Brumas Da Morte
5 O espectro de Lorde Sostefhys
Notas iniciais
A criatura nefasta chegou ás terras de Asmeth, sentiu a diferença da atmosfera no mesmo instante que se materializou na sua forma quase humana. O ser era alto e muito esguio, vestia apenas uns trapos cobrindo seu corpo da cintura para baixo. Movia-se muito curvado, sua coluna fazia uma curvatura acentuada, seus cabelos ralos eram longos e deixavam sua cabeça com formato ainda mais afunilado. Seus movimentos no reino de Asmeth eram muito mais desajeitados e lentos. A criatura parou por um instante sentindo o ar em suas narinas arfantes, seus olhos totalmente negros cintilaram ao encontro de um ser que o observava montado em um belo garanhão negro.
— Meu senhor! — o espectro curvou-se encostando seu corpo no solo sem vida.
— Fale druida. Meu tempo urge e não posso desperdiçá-lo com suas fofocas sem utilidades.
Mais uma vez a criatura sentiu necessidade de baixar os olhos para não denunciar o ódio de se tornar uma monstruosidade e ser rejeitado pelos demais.
— Eu Ogar lhe informo Lorde Sostefhys que o rei Thortien continua vivo e lutando pelos seus cavaleiros...
— Vivo? É claro que o rei está vivo seu imbecil. Thortien é muito astuto para ser morto facilmente por reles monstros. No entanto, não posso ceifar-lhe a vida...não neste momento, é claro que se porventura alguém o fizer...será um grande feito.
— Não compreendo, meu senhor. Seus enigmas me deixam confuso. —Ogar coçou a cabeça sebosa.
— Não me admiras sua falta de entendimento monstro. Agora se era apenas isso que tinhas a me dizer, afaste-se. —o lorde das terras de Asmeth impulsionou o cavalo para cima de Ogar e parou abruptamente quando a criatura lhe confessou:
— O jovem guerreiro Gareth, foi ferido em batalha senhor. O rei pessoalmente conduziu o salvamento do rapaz. Um dos gigantes atravessou a lança em sua perna, por muito tempo ele não estará no campo de batalha. —Ogar deixou a amostra dentes deformados e em tons sangrento.
Sostefhys pareceu pensativo, há muito tempo queria Gareth a seu lado, ele tinha em suas veias o sangue dos descendentes flamejantes, o teve por algum tempo, e perdeu-o para o rei Thortien.
— Talvez seja a hora de resgatar o que é de Asmeth, enviarei os grifos* para trazê-lo até o calabouço, tenho planos para esse jovem adormecido. — Lorde Sostefhys passou a mão coberta por uma espessa armadura sobre as crinas de seu tordilho negro, que bufava e raspava o casco da pata dianteira na terra. — Muito bem Ogar, continue seu trabalho. Tenho que preparar muitas estratégias para tomarmos aquele reino. Esperei muito tempo por esse dia e finalmente consegui adentrar o coração...— Sostefhys interrompeu seu raciocínio, tinha aquela carta na manga e não iria confidenciar a um velho druida expulso e escorraçado pela sua própria linhagem, um assunto tão importante. Afinal, conseguiu todo esse poder e invadir Aislin graças ao traidor. — Chega dessa conversa, vá imediatamente falar com Melkis. Diga-lhe que preciso que me encontre antes do anoitecer. Não daremos trégua aos Aislianos.
— Sim meu Senhor. —Ogor fez uma reverencia e saiu cambaleando. Quase descobriu como seu mestre havia invadido aquele reino. O druida certamente descobriria, cedo ou tarde, mas descobriria. E quem sabe pudesse conseguir o poder que tanto almejava, já havia tido uma vez e o desperdiçara. Não cometeria o erro duas vezes se lhe fosse permitido mais uma chance. O ser sorriu, tinha tempo de sobra para esperar, sua maldição fora a vida eterna e, apenas uma coisa poderia dar cabo a ele. Mas ninguém imaginava o que era, nem mesmo lorde Sostefhys de Asmeth.
***
O céu sem nuvens tomou um profundo tom cinza, faziam duas semanas desde o primeiro atentado em Aislin e o sol não voltou a brilhar, o lugar estava em volto a uma magia tão grande que apenas a chuva e o frio predominavam. O reino de alegria e prosperidade com exuberante belezas estava definhando a olhos vistos. Muitas crianças, homens, velhos, jovens, mulheres perderam sua vidas no violento confronto. As gárgulas tinham garras e a mordida muito venenosas e aqueles sobreviventes que foram resgatados para dentro dos muros do castelo, poucos conseguiram sobreviver. Thortien olhava o reino de seus antepassados do alto da torre, a visão era assustadoramente triste. Estavam presos em seus próprios corações, a fortaleza do castelo era a única estrutura a manter-se em pé. As demais construções agora eram um amontoado de ruínas. Mesmo passando-se tanto tempo sempre havia um resgate ou outro, o choro de uma criança trouxe o rei de volta a torre.
— Querido? O pequeno Benjamin sente sua falta...e, eu também. — a jovem esposa aproximou-se com a criança em seus braços sendo embalada.
— Minha amada, meu filho! Meus olhos clamam para o dia em que voltaremos a ser felizes, a trazer paz a esse reino tomado pelas trevas. Gozo da esperança que Benjamin não seja criado e forçado a conviver nessa guerra. — o rei sentiu o delicado toque de Betina em seu braço. Seu perfume era bálsamo para sua alma.
— Querido, tenho fé que você e seus cavaleiros conseguirão derrotar Sostefhys, ele apenas ganhou uma batalha, a guerra será vencida pelos nossos.
— Me pergunto, como ele adquiriu tanto poder? Como fui tolo em não perceber tal armadilha? Como Sostefhys conseguiu quebrar a barreira contra a influência de sua magia? Eu não entendo! — de punho cerrado o rei soltou sua fúria nas pedras do parapeito da janela. A rainha Betina baixou o olhar, seu marido estava sofrendo. Tentou fazê-lo lutar sem entregar-se a culpa ou arrependimentos.
— Um dia você descobrirá, enquanto isso... lute por nós, lute pelos habitantes dessa terra maravilhosa, viva para ensinar a Benjamin a ser o futuro rei desse mundo. — a mulher aconchegou-se em seus braços.
— Minha espada brandirá pelos Thortien e seu povo. Obrigado por me fazer acreditar em nossas raízes, meu amor. Dias difíceis virão e aprenderemos a enfrentar nossos medos, homem nenhum é tolo em não admitir que sente medo, só assim o combatemos.
Ele abraçou a jovem esposa e no pequeno filho Benjamin Constantin depositou um leve beijo. Sentia a forte necessidade de protegê-los de todo e qualquer mal que sobre caísse em Aislin, mesmo que custasse a sua vida.
Notas finais
Espero seus reviews. Beijos.
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