
– Certo, o que está acontecendo? – balbuciei como uma morta.
Danna se levantou lentamente, choramingando:
– Oliver, estou realmente feliz! INCRIVELMENTE feliz! Achava que você ia morrer!
– Do que está falando, louca? – comecei a me levantar, sentando na cama em que estava deitada antes – Por que eu iria morrer?!
Atrás dela uma porta abriu-se com um rangido que me deu agonia. Então uma pontada de felicidade me surpreendeu! Jeremy apareceu ofegante e sorrindo como um idiota.
– Então ninguém morreu! – ele disse, rindo. Lancei um olhar duvidoso e ele simplesmente veio ao meu encontro, me abraçando como se fosse um urso.
– Certo, alguém pode me explicar o que está acontecendo?! – eu ri, me soltando dele.
Os dois se entreolharam antes de voltar a atenção pra mim. Danna pigarreou um pouco e começou:
– Oliver, você está se sentindo bem? Digo, não está enjoada, nem cansada? Não está se sentindo tonta?
Olhei para cima como se procurasse alguma resposta.
– Bem, eu só estou com sono... Por que eu ficaria assim? E mais uma coisa, onde estamos?!
– Então venha ver com seus próprios olhos! – Danna berrou, agarrando minha mão e me puxando para fora da cama.
Saímos praticamente pulando do quarto em que eu estava, eu tropecei em meus sapatos no chão e corri descalça junto a ela. A madeira do chão era envelhecida e as paredes também tinham o mesmo aspecto, até que saímos e me dei conta de que ainda estávamos no casarão do tio de Klaus Freeman.
“Por que ainda estou aqui?” a frase veio em minha mente de maneira pesarosa.
Pensei na noite passada (se é que aquilo tinha acontecido na noite anterior), lembrando vagamente de meus passos, de como estava frio, da dança, do barulho, dos dois copos que tomei e principalmente de rostos. Tomei um susto só em pensar no rosto de Danna com os olhos praticamente virados e toda aquela saliva espumada descendo por seu queixo.
– Danna, o que aconteceu?! – parei, puxando-a pelo seu pulso. Quando ela se virou, a imagem tomou seu rosto e por isso estremeci por um mero instante. Em seguida, voltou ao normal... Isso foi completamente assustador – Sonhei com você e com os meninos correndo bêbados para um cemitério e...
– Não foi um sonho. – ela disse, sorrindo. – Você precisa ver isso.
Atravessamos as escadas na esperança de que não cedessem e fomos para fora com pressa. O jardim de Freeman estava vazio, diferente de quando os carros estavam estacionados, e logo próximo às escadas da entrada ele e Chandler riam e conversavam, virando-se normalmente para mim.
– Finalmente ela acordou. – Chandler falou fazendo uma rápida careta por causa do sol. – Sabe que horas são, Oliver Heyes?!
– Chandler, temos que mostrar para ela tudo! – Danna falava, se divertindo e descendo ao encontro deles. Eu, entretanto, parei nos degraus, completamente confusa quanto àquilo que ela queria me mostrar. – Venham logo.
– Quer dizer que você ainda não falou pra ela? – Klaus falou, também fazendo uma cara feia.
– Pensei que mostrar vale mais do que as palavras. Ela não acreditaria, poxa! Eu não acreditei... Vamos, vamos!
– Me coloca fora dessa, estou cansado... – ele disse, sentando nos degraus e se virando para mim – Heyes, tente não surtar como a Danna fez...
Jeremy chegou logo depois e ficou em pé do meu lado, enquanto ela estralava os dedos e o pescoço.
– Vamos lá, Danna. Mostre o que aprendeu nas últimas horas! – Jeremy gritou.
A última vez que eu fui para um show de mágica devia ter uns 10 anos, estava acompanhando meus sobrinhos por parte de mãe e tudo terminou com um acidente de um palhaço qualquer... O que não importa agora, mas enfim. Quero dizer, eu tinha um olho bom para essas coisas, truques baratos e brincadeiras para crianças, mas tudo que aconteceu simplesmente saiu do meu controle de entendimento!
Danna ergueu as mãos a sua própria frente, enquanto nós apenas observávamos. Um jato de vento meio que saiu dela num circulo e passou por mim como se uma onda batesse numa pedra. Então num susto eu comecei a ver pequenas pedrinhas, às vezes folhinhas da grama que estava soltas, se levantarem até a altura de seu tornozelo.
– Está brincando... – sibilei.
Jeremy e Chandler apenas riram da minha expressão, enquanto Klaus afundava a cabeça entre as mãos num tom de cansaço e monotonia.
Danna então abriu os olhos, sorrindo. Ela mantinha as mãos no lugar e, lentamente, foi abaixando-as. As pedrinhas continuaram no lugar. Então caíram.
