Notas iniciais
Boa leitura a todos!

Antes...


Alguns passos foram ouvidos naquela espécie de salão dourado, havia cortinas que dançavam sensualmente com o toque do vento. Gareth observou o vulto por trás daqueles véus tomando forma. Empurrou o corpo para trás melhorando consideravelmente sua visão.

— Percebo que tu és um guerreiro forte, conseguiu ludibriar a dama da morte — aquela voz, onde ele já a ouvira?

— Dama da morte? Eu não compreendo, onde estou? E minhas roupas? — o homem foi impedido de continuar seus questionamentos quando um punhal repentinamente encontrava-se em seu pescoço.

Gareth ficou imóvel, não estava em condições de começar uma briga.

— Ok, ok. Você está no comando. Não estou atrás de encrenca — Gareth disse mantendo a calma e controlando ímpeto de tirar aquele punhal que pressionava sua garganta.

— Ao menos os cavaleiros do rei tem cérebros.

Agora...

Gareth sentiu a pressão do punhal diminuir em seu pescoço. Era malditamente constrangedor ficar nu, sendo coberto apenas pelo fino lençol dourado. Detrás dele o vulto com a faca criou a forma de uma mulher guerreira. Ele não pôde deixar de engolir a saliva ao vê-la, tão linda, graciosa e selvagem. Sentiu-se ainda pior ao perceber que não era apenas seus olhos que agiam, seu corpo também reagia de forma muito provocante. Gareth respirou profundamente, e com seu olhar penetrante encarou os olhos negros da guerreira.

— Onde estou? Você me salvou? Qual o seu nome? — Gareth puxou ainda mais o lençol em sua cintura.

— Muitas perguntas, não respondo a todas. Pode me chamar de Samira. Venha vamos comer. Minhas irmãs me aguardam — a mulher com vestes que lhe cobriam apenas o busto e usava uma espécie de saia justa de couro, continuou distanciando-se até que o homem sussurrou da cama.

— Minha roupas! — Samira parou de costas e sem olhar para trás continuo seu caminho.

A guerreira divertia-se com o jovem, seus lábios vermelhos desenharam um sorriso em sua face, mas não o demonstraria sua afeição ao desconhecido.

— Mulheres! — Gareth levantou-se enrolando sua cintura no lençol. Olhou ao redor na vã tentativa de encontrar seus trajes. E então a seguiu pelo longo corredor estreito e escuro.

Gareth sentiu o ar frio percorrer pelo seu peito nu, estava em uma espécie de caverna, nas paredes podia se observar as raízes de árvores expostas. Algumas delas pareciam se mover em sua direção, no entanto quando fixava o olhar nada estava diferente. Os pensamentos do jovem estavam confusos e seu instinto pedia atenção, como se a qualquer momento pudesse enfrentar um perigo, algo desconhecido o aguardava e isso ele sabia. Aquela bela mulher poderia ser uma feiticeira, talvez essa fosse a melhor explicação pelo seu súbito interesse nela. Gareth não era nenhum inocente, ele conhecera várias mulheres belíssimas e jamais pôde se interessar por alguma. Na melhor das hipóteses um envolvimento voltado a satisfação de um homem e seu instinto de acalmar seu corpo. Nada além de um sexo normal e sem compromisso.

Dando passos firmes, ele caminhou em direção a luz bruxuleante de uma espécie rústica de castiçal feito de ossos e algum outro material retorcido e desconhecido aos olhos do cavaleiro dos sete dragões. Uma leve tontura o fez colocar a sua mão na parede, mantendo o equilíbrio daquela súbita fraqueza. Era evidente que ainda não estava totalmente recuperado de sua última aventura. Gareth sentiu sua boca seca, passou a língua nos lábios para umedecê-los, estava sentindo-se uma criança. Não estava habituado a demonstrar tanta fragilidade.

“Mas raios está me acontecendo?”

Gareth se perguntava e mesmo sentindo seus olhos pesarem, esforçou-se a chegar ao final daquele labirinto e parou subitamente com os olhos arregalados ao que estava vendo.

