Brumas Da Morte

14 Não minta para mim


Notas iniciais
Olá!! Mais uma vez estou aqui e feliz! Minha leitora fiel obrigada por continuar lendo. Beijos Wendy!!!
E um grande abraço para os futuros leitores que se aventurarem no mundo de Aislin.

Ogar estava andando de um lado para o outro, desde o dia que perdeu o cavaleiro Gareth. Uma queda daquelas não havia como sobreviver, e seu chefe o feiticeiro de Asmeth o queria vivo. Como faria para contar-lhe o que acontecera?

“Malditos grifos, se fossem menos idiotas... como deixaram o moribundo cair naquela nefasta floresta?”

O suor era abundante naquela espécie de pele escorregadia, seus poucos cabelos grudados na face, lhe dava um aspecto ainda mais asqueroso. Ogar continuava praguejando contra as aves monstruosas, quando Sostefhys entrara vasculhando o lugar com o olhar.

— Onde está o cavaleiro, druida? — o feiticeiro passou deixando seu manto negro esvoaçar.

— Ó magnífico... o cavaleiro já não faz parte desse mundo terrestre. Os grifos... — não houve tempo para Ogar terminar a frase, as mãos de Sostefhys estavam em sua garganta, e a força que tinha deixava o druida a uma boa distância do solo.

— O que quer dizer com isso sua criatura dos infernos? — Ogar engoliu a saliva em busca de ar, os olhos de Sostefhys pareciam uma chama acesa por detrás daquela máscara horripilante. Não lembrava de ter visto o rosto do feiticeiro, certamente escondia um rosto pior do que ele mesmo. Agora os olhos e a força faziam Ogar sentir a vida se esvair pelas mãos de seu chefe supremo.

— Arghrhrrr...nã...não consigo..respirar..Ogar...mor...morrerrr.

A criatura agonizava, contorcendo o corpo e na vã tentativa de livrar-se daquelas garras de ferro. Sostefhys o largou, queria matar o druida. Mas tinha planos mais ardilosos em mente, um futuro especial para aquele ser tenebroso e inútil.

— Minha intenção é matá-lo maldito druida. Mas, de pouco me vale sua vida miserável. Recomponha-se e conte o que você não foi capaz de fazer — Sostefhys caminhou até seu trono, emoldurado de alguns cavaleiros mortos por ele. Ali jaziam apenas aqueles a quem considerava um bom adversário, morto em combate.

— Os..grifos..cof..cof..essas aves monstruosas o deixaram cair na floresta de Brianna. O cavaleiro estava muito ferido, perdera muito sangue. Eu mesmo o puxei para a beira do penhasco. Infelizmente, em uma ultima tentativa ele cortou a garra do grifo que o sustentava, caindo de uma altura impossível de algum humano sobreviver — Ogar continuava passando a mão pela garganta dolorida, sentiu um liquido quente escorrer de sua face. Passou a mão limpando o sangue negro, que saía de suas narinas arfantes.

— Morto. Acredito que tenha conferido o cadáver do cavaleiro, não é? — Sostefhys jogou o corpo para trás, repousando sobre os ossos de seu trono.

Ogar ficou pensativo. O que dizer? Qual seria a melhor resposta? Mentir que conferiu? Afinal, não haveria como sobreviver a queda. Resolveu não mentir. Não sabia se Sostefhys estava apenas o testando.

— Ogar não pode entrar na floresta, meu lorde. Ogar sentir muito. Mas acredita cegamente que...

— Basta de lamúrias. Saia da minha frente, seu verme. E, vá até os arredores de Aislin e ouça os rumores. Mantenha-me informado, acho que para isso você presta. Vá ande logo, antes que meus punhos te arranquem isso que você chama de pele.

Ogar fez uma rápida reverência e saiu. Deslizando abaixo do solo. Estava sentindo tanto ódio pelo seu mestre, que poderia a qualquer instante tentar contra a vida dele. Porém, sabia perfeitamente que a única morte, seria a dele próprio.

“Um dia mestre Sostefhys, um dia eu o farei beber do seu próprio veneno, até lá cederei como um fiel servo ao senhor”

Ogar sorriu deixando seus dentes tortos e com uma crosta quase negra a amostra. Seguindo direto para o reino de Aislin.