– E aí, gostou? – ela perguntou, antes de notar minha cara e se assustou – Por favor, não dê chilique...
– Chilique? – eu ri – Não se preocupe, estou acostumada com brincadeirinhas assim... Você ta com linhas nas mãos, não é? – Danna sorriu e mostrou-me as mãos. Fechei um pouquinho os olhos para poder ver melhor, mas tive que ir para perto checar. Não havia linhas nenhuma nos seus dedos – Certo, então as pedras se moveram sozinhas, é isso que quer me dizer?
Não me segurei e tive que soltar um risinho.
– É, exatamente isso que quero dizer... – ela disse.
Olhei para o chão, para ela e para os meninos. Todos assentiam com a cabeça.
Eu não sabia ao certo o que tinha acontecido. Revirei a minha cabeça e a imagem veio outra vez. DANNA ESTAVA LEVITANDO PEDRAS?!?!?!
– Eu sabia que ela ia pirar... – Klaus Freeman falou, desta vez soltando um meio-riso.
– Pirar?! EU?! – berrei – VOCÊ VIU O QUE ACABOU DE ACONTECER?
– Calma, Olie! – Danna riu-se – Eu tive a mesma reação quando vi que Jeremy fez e que os outros dois também sabiam. Relaxa!
“Ela quer que eu relaxe? Mesmo?!” veio à minha cabeça.
– C-co-co-como assim eles fizeram o mesmo?! – balbuciei em vão.
Jeremy veio correndo para o meu lado e segurou meu braço com mais força do que eu estava acostumada.
– Você entendeu, Oliver?! Alguma coisa aconteceu e todos nós podemos fazer coisas extraordinárias!
Ele deu dois passos para trás e lançou um olhar fino para mim. Pensei que fosse enfartar, mas percebi que não se tratava de mexer comigo. Seus óculos começaram a balançar na própria cara, levitando na sua frente e praticamente DANÇANDO NO AR... Até cair de uma vez.
– Você também, Jeremy?! AAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
– É, preciso de mais prática. – Jeremy falou, se abaixando para pegar os óculos.
– Eu e Klaus também estamos nessa situação, logo... Você também, Oliver. – Chandler falava com um sorriso de ponta a ponta. – Não lembramos ao certo o que aconteceu, mas a última lembrança de todos foi que chegamos ao antigo cemitério e apagamos.
“Assim como eu...”.
– Quando acordei, Klaus estava conosco e me contou sobre isso, seja o isso for. – Chandler falou mais excitado. – Quer tentar?
– Não estão me oferecendo drogas, estão?! Quero dizer, vocês estão falando isso com uma normalidade assustadora. Olha pro Freeman! Ele nem se mexe!
Todos viraram para Klaus Freeman e ele apenas abafou um risinho, se levantando da escada.
– Não me meta nisso, Heyes. Estou cansado... – falou, metendo as mãos na calça – Toda essa agitação desde antes de ontem, estou esgotado.
Parei e repeti o que ele falou em mente.
– Como assim “desde ANTES ontem”?... Quer dizer que...
– Você dormiu quase dois dias inteiros. – Jeremy riu, completando minha frase. – Ninguém sabe o que aconteceu exatamente, e você ficou apagada por mais tempo que todos nós. Não sabemos nem como voltamos para cá!
Freeman assentiu com a cabeça.
Minha cabeça girou. Era muita informação de uma vez.
– A última coisa que eu lembro... – comecei a falar, então todos se aproximaram de uma vez – Digo, eu lembro vagamente de um flash ou outro... Das lápides e do rosto da Danna pálido e de baba escorrendo por ele.
Jeremy fez uma expressão confusa, assim como Danna.
– Baba escorrendo? – Chandler falou com um riso sarcástico. – Não estava sonhando?
– Não, eu sonhei com uma praia. Lembro da Danna quase nitidamente. – nenhum deles me levou a sério. Desisti logo de início de tentar convencê-los de que tinha visto tudo aquilo. Cocei meus olhos e tentei colocar as idéias no lugar. – Certo, esquece o que eu disse. Ainda assim, ninguém tem idéia do que aconteceu, mesmo? E por que só aconteceu conosco? Quero dizer, só aconteceu conosco, certo?
– Calma, Oliver. – o loiro disse, passando a mão na minha cabeça como se eu fosse uma criancinha – Alguma coisa aconteceu no cemitério e por isso estamos assim. Já assistiu ao filme Zoom? É mais ou menos isso... Do nada algo aconteceu e do nada estamos assim.
– Outro filme bom é Poder Sem Limites, parece mais com a nossa história. – Danna falou.
– PAREM DE FICAR CALMOS! – berrei com toda a força que tinha, arrancando um silêncio rápido. – Por favor, nessa hora vocês deveriam ficar desesperados para saber o que aconteceu com vocês e não pensando em filmes de super-poderes!
