Brown Eyes

1 Capítulo 1- Karen e Shinara


Notas iniciais
Olá leitores... Primeira fic na minha conta secundária... "Mas Leoa, pra que vc tem uma conta secundária se ainda usa a conta normal?" Simples, aqui só posto fic's que já estão terminadas, assim não faço ninguém sofrer... EEEEEEEEEEEEEEEEEE... Agora vamos ao que interessa, bem-vindos a Brown Eyes... Enfim, boa leitura... P.s.: A música que sugiro para este capítulo é Estranged-Guns N'Roses... "Pq, Leoa?" Não sei, apenas sinto... https://www.youtube.com/watch?v=dpmAY059TTY

Shinara amarrou os cabelos loiros em um rabo de cavalo e calçou uma rasteirinha bege; em seguida, olhou para o espelho e se sentiu satisfeita com o visual. Depois de pegar a chave do carro em cima da bancada da cozinha e trancar a casa, entrou em seu Uno preto e partiu para a Escola Estadual Tarcísio Garcia para iniciar o terceiro ano de trabalho como professora. No primeiro, havia pegado uma turma de primeira série, no segundo, uma de quarta e, naquele ano, estava pegando uma de segunda série.

Não tinha do que reclamar sobre o emprego: o salário era ótimo, o ambiente, muito bem estruturado, os colegas, todos muito simpáticos e, além disso, Shinara adorava crianças, então sempre ia trabalhar com um sorriso no rosto.

Tudo já estava organizado na sala do segundo ano B, e os alunos começaram a chegar aos trios e às duplas. Ao soar do sinal, todas elas foram levadas para o pátio para cantar o hino e, em seguida, voltaram para iniciar a primeira aula que, como sempre, era só de apresentação.

— Bom dia, crianças — Shinara se pronunciou quando todos já estavam acomodados. — Vamos passar o ano todo juntos, então é melhor a gente já ir se conhecendo. O meu nome é Shinara Amorim, tenho 25 anos, minha cor favorita é branco e, nas horas vagas, eu gosto de desenhar pra me divertir. Agora é a vez de vocês: quero que digam nome, idade, cor que mais gostam e o que fazem pra se divertir. Começando por você.

O garotinho loiro com o rosto cheio de sardas e olhos de um angelical tom de mel que estava sentado na primeira cadeira da primeira fileira se levantou timidamente e disse:

— Meu nome é Gustavo Brito, tenho oito anos, minha cor favorita é verde, e eu... Ahn... Eu jogo “Mario World” e como Pringles.

— Ela não mandou você dizer o que come, menino bobo — ralhou uma aluna ruiva com olhos do mesmo tom de mel sentada mais para o meio da sala.

— Ninguém te perguntou nada, Bibi — Gustavo replicou, dando língua.

— Ei, ei. Nada de brigas, os dois. An... Bibi, não é? — a professora interveio.

— Gabrielle. Bibi é só pros amigos mais íntimos, humpf.

"Já vi que essa vai ser difícil, tsc, tsc", pensou Shinara, prendendo o riso com a expressão fofa de irritação que a pequena Gabrielle estava fazendo.

— Daqui a um tempo, seremos amigas. Você vai ver — disse, sorrindo gentilmente para a aluna. — Mas, olha, não pode brigar aqui. Na verdade, não se deve brigar em lugar nenhum, mas... Enfim... Era a vez de o seu amiguinho falar, e você o interrompeu. Não tinha problema ele falar que come Pringles. Até porque Pringles é crocante, divertido de comer.

— Obrigado! — exclamou Gustavo, pondo a mão sobre o peito de forma dramática. —Alguém nesse mundo me entende.

Shinara piscou para o menino, e Gabrielle bufou, mas a professora tratou logo de prosseguir com as apresentações.

— Okay, Gusta, pode sentar. Agora, você. Apresente-se — falou para a morena atrás dele.

— Ela me chamou de Gusta! — Gustavo murmurou empolgado para o colega do lado enquanto a menina de trás se apresentava. Em seguida, apoiou o queixo na mão e o cotovelo na mesa, olhando para a professora com uma expressão abobalhada.

Depois disso, as apresentações seguiram com poucas interrupções (considerando, é claro, que era uma turma de segunda série) até a última menininha que parecia não estar ciente do mundo ao seu redor enquanto fitava um ponto imaginário do lado de fora da janela quando Shinara apontou para ela.

— Hey, menininha. Você aí atrás.

Mas só quando a coleguinha a sua frente fez menção de cutucá-la a pequenina acordou para a realidade e olhou tudo em volta até parar com o olhar sobre a professora.

— Então? — Shinara perguntou, porém a menina apenas fez uma expressão confusa. — Qual seu nome, idade, cor favorita e o que faz pra se divertir? — Ela assumiu uma expressão neutra e sacudiu os ombros. — Vamos lá! Todo mundo já se apresentou, só falta você, então não precisa ficar tímida. — E a aluna tornou a sacudir os ombros. — Você não vai falar nada? — Ela fez sinal negativo com a cabaça. — Vamos lá, fale só um pouquinho conosco... — A menininha fez que não de novo e tornou a olhar para fora da janela.

Shinara franziu o cenho, mas a aura tristonha que envolvia aquela criança que escondia quase completamente o rosto com uma cortina de longos cabelos castanhos lhe dizia que, por hora, era melhor deixá-la quieta. Quando a atenção das outras crianças estivesse presa em alguma coisa, daria a sua a ela.

— Bom, que tal vocês sentarem em círculo pra gente brincar de telefone sem fio? —propôs parar os baixinhos, desviando o olhar da garotinha misteriosa.

