Brother's Grimes
3 III- The discord
Notas iniciais
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
Acordo com um terrível pesadelo que já me assustava há anos. Esse mesmo pesadelo me assombrava nas piores noites possíveis. Minha mãe dizia coisas estranhas na minha mente em forma de zumbi e na pior das hipóteses em alguns pesadelos tentava me matar também.
Vejo que o dia estava amanhecendo ainda, ja era costume meu acordar cedo. Me viro para o lado e vejo que Thomas ja não estava mais em sua cama apesar da mesma ainda estar bagunçada. Checo minha gaveta onde minha arma normalmente fica pra confirmar que ainda estava lá. Estava.
Desço as escadas e vejo que não há ninguém. Saio até a porta e vejo a maioria das pessoas formando uma roda perto do portão. Corro até lá e vejo Lucy, a mãe do Thomas chorando ajoelhada no chão e Thomas tentando conforta-la. Percebo que havia pessoas ainda com suas roupas de dormir.
— Michonne, o que houve aqui? — Digo passando por algumas pessoas.
— O namorado dela — Ela aponta para a Lucy- se matou há alguns minutos.
A maioria ouviu o tiro e veio ver o que era. Lucy estava chorando e perguntando pra Deus porque ele tinha se matado. Como se ele soubesse ou ao menos se importasse. Ao pouco a pequena multidão foi se dispersando ficando apenas meu pai, Thomas, Lucy, eu e o tal cara morto. Me senti péssimo por nem ao menos saber seu nome.
— Sinto muito Lucy.
Foi a única coisa que consegui dizer. Ela me olhou e por entre as lágrimas me deu um sorriso triste. Meu pai se ajoelhou ao lado dela e a confortou. Me senti mais péssimo ainda. Thomas se levantou e começou a andar para algum lugar qualquer e eu fui atrás dele.
— Sinto muito Thomas.
— Tudo bem cara. Eu não gostava muito dele mas jamais queria que ele se matasse, me sinto mal sabe? Com vontade de vomitar.
Ele da um sorriso e eu retribuo.
— Acho que por muitos dias sua mãe não vai querer mais pegar numa arma. Parece que agora somos só eu e você. Professor e aluno. Mestre e aprendiz.
— Cala boca.
Ele me empurra de um jeito brincalhão e me deixa sozinho. Minha relação com o Thomas ainda não estava bem pois eu não esqueci o jeito que Enid me tratou por sua causa.
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— Meu Deus Carl, isto está horrível! Não coloquem ele mais para fazer o jantar, eu imploro- Dizia Thomas enquanto fingia que gorfava.
— Vai lá e faça melhor então. Coma essa maldita comida e não reclama.
Ouvíamos gargalhadas pela sala inteira. Hoje era um dia em que todos se reuniam e faziam um jantar coletivo. Ja tínhamos perdido o senso de dia da semana então era apenas um dia aleatório.
— Não está tão ruim assim gente. Qual é, é a primeira vez que ele participa da cozinha, dê alguns créditos a ele. — Rick me defendia.
Meu pai estava certo. Era a primeira vez que eu cozinhava. Infelizmente a escolha dos cozinheiros era feita por sorteio e adivinha? Meu nome estava lá. Mas felizmente Tara e Carol também tinham sido escolhidas para minha salvação. Esse dia era um dos meus dias preferidos em que todo mundo se reunia e ficávamos felizes e por qualquer segundo que esquecíamos nossa atual situação, já valia a pena.
— Eu discordo de vocês. Essa comida esta uma delícia. — Michonne piscou pra mim.
Quando terminado o jantar cada um lavava seu prato para facilitar para os donos da casa. Nos despedíamos e íamos para nossa casa dormir a não ser os que tinham que ficar de vigia a noite e depois trocar de turno. E hoje era meu dia de turno, o primeiro da noite no caso e então fui até meu posto.
Depois de alguns minutos lá, me sentei e olhei por Alexandria. Eu era tão agradecido por aquele lugar e aquelas pessoas. Sai de meus pensamentos babacas quando vi duas pessoas subindo o muro de Enid. E sim eu apelidei-o assim pois quando ela ia para a floresta sempre ia por lá. Peguei o binóculo e vi que era a própria, porém estava acompanhada de Thomas. Aquele cretino. Eu estava me perguntando por que os dois estavam saindo essas horas mas expulsei meus pensamentos. Coloquei minha arma no coldre e fui atrás dele. Meu defeito principal sempre foi a curiosidade.
Escalei o muro e já ao longe vi uma lanterna que eles deviam ter pegado de alguém e comecei a segui-los. Eu estava muito indignado pois nenhum estava com uma arma aparentemente. Eles eram tão tolos que tive vontade de rir. De segundo em segundo eles olhavam para trás, parecia que sabiam que estava sendo seguidos mas continuavam em frente. Até que enfim eles pararam e pegaram uma flor. Uma flor cara? tudo isso por uma flor? Quando eu ia aparecer e falar que eles eram idiotas vi um farol passando pela estrada que tinha perto das flores. Ouvi um tiro e gritei para Thomas e Enid saírem de lá.
— Vocês são loucos? Corram.
Corri na frente deles enquanto me seguiam. Ouvi um zumbi e peguei um galho que estava no chão e corri na sua direção decepando metade de sua cabeça mas nunca parando de correr.
— Carl, porque estava seguindo a gente? Você é tão estúpido.
Ouvi Enid gritar com raiva estampada em sua voz.
Continuamos ouvindo passos atrás de nós que parecia estar correndo bem mais rápido que a gente. Ouvi mais uma frase de Enid porém ela foi cortada ao meio. Olhei para trás e vi apenas Thomas gritando alguma coisa. Vi um cara com listras no rosto arrastando Enid pra longe de nós.
Instantaneamente me virei para correr atrás dela porém Thomas me puxou e por incrível que pareça ele era mais forte que eu.
— Cara, não podemos ir, olhe para seu lado esquerdo.
Havia uma horda de zumbis atrás da gente. Com lágrimas no rosto corri de volta a Alexandria. O muro da Enid estava longe para irmos por lá. Chegamos no portão principal e gritamos, dando murros nele. Abraham que tinha percebido que eu não estava em meu posto ja havia alertado para Rick. Os dois puxaram o portão e nós entramos.
— Pai, tem alguém lá fora, eles levaram a Enid e tinham listras no rosto e...
Meu pai já tinha me abraçado antes de eu colocar a cabeça no lugar. Quando me recoloquei no lugar virei para Thomas e disse a seguinte frase.
— É tudo culpa sua. Saquei minha arma e disparei.
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