Enquanto Sostefhys refletia sobre o ocorrido.

“ Gareth, morto? Eu o queria do meu lado. Um cavaleiro como ele, serviria aos meus propósitos. Eu o faria ver por detrás do véu, que esse é seu verdadeiro reino. E juntos tomaríamos o que nos é de direito. No entanto, se realmente o perdi... não, não. Ainda sinto sua vida em mim. O maldito druida não sabe executar um simples tarefa. Se ao menos eu pudesse fazer isso pessoalmente... infelizmente meu poder ainda não se estende a aquele reino. Mas estou minando as forças deles, com minhas criaturas esplêndidas, e certamente sairei vitorioso”.

Sostefhys gargalhou em seu recinto vazio, era uma sala muito escura. A pouca luminosidade provinha de uma vela apoiada em um crânio humano. As poucas cortinas eram feitas de pele de animais. Havia quem comentasse que algumas eram de suas amantes, que não o satisfaziam sexualmente.

Sostefhys levantou-se, tocou um objeto que se assemelhava a um sino. E de trás das cortinas um homem vestido de monge, com roupas vermelhas apareceu.

—Meu senhor? — ele curvou-se perante sua majestade.

— Traga uma das jovens. A última que vocês colheram de Aislin. Quero me divertir essa noite — o feiticeiro sorriu, mesmo por debaixo daquela espécie de armadura, os dentes alvos eram expostos.

— Como desejares, senhor — disse o monge profano deixando o lugar de costas.

Não demorou muito até o monge chegar com a jovem que lutava contra aquelas mãos que a seguravam como ferro. O homem estava calmo, parecia que a jovem era apenas uma delicada flor em suas mãos.

— Solte-a Argos. E chame Amélia. Posso precisar de seus favores. E você doce criatura, se tentares fugir, atravesse aquela porta e uma lança será lançada em seu peito. Fui claro? — disse o homem aproximando-se da jovem. A mesma estava tremendo, apenas assentiu com a cabeça. Nem ao menos ousou em olhar para quem falava. Toda aquela bravura de antes desaparecera. A magia daquele lugar acabava com a coragem de qualquer um.

Lorde Sostefhys aproximou-se. Pousando sua mão no rosto de pele branca da moça.

— Faça tudo o que eu ordenar, e se manterá viva. Jamais minta para seu senhor, compreendeu? E perguntei, você responde ou arranco sua língua agora mesmo — o feiticeiro puxou a espada, fazendo a jovem estremecer.

— Si...sim...sim meu senhor — a jovem respondeu com lagrimas nos olhos.

Sostefhys recolocou a espada em sua bainha e voltou a observar a garota.

— Já se deitou com algum homem? — a garota apenas balançou a cabeça negativamente — Qual a sua idade?

— De...dezoito, meu senhor.

— Guarda! — o feiticeiro gritou tão alto que a moça deixou-se cair de joelhos.

— Lorde Sostefhys?

— Peça para Amélia entrar.

— Como quiser, senhor.

Poucos segundos depois, entra uma mulher corcunda e com um dos enormes seios para fora de sua vestimenta. A velha mulher caminhava com apoio de um galho e quando aproximou-se, fez uma pequena reverencia e voltou seu olhar para a jovem.

— Sabe o que fazer. Leve-a e confirme se ela é pura. Se precisar de ajuda, chame Argos.

A jovem de joelhos atirou-se subitamente aos pés de Sostefhys e chorando copiosamente, implorou por misericórdia.

— Perdão, meu senhor! Perdão! No auge do meu desespero acabei omitindo do senhor... não...não sou mais pura. Me perdoa, por favor! — o olhar verde se tornou brilhante e desesperado. Aos pés de Sostefhys ela estava agarrada.

— Argos!

— Aqui senhor.

— Quantas jovens, você ainda tem para mim? — o homem agora rosnava.

— Quinze. Sendo três delas contando com essa, as recentes trazidas pelos grifos.

— Traga-as.

— As quinze? — o monge perguntou admirado.

— TODAS! — o grito foi tão alto, que alguns morcegos que ali repousavam saíram em bando, deixando o lugar.

Notas finais
Ok, capítulo tenso. O próximo vou ter que alertá-los, vai ser PESADO! Beijos