Brumas Da Morte

15 Miriam, a escolhida


Notas iniciais
Bem, acabou minhas férias...é tão deprimente...kkk

Espero que curtam esse capítulo beijos!

Sostefhys mantinha-se indiferente aos soluços da moça aos seus pés. Assim que vislumbrou as demais jovens entrarem, ele sorriu. Voltou a sentar-se em seu trono. O som era apenas os soluços da jovem de cabelos longos e castanhos. Todas as garotas se entreolhavam, sem entenderem absolutamente nada. Ninguém ousava falar. Sostefhys endireitou-se de onde estava esparramado e começou seu monólogo.

— Aqui em Asmeth, e dentre em breve em todas as planícies, serei o senhor de vocês. Serei amável e gentil. Apenas peço a verdade, não mais que isso. Vocês Aislianos não devem saber mais do que isso. Hoje, essa moça tentou me enganar e...

— Meu senhor..por favor eu imploro perdão. Estava com medo, acabei me equivocando e...

— Se equivocado? Perguntei apenas se era pura, e você me respondeu que jamais havia estado com outro homem. Que essa jovem cheia de vida, sirva de lição a todas — Sostefhys apreciou os momentos de horror estampados nos olhos de cada garota.

— Eu imploro misericórdia, senhor. Serei sua serva leal pela eternidade, não me machuque... eu quero viver! — a jovem atirou-se segurando o manto do feiticeiro.

Sostefhys virou-se lentamente, ajoelhando-se perante a moça. Alisou o rosto banhado em lágrimas.

— Você faria qualquer coisa? Seria leal pelo resto de sua vida? — o feiticeiro perguntara docilmente.

—Sim..sim..sim. Para toda a vida, meu senhor — a jovem beijo-lhe as pontas de seu manto.

— Vocês todas estão vendo? Sou um bom homem. Sou justo. Bondoso. Qual o seu nome, doce criatura.

— Mi...Miriam, meu senhor — a voz lhe saiu tremula e falhada.

— Tire toda a roupa, Miriam — a garota o fitou por um breve segundo e, em seguida despiu-se de seu vestido e das demais peças íntimas.

— Linda. Muito linda — Sostefhys disse passando suas mãos pelos seios da jovem, que curvou-se ao toque gelado das luvas e lâminas pontiagudas.

Sostefhys caminhou ao seu redor. E em um rápido movimento, puxou-a para perto de seu corpo. Aspirou o leve perfume de seus cabelos antes de dizer.

— Só que a palavra PERDÃO, não existe em meu reino. Argos!

Os olhos da jovem aumentaram ao ouvir tais palavras. Sentiu seu corpo ser jogado de encontro ao tal Argos. O homem não parecia um humano, era uma espécie de mutação. Algo que a pobre garota não tinha ideia do que era por detrás daquele traje de monge.

— Para mim senhor? — a jovem sentiu o estômago embrulhar. O fétido cheiro que provinha da boca daquele monge, estava além de toda a podridão que conhecera. As mãos trêmulas percorreram a cintura da pele branca da garota.

—Não seja mesquinho, Argos. Amarre-a lá fora. Deixe os braços e as pernas esticadas no chão. Que a tropa se divirta com a garota, até o amanhecer. E que todas as garotas possam assistir ao espetáculo dessa noite.

Argos arrastou a garota que gritava e se esperneava. Por momentos a jovem conseguiu libertar-se do monge, e lembrou das palavras de Sostefhys.

“E você doce criatura, se tentares fugir, atravesse aquela porta e uma lança será lançada em seu peito. Fui claro?”

Miriam não pensou duas vezes, e correu para a imensa porta. Esperava o momento da lança ir de encontro ao seu peito, e acabar com o sofrimento que estendia suas teias sobre ela. A jovem apenas ouvira a gargalhada de Sostefhys e os homens do lado de fora.

— Idiota e ingênua. Eis o que as mulheres são. Esperava uma morte rápida? Nua dessa forma, é apenas o convite para a janta de meus homens. Ha – ha – ha! — Miriam corria de um lado para o outro. Sentiu mãos tocando-lhe as pernas, a cintura e logo ela estava no centro. Rodeada de toda a espécie de homens grotescos e sujos.

