Brumas Da Morte
16 O encontro
Notas iniciais
Gareth sentia-se acuado perante as amazonas, as palavras de Samira lhe eram direcionadas de forma provocante. Sentindo-se ridículo envolto aqueles lençóis. Sua cabeça estava doendo muito. E teve momentos que a escuridão queria engoli-lo novamente. E não era sua imaginação, seu corpo exigia descanso e fora muito mais forte que a sua decisão de manter-se em pé, caindo pesadamente no solo.
As amazonas levantaram o guerreiro e o conduziram novamente aos aposentos. Samira sentou-se na beira da cama, a beleza daquele homem havia lhe mexido os sentimentos. Talvez ele fosse algum tipo de bruxo, que a estava envolvendo para deixá-la desconcentrada. A mulher voltou a olhá-lo, passou a mão na tentativa de empurrar os cabelos colados no rosto do cavaleiro, ele estava suando, a febre voltara a consumi-lo novamente. Talvez fosse o momento de Brianna aparecer.
***
Os homens junto a Gordik estavam prontos a se defenderem. Aquela floresta parecia estar viva e pronta a engoli-los.
Detrás da mata abundante e espinhosa os rostos das guerreiras ganhou forma e os homens se viram cercados por inúmeras amazonas. Gordik foi o primeiro a falar, antes de baixar sua arma, sendo seguido pelos amigos que continuavam atentos.
— Não estamos aqui para confrontá-las, e não temos a intenção de ficarmos na floresta que pertence a vocês. Infelizmente fomos obrigados a nos proteger das serpentes e da tempestade de areia que nos pegou de surpresa — Gordik fixou o olhar na mulher que parecia ser a mentora do grupo.
— Voltem daqui forasteiros. Um passo a mais e os executaremos aqui mesmo — a mulher disse energicamente — Já não basta um dos seus violar nossa floresta?
Os homens se entreolharam, era óbvio que se tratava dos homens que viraram estátuas. Gordik voltou a se pronunciar.
— Eu estava nesse dia, infelizmente. Hoje, depois que a juventude nos deixa cegos, percebo o erro que nosso antigo rei cometeu e... — a mulher com extrema habilidade estava com a lança pressionada na garganta de Gordik.
O ato da mulher fez com que os homens ao lado de Gordik voltassem a empunhar suas armas. Gordik lentamente fez sinal com uma das mãos para abaixarem as armas.
— Realmente os anos te fizeram mais astuto, homem — disse a mulher baixando sua lança — Sou Samira, imaginava que estivessem procurando por alguém.
Os cavalheiros se entreolharam, seria real a lenda que elas eram bruxas? Samira sorriu, conhecia aquele tipo de expressão.
—Não sou bruxa, apenas juntei o fato de que um dos seus caiu nessa floresta há alguns dias — a mulher agachou-se, continuava encarando os olhos de Gordik, assim como ele a encarava.
— Caiu? — Carson falou pela primeira vez.
Os cavaleiros então baixaram o semblante, uma queda na floresta seria impossível de Gareth ter sobrevivido. Nathan havia relatado sobre as condições de Gareth e como o maldito grifo o levou. Gordik quebrou o elo do olhar com Samira, o que a mulher havia relatado o deixara desmotivado.
— É caiu como uma estrela cadente, do céu para a floresta. Os espíritos dessa floresta o deixaram ficar, o motivo ainda não sei — a mulher levantou-se, seria fácil acabar com todos eles se quisesse. Porém Brianna sempre deixou claro que só era permitido derramar sangue na floresta se sentissem o perigo, e ela não o sentia.
— Hã, Samira certo? — Steve se pronunciou ao ver os amigos atordoados, deixou seu arco deslizar ao solo verdejante, chamando a atenção das demais guerreiras.
— Certo — respondeu a mulher analisando o corpulento homem.
—Estamos procurando nosso amigo Gareth, ele havia sido levado por um grifo por ordem de Sostefhys, estamos em guerra em... — suas palavras foram cortadas pelo som da voz da única mulher que falava com eles, Samira.
—Estamos cientes da atual situação. Parece que estão colhendo os frutos que plantaram no passado, enfim, seu amigo está vivo. Muito machucado e incapaz de manter-se em pé, no entanto, vivo.
Os murmúrios de alegria nos homens era evidente, Gordik ajoelhou-se, como um cavaleiro agradecendo a mulher pela informação. Logo os demais também se curvaram.
Intimidada com tal reverencia, Samira aumentou o tom de voz.
— Deixem nossa floresta, agora! Já descobriram o que procuravam — dizendo isso ela voltou-se de costas para os homens que se levantavam lentamente.
— Podemos levá-lo? Esperaremos aqui, é só o que peço — Gordik disse roucamente com a voz um pouco embargada de emoção.
— Nossa rainha Brianna está com ele. Como eu disse ele está muito debilitado, uma viagem agora só traria a morte de seu amigo. Você, volte em duas luas e leve Gareth consigo. Antes disso, apenas sentenciarão o homem a morte — Samira falou veemente apontando o dedo para Gordik — E pela ultima vez, saem de nossa floresta.
— Obrigado — Gordik voltou-se para os companheiros e seguiram de volta a Aislin — Ah, antes que eu me esqueça — Gordik voltou a encarar as guerreiras que os observavam de longe — Sostefhys lançou uma espécie de praga, uma densa neblina verde, a poucos quilômetros daqui, quem for envolvido por ela, se transforma em algo terrível, as pessoas devoram umas as outras, por isso tenham cuidado e fiquem longe.
Gordik voltou a caminhar, sem esperar ou analisar as feições das amazonas. Elas eram mulheres que dificilmente deixavam transparecer suas emoções ou traços de medo em suas faces. Gordik as respeitava.
Após alguns minutos estavam fora da floresta, e não havia rastros e nem vestígios das mulheres. Eram como sombras mortais, que protegiam seu lar de intrusos. Martin parecia nervoso e falou rispidamente.
— Vamos confiar nelas? Não nos deram nem uma prova de que Gareth está realmente vivo ou com elas. E se elas estiverem junto a Sostefhys? — Martin encarava os amigos.
— Por alguns momentos também pensei nisso, Martin. Só que desde que encontramos a tal de Samira, analisei cada palavra que a mulher dizia. E não havia mentiras nelas — Gordik falou andando em direção a uma enorme montanha.
— Elas são treinadas a não se deixarem pegar, Gordik. Tenho minhas dúvidas.
— Gordik tem razão Martin. Seríamos aniquilados facilmente em território delas, teremos que ter fé e esperar até o próximo encontro — Steve caminhava arrastando as botas na areia fina que começava a mostrar o caminho tortuoso ao sol.
—É. Vocês podem ter razão. Só que pelo que eu sei desde que o mundo é mundo, elas jamais deixaram um homem vivo na floresta delas, muito menos cuidar de um de nós.
As palavras de Martin fizeram com que o grupo se calasse, todos eles sabiam disso. Só não queriam lembrar.
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