Klaus riu sozinho naquele instante, um riso chato e implicante e coçou a própria bochecha, falando:
– Heyes, mal sabe que você também é capaz de fazer isso... Nós somos, por que você não? Vamos, tente.
Danna e Jeremy sorriram.
– Vamos, Oliver! Tente!
Os dois praticamente pularam em cima de mim. Cada um segurou um braço e o estendeu, como o que Danna havia feito antes.
– Respire fundo. – ela começou dizendo. Então se virou para o Freeman e disse – Como é a primeira coisa, eihm, Klaus?! Sentir as...
Ele se espreguiçou e foi na minha direção com má vontade e um bufado que mais parecia de um animal, se postando do lado de Danna.
– Fique calma, Heyes. O segredo é imaginar que existem ondas do seu lado, como nas aulas de física... Tudo calmo e tranqüilo.
– Como numa praia. – eu disse rapidamente.
– Exatamente, como numa praia. Então foque em alguma coisa que você quer que se mova... Como uma pedra no chão. – ele falava, apontando para uma pedrinha solta e melada de lama. Fiz como ele disse e apenas me lembrei do sonho que tive naquela manhã, a calmaria e o mar batendo no meu pé. – Se estiver concentrada, liberte-se. É como se tudo acabasse num-
– Numa tempestade. – minha fala saiu como um assovio, o interrompendo.
Ele e os outros dois deram um passo para trás. Era como se um ritual satânico tivesse começado e eu estivesse sendo o centro das atenções, talvez eu fosse a “oferenda”, haha.
Como disseram, senti-me calma de início e tentei ser embalada pela sensação de que havia algo em volta de mim, eram as ondas. Olhei para a pedra, e ela olhou para mim (lógico que num sentido figurado da coisa). Então a tempestade começou na minha cabeça e tudo que eu desejava, do fundo do meu peito, era mover aquela pedra. Eu PRECISAVA mover a pedra, não era questão de vontade, tinha se tornado mais forte dentro de mim e eu nem havia percebido isso na hora!
BAM! As ondas explodiram e bateram!
Tudo aconteceu, o problema foi que a pedra nem se mexeu.
– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – Chandler e Klaus caíram na gargalhada de uma vez só.
Minha cara começou a pegar fogo quando olhei para os dois imbecis rolando no chão de tanto gargalhar.
– Vocês estavam brincando comigo todo esse tempo?! – berrei.
“Quem me dera essa história de poderes fosse verdade para eu poder arrancar o coração deles pelo nariz!” pensei.
Jeremy e Danna, entretanto, tinham um olhar baixo e meio triste. Eles não estavam com ar de brincadeira nem gozação.
– Oliver... Não é brincadeira, eu já te mostrei isso. – Danna falou com a mão no meu ombro – Tudo que eu te mostrei foi de verdade. Como você não conseguiu fazer?! Digo, nós nem precisamos de todo o preparo nem nada e conseguimos.
Mirei Jeremy, enquanto ele dizia:
– Ela ta falando a verdade.
Klaus começou a se engasgar com a própria saliva, enquanto Chandler o apoiava para se levantar. Fiquei emburrada com aquilo, com o riso deles principalmente. Afinal eu não entendia porque eu não tinha conseguido.
– Desculpa a risada, Oliver, mas sua cara de determinada me tirou do sério. – Chandler falou, passando a mão no cabelo. – Bem, vai que você só não se concentrou direitinho, sabe?
– Eu acho que ela se concentrou o suficiente... – o Freeman falou, em seguida dando uma grande gargalhada.
– Quer parar com isso, idiota?! – Danna berrou – Estamos num caso sério! Todos nós conseguimos fazer essa... coisa...Menos a Olie! Alguma coisa aconteceu com ela ou aconteceu conosco de diferente, essa é a única explicação que eu tenho.
Eles pararam um pouco o risinho estúpido.
– Talvez ela tenha razão... – o loiro disse, dessa vez dando entre ombros.
Todos simplesmente tratavam aquele sobrenatural com a maior tranqüilidade. Mesmo quando Danna levitou as pedras. Mesmo quando Jeremy mexeu nos óculos. Mesmo quando EU não consegui fazer nada. Eles estavam LOUCOS?!
– Me desculpa, mas vocês estão normais demais... – falei por cima do ombro. – Danna, quando vou poder ir para casa? Estou morta...
– Você quer ir embora, LOGO AGORA?! – ela riu. Não queria que risse, me fazia parecer idiota.
– Podemos nos reunir depois. – Chandler disse, desta vez parecendo realmente se importar. – Digo, também estou cansado. Klaus quase caia de sono antes e ta na cara que vocês querem ir para casa também. Até porque, minha mãe deve estar pensando que eu fugi para o Canadá, não vou para casa há quase três dias.
