Brumas Da Morte
7 A corda da vida
Notas iniciais
Gareth sentia a corda deslizar rapidamente, passou mais uma volta ao redor do tronco daquela antiga árvore. Suas mãos começavam a tremer devido ao esforço em manter o amigo seguro. Uma sombra gigantesca passou por ele. Gareth levantou o semblante preocupado com a terrível sensação de perigo que o consumia, de onde estava não conseguiu visualizar a criatura alada que circundava o local atrás de suas presas.
— Nathan. Como está a situação? — Gareth sentia a necessidade de ouvir a voz do amigo.
— Mais alguns centímetros Gareth. — Nathan esticou o corpo sentindo a ponta dos dedos da jovem que esforçava-se a alcançá-lo.
— Meus Deus, a névoa está avançando! — gritava a mulher em desespero.
— Moça, tente dar um impulso e segurar firme minha mão, rápido ou nós dois morreremos nesse desfiladeiro de pestes!
A garota assentiu com a cabeça, ele tinha razão. Não era hora de se dar ao desespero e tinha que agir como uma verdadeira Sulivann.
Nathan preparou-se ao sentir os olhos dela nos dele, era o momento de manter-se firme e torcer que Gareth conseguisse dar conta do recado.
— Prepare-se Gareth! —dizendo essas palavras o rapaz sentiu as mãos delicadas da jovem nas suas. Sentiu a corda apertando-o ainda mais e cederam alguns centímetros abaixo. — Gareth, não nos deixe cair!
O cavaleiro dos dragões emitiu um grunhido pelo esforço que fazia, a corda não era o suficiente para dar uma laçada segura, então teria que se arranjar como desse.
— Moça, se firme em meu corpo. Vamos escalar, só não me estrangule. — Nathan a puxou com facilidade e sorriu para a jovem que retribuiu encantadoramente.
Nathan analisou a íngreme escalada, não seria um caminho fácil. E começou sua investida vagarosamente sentindo que o amigo Gareth os puxava pouco a pouco, dando segurança ao cavaleiro Nathan. Por mais que Nathan tentasse inclinar o corpo para a direita evitando assim a proximidade da névoa o desequilíbrio o fazia perder segundos importantes para a vida de todos. Tentou, pelo menos, ganhar um pouco de conforto em sua difícil respiração, fechou os olhos rapidamente e sentiu um dos flancos a ficar entorpecido.
— Droga. — esse foi seu resmungo de dor e indignação.
— Nathan, vá mais rápido. Acho que teremos companhia! — Gareth observou agora nitidamente a ave gigantesca sobrevoando o local.
— O quê? — perguntou Nathan em um sussurro quase inaudível.
Um vento forte soprou naquelas colinas, intensificando a urgência de saírem daquele lugar, os homens-zumbis sentiram o cheiro de suas presas acima de suas cabeças e agora tentavam escalar, Nathan voltou o rosto para baixo de onde vinha os gritos não humanos, apenas vislumbrou a névoa ainda mais espessa e percebeu mãos que saiam dela. Os mortos vivos estavam escalando.
— Essa não. Gareth, eles estão escalando, os homens – zumbis estão tentando nos alcançar! — Nathan sentiu a jovem mulher pressionar seu corpo ainda mais ao dele e esconder o rosto em suas costas. O rapaz sentia a enorme impotência, sabia que a situação não estava nada boa, mas era um cavaleiro e lutaria até o final.
Enquanto Nathan lutava por manter-se firme em sua escalada, Gareth puxava ferozmente a corda que teimava em rasgar sua pele como aço ao fogo. O maldito animal voador agora investia ameaçadoramente sobre ele. Era um maldito grifo ou algo parecido pensava o jovem tentando manter sua postura de defesa e domínio sobre a corda que sustentava a vida do amigo e da garota. O cavaleiro pensou em pegar sua espada para tentar afugentar a criatura, mas a corda cedeu em seus braços queimando ainda mais sua pele.
—Peste!
Nathan percebeu que a corda ficara mais frouxa e por pouco se não estivesse bem seguro naquele momento, não desequilibrara-se. Alguma coisa estava acontecendo lá em cima com Gareth e o grito assustador e a sombra gigantesca da ave revelou seu maior medo.
— Estamos perdidos! —os grandes olhos amêndoas da mulher revelavam todo seu medo.
—Mantenha a calma e o foco, qual seu nome? — Nathan perguntou, nem ele mesmo entendia o que estava tentando fazer, é claro, aprendeu com Gareth que deveria manter a calma e pensar em uma saída. Mas qual? A jovem ficou surpresa pela pergunta inesperada e respondeu:
—Sullivan, Alexia Sullivan. —disse a jovem empurrando os cabelos que lhe caíram no rosto aveludado.