— Professora, o que é telefone sem fio? — questionou Sarah Elie, dona de sobrancelhas finas e bem desenhadas pela natureza, que se sentava mais para o meio da sala.

— A gente senta em círculo, e uma pessoa diz uma frase no ouvido do colega do lado, que tem que repetir no ouvido do colega do lado dele até chegar no fim do círculo. O último tem que falar bem alto pra ver se a frase tá certa — Gabrielle falou rápido antes que Shinara tivesse tempo de ao menos abrir a boca.

— Obrigada, Gabrielle. — A professora sorriu de forma divertida, fazendo uma nota mental para lembrar Gabrielle que deveria levantar a mão antes de falar, mas só depois, em particular. Pigarreou e concluiu: — É isso mesmo que ela falou. Vamos brincar?

Logo o som de arrastar de cadeiras preencheu a sala e, em poucos segundos, as crianças haviam formado um círculo do qual a menininha do canto se excluiu. Ela continuou encarando o impressionantemente interessante ponto invisível no jardim da escola.

Shinara mordeu o lábio tentando conter a preocupação extrema que ocupava seu peito pelo menos até o intervalo. Mas a vontade de abraçar aquela pequenina e espantar sua tristeza era quase esmagadora.

Gabrielle ficou sutilmente irritada por não ter sido a primeira do telefone sem fio; já Gustavo estava se sentindo ainda mais especial por ter sido ele. Depois de ter falado a frase para Luana, a moreninha ao seu lado, ele voltou a encarar a professora com uma expressão abobalhada.

O recreio chegou bem no meio da terceira rodada da brincadeira. Gustavo se recusou a sair de sala de imediato, mas, com Shinara pedindo com jeitinho, ele foi brincar com os novos coleguinhas, contrariado.

A professora se aproximou devagar e tentou tocar o ombro da menininha calada, que recuou no mesmo instante.

— O que foi, menininha? Não gosta que te toquem? — A pequena negou com a cabeça e manteve o corpo encolhido. — Tudo bem, então não vou tocar em você. Não precisa se encolher assim. — Shinara conseguia sentir a tristeza e a solidão por trás das paredes de gelo que aquela menina tão pequena e frágil construíra ao redor de si, e era simplesmente de cortar o coração. — Você também não gosta muito de falar, né? — Dessa vez, a aluna não gesticulou de nenhuma forma, como se não soubesse a resposta para essa pergunta ou como expressá-la. — Você pode falar comigo, sabe? — A criança ergueu a cabeça um pouco assustada e, pela primeira vez, Shinara encarou os olhos castanho-achocolatados dela: eram encantadores, mas evidentemente tristes. Alcançavam a alma. — Quero dizer, se quiser. E quando quiser. Você sabe que pode, não é?

O medo e a preocupação diminuíram no peito da baixinha. Não desapareceram, mas de fato diminuíram. O jeito como os olhos da professora encaravam com tanta sinceridade os seus de alguma forma lhe passava uma segurança que não sentia havia meses. Por isso, ela assentiu sem parecer hesitante pela primeira vez. Embora não soubesse muito bem o porquê, confiava que, quando estivesse pronta, poderia conversar sobre qualquer coisa com a professora.

— Sei que não vai falar agora, e eu não vou exigir isso, mas ao que me pareceu, você está muito interessada no lado de fora da janela, então seria legal se quando eu começar os assuntos você começar a prestar atenção aqui, okay? Quero suas notas boas no fim do bimestre, mas isso não depende de mim, certo? — De novo, ela assentiu. — Posso ao menos saber o seu nome, pequena?

E os lábios da menina se entreabriram. Os ombros de Shinara ficaram tensos em expectativa. A aluna abriu e fechou a boca inúmeras vezes, porém, no final, bufou, vendo-se derrotada pela própria inibição. Pegou o caderno e mostrou a contracapa, na qual uma única palavra estava artisticamente desenhada em azul, vermelho e dourado cheio de glitter: Karen.

— Foi você que fez? — Karen negou com a cabeça e sorriu torto. — Eu acho que Karen é um nome muito bonito e juro que não tô falando isso só pra te agradar. — Corando, a garotinha abaixou a cabeça um segundo, mas tornou a mirar a professora quando ela retomou a oratória. — O meu nome é Shinara. — A menor fez uma expressão confusa e apontou para o bordado azul-marinho na camisa social branca do uniforme da professora, que dizia:

"Shinara Amorim

Professora 2B"

Shinara soltou uma risadinha abafada antes de começar a explicar.

— É, todo mundo fica surpreso quando descobre que a pronúncia é "Cinara", não "Xinara". Mas quase todo mundo acaba me chamando de "Xinara" mesmo. Ou de "Xi", simplesmente. Você tem uma vantagem sobre mim nesse aspecto. Karen é um nome fácil.

Karen balançou os ombros e pegou uma caneta de tinta roxa no estojo lilás ao lado de seu caderno. Escreveu até rápido e com uma letra bonita para uma menina de 7/8 anos de idade: "Mas não é único como o seu, gostei de Shinara".

Depois que a professora leu a frase, tornou a encarar as íris achocolatadas da pequena. Notou o sorriso discreto, porém sincero, nos lábios naturalmente rosados e se sentiu feliz por ter conseguido ao menos enganar sua tristeza por um segundo.

Continua...

Notas finais
Então? O que acharam? Gente, vcs não tem noção do meu inlove por Karen, Gusta e Bibi... xoxo Atenciosamente, Leoa Santana...