— Afastem-se de mim! Matarei todos vocês, seus animais! — a face rubra de ódio, deixava seus olhos ainda mais negros.

Alguns minutos de risadas e piadas. Não mais que isso. Quando a mulher corcunda entrou no centro.

— Homens ignorantes! Não vou deixar tocarem nessa menina.

Miriam olhou-a desconfiada. Não havia escolha, e aproximou-se da velha mulher procurando proteção. As demais garotas estavam em uma espécie de arquibancada, seus rostos banhados em lágrimas, assistiam a tudo. Como em um filme de terror.

— Ah, sem essa Amélia! A branquinha é nosso divertimento de hoje — um dos soldados dizia, massageando sua própria genitália.

— Façamos a votação — a mulher sorriu perante os murmúrios de insatisfação dos homens.

Miriam estava à beira de um colapso. E quando a mulher virou-se para ela e fez a pergunta.

— Te dou a escolha, jovem. Ou será violentada e torturada pelos guardas...ou será mãe de meu futuro neto. Isso porque gostei de você — a velha sorriu deixando apenas um dos dentes a amostra.

Miriam voltou a soluçar. Estava perdida. Um dia se vingaria. Se mantendo viva era sua melhor opção.

— Eu... eu...aceito, ser mãe de seu futuro neto — os homens resmungaram e cuspiam no chão, deixando o local.

— Meu lorde Sostefhys, me concede esse agrado? — a voz grossa e rouca da velha fora ouvida.

— Péssima escolha, Miriam. Ela é sua Amélia — dizendo isso Sostefhys saiu gargalhando, e com apenas um sinal, mandou os guardas levarem as demais jovens de volta para o calabouço.

— Venha criança. Vamos para minha cabana, cubra-se com isso — a velha mulher estendeu um de seus xales.

— Obrigada — a voz fraca soou nos ouvidos apurados da velha mulher, que exibia um sorriso aterrador, porém menos apavorante do que os dos inúmeros soldados.

Miriam adentrou temerosa do que viria a seguir na cabana da velha, as palavras do feiticeiro ainda lhe soavam na cabeça.

“...péssima escolha, Miriam..”

— Entre — a velha falou, fazendo com que a jovem sobressaltasse.

Miriam entrou timidamente, era um casebre. Longe de alguma comodidade, os trapos atirados ao chão denunciavam a cama onde a mulher dormia. No centro havia uma mesa enorme, que ocupava quase toda a área daquele lugar que cheirava a mofo. Ratos dançavam pelas vigas de algum tipo de madeira. Não havia janelas, a porta era um pesado tecido e vários vidros de conserva. Não se podia ver por eles, devido ao volume de poeira e alguma substância alaranjada.

— Sente-se, não pense que aqui é o seu reino. Me ajude com esse xale — Amélia dizia empurrando o seio exposto para dentro e tentando tirar sua vestimenta.

Miriam olhou-a com repulsão, tentou esconder o enjôo que sentia, os odores eram muito fortes e passou o braço pelo nariz, na vã tentativa de aliviar o cheiro.

— Meu filho sente muita fome, sabe. Então tenho que fazer muitas conservas das safras que não deram certo — e apontou para os vidros pendurados por cipós.

Miriam apenas olhou-a, não havia compreendido o que a mulher queria dizer. Apenas concordou com a cabeça, ajudando-a a tirar os trapos.

— Quero muito um neto, sabe. Só que, nenhuma mulher foi capaz de concebê-lo. Elas eram mortas por dentro, não tinham a seiva da vida. Uma mulher que não pode segurar um filho no ventre, é uma meia mulher. E você, tem um magnífico corpo. Um ventre largo e aconchegante — as mãos enrugadas da velha procuraram a pele da jovem — Sim quente e macio, adorável.

Um barulho chama a atenção das duas mulheres, e Amélia sorri ao dizer:

— Ele chegou, seu futuro marido chegou — Miriam cruzou os braços pelo corpo, precisava sentir-se menos frágil e a enorme sombra abriu o pesado tecido.

Notas finais
Ok, pensei que pudesse deixar o capítulo um pouco mais tenebroso, no entanto a inspiração não colaborou muito. Reviews?
Beijos amados leitores! Sendo fantasmas ou não!