Notas iniciais
Boa Leitura a todos e desculpem a demora.

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Dois jovens cavaleiros andavam pelo vale coberto de lama, havia rumores que sobreviventes encontravam-se escondidos a quilômetros de distância do rumo do palácio. O homem loiro e de corpo atlético resmungou para o parceiro.

— Gareth, deveria estar longe do campo de batalha depois de quase perder sua perna. — um ruído acima de suas cabeças chamaram sua atenção, era apenas uma águia de tamanho maior do que o normal.

— Bem, o meu médico me falou que eu precisava de exercícios diários, então pensei porque não fazê-los aqui? — a risada do cavaleiro ao lado preencheu o lugar.

— Gareth, você me matará um dia. Mas é sério meu amigo, como se sente? Caminhamos sem nenhuma trégua e...

—Pode parar com isso Nathan, já tivemos essa conversa antes. Todos vocês viram como me recuperei rapidamente, sei que também não foi muito normal. Mas o que é normal para você agora? — Gareth sentiu as botas afundarem ainda mais, Aislin estava se transformando em um lugar horrendo.

— Estamos próximos, o mapa indica que a entrada fica do outro lado daquele pico.

— Alguma ideia do que está acontecendo?

— Não temos tempo para achar respostas, vamos continuar pessoas ainda estão perdidas, e prometi ao pequeno Ryan que acharia sua mãe e padrasto. — Gareth parou por alguns instantes, avaliou o local e prosseguiu.

— Será que essa chuva nunca mais irá cessar? — Nathan Valnner do clã da ave Fênix, sentia o ódio aumentar pelo lorde de Asmeth e um ódio ainda maior pelos boatos que corriam pelos salões do castelo de Aislin. — E tudo isso, essa catástrofe por causa do traidor. Quem deve ser? Porque nos trair e ao seu povo? Aislin jamais representou uma ameaça para ninguém. Só pode ser a ganância pelo poder, ou o povo resgatado de Asmeth...e pensar que acolhemos a todos como nossos irmãos...— o homem loiro de 25 anos sentiu as mãos firmes de Gareth sobre seu pulso.

— Nathan, burburinhos não são a verdade. Se você falar algo desse tipo para alguém com a alma dilacerada pela dor e ódio as coisas podem ficar ainda piores. Não esqueça de Serah também era de Asmeth, eu mesmo e o Ryan fomos resgatados daquele lugar sombrio. E não somos traidores. Me sinto muito pior por pensar assim. — Nathan baixou os olhos azuis, não havia medido suas palavras e nem mesmo percebido tal disparate.

— Perdoe-me amigo. Não sei o que me deu. A situação ao qual nos encontramos acaba mexendo com nossa cabeça. Por favor me desculpe por essa ignorância minha. É que, é como uma reação em cadeia, veja a floresta, os animais, estão morrendo. Tudo por causa da infâmia do traidor.

— Se é que existe um traidor. Penso que Sostefhys apenas descobriu uma forma de quebrar a barreira que nosso mago Gerald Kindisk havia lançado sobre Aislin para protegê-la dos intrusos. Não gostaria de ter que quebrar o feitiço de Sostefhys com a morte de um dos nossos.

— Espero que você tenha razão Gareth, também não aprecio a ideia de matar um dos nossos, mas se assim for... não poderei hesitar pela vida de um a liberdade de todos.

— Guarde sua raiva e desejo de vingança, nada disto ajudará Aislin a manter-se firme. O que nos importa agora é resgatar o máximo de abrigados nesse local e voltarmos para planejar um ataque direto nas terras Asmeth.

— Só de lembrar das criaturas medonhas..burrr. Louis perdeu a mão por causa daquela maldita gárgula. Eu o segurei antes que o homem das ervas medicinais o decepasse. Louis iria morrer pelo veneno que tomou conta de sua mão, mas sinto o quanto ele me evita por ter ajudado ao...você sabe. — Nathan passou a mão automaticamente pelo próprio pulso. Sabia o que significava perder a mão para um cavaleiro do rei.

