Brumas Da Morte
13 Um encontro com o passado
Notas iniciais
A criatura ensandecida de olhos vermelhos cintilantes pulou desajeitadamente sobre Carson, revidando instintivamente com o reflexo, antes de atirar queria ter certeza da real ameaça, não houve tempo para maiores avaliações quando o segundo ser, atirou-se sobre ele. Carson atirou no peito da criatura noturna.
Todos os outros já estavam ao seu lado, cada cavaleiro ficara de costas um para o outro, na tentativa de manterem a guarda. Um vacilo e suas vidas seriam dizimadas.
—Mas que droga é essa? São homens? Merda, são nossos compatriotas, Carson! — Steve indagava com seu arco tencionado ao máximo.
Era difícil saber quem era o cavaleiro mais velho, Steve ou Gordik, ambos corpulentos. Steve, no entanto, aparentava a experiência de todos os cavaleiros do rei. Sábio, ágil, valente e mordaz.
Aos olhos de todos os cavaleiros, a flecha fixara-se no peito de um dos homens-zumbis que tentara contra a vida de Gordik, que apesar de seu tamanho havia ficado petrificado, sem reação ao ataque mortal da criatura. Os olhos do gigante encontraram os de Steve que mantinha sua posição de combate.
— Era apenas um garoto Steve — Gordik falou, no entanto sabia que o amigo apenas o protegera.
Steve encarou os olhos do garoto zumbi, agachou-se e fechou-os delicadamente com uma prece. Logo levantou-se e ordenou a retirada imediata de todos daquele lugar que exalava a morte.
— Vamos amigos, Nathan nos havia alertado sobre os afetados por essa bruxaria de Sostefhys, não quero tirar a vida daqueles que um dia encheram nossas terras de alegria — o velho Steve ergueu a espessa sobrancelha enquanto segurava firme, o pingente que tirara do pescoço do garoto, e como uma promessa montou em seu cavalo e aguardou seus parceiros de jornada lhe seguirem.
Algumas horas depois do amanhecer, os quatro cavaleiros chegavam ao desfiladeiro de onde Gareth havia sido levado. O sangue ainda presente nas rochas confirmavam o que Nathan lhes havia contado. Gordik desceu do cavalo e segurou em suas mãos o pedaço de corda ensangüentado. Olhou para Steve e confirmou o local com um balançar de cabeça.
—Tudo indica que foi daqui que levaram nosso amigo Gareth — o velho apertou fortemente o pedaço da corda e jogou-a aos braços do abismo, de onde vozes e sons ininteligíveis se fizeram ouvir. Gordik voltou seu olhar para o abismo.
— São os “amaldiçoados”? — Martin apeou de seu cavalo e foi de encontro a Gordik. Observando as brumas da morte tomarem ainda mais o local.
— Sim. Pelas vozes e murmúrios desconexos são eles e em maior concentração. Olhem a névoa. Cada vez mais espessa. Espero que nosso mago Gerald possa fazer alguma poção que nos livre desse mal — Gordik passou a mão pela barba apreensivamente.
—Ainda faltam uns dois dias até o reino de Asmeth, quanto mais rápido chegarmos, mais chances teremos de resgatar Gareth com vida — Steve voltou a montar e saiu em disparada para o norte. Os demais cavaleiros fizeram o mesmo, estavam a galope quando um dos cavalos empinou e derrubou seu cavaleiro ao arenoso solo.
—Mas que droga! Você está bem Carson? — Gordik aproximou-se do amigo que limpava-se da poeira e cuspia no chão.
—Si...sim...cof..cof..fora a maldita poeira... estou bem — logo um tiro ecoou no ar, chamando a atenção dos cavaleiros.
—Rápido homens, montem! Serpentes! Estamos em um ninho de serpentes — o homem gritava esporeando seu cavalo.
O aviso alarmante de Martin trouxe a todos a seriedade do perigo. Carson viu seu cavalo ser sufocado pelas enormes serpentes, e não se conteve. Antes de ser pego por Gordik atirou piedosamente na cabeça de seu belo animal. Em disparada os cavaleiros desviavam-se das peçonhentas que atacavam saltando com as mandíbulas abertas, e para piorar ainda mais a situação, uma tempestade de areia aproximava-se do grupo.
— Voltem ao leste homens, estamos em desvantagem. Cubram o rosto ou morrerão sufocados! — Steve não soube se todos haviam entendido, mas seu repentino movimento surtiu o efeito desejado e embrenharam-se na mata verdejante, escondida ao leste de Aislin.
A tempestade pareceu perder forças e se desfez como por encanto ao tocar na mata. Os homens ainda cansados limpavam o corpo coberto de areia. Quando Carson, olhou ao redor e deu de encontro ao que parecia uma estátua humana.
— Meus Deus, estamos perdidos! — Carson tirou o chapéu empoeirado, ajoelhando-se em seguida.
— Do que estás a falar homem? — Martin seguiu Carson, e seus olhos deixaram o temor reluzir por alguns instantes — Senhor Thortien? — a voz de Martin soou muito mais rouca do que era.
Gordik e Steve logo perceberam onde estavam, acabaram de entrar na floresta de Brianna. A feiticeira que transformara o seu rei e o exército em pedra, ainda quando eles eram jovens cavaleiros.
O vento soprara a longa cabeleira de Gordik, seu olhar era quase um desafio sombrio, guardado há muito tempo dentro de seu peito. Lembrava nitidamente das ordens de seu rei enquanto se transformava em pedra.
— Corra homem, e proteja me filho. Vá! Corra... não olhe para trás! Proteja meu filho... —e essas foram suas ultimas palavras antes de se tornar pedra.
Jamais se esqueceria daquele dia. Havia perdido amigos valiosos, e por muito tempo desejou vingança contra todos os seres daquela floresta. Mas o tempo é um valioso ensinamento a todos humanos. E a cobiça de seu antigo rei, acabou prevalecendo sobre o que verdadeiramente importava. Infelizmente todos estavam cegos, e várias mulheres guerreiras também haviam sido mortas protegendo seus lares, algumas aos quais ele mesmo havia se deitado. Estariam eles agora pagando pelo massacre de décadas atrás?
— Você e Steve estavam junto ao rei nesse dia tão triste, não é? —Carson perguntou e logo arrependeu-se, sentia a tristeza assombrar os olhos de seus companheiros — Sinto muito. Eu não queria abrir feridas ainda maiores, apenas... — as palavras do cavaleiro foram interrompidas pelo som de algo ou alguém se aproximando.
O movimento das moitas a frente dos quatro cavaleiros os deixaram em alerta. Carson elevou o dedo aos lábios pedindo silêncio a todos os amigos, e cada um deles ficaram com as armas em prontidão. Não estavam querendo brigas, mas se necessário se defenderiam do que estivesse prestes a acontecer-lhes.
Notas finais
Até a próxima amigos!!!
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