Brumas Da Morte
10 Medo
Notas iniciais
Confúcio
Gordik caminhava de um lado para o outro, ficar parado sem entrar na batalha o deixava de mau humor. Explodir com os demônios de Asmeth lhe trariam boas noites de sono. No entanto, o rei Thortien ordenou-lhe que tomasse conta dos muros de Aislin, juntamente com os demais cavaleiros e, aqueles que se voluntariaram para a guarnição do castelo. O homem queria sair, enfrentar os malditos que acabaram com a paz e a serenidade de Aislin. O corpulento Gordik passou as mãos pela espessa barba, o som daquele instrumento semelhante a um clarinete anunciava a chegada dos cavaleiros, aqueles que haviam saído em busca de sobreviventes. Gordik saiu apressadamente, com seus passos desajeitados e, fixou os olhos do alto da muralha, para vislumbrar quem estava chegando. Ele sorriu ao reconhecer o jovem Nathan em seu cavalo negro, um pouco mais atrás vinha outro cavaleiro. E seu sorriso morreu ao notar que Gareth não estava entre eles. Gordik sabia que seu amigo jamais deixaria Nathan voltar sozinho, a menos que o pior tivesse acontecido. O gigante franziu o cenho, seu garoto certamente se metera em encrenca e das grandes. Já enfrentara centenas de perigos ao lado de Gareth, e jamais o vira baixar a guarda. Seu coração estava muito mais acelerado com a possibilidade de escutar a pior das notícias.
— Saiam do meu caminho! Preciso passar seus molengas — os homens deram espaço para o Gordik passar.
—Ele parece nervoso, você viu o semblante dele? — disse um camponês ao colega do lado.
— Gordik está sempre nervoso, Elvis — os dois sorriram e voltaram a seus postos.
Quando os enormes portões se abriram, os dois cavaleiros adentravam com os cavalos esbaforidos e suados pelo esforço.
Nathan pulou e seguiu em direção de Gordik que ia ao seu encontro.
— Preciso falar com o rei, pegaram Gareth. Droga, aqueles demônios pegaram ele! — o cavaleiro vociferava com o punho fechado.
— O demônio Sostefhys? — Gordik avançou segurando o cavaleiro pelo ombro.
—Gordik, as coisas estão piores do que pensávamos e ...
— Dêem espaço homens! O rei está chegando, saiam do caminho seus molengas! — gritava um dos homens que abria caminho ao rei Thortien.
O rei sentado em seu cavalo, completamente ereto, com as feições duras e sombrias aproximou-se. Seu rosto mantinha-se firme, sem denunciar o receio que ocultavam seus olhos verdes. Seu povo precisava dele e não poderia mostrar-se fraco. Nathan aproximou-se e ajoelhou-se perante o seu rei. As vestes do cavaleiro tomadas por poeira e sangue denunciavam a batalha árdua ao qual fora submetido. O rei desceu de seu cavalo e ordenou que o cavaleiro lhe relatasse o ocorrido.
Nathan detalhou todo o percurso que fizera com Gareth, até o momento que salvaram a garota, das garras dos mortos-vivos. Enquanto Nathan narrava os acontecimentos, os cidadãos murmuravam amedrontados com a possibilidade de serem pegos, pela estranha névoa esverdeada e se tornassem em zumbis. O rei Thortien, levantou o semblante. A situação em Aislin estava ficando fora de controle, e com Gareth como prisioneiro de Sostefhys, o povo ficara em choque. Teria que tomar uma solução.
Alexia apenas observava, viu olhares de alguns cidadãos que a culpavam pelo rapto de Gareth. Ninguém lhe dirigiu a palavra para culpá-la, mas, não era preciso. A jovem aproximou-se de Nathan, sentia-se em proteção ao lado dele.
— Muito bem — o rei falou — todos vocês ouviram o que o cavaleiro Nathan nos revelou. Essa bruma que se aproxima dos arredores de Aislin, deverá ser contida. Não entrem em pânico, isso apenas bloqueará nosso raciocínio e, é exatamente o que o maldito Sostefhys, quer. Ele deseja nos desestruturar e, isso não irei permitir.
— Senhor — um camponês disse com a voz entrecortada, e a multidão abriu caminho para a frágil voz.
— Prossiga homem — o rei lhe encorajou, percebendo os lábios trêmulos do camponês.
— Confiamos em seu poder em deter Sostefhys —o camponês baixou o olhar, então criou coragem e encarou seu rei — Só que, perdi parte de minha família e alguns estão desaparecidos, talvez mortos ou ...tornaram-se esse andantes amaldiçoados. Agora, Sir Gareth está nas mãos dele e... — o homem sentiu a sombra do rei aproximar-se, deixando-o tão pequeno e fraco. Porém, manteve seu olhar firmemente.
— Qual seu nome? — o rei perguntou pousando sua mão no ombro do homem que tentava conter o tremor.
— Samuel de Levi, filho do ferreiro Ely de Levi — disse o homem em postura ereta.
— Certo. Samuel, lamento a sua perda e de todos os cidadãos. Não vou mentir a vocês, nossa situação não é nada fácil. Estamos enfrentando coisas que jamais vimos em Aislin, o feiticeiro conseguiu ganhar a batalha temporariamente, só que nós iremos virar esse jogo e ganhar a guerra. Vingaremos nossos entes queridos abatidos por tamanha maldade. Não descansarei enquanto não termos nossas terras longe das garras de Sostefhys. Só que preciso de cada um de vocês, sozinho não conseguirei manter minha palavra. Por isso, Samuel, peço a você e aos demais que se juntem e ajudem-nos a fortalecer nossa união, nossa muralha. Posso contar com vocês?
Não havia ninguém que pensasse diferente do rei, naquele momento. Urros de aprovação, braços erguidos saudavam as palavras do rei Thortien. O mesmo sorriu e voltou a montar seu cavalo, olhou para Nathan antes de voltar.
—Nathan, você fez um bom serviço. Trouxe um inocente de volta ao lar, descanse. Dentro de quatro horas, mandarei cinco cavaleiros a seguir com os resgates. Sendo que dois deles irão lhe acompanhar até o local onde Gareth fora levado. Antes de tentarmos invadir Asmeth, teremos que conter essa bruma, falarei com o nosso mago Gerald Kindisk. Ele saberá que tipo de magia é essa.
—E quanto a Gareth? — Nathan sentia-se o responsável pela captura do amigo.
—Gordik, Carson, Steve e Martin. Os quatro estarão incumbidos de rastrearem e encontrarem Gareth. Não posso deixar que mais cavaleiros sigam nessa busca. Gareth entenderia que devemos proteger os cidadãos, e não deixá-los desprotegidos. Estamos em constantes ataques, espero que Gareth esteja bem. Vamos!
O rei não esperou resposta, virou o seu cavalo e voltou. Deixando Nathan e os demais com seus pensamentos. Gordik pousou sua mão peluda nos ombros cansados do cavaleiro do clã da ave fênix, balançou a cabeça e apertou os lábios em consentimento antes de falar.
—Acabaremos com as forças de Sosthefys, e Gareth estará conosco nesta batalha, eu prometo! — o grandão estendeu a outra mão e ambos se cumprimentaram fortemente, selando a promessa.
Notas finais
Agradeço a Wendy por favoritar minha fic, valeu amore!!!
Beijos pessoal!
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