— Você apenas ajudou salvar a vida de Louis, um dia ele irá superar a dor. Gordik me contou que não foi apenas pelo veneno, a gárgula já havia rompido muitas artérias e pouco se poderia fazer. É um milagre ele não ter morrido no campo de batalha pelo volume de sangue que perdera. — Gareth agora esforçava-se para seguir em frente, a chuva fina com vento forte dificultava ainda mais o caminho.

— Pelos deuses, veja aquilo Gareth! — Nathan estava tão branco que poderia desmaiar ali mesmo.

Gareth ergueu o olhar, seu semblante tornou-se sombrio e assustador. O que estava presenciando ao lado do cavaleiro Nathan, deixaram a ambos imóveis por alguns segundos. Do alto daquele vale lamacento podiam ver as atrocidades. Visões estas que jamais esqueceriam enquanto estivessem vivos. Nathan empunhou a espada, sentiu o braço de Jean Gareth impedindo sua trajetória. Seus olhos percorreram o local e pararam nos olhos negros de Gareth. Temeu suas próprias palavras que o dominavam em forma de fúria e ódio.

—O que há com você Gareth? Veja aquilo! Pessoas, Gareth. Pessoas estão lá sendo devoradas por...

— Por pessoas, Nathan. — o cavaleiro dos sete dragões retirou o braço estendido que bloqueava o caminho do amigo. Um povoado de mortos vivos se devoravam uns aos outros. A pele estava coberta por uma pigmentação esverdeada, os olhos cintilavam a distâncias. O vale inteiro possuía uma fina camada de bruma.

— Gareth...não podemos fazer nada? Eu... eu reconheço alguns deles. Bebiam conosco antes do ataque, eram nossos amigos. Ao menos uma morte digna e não...isso. — Nathan deixou os ombros caírem em desânimo.

— Pode ter certeza que acharemos uma forma de acabar com aquele maldito bruxo. Essa névoa... deve ser o motivo de tudo isso. Devemos ficar distante, nada resolveremos agora. Todos eles estão infectados. Talvez o mago Gerald Kindisk, tenha alguma poção para essa praga e... — um grito de mulher chamou-lhes a atenção.

A alguns metros abaixo estava uma jovem pendurada no galho de uma árvore, ela tentava desesperadamente escapar dos ataques de um grupo de homens – zumbis. Gareth analisou rapidamente o local onde se encontrava a jovem, se ela caísse seria seu fim. A fina bruma começava a avançar próximo onde a garota se encontrava se eles não agissem imediatamente, a jovem estaria perdida.

— Nathan, a corda agora! — o cavaleiro tirou-a da bolsa de couro que segurava. Estava nervoso mais do que deveria, respirou fundo e atirou a corda ao amigo.

— Hey, garota. Aqui em cima!

A jovem precisou de toda sua força para manter a sanidade e responder sem gritar. Estava assustada e com muito medo de transformar-se naquelas “coisas”. Deveria ter ficado escondida naquela caverna, mas seu irmão Andrew desceu o penhasco em busca de sobreviventes e não voltou. Deixando-a aflita e sem rumo. Se aquela maldita gárgula não tivesse aparecido não teria caído do alto do vale e quase devorada por seus próprios amigos. Três longos dias de espera e agonia, assistiu a tudo sem poder fazer nada. Apenas chorar e rezar. Agora sentia uma pequena luz de esperança se aproximando.

— Me ajudem, por favor! Não me abandonem. Eu imploro, me tirem daqui.

— Tente alcançar a corda. — gritou Nathan.

—Eu não consigo! Meu Deus, eu não consigo.

—Gareth, ela não vai conseguir. Vou ter que descer. —Nathan sentiu a advertência no olhar de Gareth, viu o amigo pensativo, era óbvio que estava em guerra com seus próprios receios. Se falhasse todos morreriam.

—Nathan, amarre firme em sua cintura. Passarei a corda ao redor desta árvore e descerei você. Apenas me prometa que não fará nada estúpido se o pior acontecer. Prometa homem! — o cavaleiro assentiu e antes de pular olhou mais uma vez para Gareth e sorriu.

—Quando isso terminar, cantarão músicas de nossos atos heróicos. — e desceu sentindo o ar faltar-lhe com a pressão da corda em seu estômago.

Notas finais
Gostaram? Mereço reviews? Beijos!