A sua frente uma espécie de comunidade feminina se agitava em trabalhos e lutas. Todas até o momento eram mulheres, seus olhos percorriam o lugar totalmente desconhecido. Era óbvio que acabara caindo na floresta de Brianna, onde as amazonas, viviam em total reclusão.

Gareth ouvira várias lendas e algumas selvagerias das amazonenses, de imediato pensou estar bem encrencado. Mas ainda respirava, e sabia que aquela mulher o havia salvado. Seria muito sadismo salvá-lo, e depois matá-lo? O homem balançou a cabeça tentando eliminar esses pensamentos insanos. No segundo que ele chegou próximo da Samira, várias outras guerreiras colocaram lanças pontiagudas em seu peito impedindo sua trajetória.

— Hã... afinal o que vocês pretendem... fazer comigo? — as risadinhas das outras mulheres, que o observavam o deixaram ainda mais desconfortável, e ainda mais ridículo estava com aquele lençol cobrindo sua cintura a baixo.

Gareth não desviou das pontas das lanças que mancharam seu peito com seu próprio sangue, seus olhos cintilavam confiantes e desafiadores. Samira aproximou-se das “irmãs” e pousou a mão nas lanças que foram retiradas imediatamente do peito musculoso do cavaleiro.

— Esta noite — Samira começou a falar elevando o tom de sua voz — os espíritos nos deram um sinal. Por muito tempo ficamos escondidas nesta floresta, jamais violamos as regras de nossa mãe Brianna. Só que muitas de nós nos misturamos ás mulheres da vila do rei Thortien, apenas por saciar nossas vontades femininas e de nos mantermos “civilizadas”, sem chamarmos a atenção sobre qualquer uma de nós. Não interferimos nas leis dos homens, e não permitimos que interfiram em nossa lei. Não cobiçamos as terras e nem as riquezas alheias, pois temos tudo o que queremos aqui, na floresta de Brianna. E assim, vivemos por muitos e muitos anos, séculos até.

Gareth escutava atentamente o que aquela mulher estava tentando explicar-lhe, com seu coração pulsando grosseiramente em seu peito sem saber bem o motivo que estava tão nervoso, entreabriu os lábios para emitir alguma palavra. Mas a palavra lhe foi negada, apenas com o balançar da cabeça da misteriosa amazona que o fitava tão intensamente.

— Você, cavaleiro do rei. Caiu dos céus em nossa floresta. A morte lhe era certa. E contrariando as regras de algum homem repousar em nossas tendas, lhe demos abrigo, cuidado e comida — Samira movimentou seu corpo ao redor do cavaleiro, que permanecera ereto e atento ao que poderia acontecer, enquanto a mulher continuava seu monólogo — E, nos perguntamos, porque você foi salvo pela mãe natureza? O que lhe confere de especial a estar em pé diante de nossos olhos?

Gritos das demais mulheres empunhando diversificadas armas o cercaram. Gareth não se intimidou, continuou encarando a jovem Samira. Causando espanto nas demais guerreiras ao ouvir o som grave e penetrante daquela voz rouca e masculina.

— Apenas tenho a agradecer os cuidados que dispuseram a me prestar, estava sendo levado por um grifo, que tentava machucar meus amigos. O feiticeiro Sostefhys ganhou grandes poderes e assolou nossa cidade em Aislin. E, desde então estamos todos empenhados em salvar os sobreviventes dessa tragédia que se abateu sobre nós. Conheço a lenda dessa Floresta, nosso rei perdeu seu pai, em sua juventude aqui nesse reino. E hoje sabemos, que a ganância de seu pai, acabou em tragédia — Gareth deu um passo a frente e foi impedido.

—Parado aí. Também conhecemos a maldição de seu novo rei Thortien. Nossa mãe Brianna lutou por todas nós bravamente contra seus soldados, transformou o rei antigo em pedra e amaldiçoou seu filho que o seguia naquela brutalidade, de jamais gerar um filho.

As palavras severas daquela mulher o emudeceram, se isso realmente fosse verdade, como o rei Thortien estava comemorando o nascimento de seu filho?

Notas finais
Beijos e abraços a todos que me presenteiam com seus reviews! Bom feriado a todos!!