—Muito bem Alexia, sou Nathan e como cavaleiro do rei, prometo tirá-la dessa enrascada. Mas para isso, precisarei de sua total atenção e colaboração, entendeu? —e mais um passo Nathan conseguiu subir.
—Sim, pode contar com isso.
—Muito bem, os mortos ali em baixo estão cada vez mais próximos de nós. Pegue minha espada presa em minha cintura e caso um deles tente nos puxar... faça o que for necessário. Entendido?
—Si... sim...sim. — a moça deslizou-se um pouco para alcançar a espada do cavaleiro, sentiu o frio da lâmina em seus dedos, então empunhou-a de forma segura e rezava pra que subissem antes que os alcançassem, tanto os zumbis quanto aquela maldita névoa esverdeada.
Nathan sorriu para ela, tentando demonstrar segurança e domínio pela situação. Alexia não era ingênua, sabia exatamente o quanto estava em perigo, resolveu entrar no clima de “tudo vai ficar bem”. Um grito chamou a atenção dos jovens que se seguravam naquela corda.
— Gareth! Gareth!! — Nathan conhecia muito bem aquele grito de dor, a corda mais uma vez se afrouxou e em seguida foi puxada novamente. — Maldição, Gareth! Responda homem! Você está bem?
O silêncio era a resposta mais aterradora, Gareth não tinha tempo em responder aos apelos do amigo, ele sentiu as garras daquele ser monstruoso encontrar suas costas, deixando ali futuras cicatrizes, se ele saísse vivo dali. O cavaleiro não teve escolha a não ser puxar a espada e tentar manter aquela ave possuída de fúria distante da corda e dele.
Nathan sentiu que seu amigo ainda estava lutando por eles e apressou-se ainda mais, não percebeu quando Alexia habilidosamente manejou a espada cortando o braço quase cadavérico que tentou segurar as botas de Nathan.
—Muito bem garota, muito bem. Dou graças ás mulheres que gostam de aprender coisas de homem neste momento. —Nathan deu um meio sorriso.
—Não subestime as mulheres, cavaleiro do rei, somos mais fortes do que imagina. — e Nathan avançou mais e mais, seus dedos já estavam sangrando pelo esforço em manter-se firme. Estava quase sentindo o topo daquele abismo, segurou firmemente a corda para dar um impulso e neste momento sentiu a corda romper-se.
Nathan pensou ser o fim naquele momento, então viu o rosto do amigo esforçando-se a segurar a corda que havia sido rompida pelo peso de ambos ou por algo.
— Gareth, como é bom vê-lo amigo.
—Seja rápido Nathan, a ave monstruosa cortou a corda e não sei até quando eu vou conseguir segurar vocês!
Nathan fechou o semblante de preocupação por eles todos, seu amigo não parecia nada bem e carregava consigo o terror da morte.
—Alexia, suba.
— O quê? — o desespero tomou conta da jovem.
— Vamos, falta pouco, suba! Você consegue. — Nathan ajudou-a a segurar firme na corda e ambos tentavam subir. Nathan tentava ao máximo não colocar seu peso na corda para não sobrecarregar o amigo que mantinha-se firme.
—Nathan, a corda está escorregadia. Não consigo segurar. — Alexia não queria demonstrar fraqueza, não queria ser um fardo, mas estava muito assustada.
Nathan a segurou pela cintura, não havia outra opção. Puxou a corda firmemente, a moça estava certa, a corda estava escorregadia demais devido ao sangue que descia por ela.
—Droga, droga, droga! Gareth deve estar muito ferido, ele não vai agüentar. Alexia, me desculpa por isso.
A moça não entendera bem o que ele estava se desculpando. O rubor logo se fez presente em seu rosto ao ver o cavaleiro cortar bons pedaços de seu vestido deixando suas pernas nuas e sentiu a mão do jovem em seu traseiro.
—Hey! Seu tarado. — a palavra escapou de seus lábios, ela sabia que não era nada disso, muito embora sentira-se atraída por ele desde o início.
—Tá, ta. Depois você me mata, se eu não morrer agora. Pegue esses trapos e enrole em suas mãos para melhor aderir e segurar a corda — e com mais um impulso a jovem chegou ao topo daquele maldito abismo da morte.
Notas finais
Beijos e FELIZ PÁSCOA!
PS.: Não pude deixar de imaginar Nathan quando ví esse ator, então fiz montagem com ele para adaptá-lo a minha imaginação.
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