– MERDA! – gritei com a mão na cara – Como eu pude esquecer?! Eu dormi por quanto tempo?!
– Ao todo, você ficou fora de casa na noite da festa, ontem e hoje... – Jeremy riu.
“Papai nunca mais me deixa sair de casa...”.
– Certo certo, então vamos deixar claro nosso próximo encontro para saber o que está acontecendo? Vamos para casa, descansar e depois procuramos pelo que nos aconteceu, ok?! – Danna disse e todos assentimos com a cabeça. – E para que nada saia de controle, não vamos mostrar isso para ninguém, ouviram?! Mesmo que pareça muito tentador.
Chandler bateu com o cotovelo em Klaus, sussurrando:
– Aposto como as meninas da torcida abririam as pernas se vissem o que podemos fazer... Talvez nós até pudéssemos abrir por elas.
– O vento bate sem querer, as sais sobem... – Klaus riu.
– Huum, eu soube que a Crystal não usa calcinha.
– CHEGA! – fiquei furiosa com o papo nojento dos dois. – Parem de pensar apenas nisso! Estamos falando de algo sério aqui, poxa!
Eles riram e bateram as mãos. Eram imbecis completamente nojentos e desagradáveis.
– Enfim, amanhã durante o almoço do colégio nós conversamos, o que acham? – Jeremy disse.
– Acho melhor ser um lugar discreto. Voto para a parte de trás da arquibancada do estádio. – Danna retrucou. – Todos de acordo?
Novamente, mexemos a cabeça positivamente.
A volta para casa foi, além de rápida, tranqüila. Eu estava morta, mas ainda assim dirigi no lugar de Danna, ela sim tinha uma expressão horrível logo que entramos na BMW.
Quando cheguei no portão de casa, me certifiquei de que não cheirava a álcool nem que meus cabelos ficaram MUITO assanhados. Mera ilusão minha, eu parecia uma bêbada com o laquê do penteado caseiro que fiz pro casamento arrepiando meu cabelo... O lado bom era que o casarão era grande o suficiente para eu passar despercebida. O lado ruim era que papai estava de saída naquele segundo.
– O-Oliver?! – ele balbuciou no segundo que eu coloquei o pé para dentro e ele para fora.
– Bom dia, papai...
Ele me olhou de cima a baixo e abriu as grandes narinas para me cheirar.
Eu nunca me dei ao luxo de fazer uma loucura dessas então, estava no crédito. Sai correndo pelo hall e subi a escadaria direto para o meu quarto como uma fugitiva.
“Provavelmente ele me deixará de castigo, mas deve ser apenas para não perder a compostura de pai rígido.” Imaginei, enquanto subia as escadas com os sapatos na mão e ria sozinha.
E aquele foi, sem dúvida, o melhor banho da minha vida. Devo ter passado mais de quarenta minutos dentro da banheira... Saí com a toalha na cabeça e me deitei de pijamas na cama, olhando para a lâmpada do teto.
Meu quarto era enorme e tinha uma sacada para fora que dava vista para a rua, mas a porta estava fechada e eu estava cansada demais para ir abrir... Ainda assim, olhando para a lâmpada, tudo que tinha acontecido veio à minha cabeça. A noite anterior (da anterior), os fogos, a visão estranha no cemitério e tudo mais. Eu me lembrava até do frio que senti quando estava lá!
Então me veio em mente algo que eu não sabia que lembrava... Um rosto embaçado... Não me era estranho aquele rosto, mas eu não sabia se era de um homem ou de uma mulher.
“Ah, que seja! Minha cabeça vai explodir se eu começar a inventar rostos agora.”
Fechei os olhos alguns instantes e os abri novamente, olhando para a luz.
– Como era a sensação...? – sibilei sozinha. – A calma e a tempestade...
Eu fixei o olhar na lâmpada. Começando a ficar revoltada com a “calma e a tempestade” rondando minha cabeça e meus pensamentos. Era como se Klaus Freeman recitasse meu sonho naquele momento e depois saísse cuspindo em mim seu riso idiota. Era tudo tão absurdo! Eles tinham poderes mágicos e fenomenais! E eu...
E eu...
E EU?!
Arregalei os olhos de uma vez naquele instante e escutei um enorme CRASH seguido de um grande apagão. A lâmpada quebrara e se despedaçara! A única luz que vinha de fora, vinha da rua e me permitia ver os pedacinhos de vidro pairando sobre minha cabeça.
“O que está acontecendo?...”
Então os pedaços todos caíram e mais e mais barulhos seguiram. Corri para a sacada naquele momento e só via o escuro assombrar a rua. Todas as lâmpadas nos postes tinham se quebrado, uma após a outra no raio do quarteirão.
Eu fiz aquilo...
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