Brother's Grimes
2 II- New enemies
Notas iniciais
How could we not talk about family
When family's all that we got?
Naquele momento era a pior coisa que eu poderia ver, mas como o orgulho sempre fala mais alto apenas passei por eles fingindo não me importar.
— Agradeço pela ajuda.
Foi a única coisa que consegui dizer enquanto subia os degraus para entrar em casa. Michonne estava sentada em um dos sofás com a Judith e veio em minha direção quando viu meu estado. —Carl, o que houve? Ouvi alguns tiros mas pensei que era Sasha dando um jeito em alguns andarilhos, porque estava na chuva?
A porta se abriu logo em seguida e apontei para os dois.
—Pergunte a eles.
Subi as escadas rapidamente não querendo ouvir sermão de Michonne e muito menos de Rick. Estava começando a sentir frio depois de toda adrenalina e uma súbita raiva, decidi tomar um banho.
Uma das poucas coisas que eu gostava em Alexandria era da boa e velha água quente. Alguns minutos depois voltei para meu quarto e vi que a chuva já tinha cessado. O tempo realmente estava louco ultimamente. Coloquei as roupas no cesto e meu chapéu para secar na janela. Ouvi batidas rápidas na porta. Não querendo ouvir ninguém falando que eu devia ser mais cuidadoso com as palavras, que ele era meu irmão e todo esse blá blá blá, respondi sem abrir a porta.
—Não quero receber visitas, volte mais tarde.
As batidas continuaram e decidi abrir. A última pessoa que eu queria ver na minha frente estava ali, me encarando com uma expressão triste e carente. Pude reparar que seus cabelos eram da mesma cor que o meu e o corte também. O olho não tinha muita diferença porem seu rosto estava coberto de esperança, bem diferente do meu normalmente.
— Posso ajudar? – Disse voltando a atenção para as roupas.
Provavelmente ele queria que eu fosse seu irmão nesse momento, mas ele tinha que perceber que estava tomando muito do meu espaço, eu não iria facilitar as coisas pra ele.
—Bem...-Ele diz como se estivesse calculando cada palavra que seria dita- Vim conhecer meu novo quarto.
Olhei para ele com cara de sarcasmo.
-Esta brincando, não esta?
— Não estou Carl. Rick me mandou aqui. Disse que devíamos interagir mais.
Coloquei o cesto no chão e criei coragem para fingir que estava gostando daquela idéia.
—Hum, ok então, você esta coberto de razão! Pode ficar com a cama da janela mas teremos regras. Eu controlo a luz, quando eu quiser que esteja acesa ela vai estar e quando eu não quiser ela estará apagada. Não mexa nas minhas coisas sem permissão, de resto faça o que quiser desde que não me atrapalhe nunca.
Olhei e vi sua cara de frustração, eu concordava com ela. Eu nunca disse que seria legal, eu estava calculando que a estadia de Thomas nessa casa seria temporária. Eu daria um jeito de tornar isso realidade. Minha primeira noite dormindo no mesmo quarto que Thomas foi relativamente tranquila. Não que eu gostasse da ideia de ele ficar até tarde com minha família la em baixo mas pelo menos quando ele entrou no quarto foi realmente para dormir. Conclui que ele não era como eu esperava. Ele não estava tentando ser legal para eu gostar dele ou tentando se aproximar a força e até tentando bancar o irmão mais velho chato e mandão, ele só estava se adaptando, deixando as coisas acontecer, eu gostava disso. Decidi tentar dormir já que amanhã daria aula de tiro para Thomas e sua mãe. Uma missão quase impossível .
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— Cara, tente acertar a garrafa, não eu!
Acordei quase sendo morto, mas tudo bem, eu já estava acostumado com essa situação. O dia hoje estava ensolarado diferente do dia anterior. A situação estava começando a desandar. Na madrugada mais um grupo de errantes chegou quando ouviu os barulhos de tiro mais cedo, foi preciso mais do que uma pessoa para extermina-los rapidamente. Por incrível que pareça começou a faltar alguns alimentos essenciais e as buscas estavam sendo quase que diariamente agora, e nesses momentos eu não poderia ajudar ja que tinha uma "missão" a cumprir. Fiquei bem chateado com a situação.
— Ok, me desculpe, mas com você me pressionando não consigo me concentrar, cale a boca um pouco Carl.
Olhei de relance e voltei a gritar palavras que motivavam ele e algumas que agrediam também. Se esse realmente era meu trabalho eu tinha que cumpri-lo direito. Mais alguns tiros e uma garrafa quebrada, ele estava evoluindo, tenho certeza.
— Tudo bem, depois continuamos, continue assim e você será morto em dois tempos.
Sua cara de frustração me fez rir, eu sabia que ele estava se esforçando. Chequei a quantidade de balas de minha arma mas algo me chamou mais atenção. Ouvi Thomas e Enid trocando algumas palavras, fui em passos largos na mesma direção como quem não quer nada.
—Ah, então quer dizer que ja se conhecem? — Disse passando um braço pelas costas de Enid.
— Sim Carl. Você com seu orgulho perdeu algumas reuniões e seu irmão me deu o prazer de sua companhia. — Enid me olha com olhar desconfiado.
— Tudo bem, obrigada por cumprir seu trabalho Thomas, mas ja estou de volta, ela não precisa mais de sua companhia. — Digo batendo em seu peito como se ele fosse um verdadeiro campeão.
Eu estava começando a gostar de Thomas, mas depois que ele também estava bem próximo de Enid, como se já não bastasse de meu pai, as coisas se inverteram.
—Ei cara, não vou roubar sua namorada, ela só esta sendo legal comigo, coisa que você deveria tentar ser.
Vejo ele se virando com um sorriso presunçoso e indo em passos lentos para outro lugar.
—Thomas, ele não é meu namorado. — Enid disse indo atrás de Thomas.
Tudo bem ele roubar meu pai, isso eu conseguia dividir numa boa. Agora Enid estava fora de cogitação, algumas decisões não legais seriam tomadas.
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